<?xml version='1.0' encoding='UTF-8'?><?xml-stylesheet href="http://www.blogger.com/styles/atom.css" type="text/css"?><feed xmlns='http://www.w3.org/2005/Atom' xmlns:openSearch='http://a9.com/-/spec/opensearchrss/1.0/' xmlns:georss='http://www.georss.org/georss' xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'><id>tag:blogger.com,1999:blog-6996408022636835207</id><updated>2011-07-08T15:26:41.448+01:00</updated><category term='Relações interpessoais'/><category term='Sagrada Escritura'/><category term='António Vieira'/><category term='Comunicação'/><category term='Europa'/><category term='Literatura; Sagrado; Mircea Eliade'/><category term='Tolentino'/><category term='Saber lidar com os outros'/><category term='História'/><category term='Seomara da Veiga Ferreira'/><category term='Literatura'/><category term='Sermão'/><category term='Simone Weil'/><category term='Sagrado'/><category term='Arte'/><category term='Oração'/><category term='António Couto'/><category term='Torga'/><category term='alma'/><category term='Poesia'/><category term='Transcendência'/><category term='Fme'/><title type='text'>O Bom Pastor: Formação do Clero da Arquidiocese de Braga</title><subtitle type='html'></subtitle><link rel='http://schemas.google.com/g/2005#feed' type='application/atom+xml' href='http://obompastordiocesebraga.blogspot.com/feeds/posts/default'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6996408022636835207/posts/default?max-results=100'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://obompastordiocesebraga.blogspot.com/'/><link rel='hub' href='http://pubsubhubbub.appspot.com/'/><link rel='next' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6996408022636835207/posts/default?start-index=101&amp;max-results=100'/><author><name>obompastor</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08085080511645471150</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='33' height='32' src='http://www.pime.org.br/pimenet/imagens/mmjunejul2003-f31-a.jpg'/></author><generator version='7.00' uri='http://www.blogger.com'>Blogger</generator><openSearch:totalResults>121</openSearch:totalResults><openSearch:startIndex>1</openSearch:startIndex><openSearch:itemsPerPage>100</openSearch:itemsPerPage><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6996408022636835207.post-1746812552337402587</id><published>2010-08-24T00:56:00.003+01:00</published><updated>2010-08-24T01:04:32.585+01:00</updated><title type='text'>Assunção de Maria</title><content type='html'>&lt;div align="center"&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_K_i7t9i5bp8/THMMOFGcgSI/AAAAAAAAATQ/bdK3m9RS9aM/s1600/Tiziano+Vecellio,+1516-18,+Assump%C3%A7%C3%A3o.jpg"&gt;&lt;img style="TEXT-ALIGN: center; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 228px; DISPLAY: block; HEIGHT: 320px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5508760205231161634" border="0" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_K_i7t9i5bp8/THMMOFGcgSI/AAAAAAAAATQ/bdK3m9RS9aM/s320/Tiziano+Vecellio,+1516-18,+Assump%C3%A7%C3%A3o.jpg" /&gt;&lt;/a&gt; &lt;span style="font-size:85%;"&gt;Tiziano Vecelli, 1516-18&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Gostaria de meditar sobre um aspecto da afirmação dogmática, onde se fala de assunção à glória celestial. Hoje, todos nós estamos perfeitamente conscientes de que, com o termo "céu" não nos referimos a um lugar qualquer do universo, a uma estrela ou a algo de semelhante: não. Referimo-nos a algo de muito grande e difícil de ser definido com os nossos limitados conceitos humanos. Com este termo, "céu", queremos afirmar que Deus, o Deus que se fez próximo de nós, não nos abandona nem sequer na morte e além da morte, mas tem um lugar para nós e nos concede a eternidade; queremos afirmar que em Deus existe um lugar para nós. Para compreender um pouco mais desta realidade, olhemos para a nossa própria vida: todos nós experimentamos que, quando uma pessoa morre, continua a subsistir de alguma maneira na memória e no coração daqueles que a conheceram e amaram. Poderíamos dizer que neles continua a viver uma parte de tal pessoa, mas é como uma "sombra", porque também esta sobrevivência no coração dos próprios entes queridos está destinada a terminar. Deus, no entanto, nunca passa e todos nós existimos em virtude do seu amor. Existimos porque Ele nos ama, porque Ele nos pensou e nos chamou à vida. Existimos nos pensamentos e no amor de Deus. Existimos em toda a nossa realidade, não apenas na nossa "sombra". A nossa tranquilidade, a nossa esperança e a nossa paz fundamentam-se precisamente nisto: em Deus, no seu pensamento e no seu amor, não sobrevive unicamente uma "sombra" de nós mesmos, mas nele, no seu amor criador, nós somos conservados e introduzidos com toda a nossa vida, com todo o nosso ser na eternidade.&lt;br /&gt;É o seu Amor que vence a morte e nos confere a eternidade, e é este amor ao qual chamamos "céu": Deus é tão grande, a ponto de reservar um lugar também para nós. E o homem Jesus, que é ao mesmo tempo Deus, constitui para nós a garantia de que o ser-homem e o ser-Deus podem existir e viver eternamente um no outro. Isto quer dizer que de cada um de nós não continuará a existir somente uma parte que nos é, por assim dizer, arrebatada, enquanto outras caem em ruína; quer dizer principalmente que Deus conhece e ama o homem todo, o que nós somos. E Deus acolhe na sua eternidade aquilo que agora, na nossa vida feita de sofrimento e amor, de esperança, alegria e tristeza, cresce e se realiza. O homem todo, toda a sua vida é tomada por Deus e nele, purificada, recebe a eternidade. Caros amigos, penso que esta é uma verdade que nos deve encher de profunda alegria. O Cristianismo não anuncia somente uma qualquer salvação da alma num além indefinido, no qual tudo o que foi precioso e querido para nós neste mundo seria eliminado, mas promete a vida eterna, "a vida do mundo que há-de vir": nada daquilo que nos é precioso e querido cairá em ruínas, mas encontrará a plenitude em Deus. Todos os fios de cabelo da nossa cabeça estão contados, disse certo dia Jesus (cf. &lt;em&gt;Mt&lt;/em&gt; 10, 30). O mundo definitivo será o cumprimento também desta terra, como afirma São Paulo: "E também ela [a criação] será libertada da servidão da corrupção para participar, livremente, da glória dos filhos de Deus" (&lt;em&gt;Rm&lt;/em&gt; 8, 21). Assim, compreende-se como o Cristianismo incute uma esperança forte num porvir luminoso e abre o caminho para a realização deste futuro. Precisamente como cristãos, nós somos chamados a edificar este mundo novo, a trabalhar a fim de que um dia se torne o "mundo de Deus", um mundo que há-de ultrapassar tudo aquilo que nós mesmos poderíamos construir. Em Maria Assunta ao Céu, plenamente partícipe da Ressurreição do Filho, nós contemplamos a realização da criatura humana segundo o "mundo de Deus". &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Bento XVI&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;SP&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6996408022636835207-1746812552337402587?l=obompastordiocesebraga.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://obompastordiocesebraga.blogspot.com/feeds/1746812552337402587/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6996408022636835207&amp;postID=1746812552337402587' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6996408022636835207/posts/default/1746812552337402587'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6996408022636835207/posts/default/1746812552337402587'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://obompastordiocesebraga.blogspot.com/2010/08/assuncao-de-maria.html' title='Assunção de Maria'/><author><name>obompastor</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08085080511645471150</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='33' height='32' src='http://www.pime.org.br/pimenet/imagens/mmjunejul2003-f31-a.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_K_i7t9i5bp8/THMMOFGcgSI/AAAAAAAAATQ/bdK3m9RS9aM/s72-c/Tiziano+Vecellio,+1516-18,+Assump%C3%A7%C3%A3o.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6996408022636835207.post-2648285429935662112</id><published>2010-08-10T21:34:00.003+01:00</published><updated>2010-08-10T21:39:24.647+01:00</updated><title type='text'>Anti-épico</title><content type='html'>&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_K_i7t9i5bp8/TGG40mCit4I/AAAAAAAAATI/LfC8L4VIdoE/s1600/Banhistas.jpg"&gt;&lt;img style="TEXT-ALIGN: center; 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É para o que, de modo muito sucinto, tentaremos contribuir.&lt;br /&gt;Pensamos que, e antes de iniciar o elenco das questões éticas em apreço, será importante sublinhar que as questões éticas relacionadas com a biologia sintética não são, na sua essência, distintas das encontradas em novas áreas emergentes. Assim, a abordagem ética à biologia sintética é em tudo similar à abordagem das grandes questões éticas que se colocam noutras áreas de desenvolvimento recente (p.e. nanotecnologia, genética, neuroimagem). Importa ainda sublinhar que (...), em nosso entender, os excepcionalismos nas análises éticas destas diferentes áreas emergentes, nanoética, genética, neuroética, devem ser evitados, uma vez que fragmentam uma mesma área do conhecimento. Assim, aceitando que a intensidade das questões se coloca de forma diferente consoante a área em apreço, os grandes princípios são os mesmos.&lt;br /&gt;Em primeiro lugar, entendemos que a nova técnica descrita se exime a uma valorização ética. Na realidade, como geralmente acontece e é universalmente reconhecido, uma técnica é, em si mesma, moralmente neutra ( e só não é se envolver o recurso a passos que sejam lesivos da liberdade, dignidade e direitos humanos, ofendam os interesses dos animais ou prejudiquem o equilíbrio ecológico) e a avaliação ética transfere-se, nesta situação, para os usos que desta técnica se façam. O exemplo clássico é o da cisão do átomo, com consequências benéficas quando fornece energia a populações, com execráveis consequências quando aproveitada para fins militares.&lt;br /&gt;No caso em estudo, a técnica pode resultar em benefícios importantes: se os cientistas conseguirem modificar seres vivos de modo a transformá-los em produtores celulares de substâncias com potencial terapêutico (sobretudo se inovador) ou económico, parece óbvio que só se pode saudar o avanço assim obtido. Mas mesmo nesta eventualidade, podem alguns formular reservas éticas, baseadas na intervenção humana sobre a vida vegetal ou animal, disruptiva do equilíbrio naturalmente existente: os ecologistas dirão, talvez, que assim como é vedado ao Homem contribuir para a extinção das espécies, também lhe deve ser proibido criar novas espécies. Mais importante é o risco da difusão dessas espécies modificadas fora do meio laboratorial (ou industrial, se forem utilizadas em grande escala): se uma espécie bacteriana modificada se espalhar e multiplicar no ambiente, o que acontecerá a outras bactérias, indispensáveis inclusive à vida humana? Perderão o seu espaço vital, modificar-se-ão também? Há aqui riscos óbvios que obrigarão, desde o início, à adopção de rigorosas medidas de segurança na investigação em causa.&lt;br /&gt;O mau uso da técnica poderia conduzir à preparação de bactérias produtoras de toxinas letais ou de exaltada virulência ou dotadas de multi-resistência frente aos antibióticos. Espécies destas poderiam ser usadas em acções de guerra bacteriológica e conduzir à exterminação de populações inteiras, por inoculação da água de consumo ou por nebulização na atmosfera. É claro que estes cenários apocalípticos são altamente improváveis, mas a sofisticação crescente de redes fundamentalistas e terroristas aconselha à maior prudência e a uma regulação vigilante de toda a investigação que se venha a fazer nesta área.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;W. Osswald e Ana Sofia Carvalho, “Uma nova célula, uma nova vida?”, &lt;em&gt;in Brotéria&lt;/em&gt;, 5/6, vol. 170 (Maio/Junho 2010), pp. 441-443.&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;SP &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6996408022636835207-8076654711015789962?l=obompastordiocesebraga.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://obompastordiocesebraga.blogspot.com/feeds/8076654711015789962/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6996408022636835207&amp;postID=8076654711015789962' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6996408022636835207/posts/default/8076654711015789962'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6996408022636835207/posts/default/8076654711015789962'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://obompastordiocesebraga.blogspot.com/2010/07/uma-nova-celula-uma-nova-vidacont.html' title='Uma nova célula, uma nova vida(cont)'/><author><name>obompastor</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08085080511645471150</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='33' height='32' src='http://www.pime.org.br/pimenet/imagens/mmjunejul2003-f31-a.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_K_i7t9i5bp8/TEWPkHwzKbI/AAAAAAAAATA/ga7xfwFDkCU/s72-c/bact%C3%A9ria.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6996408022636835207.post-3110579968655105137</id><published>2010-07-20T02:51:00.003+01:00</published><updated>2010-07-20T03:02:03.632+01:00</updated><title type='text'>Uma nova célula, uma nova vida?</title><content type='html'>&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_K_i7t9i5bp8/TEUDTbgDgLI/AAAAAAAAAS4/ZbVfZUNcvmE/s1600/Science.jpg"&gt;&lt;img style="TEXT-ALIGN: center; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 244px; DISPLAY: block; HEIGHT: 320px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5495802552610160818" border="0" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_K_i7t9i5bp8/TEUDTbgDgLI/AAAAAAAAAS4/ZbVfZUNcvmE/s320/Science.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;O trabalho publicado por Craig Venter e colegas na revista &lt;em&gt;Science,&lt;/em&gt; uma das melhores revistas científicas do mundo, é, sem dúvida, um importante contributo não apenas para a modificação genómica bacteriana, (...) mas também para a “Biologia sintética” como área de investigação própria, plena de promessas e perspectivas. O que esta equipa conseguiu, ao fim de anos de tentativas, pode resumir-se do seguinte modo, sem entrar em pormenores técnicos especializados:&lt;br /&gt;A uma bactéria banal (um micoplasma, com poucos genes) foi retirado o material genético, que foi substituído por outro, preparado pelos cientistas. A bactéria multiplicou-se e as bactérias dela descendentes continuaram a apresentar o genoma que fora inoculado à célula mãe, isto é, criou-se em boa verdade uma nova espécie bacteriana, que poderá continuar a reproduzir-se sem limite de tempo. Para aumentar a proeza, o ADN inoculado não era um ADN “natural”, isto é, existente como tal na natureza, pois fora preparado a partir de sequências de ADN nativas, juntando-as como se fossem obtidas por um sistema de cortar e colar.&lt;br /&gt;São, pois, duas as grandes inovações deste trabalho: em primeiro lugar, o genoma da bactéria não foi apenas modificado, por adição de um gene (...), mas inteiramente substituído (o que é radicalmente novo); em segundo lugar, o ADN inoculado não era o de outra bactéria, antes tinha sido obtido por construção, a partir de blocos sequenciais adrede postos em contacto e, por assim dizer, encaixados uns nos outros (o que até agora ninguém conseguira fazer).&lt;br /&gt;Estamos, pois, em presença de uma dupla proeza científica de elevado valor heurístico. De facto, é de prever que não apenas esta equipa, mas muitos outros cientistas tentarão avançar nesta área, a partir do modelo relativamente simples (genoma bacteriano com reduzido número de genes, reprodução assexuada, número elevado de gerações em breve lapso de tempo) para alcançar resultados de relevância prática (que este trabalho não tem), tais como a “domesticação” de bactérias ou até de seres multicelulares de modo a torná-los produtores de substâncias com interesse terapêutico (citostáticos, imunomodeladores, vacinas, antibióticos, etc.) ou comercial (matérias primas, hidrocarbonetos, combustíveis...).&lt;br /&gt;Todavia, os comentários e interpretações veiculados pelos meios de comunicação transvazaram, bastantes vezes, desta área de verdade científica para difundirem noções hiperbólicas e sensacionalistas que não eram merecidas por tão importante trabalho científico (mas de que Craig Venter, há que reconhecê-lo, se não afastou suficientemente nas entrevistas que concedeu – ou fomentou). Assim, disse-se que tinha sido criada uma célula artificial ou que o ADN, código da vida, tinha sido fabricado em laboratório, o que conduzia à certeza de que o homem podia fabricar a vida, criar seres vivos, substituir-se ao Deus criador que as religiões monoteístas anunciam.&lt;br /&gt;Ora, é bem de ver que tais ilações são erradas, e falsos os seus pressupostos. Como acima se fez notar, a equipa de Venter não fabricou uma célula, antes usou células bacterianas banais; é certo que as modificou geneticamente, o que fora já realizado em menor escala, pelo que se poderá, quando muito, afirmar que foi criada uma nova estirpe (ou talvez espécie) bacteriana, mas nunca que foi criada uma célula viva. Por outro lado, o ADN inoculado não foi sintetizado ou fabricado, mas antes obtido a partir de sequências pré-existentes na natureza, pelo que é abusivo partir para especulações como a de criação de vida artificial.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;W. Osswald e Ana Sofia Carvalho, “Uma nova célula, uma nova vida?”, &lt;em&gt;in&lt;/em&gt; &lt;em&gt;Brotéria&lt;/em&gt; 5/6, vol. 170 (Maio/Junho de 2010), pp. 439-441.&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;SP &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6996408022636835207-3110579968655105137?l=obompastordiocesebraga.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://obompastordiocesebraga.blogspot.com/feeds/3110579968655105137/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6996408022636835207&amp;postID=3110579968655105137' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6996408022636835207/posts/default/3110579968655105137'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6996408022636835207/posts/default/3110579968655105137'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://obompastordiocesebraga.blogspot.com/2010/07/uma-nova-celula-uma-nova-vida.html' title='Uma nova célula, uma nova vida?'/><author><name>obompastor</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08085080511645471150</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='33' height='32' src='http://www.pime.org.br/pimenet/imagens/mmjunejul2003-f31-a.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_K_i7t9i5bp8/TEUDTbgDgLI/AAAAAAAAAS4/ZbVfZUNcvmE/s72-c/Science.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6996408022636835207.post-6907796432561754196</id><published>2010-07-08T00:55:00.002+01:00</published><updated>2010-07-08T01:01:06.777+01:00</updated><title type='text'>Ele é o cavador</title><content type='html'>&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_K_i7t9i5bp8/TDUVE3vunhI/AAAAAAAAASw/JyQ3BVtJwmc/s1600/Maio.jpg"&gt;&lt;img style="TEXT-ALIGN: center; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 230px; DISPLAY: block; HEIGHT: 320px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5491318494075985426" border="0" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_K_i7t9i5bp8/TDUVE3vunhI/AAAAAAAAASw/JyQ3BVtJwmc/s320/Maio.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Ele é o cavador e o trabalho e a vinha&lt;br /&gt;É ele que tem os aguaceiros de Outono –&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ele tem a giesta onde faz nascer a neblina&lt;br /&gt;Ele abriga-nos, é ele que tem as nuvens&lt;br /&gt;Ele tem o desenho das copas que dão fruto&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ele nem sequer se assemelha à luz nunca tocada&lt;br /&gt;E estende sobre nós a cura&lt;br /&gt;Os ramos da oliveira como o braço de quem afaga&lt;br /&gt;Ele faz-nos provar o paladar inesgotável da escrita&lt;br /&gt;Ela parte a broa e dá-nos ambas as mãos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É ele que conserva o mecanismo dos pássaros&lt;br /&gt;É ele que move os moleiros quando param os moinhos&lt;br /&gt;É ele que puxa a corda dos bois e a linha&lt;br /&gt;Do céu que assinala os limites dos montes&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ele é que eleva o corpo dos santos, é ele&lt;br /&gt;Que amestra o pólen para o mel, ele decide&lt;br /&gt;A medida da flor na farinha&lt;br /&gt;Ele deixa-nos tocar a orla dos seus mantos&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Daniel Faria, &lt;em&gt;Poesia &lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;SP&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6996408022636835207-6907796432561754196?l=obompastordiocesebraga.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://obompastordiocesebraga.blogspot.com/feeds/6907796432561754196/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6996408022636835207&amp;postID=6907796432561754196' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6996408022636835207/posts/default/6907796432561754196'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6996408022636835207/posts/default/6907796432561754196'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://obompastordiocesebraga.blogspot.com/2010/07/ele-e-o-cavador.html' title='Ele é o cavador'/><author><name>obompastor</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08085080511645471150</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='33' height='32' src='http://www.pime.org.br/pimenet/imagens/mmjunejul2003-f31-a.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_K_i7t9i5bp8/TDUVE3vunhI/AAAAAAAAASw/JyQ3BVtJwmc/s72-c/Maio.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6996408022636835207.post-7862381299375483142</id><published>2010-06-13T00:53:00.002+01:00</published><updated>2010-06-13T00:59:25.613+01:00</updated><title type='text'>Metamorfose</title><content type='html'>&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_K_i7t9i5bp8/TBQfIEwdKEI/AAAAAAAAASo/qJrUCnidymY/s1600/Peixe+Azul.jpg"&gt;&lt;img style="TEXT-ALIGN: center; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 320px; DISPLAY: block; HEIGHT: 250px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5482040869993130050" border="0" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_K_i7t9i5bp8/TBQfIEwdKEI/AAAAAAAAASo/qJrUCnidymY/s320/Peixe+Azul.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Era uma vez um pintor que tinha um aquário e, dentro do aquário, um peixe encarnado. Vivia o peixe tranquilamente acompanhado pela sua cor encarnada, quando, a certa altura, começou a tornar-se negro a partir – digamos – de dentro. Era um nó negro por detrás da cor vermelha que, insidioso, se desenvolvia para fora, alastrando-se e tomando conta de todo o peixe. Por fora do aquário, o pintor assistia surpreendido à chegada do novo peixe.&lt;br /&gt;O problema do artista era este: obrigado a interromper o quadro que pintava e onde estava a aparecer o vermelho do seu peixe, não sabia agora o que fazer da cor preta que o peixe lhe ensinava. Assim, os elementos do problema constituíam-se na própria observação dos factos e punham-se por uma ordem, a saber: 1º - peixe, cor vermelha, pintor, em que a cor vermelha era o nexo estabelecido entre o peixe e o quadro, através do pintor; 2º - peixe, cor preta, pintor, em que a cor preta formava a insídia do real e abria um abismo na primitiva fidelidade do pintor.&lt;br /&gt;Ao meditar acerca das razões por que o peixe mudara de cor precisamente na hora em que o pintor assentava na sua fidelidade, ele pensou que, lá de dentro do aquário, o peixe, realizando o seu número de prestidigitação, pretendia fazer notar que existia apenas uma lei que abrange tanto o mundo das coisas como o da imaginação. Essa lei seria a metamorfose. Compreendida a nova espécie de fidelidade, o artista pintou na sua tela um peixe amarelo.&lt;br /&gt;Herberto Hélder, &lt;em&gt;Retrato em Movimento&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;SP &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6996408022636835207-7862381299375483142?l=obompastordiocesebraga.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://obompastordiocesebraga.blogspot.com/feeds/7862381299375483142/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6996408022636835207&amp;postID=7862381299375483142' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6996408022636835207/posts/default/7862381299375483142'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6996408022636835207/posts/default/7862381299375483142'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://obompastordiocesebraga.blogspot.com/2010/06/metamorfose.html' title='Metamorfose'/><author><name>obompastor</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08085080511645471150</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='33' height='32' src='http://www.pime.org.br/pimenet/imagens/mmjunejul2003-f31-a.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_K_i7t9i5bp8/TBQfIEwdKEI/AAAAAAAAASo/qJrUCnidymY/s72-c/Peixe+Azul.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6996408022636835207.post-2828018530867060948</id><published>2010-06-10T00:13:00.002+01:00</published><updated>2010-06-10T00:20:58.576+01:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_K_i7t9i5bp8/TBAhpPXMlQI/AAAAAAAAASg/ANIsXxfniBc/s1600/Bolas+de+sab%C3%A3o.jpg"&gt;&lt;img style="TEXT-ALIGN: center; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 320px; DISPLAY: block; HEIGHT: 210px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5480917738892072194" border="0" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_K_i7t9i5bp8/TBAhpPXMlQI/AAAAAAAAASg/ANIsXxfniBc/s320/Bolas+de+sab%C3%A3o.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;As bolas de sabão que esta criança&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;se entretém a largar de uma palhinha&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;são translucidamente uma filosofia toda.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Claras, inúteis e passageiras como a Natureza,&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;amigas dos olhos como as cousas,&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;são aquilo que são&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;com uma precisão redondinha e aérea&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;e ninguém, nem mesmo a criança que as deixa,&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;pretende que elas são mais do que parecem ser.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Algumas mal se vêem no ar lúcido.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;São como a brisa que passa e mal toca nas flores&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;e que só sabemos que passa&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;porque qualquer coisa se aligeira em nós&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;e aceita tudo mais nitidamente.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Alberto Caeiro&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;SP&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6996408022636835207-2828018530867060948?l=obompastordiocesebraga.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://obompastordiocesebraga.blogspot.com/feeds/2828018530867060948/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6996408022636835207&amp;postID=2828018530867060948' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6996408022636835207/posts/default/2828018530867060948'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6996408022636835207/posts/default/2828018530867060948'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://obompastordiocesebraga.blogspot.com/2010/06/as-bolas-de-sabao-que-esta-crianca-se.html' title=''/><author><name>obompastor</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08085080511645471150</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='33' height='32' src='http://www.pime.org.br/pimenet/imagens/mmjunejul2003-f31-a.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_K_i7t9i5bp8/TBAhpPXMlQI/AAAAAAAAASg/ANIsXxfniBc/s72-c/Bolas+de+sab%C3%A3o.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6996408022636835207.post-3281019445949269224</id><published>2010-05-25T18:36:00.003+01:00</published><updated>2010-05-25T18:48:33.159+01:00</updated><title type='text'>Primeira Célula Viva Artificial</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_K_i7t9i5bp8/S_wLGgi5X1I/AAAAAAAAASY/u-ksQrY4FVs/s1600/primera%2520celula%2520artificial%25201%5B1%5D.jpg"&gt;&lt;img style="TEXT-ALIGN: center; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 320px; DISPLAY: block; HEIGHT: 240px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5475263453419102034" border="0" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_K_i7t9i5bp8/S_wLGgi5X1I/AAAAAAAAASY/u-ksQrY4FVs/s320/primera%2520celula%2520artificial%25201%5B1%5D.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O Vaticano manifesta-se com prudência até compreender melhor as possíveis implicações éticas, admitindo que esta descoberta é um sinal “da grande inteligência” do homem.&lt;br /&gt;“Todos os êxitos científicos são válidos se se adequarem à dimensão ética”, a qual leva no seu coração a dignidade autêntica da pessoa”. Foi esta a reacção do presidente da Conferência Episcopal Italiana, cardeal Angelo Bagnasco, arcebispo de Génova, ao ser questionado sobre a posição da Igreja acerca da bactéria obtida nos Estados Unidos a partir de ADN sintético.&lt;br /&gt;O ser vivo obtido no Instituto J. Craig Venter de Rockville é uma bactéria dotada de um genoma artificial. Este genoma é uma cópia, com algumas pequenas diferenças, do de uma bactéria real. A novidade é que este genoma foi reconstruído em laboratório a partir de informações genéticas introduzidas num computador. Este avanço científico abre caminho para manipular genomas tendo em vista a criação de micro-organismos benéficos para a Humanidade. Por esse motivo, a Santa Sé está a reunir informações com vista a poder oferecer um juízo ético sobre a notícia dada pelos geneticistas estadunidenses.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Bagnasco reconheceu em Turim que a confirmação desta descoberta será “mais um sinal da grande inteligência do homem”, embora o próprio director do Gabinete de Informação da Santa Sé, o padre Federico Lombardi, tenha falado com cautela: “É necessário esperar, para saber mais sobre este caso”. Declarações semelhantes foram as do arcebispo Rino Fisichella, presidente da Academia Pontifícia para a Vida, e do seu predecessor no cargo, monsenhor Elio Sgreccia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A descoberta foi anunciada na revista &lt;em&gt;Science&lt;/em&gt;, por Craig Venter, conhecido como um dos pais do genoma humano. Venter afirmou que a sua equipa tinha criado, pela primeira vez, uma célula controlada por um genoma sintético.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;“O ADN não é a vida”&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A edição de 22 de maio, em italiano, do diário da Santa Sé, &lt;em&gt;L'Osservatore Romano&lt;/em&gt;, publica um artigo do doutor Carlo Bellieni, director do Departamento de Terapia Intensiva Neonatal da Policlínica Universitária de Siena (Italia) e membro da Academia Pontifícia para a Vida, no qual pede “audácia e cautela", segundo relata Zenit.&lt;br /&gt;Bellieni esclarece que a descoberta de Venter constitui uma meta para a biogenética; contudo, precisa que “não se criou a vida; substituiu-se um dos motores”.&lt;br /&gt;Citando o geneticista David Baltimore, do California Institute of Technology, acrescenta: “Não criaram a vida: apenas a copiaram”.&lt;br /&gt;“Para além da publicidade e dos títulos dos jornais, conseguiu-se um resultado interessante que pode ter aplicações e que deve ter regras, como tudo o que toca no coração da vida”, alerta Bellieni.&lt;br /&gt;"A engenharia genética pode fazer o bem" -continua. "Basta pensar na possibilidade de curar doenças cromossómicas”.&lt;br /&gt;“As intervenções sobre o genoma podem curar, mas tocam num terreno sumamente frágil, no qual o ambiente e a manipulação desempenham um papel que não deve ser menosprezado”. Assim, conclui, “o ADN, embora seja um óptimo motor, não é a vida”.&lt;br /&gt;Venter, a autor da descoberta, afirmou: “Creio que as regulamentações existentes não bastam, e como autores desta descoberta e responsáveis pelo seu desenvolvimento queremos que se faça tudo o que for possível para prevenir abusos". &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Traduzido e adaptado de Forumlibertas&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;SP&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6996408022636835207-3281019445949269224?l=obompastordiocesebraga.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://obompastordiocesebraga.blogspot.com/feeds/3281019445949269224/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6996408022636835207&amp;postID=3281019445949269224' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6996408022636835207/posts/default/3281019445949269224'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6996408022636835207/posts/default/3281019445949269224'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://obompastordiocesebraga.blogspot.com/2010/05/primeira-celula-viva-artificial.html' title='Primeira Célula Viva Artificial'/><author><name>obompastor</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08085080511645471150</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='33' height='32' src='http://www.pime.org.br/pimenet/imagens/mmjunejul2003-f31-a.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_K_i7t9i5bp8/S_wLGgi5X1I/AAAAAAAAASY/u-ksQrY4FVs/s72-c/primera%2520celula%2520artificial%25201%5B1%5D.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6996408022636835207.post-6729096325928092381</id><published>2010-04-07T19:41:00.004+01:00</published><updated>2010-04-07T19:48:22.387+01:00</updated><title type='text'>Vimos a Pedra</title><content type='html'>&lt;div align="center"&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_K_i7t9i5bp8/S7zS8mHxFiI/AAAAAAAAASA/dPZHpqFPr_s/s1600/Jacob+Cornelis+van+Oostsanen,1507,+Crist+aparecendo+a+Madalena.jpg"&gt;&lt;img style="TEXT-ALIGN: center; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 226px; DISPLAY: block; HEIGHT: 320px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5457468786933306914" border="0" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_K_i7t9i5bp8/S7zS8mHxFiI/AAAAAAAAASA/dPZHpqFPr_s/s320/Jacob+Cornelis+van+Oostsanen,1507,+Crist+aparecendo+a+Madalena.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Jacob Cornelis van Ootsanen.1507.&lt;/span&gt; &lt;span style="font-size:85%;"&gt;Cristo aparece a Madalena&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vimos a pedra vazia no interior da terra&lt;br /&gt;A manhã. Nós não tocámos a luz&lt;br /&gt;Inesperada. Pensámos&lt;br /&gt;Que já o sono sendo eterno te afastara&lt;br /&gt;E que farol que foste&lt;br /&gt;Agora onda após onda, brasa extinta, naufragava&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nunca mais, pensámos, dormirias na proa&lt;br /&gt;E quase desaprendêramos a guiar o barco&lt;br /&gt;Em nossas viagens não amainaria mais, pensámos, e chegar a casa&lt;br /&gt;Seria ver multiplicar-se&lt;br /&gt;A nossa fome como o peixe e como o pão&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Chegámos a terra porém e esperavas-nos&lt;br /&gt;Os pés furados como conchas sobre a areia&lt;br /&gt;E sentámo-nos em redor para comer.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Daniel Faria, &lt;em&gt;Poesia&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;SP&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6996408022636835207-6729096325928092381?l=obompastordiocesebraga.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://obompastordiocesebraga.blogspot.com/feeds/6729096325928092381/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6996408022636835207&amp;postID=6729096325928092381' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6996408022636835207/posts/default/6729096325928092381'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6996408022636835207/posts/default/6729096325928092381'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://obompastordiocesebraga.blogspot.com/2010/04/vimos-pedra.html' title='Vimos a Pedra'/><author><name>obompastor</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08085080511645471150</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='33' height='32' src='http://www.pime.org.br/pimenet/imagens/mmjunejul2003-f31-a.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_K_i7t9i5bp8/S7zS8mHxFiI/AAAAAAAAASA/dPZHpqFPr_s/s72-c/Jacob+Cornelis+van+Oostsanen,1507,+Crist+aparecendo+a+Madalena.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6996408022636835207.post-7807217972109754859</id><published>2010-04-07T00:19:00.005+01:00</published><updated>2010-04-07T00:42:13.235+01:00</updated><title type='text'>New York Times desmente-se a si mesmo nos ataques contra o Papa</title><content type='html'>&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_K_i7t9i5bp8/S7vGj_iiL8I/AAAAAAAAAR4/7ssLHuRx1U4/s1600/new_york_times_building.jpg"&gt;&lt;img style="TEXT-ALIGN: center; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 214px; DISPLAY: block; HEIGHT: 320px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5457173695143489474" border="0" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_K_i7t9i5bp8/S7vGj_iiL8I/AAAAAAAAAR4/7ssLHuRx1U4/s320/new_york_times_building.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;em&gt;O jornalista italiano Ricardo Cascioli explica no diário Avvenire que a documentação difundida pelo diário novaiorquino desmonta as suas próprias teses. Reproduzimos o texto de Cascioli.&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;Tudo começa a 15 de maio de 1974, quando um ex-estudante da St. John’s School para surdos, denuncia os abusos praticados contra si e contra outras crianças por Lawrence Murphy, entre 1964 e 1970, mas, conforme foi publicado, após uma investigação, o juiz encarregado arquiva o caso. A diocese de Milwaukee, por seu lado, afasta em seguida o padre Murphy, concedendo-lhe uma licença temporária por motivos de saúde (até novembro de 1974), a qual, porém, se torna definitiva. Uma carta da diocese de Superior, em 1980, explica que Murphy vive em Bounder Junction (Wisconsin), em casa da mãe, embora continuasse a exercer o ministério sacerdotal, ajudando o pároco local.&lt;br /&gt;Entretanto, multiplicam-se as denúncias à diocese de Milwaukee, e entre julho e dezembro de 1993, Murphy é submetido a quatro longos interrogatórios pelos responsáveis da arquidiocese, acompanhados por psicólogos peritos em pedofilia. Surge daí um quadro clínico de “pedófilo típico”, que aconselha tratamento psicológico para maníacos sexuais, além de acompanhamento pastoral/espiritual, bem como restrição da actividade ministerial. Do informe dos interrogatórios depreende-se que havia 29 denúncias de menores. Murphy admite “contactos” apenas com 19 das crianças implicadas. Os documentos posteriores demonstram que a arquidiocese de Milwaukee prosseguiu as investigações, procurando precisar a realidade e a magnitude dos factos. A 17 de julho de 1996, o bispo Rembert Weakland escreve ao então prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé, cardeal Joseph Ratzinger, pedindo esclarecimentos sobre o caso de Murphy e sobre um outro, não relacionado, de outro sacerdote, acusado de crimes sexuais e financeiros.&lt;br /&gt;Monsenhor Weakland faz referência à denúncia de 1974, e explica que só recentemente teve conhecimento de que alguns dos crimes sexuais tiveram lugar durante o sacramento da Confissão, pelo que tinha encarregado oficialmente um sacerdote da diocese, James Connell, de levar a cabo uma investigação profunda (o decreto é de dezembro de 1995). Um obstáculo ao apuramento dos factos –afirma monsenhor Weakland–consiste na compreensível reticência das crianças e da comunidade da St John’s School em tornar públicas circunstâncias embaraçosas. Monsenhor Weakland dirige-se à Congregação para a Doutrina da Fé para pedir esclarecimentos sobre a jurisdição neste caso de “crime de solicitação” (cânone 1387), e se é competência da diocese ou da Congregação.&lt;br /&gt;Dos sucessivos documentos parece que a carta não chegou nunca à mesa do cardeal Ratzinger e do então monsenhor Bertone, secretário da Congregação para a Doutrina da Fé. Em todo o caso, na falta de uma resposta, a arquidiocese de Milwaukee segue o seu caminho e, a 10 de dezembro de 1996, informa Murphy de que, a 22 de novembro, se tinha aberto um procedimento penal eclesiástico contra ele com um tribunal criado ad hoc. A petição da acusação é “expulsão de Murphy do estado clerical”.&lt;br /&gt;O problema que se coloca, ainda assim, é o da prescrição dos crimes cometidos, pelo que, segundo a norma do direito canónico, não se poderia proceder. Contudo, o arcebispo de Milwaukee tem intenção de conseguir uma derrogação do cânone, tendo em conta a situação física e psicológica das vítimas. Essa intenção foi depois avalizada por monsenhor Bertone, em carta de 24 de março de 1997. Em finais de 1997, o proceso passa para a diocese de Superior, mas o presidente do tribunal continua a ser o mesmo de Milwaukee, Thomas Brundage. Dos documentos apresentados pelo New York Times ressalta claramente a intenção das autoridades eclesiásticas de Milwaukee e Superior de actuar o mais rapidamente possível para chegar a um acto de justiça e de reparação para com as vítimas e a comunidade da St John’s School.&lt;br /&gt;Entretanto, Murphy escreve uma carta ao cardeal Ratzinger (12 de janeiro de 1998), pedindo a anulação do processo contra ele porque a Instrução de 1962 prevê, para começar a acção penal, um prazo de 30 dias desde o momento em que se apresenta a acusação. Murphy afirma ainda que, para além de estar arrependido, se encontra gravemente doente e vive retirado há 24 anos. Por isso pede que, pelo menos, não o expulsem do estado clerical.&lt;br /&gt;A 6 de abril de 1998, monsenhor Bertone escreve a monsenhor Fliss, bispo de Superior, em nome da Congregação para a Doutrina da Fé, explicando que, depois de ter examinado atentamente o caso, não existe prazo para a acção penal, como aduzia Murphy, pelo que o processo pode continuar, ainda que, acrescenta Bertone, se deva ter em conta o artigo 1341 do Código de Direito Canónico, segundo o qual uma sanção penal deve ser aplicada apenas depois de se ter constatado não ser “possível obter de modo suficiente a reparação do escândalo, o restabelecimento da justiça e a emenda do culpado” por outros meios.&lt;br /&gt;Monsenhor Fliss responde a 13 de maio a monsenhor Bertone, afirmando que, conforme indicação da Congregação, é necessário um processo a Murphy, tendo em conta a gravidade do escândalo e o grande sofrimento infligido à comunidade católica da St John’ School.&lt;br /&gt;Chega-se, assim, a 30 de maio, quando no Vaticano se realiza um encontro entre monsenhor Bertone, o subsecretário da Congregação para a Doutrina da Fé, Gianfranco Girotti, e os prelados norteamericanos afectados pelo problema. Da acta do encontro depreende-se que na Congregação há dúvidas sobre a possibilidade e a oportunidade do processo canónico, dada a dificuldade de reconstruir os factos sucedidos 35 anos antes, sobretudo no que respeita ao crime no confessionário, e dado que não existem outras acusações desde 1974. Assim sendo, Bertone, como conclusão do encontro, resume as duas linhas fundamentais que se devem aplicar: restrição territorial do ministério sacerdotal (na prática Murphy deve ficar em Superior), e uma acção decidida com o fim de conseguir o arrependimento do sacerdote, incluindo a ameaça de “expulsão do estado clerical”.&lt;br /&gt;O bispo de Milwaukee escreve ainda em 19 de agosto a monsenhor Bertone para pô-lo ao corrente das medidas tomadas para levar a cabo as líneas indicadas pela Congregação, e informá-lo do facto de que a sua diocese continuará a encarregar-se das despesas para apoiar a terapia das vítimas dos abusos sexuais. Finalmente, a 21 de agosto, Murphy morre, encerrando-se definitivamente o caso.&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;SP&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6996408022636835207-7807217972109754859?l=obompastordiocesebraga.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://obompastordiocesebraga.blogspot.com/feeds/7807217972109754859/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6996408022636835207&amp;postID=7807217972109754859' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6996408022636835207/posts/default/7807217972109754859'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6996408022636835207/posts/default/7807217972109754859'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://obompastordiocesebraga.blogspot.com/2010/04/new-york-times-desmente-se-si-mesmo-nos.html' title='New York Times desmente-se a si mesmo nos ataques contra o Papa'/><author><name>obompastor</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08085080511645471150</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='33' height='32' src='http://www.pime.org.br/pimenet/imagens/mmjunejul2003-f31-a.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_K_i7t9i5bp8/S7vGj_iiL8I/AAAAAAAAAR4/7ssLHuRx1U4/s72-c/new_york_times_building.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6996408022636835207.post-2023696200129900270</id><published>2010-03-30T16:57:00.003+01:00</published><updated>2010-03-30T17:01:31.290+01:00</updated><title type='text'>Chaga do Lado</title><content type='html'>&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_K_i7t9i5bp8/S7IgPeWFF4I/AAAAAAAAARw/vhI0wFgAwnc/s1600/Rueland+Frueauf,o+Jovem.+1496.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5454457548914890626" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 243px; CURSOR: hand; HEIGHT: 320px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_K_i7t9i5bp8/S7IgPeWFF4I/AAAAAAAAARw/vhI0wFgAwnc/s320/Rueland+Frueauf,o+Jovem.+1496.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Sempre nos pareceu estranho que os artistas que representaram Cristo crucificado lhe tenham colocado, quase sem excepção, a chaga no lado direito do peito. Deviam supor, logicamente, que o soldado romano que trespassou Cristo, querendo certificar-se de que estava morto, não tivesse escolhido o lado direito para lhe dar o golpe fatal, mas o esquerdo. É aí, com efeito, que sentimos palpitar o coração, é aí que sempre o imaginamos. Os artistas seriam, pois, levados a pensar que o centurião, por mais desatento ou ignorante que fosse da anatomia humana, deveria ter trespassado Cristo pelo lado esquerdo, se lhe queria atingir o coração.&lt;br /&gt;Poderíamos pensar que se fundamentaram nos Evangelhos. Contudo, desse pormenor não nos ficou nenhuma narrativa, nem no Evangelho em grego de S. João, o único que relata o episódio, nem na Vulgata, em latim. Também não aparece, quanto pudemos averiguar, nos relatos apócrifos que tanto apreciam minúcias realistas e pitorescas. S. João apenas diz que um dos soldados, vendo Cristo já morto, “perfurou-Lhe o lado com uma lança e logo saiu sangue e água” (Cap. XIX, 34). O termo grego que ele utiliza é πλευράν, que significa simplesmente lado, sem especificar se se trata do direito ou do esquerdo. A Vulgata latina traduz por &lt;em&gt;latus,&lt;/em&gt; igualmente sem qualquer especificação.&lt;br /&gt;Não poderá vir daqui, portanto, o hábito de representar Cristo ferido do lado direito, iconografia que terá começado nas iluminuras do Evangelho Siríaco, datado do ano 586. Aí se pode ver, de facto, Cristo na cruz a ser trespassado, no lado direito, por Longuinhos, nome que provém dos evangelhos apócrifos, e não dos canónicos.&lt;br /&gt;A predilecção dos artistas pelo lado direito poderia explicar-se por razões simbólicas. É ele o lado da salvação. É do lado direito que os artistas colocam o Bom Ladrão, embora os Evangelhos não digam de que lado ele estava; é do lado direito que colocam Nossa Senhora; é para o lado direito que inclinam a cabeça de Cristo quando morre; é para o lado direito que o fazem descair quando é descido da cruz; é para esse lado que Cristo convoca os que se salvam, no dia do Juízo Final; é ao lado direito do Pai que Cristo está sentado na sua glória; é ao lado direito de Cristo que Nossa Senhora é pintada depois de subir aos Céus. Simbolicamente, parece, pois muito mais conveniente pintar, desenhar ou esculpir, a chaga do lado direito porque o sangue e a água que dela saíram constituem sinais da salvação dos homens.&lt;br /&gt;Até do ponto de vista estético, seria também melhor colocar a chaga do lado direito. Se Cristo inclinou para lá o corpo, ao morrer, então seria muito mais fácil pintá-la. Bastava um simples traço vermelho. Se a colocassem do lado esquerdo, a inclinação do corpo para a direita faria com que a ferida ficasse mais aberta, tornando-se também mais difícil de pintar.&lt;br /&gt;Lembrámo-nos de verificar, por simples curiosidade, de que lado estava a chaga na síndone de Turim. Ficámos completamente estupefactos. A síndone de Turim revela que a chaga se encontra precisamente no lado direito! Os estudiosos determinaram mesmo que a lança penetrou entre a quinta e a sexta costelas. Mais ainda: para sair sangue e água (que é a linfa), como relata o Evangelho, a ferida teria que ser feita pelo lado direito, pois só assim atingiria a parte do coração que, nos cadáveres, fica cheia de sangue. Não se pode daqui concluir, de modo nenhum, que a fonte de inspiração dos artistas tenha sido o lençol no qual, segundo se crê, Cristo morto esteve envolvido. Bastaria uma só razão: apenas com a descoberta da fotografia foi possível, através do negativo fotográfico, olhar a “verdadeira realidade” que mostra a chaga do lado direito. No lençol, ela está no lado esquerdo porque a imagem do lençol é uma imagem invertida. Se os pintores se tivessem inspirado nela, teriam pintado a chaga no lado esquerdo, tal como a veriam no lençol. Mais ainda: só a partir dos inícios do séc. XIV é que se generaliza a pintura de Cristo na cruz com um pé em cima do outro (normalmente o direito sobre o esquerdo – Pietro Perugino coloca o esquerdo sobre o direito). Antes representavam-se geralmente separados. Ora a síndone mostra que os pés estiveram pregados um sobre o outro, mas, ao contrário da representação habitual, o pé esquerdo é que esteve sobre o direito. Outro pormenor ainda: salvo raríssimas excepções, os artistas colocam os pregos na palma das mãos. A síndone revela que eles foram cravados nos pulsos. A síndone de Turim não pode, pois, pelas razões apresentadas, e várias outras que não é oportuno aqui referir, ter sido a fonte iconográfica da crucifixão, apesar da localização da chaga do lado.&lt;br /&gt;Recentemente, encontrámos uma explicação que nos parece muito aceitável. Os soldados romanos treinavam-se a espetar a lança no peito dos inimigos pelo lado direito, uma vez que o lado esquerdo se encontrava protegido pelo escudo. O centurião romano que trespassou Cristo na cruz teria, pois, agido em conformidade com o treino que recebera.&lt;br /&gt;Será, então, de admitir que houve uma tradição não escrita que identificava o lado direito como o lado em que o soldado romano cravou a lança. Dizemos “não escrita” porque só no século XII, num sermão de São Bernardo sobre a Paixão de Cristo, é que aparece, pela primeira vez, uma referência ao lado direito.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Luís Silva Pereira&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6996408022636835207-2023696200129900270?l=obompastordiocesebraga.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://obompastordiocesebraga.blogspot.com/feeds/2023696200129900270/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6996408022636835207&amp;postID=2023696200129900270' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6996408022636835207/posts/default/2023696200129900270'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6996408022636835207/posts/default/2023696200129900270'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://obompastordiocesebraga.blogspot.com/2010/03/chaga-do-lado.html' title='Chaga do Lado'/><author><name>obompastor</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08085080511645471150</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='33' height='32' src='http://www.pime.org.br/pimenet/imagens/mmjunejul2003-f31-a.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_K_i7t9i5bp8/S7IgPeWFF4I/AAAAAAAAARw/vhI0wFgAwnc/s72-c/Rueland+Frueauf,o+Jovem.+1496.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6996408022636835207.post-4578746058607387682</id><published>2010-03-29T16:20:00.005+01:00</published><updated>2010-03-29T16:26:21.047+01:00</updated><title type='text'>O escândalo da pedofilia</title><content type='html'>&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_K_i7t9i5bp8/S7DF5hDp6RI/AAAAAAAAARo/w_yig17IQ44/s1600/O+Papa+e+a+sua+cruz.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5454076740662585618" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 320px; CURSOR: hand; HEIGHT: 240px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_K_i7t9i5bp8/S7DF5hDp6RI/AAAAAAAAARo/w_yig17IQ44/s320/O+Papa+e+a+sua+cruz.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;A questão dos padres pedófilos e homossexuais que surgiu recentemente na Alemanha, tem como alvo o Papa. Cometer-se-ia, no entanto, um grave erro se pensássemos que o golpe não conseguiria atingir o alvo, dada a enormidade da iniciativa. E seria um erro maior ainda se se considerasse que a questão será rapidamente ultrapassada, como tantas outras. Não é assim. Está em curso uma guerra. Não apenas contra a pessoa do Papa porque, nesse campo, a guerra é impossível. Bento XVI tornou-se inexpugnável na sua imagem, na sua serenidade, na sua limpidez, firmeza e doutrina. Basta o seu sorriso manso para derrotar um exército de adversários.&lt;br /&gt;Não, a guerra é entre o laicismo e o cristianismo. Os laicistas sabem que se um esguicho de lama atingir a batina branca, conseguir-se-á sujar a Igreja e, se se sujar a Igreja, então ter-se-á também sujado a religião cristã. É por isso que os laicistas acompanham a sua campanha com perguntas como: "Quem mandará ainda as suas crianças à Igreja?", ou, "quem mandará ainda os seus filhos para um colégio católico?", ou mesmo, ainda, "quem irá tratar os seus filhos num hospital ou clínica católica? ". Há alguns dias atrás, um laicista deixou escapar a sua intenção. Escreveu assim: "a extensão da difusão do abuso sexual de crianças por padres põe em causa a própria legitimidade da Igreja Católica, como garante da educação dos mais pequeninos." Não importa que esta sentença não tenha provas e esteja cuidadosamente escondida sob a fórmula "extensão da difusão": um por cento de padres pedófilos? Dez por cento? Todos? Não importa que a sentença seja desprovida de lógica: basta substituir "sacerdotes" por "professores", ou por "políticos", ou por "jornalistas" para "minar a legitimidade" das escolas públicas, dos parlamentos ou da imprensa. O que importa é a insinuação, mesmo à custa da grosseria do argumento: os padres são pedófilos, assim a Igreja não tem autoridade moral, logo a educação católica é perigosa, pelo que cristianismo é uma fraude e um perigo.&lt;br /&gt;Esta guerra do laicismo contra o cristianismo é uma batalha campal. Deve-se trazer à memória o nazismo e o comunismo para encontrar uma situação similar. Mudam os meios, mas o fim é o mesmo. Hoje, como ontem, o que se pretende é a destruição da religião. Na altura, a Europa pagou o preço por esta fúria destrutiva com a sua própria liberdade. É incrível que, especialmente na Alemanha, enquanto se bate continuamente com a mão no peito devido à memória do preço que se infligiu por toda a Europa, na Alemanha que hoje é uma democracia, se esqueça e não se entenda que a própria democracia estaria perdida se o cristianismo fosse apagado. A destruição da religião comportou então a destruição da razão. E hoje não significará o triunfo da razão laica, mas uma nova barbárie. Sob o plano ético, aí está a barbárie de quem mata um feto porque a sua vida seria prejudicial para a saúde psíquica da sua mãe; de quem diz que um embrião é um "monte de células" bom para experiências cientificas; de quem mata um velho porque ele já não tem uma família que o trate; de quem apressa o fim de um filho porque não está consciente e é incurável; de quem pensa que "progenitor A" e "progenitor Pai B" é o mesmo que "pai" e "mãe"; de quem acredita que a fé é como o cóccix, um corpo que já não participa na evolução porque o homem não já não precisa da cauda e está erecto por si mesmo. E por aí adiante. Ou então, e considerando o lado político da guerra dos laicistas ao Cristianismo, a barbárie será a destruição da Europa. Porque, abatido o cristianismo, permanecerá o multiculturalismo, que acredita que cada grupo tem direito à sua cultura; o relativismo, que pensa que cada cultura é tão boa quanto qualquer outra; o pacifismo, que nega que o mal existe.&lt;br /&gt;Esta guerra ao cristianismo não seria tão perigoso se os cristãos a compreendessem. Em vez disso, todas estas incompreensões envolvem muitos deles: teólogos frustrados pela supremacia intelectual de Bento XVI; bispos inseguros que consideram que qualquer compromisso com a modernidade é o melhor modo de actualizar a mensagem cristã; cardeais, em crise de fé, que começam a sugerir que o celibato dos sacerdotes não é um dogma, e que talvez fosse melhor reconsiderá-lo; intelectuais católicos felpudos que pensam que há uma questão feminina dentro da Igreja e um problema não resolvido entre o cristianismo e sexualidade; conferências episcopais que se enganam na ordem do dia e que, enquanto esperam por uma política de fronteiras abertas para todos, não têm a coragem de denunciar as agressões que os cristãos sofrem e as humilhações que são forçados a provar ao serem todos, indiscriminadamente, sentados no banco dos réus.&lt;br /&gt;Marcello Pêra, &lt;em&gt;Corriere della Sera&lt;/em&gt;, 17.03.2010 (resumo)&lt;br /&gt;Filósofo agnóstico e senador&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;SP&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6996408022636835207-4578746058607387682?l=obompastordiocesebraga.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://obompastordiocesebraga.blogspot.com/feeds/4578746058607387682/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6996408022636835207&amp;postID=4578746058607387682' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6996408022636835207/posts/default/4578746058607387682'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6996408022636835207/posts/default/4578746058607387682'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://obompastordiocesebraga.blogspot.com/2010/03/o-escandalo-da-pedofilia.html' title='O escândalo da pedofilia'/><author><name>obompastor</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08085080511645471150</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='33' height='32' src='http://www.pime.org.br/pimenet/imagens/mmjunejul2003-f31-a.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_K_i7t9i5bp8/S7DF5hDp6RI/AAAAAAAAARo/w_yig17IQ44/s72-c/O+Papa+e+a+sua+cruz.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6996408022636835207.post-4669121086002743732</id><published>2010-03-25T16:52:00.002Z</published><updated>2010-03-25T16:57:43.256Z</updated><title type='text'>Ponte entre Deus e os Homens II</title><content type='html'>&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_K_i7t9i5bp8/S6uVx4t1x5I/AAAAAAAAARg/RcK--5KEw4M/s1600/Ponte+Niteroi.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5452616458132899730" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 320px; CURSOR: hand; HEIGHT: 240px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_K_i7t9i5bp8/S6uVx4t1x5I/AAAAAAAAARg/RcK--5KEw4M/s320/Ponte+Niteroi.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Esta humanidade do sacerdote não corresponde ao ideal platónico e aristotélico, segundo o qual o verdadeiro homem seria aquele que vive unicamente na contemplação da verdade, e assim é bem-aventurado, feliz, porque tem só amizade com as coisas belas, com a beleza divina, mas "os trabalhos" fazem-nos os outros. Esta é uma suposição, enquanto que aqui se supõe que o sacerdote entre como Cristo na miséria humana, a leve consigo, vá ao encontro das pessoas sofredoras, se ocupe delas, e não só exteriormente, mas assuma interiormente sobre si, reúna em si mesmo a "paixão" do seu tempo, da sua paróquia, das pessoas que lhe são confiadas. Assim Cristo mostrou o verdadeiro humanismo. Certamente o seu coração está sempre fixo em Deus, vê sempre Deus, intimamente está sempre em diálogo com Ele, mas Ele carrega, ao mesmo tempo, todo o ser, todo o sofrimento humano entra na Paixão. Falando, vendo os homens que são pequenos, sem pastor, Ele sofre com eles e nós sacerdotes não podemos retirar-nos num &lt;em&gt;Elysium&lt;/em&gt;, mas estamos imersos na paixão deste mundo e devemos, com a ajuda de Cristo e em comunhão com Ele, procurar transformá-lo, guiá-lo para Deus.&lt;br /&gt;Dizemos, justamente, que Jesus não ofereceu a Deus algo, mas ofereceu-se a si mesmo e este oferecer-se a si mesmo realiza-se precisamente nesta compaixão, que transforma em oração e em grito ao Pai o sofrimento do mundo. Neste sentido também o nosso sacerdócio não se limita ao acto cultual da Santa Missa, no qual tudo é colocado nas mãos de Cristo, mas toda a nossa compaixão em relação ao sofrimento deste mundo tão distante de Deus, é acto sacerdotal, é &lt;em&gt;prospherein&lt;/em&gt;, é oferecer. Neste sentido, parece-me que devemos entender e aprender a aceitar mais profundamente os sofrimentos da vida pastoral, porque é exactamente esta a acção sacerdotal, é mediação, é entrar no mistério de Cristo, é comunicação com o mistério de Cristo, muito real e essencial, existencial e depois sacramental.&lt;br /&gt;É importante uma segunda palavra neste contexto. Diz-se que Cristo assim através desta obediência torna-se perfeito, em grego &lt;em&gt;teleiotheis&lt;/em&gt; (cf. &lt;em&gt;Hb&lt;/em&gt; 5, 8-9). Sabemos que em toda a &lt;em&gt;Torah&lt;/em&gt;, isto é, em toda a legislação cultual, a palavra teleion, aqui usada, indica a ordenação sacerdotal. Ou seja, a Carta aos Hebreus diz-nos que, precisamente fazendo isto, Jesus foi proclamado sacerdote, realizou-se o seu sacerdócio. A nossa ordenação sacerdotal sacramental deve ser realizada e concretizada existencialmente, mas também de modo cristológico, precisamente neste carregar o mundo com Cristo e para Cristo e, com Cristo, para Deus: assim tornamo-nos realmente sacerdotes, &lt;em&gt;teleiotheis&lt;/em&gt;. Por conseguinte, o sacerdócio não é uma coisa por algumas horas, mas realiza-se precisamente na vida pastoral, nos seus sofrimentos e nas suas debilidades, nas suas tristezas e também, naturalmente, nas alegrias. Assim, tornamo-nos cada vez mais sacerdotes em comunhão com Cristo.&lt;br /&gt;São Máximo o Confessor, na sua interpretação do Monte das Oliveiras, da angústia expressa precisamente na oração de Jesus, "não a minha, mas a tua vontade", descreveu este processo, que Cristo leva em si como verdadeiro homem, com a natureza, a vontade humana; neste acto "não a minha, mas a tua vontade", Jesus resume todo o processo da sua vida, isto é, do levar a vida natural humana à vida divina e deste modo transformar o homem: divinização do homem e assim redenção do homem, porque a vontade de Deus não é uma vontade tirana, não é uma vontade que está fora do nosso ser, mas é precisamente a vontade criadora, é precisamente o lugar onde encontramos a nossa verdadeira identidade.&lt;br /&gt;A verdadeira Jerusalém, a &lt;em&gt;Salem&lt;/em&gt; de Deus, é o Corpo de Cristo, a Eucaristia é a paz de Deus com o homem. Sabemos que São João, no Prólogo, chama a humanidade de Jesus "a tenda de Deus", &lt;em&gt;eskenosen en hemin&lt;/em&gt; (&lt;em&gt;Jo&lt;/em&gt; 1, 14). Aqui o próprio Deus criou a sua tenda no mundo e esta tenda, esta nova, verdadeira Jerusalém está, ao mesmo tempo, na terra e no céu, porque este Sacramento, este sacrifício se realiza sempre entre nós e chega sempre até ao trono da Graça, à presença de Deus. Aqui é a verdadeira Jerusalém, ao mesmo tempo, celeste e terrestre, a tenda, que é o Corpo de Deus, que como Corpo ressuscitado permanece sempre Corpo e abraça a humanidade e, ao mesmo tempo, sendo Corpo ressuscitado, nos une com Deus. Tudo isto se realiza sempre de novo na Eucaristia. E nós como sacerdotes somos chamados a ser ministros deste grande Mistério, no Sacramento e na vida. Peçamos ao Senhor que nos faça compreender cada vez melhor este Mistério, que nos faça viver cada vez melhor este Mistério e deste modo oferecer a nossa ajuda para que o mundo se abra a Deus, a fim de que o mundo seja remido.&lt;br /&gt;Bento XVI(resumo)&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;SP&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6996408022636835207-4669121086002743732?l=obompastordiocesebraga.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://obompastordiocesebraga.blogspot.com/feeds/4669121086002743732/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6996408022636835207&amp;postID=4669121086002743732' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6996408022636835207/posts/default/4669121086002743732'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6996408022636835207/posts/default/4669121086002743732'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://obompastordiocesebraga.blogspot.com/2010/03/ponte-entre-deus-e-os-homens-ii.html' title='Ponte entre Deus e os Homens II'/><author><name>obompastor</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08085080511645471150</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='33' height='32' src='http://www.pime.org.br/pimenet/imagens/mmjunejul2003-f31-a.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_K_i7t9i5bp8/S6uVx4t1x5I/AAAAAAAAARg/RcK--5KEw4M/s72-c/Ponte+Niteroi.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6996408022636835207.post-6746514930325212558</id><published>2010-03-15T16:13:00.002Z</published><updated>2010-03-15T16:24:51.524Z</updated><title type='text'>Ponte entre Deus e os Homens I</title><content type='html'>&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_K_i7t9i5bp8/S55fJcJuZPI/AAAAAAAAARY/EcBrJbG94E8/s1600-h/Ponte.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5448897214945322226" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 320px; CURSOR: hand; HEIGHT: 213px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_K_i7t9i5bp8/S55fJcJuZPI/AAAAAAAAARY/EcBrJbG94E8/s320/Ponte.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Um sacerdote, para ser realmente mediador entre Deus e o homem, deve ser homem. Isto é fundamental, e o Filho de Deus fez-se homem precisamente para ser sacerdote, para poder realizar a missão do sacerdote. Deve ser homem, mas não pode sozinho fazer-se mediador com Deus. O sacerdote precisa de uma autorização de uma instituição divina, e só pertencendo às duas esferas, a de Deus e a do homem, pode ser mediador, pode ser "ponte". É esta a missão do sacerdote: combinar, relacionar estas duas realidades aparentemente tão separadas, isto é, o mundo de Deus distante de nós, muitas vezes desconhecido do homem, e o nosso mundo humano. A missão do sacerdócio é a de ser mediador, ponte que une, e assim levar o homem a Deus, à sua redenção, à sua verdadeira luz, à sua verdadeira vida. Por conseguinte, como primeiro ponto o sacerdote deve estar da parte de Deus, e unicamente em Cristo esta necessidade, esta condição da mediação, é plenamente realizada. Por isso, era necessário este Mistério: o Filho de Deus faz-se homem para que exista a verdadeira ponte, a verdadeira mediação. Os outros devem ter pelo menos uma autorização de Deus ou, no caso da Igreja, o Sacramento, isto é, introduzir o nosso ser no ser de Cristo, no ser divino. Só com o Sacramento, com este acto divino que nos cria sacerdotes na comunhão com Cristo, podemos realizar a nossa missão. Ninguém se faz sacerdote por si mesmo; só Deus me pode atrair, pode autorizar-me, pode induzir-me à participação no mistério de Cristo; só Deus pode entrar na minha vida e pegar-me pela mão.&lt;br /&gt;Tornemos esta realidade também um factor prático da nossa vida: se é assim, um sacerdote deve ser realmente um homem de Deus, deve conhecer Deus de perto, e conhece-o em comunhão com Cristo. Então devemos viver esta comunhão e a celebração da Santa Missa, a oração do Breviário, toda a oração pessoal, são elementos do ser com Deus, do ser homens de Deus. O nosso ser, a nossa vida, o nosso coração devem ser fixados em Deus, neste ponto do qual não devemos sair, e isto realiza-se, fortalece-se dia após dia, também com breves orações com as quais nos relacionamos com Deus e nos tornamos cada vez mais homens de Deus, que vivem na sua comunhão e assim podem falar de Deus e guiar para Deus. O outro elemento é que o sacerdote deve ser homem. Homem em todos os sentidos, isto é, deve viver uma verdadeira humanidade, um verdadeiro humanismo; deve ter uma educação, uma formação humana, virtudes humanas; deve desenvolver a sua inteligência, a sua vontade, os seus sentimentos, os seus afectos; deve ser realmente homem, homem segundo a vontade do Criador, do Redentor, porque sabemos que o ser humano está ferido e a questão de "o que é o homem" é obscurecida pelo facto do pecado, que ofendeu a natureza humana até às suas profundezas. Assim diz-se: "mentiu", "é humano"; "roubou", "é humano"; mas não é este o verdadeiro ser humano. Humano é ser generoso, é ser bom, é ser homem da justiça, da prudência verdadeira e da sabedoria. Por conseguinte, sair com a ajuda de Cristo deste obscurecimento da nossa natureza para alcançar o verdadeiro ser humano à imagem de Deus, é um processo de vida que deve começar pela formação para o sacerdócio, mas que se deve realizar depois e prosseguir em toda a nossa existência. Penso que as duas coisas caminhem fundamentalmente juntas: ser de Deus e com Deus e ser realmente homem, no verdadeiro sentido que o Criador quis, plasmando esta criatura que somos nós.&lt;br /&gt;Ser homem: a Carta aos Hebreus faz um realce da nossa humanidade que nos surpreende, porque diz: deve ser um que "pode compadecer-se dos ignorantes e dos que erram, pois também ele está cercado de fraqueza" (5, 2) e depois ainda muito mais forte "quando vivia na carne, ofereceu, com grande clamor e lágrimas, orações e súplicas Àquele que O podia salvar da morte, e foi atendido pela Sua piedade" (5, 7). Para a Carta aos Hebreus é elemento essencial do nosso ser humano a compaixão, o sofrer com os outros: esta é a verdadeira humanidade. Não é o pecado, porque o pecado nunca é solidariedade, mas é sempre uma não-solidariedade, um tomar a vida para mim mesmo, em vez de a doar. A verdadeira humanidade é participar realmente no sofrimento do ser humano, significa ser um homem de compaixão &lt;em&gt;metriopathein&lt;/em&gt;, diz o texto grego isto é, estar no centro da paixão humana, carregar realmente com os outros os seus sofrimentos, as tentações deste tempo: "Deus, onde estás neste mundo?". &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Bento XVI&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;SP&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6996408022636835207-6746514930325212558?l=obompastordiocesebraga.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://obompastordiocesebraga.blogspot.com/feeds/6746514930325212558/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6996408022636835207&amp;postID=6746514930325212558' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6996408022636835207/posts/default/6746514930325212558'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6996408022636835207/posts/default/6746514930325212558'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://obompastordiocesebraga.blogspot.com/2010/03/ponte-entre-deus-e-os-homens-i.html' title='Ponte entre Deus e os Homens I'/><author><name>obompastor</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08085080511645471150</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='33' height='32' src='http://www.pime.org.br/pimenet/imagens/mmjunejul2003-f31-a.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_K_i7t9i5bp8/S55fJcJuZPI/AAAAAAAAARY/EcBrJbG94E8/s72-c/Ponte.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6996408022636835207.post-9082431501315057995</id><published>2010-02-05T16:55:00.002Z</published><updated>2010-02-05T17:06:15.948Z</updated><title type='text'>Ecologia Humana</title><content type='html'>&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_K_i7t9i5bp8/S2xP5Wxv_6I/AAAAAAAAARQ/XmmEjbQ8bjM/s1600-h/Sede+no+Haiti.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5434806697114730402" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 320px; CURSOR: hand; HEIGHT: 213px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_K_i7t9i5bp8/S2xP5Wxv_6I/AAAAAAAAARQ/XmmEjbQ8bjM/s320/Sede+no+Haiti.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;É cada vez mais claro que o tema da degradação ambiental põe em questão os comportamentos de cada um de nós, os estilos de vida e os modelos de consumo e de produção hoje dominantes, muitas vezes insustentáveis do ponto de vista social, ambiental e até económico. Torna-se indispensável uma real mudança de mentalidade que induza a todos a adoptarem novos estilos de vida, "nos quais a busca do verdadeiro, do belo e do bom e a comunhão com os outros homens, em ordem ao crescimento comum, sejam os elementos que determinam as opções do consumo, da poupança e do investimento". Deve-se educar cada vez mais para se construir a paz a partir de opções clarividentes a nível pessoal, familiar, comunitário e político. Todos somos responsáveis pela protecção e cuidado da criação. Tal responsabilidade não conhece fronteiras. Segundo o princípio de subsidiariedade, é importante que cada um, no nível que lhe corresponde, se comprometa a trabalhar para que deixem de prevalecer os interesses particulares. Um papel de sensibilização e formação compete de modo particular aos vários sujeitos da sociedade civil e às organizações não-governamentais, empenhados com determinação e generosidade na difusão de uma responsabilidade ecológica, que deveria aparecer cada vez mais ancorada ao respeito pela "ecologia humana". Além disso, é preciso lembrar a responsabilidade dos meios de comunicação social neste âmbito, propondo modelos positivos que sirvam de inspiração. É que ocupar-se do ambiente requer uma visão larga e global do mundo; um esforço comum e responsável a fim de passar de uma lógica centrada sobre o interesse egoísta da nação para uma visão que sempre abrace as necessidades de todos os povos. Não podemos permanecer indiferentes àquilo que sucede ao nosso redor, porque a deterioração de uma parte qualquer do mundo recairia sobre todos. As relações entre pessoas, grupos sociais e Estados, bem como as relações entre homem e ambiente são chamadas a assumir o estilo do respeito e da "caridade na verdade". Neste contexto alargado, é altamente desejável que encontrem eficaz correspondência os esforços da comunidade internacional que visam obter um progressivo desarmamento e um mundo sem armas nucleares, cuja mera presença ameaça a vida da terra e o processo de desenvolvimento integral da humanidade actual e futura.&lt;br /&gt;A Igreja tem a sua parte de responsabilidade pela criação e sente que a deve exercer também em âmbito público, para defender a terra, a água e o ar, dádivas feitas por Deus Criador a todos, e antes de tudo para proteger o homem contra o perigo da destruição de si mesmo. Com efeito, a degradação da natureza está intimamente ligada à cultura que molda a convivência humana, pelo que, "quando a "ecologia humana" é respeitada dentro da sociedade, beneficia também a ecologia ambiental". Não se pode pedir aos jovens que respeitem o ambiente, se não são ajudados, em família e na sociedade, a respeitar-se a si mesmos: o livro da natureza é único, tanto sobre a vertente do ambiente como sobre a da ética pessoal, familiar e social. Os deveres para com o ambiente derivam dos deveres para com a pessoa considerada em si mesma e no seu relacionamento com os outros. Por isso, de bom grado encorajo a educação para uma responsabilidade ecológica, que, como indiquei na encíclica &lt;em&gt;Caritas in veritate&lt;/em&gt;, salvaguarde uma autêntica "ecologia humana" e consequentemente afirme, com renovada convicção, a inviolabilidade da vida humana em todas as suas fases e condições, a dignidade da pessoa e a missão insubstituível da família, onde se educa para o amor ao próximo e o respeito da natureza. É preciso preservar o património humano da sociedade. Este património de valores tem a sua origem e está inscrito na lei moral natural, que é fundamento do respeito da pessoa humana e da criação.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Bento XVI&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;SP&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6996408022636835207-9082431501315057995?l=obompastordiocesebraga.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://obompastordiocesebraga.blogspot.com/feeds/9082431501315057995/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6996408022636835207&amp;postID=9082431501315057995' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6996408022636835207/posts/default/9082431501315057995'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6996408022636835207/posts/default/9082431501315057995'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://obompastordiocesebraga.blogspot.com/2010/02/ecologia-humana.html' title='Ecologia Humana'/><author><name>obompastor</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08085080511645471150</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='33' height='32' src='http://www.pime.org.br/pimenet/imagens/mmjunejul2003-f31-a.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_K_i7t9i5bp8/S2xP5Wxv_6I/AAAAAAAAARQ/XmmEjbQ8bjM/s72-c/Sede+no+Haiti.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6996408022636835207.post-4523031011442557672</id><published>2010-01-22T17:05:00.002Z</published><updated>2010-01-22T17:11:54.863Z</updated><title type='text'>Apelo aos Artistas III</title><content type='html'>&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_K_i7t9i5bp8/S1ncQbI9a4I/AAAAAAAAARI/JHl7BO8HHg8/s1600-h/Capelas.bmp"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5429613000493198210" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 320px; CURSOR: hand; HEIGHT: 249px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_K_i7t9i5bp8/S1ncQbI9a4I/AAAAAAAAARI/JHl7BO8HHg8/s320/Capelas.bmp" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Estas últimas expressões levam-nos a dar um passo em frente na nossa reflexão. A beleza que se manifesta na criação e na natureza e que se expressa através das criações artísticas, precisamente pela sua característica de abrir e alargar os horizontes da consciência humana, de remetê-la para além de si mesma, de aproximá-la ao abismo do Infinito, pode tornar-se um caminho para o Transcendente, para o Mistério último, para Deus. A arte, em todas as suas expressões, no momento em que se confronta com as grandes interrogações da existência, com os temas fundamentais dos quais deriva o sentido do viver, pode assumir um valor religioso e transformar-se num percurso de profunda reflexão interior e de espiritualidade. Esta afinidade, esta sintonia entre percurso de fé e itinerário artístico, confirma-a um número incalculável de obras de arte que têm como protagonistas as personagens, as histórias, os símbolos daquele imenso depósito de "figuras" em sentido lato que é a Bíblia, a Sagrada Escritura. As grandes narrações bíblicas, os temas, as imagens, as parábolas inspiraram numerosas obras-primas em todos os sectores das artes, assim como falaram ao coração de cada geração de crentes mediante as obras do artesanato e da arte local, não menos eloquentes e envolvedoras.&lt;br /&gt;Fala-se, a este propósito, de uma &lt;em&gt;via pulchritudinis&lt;/em&gt;, um caminho da beleza que constitui ao mesmo tempo um percurso artístico, estético, e um itinerário de fé, de busca teológica. O teólogo Hans Urs von Balthasar começa a sua grande obra intitulada Glória. Uma estética teológica com estas sugestivas expressões:"A nossa palavra inicial chama-se beleza. A beleza é a última palavra que o intelecto pensante pode ousar pronunciar, porque ela mais não faz do que coroar, como auréola de esplendor inapreensível, o dúplice astro do verdadeiro e do bem e a sua indissolúvel relação". Depois observa: "Ela é a beleza desinteressada sem a qual o velho mundo era incapaz de se entender, mas que se despediu em ponta de pés do mundo moderno dos interesses, para o abandonar à sua cupidez e à sua tristeza. Ela é a beleza que já não é amada e conservada nem sequer pela religião". E conclui: "Quem, em seu nome, enruga os lábios ao sorriso, julgando-a um objecto exótico de um passado burguês, dele se pode estar certo que secreta ou abertamente já não é capaz de rezar e, em breve, nem sequer de amar". Portanto, o caminho da beleza conduz-nos a colher o Tudo no fragmento, o Infinito no finito, Deus na história da humanidade. Simone Weil escreveu a este propósito: "Em tudo o que suscita em nós o sentimento puro e autêntico da beleza, há realmente a presença de Deus. Há quase uma espécie de encarnação de Deus no mundo, da qual a beleza é o sinal. A beleza é a prova experimental de que a encarnação é possível. Por isso qualquer arte de categoria é, por sua essência, religiosa". É ainda mais icástica a afirmação de Hermann Hesse: "Arte significa: dentro de tudo mostrar Deus". Fazendo eco às palavras do Papa Paulo VI, o Servo de Deus João Paulo II reafirmou o desejo da Igreja de renovar o diálogo e a colaboração com os artistas: "Para transmitir a mensagem que lhes foi confiada por Cristo, a Igreja precisa da arte" (&lt;em&gt;Carta aos Artistas&lt;/em&gt;, n. 12); mas perguntava logo a seguir: "A arte precisa da Igreja?", solicitando assim os artistas a reencontrar na experiência religiosa, na revelação cristã e no "grande códice" que é a Bíblia uma fonte de inspiração renovada e motivada.&lt;br /&gt;Queridos Artistas, encaminhando-me para a conclusão, gostaria de vos dirigir também eu, como já fez o meu Predecessor, um cordial, amistoso e apaixonado apelo. Vós sois guardiães da beleza; vós tendes, graças ao vosso talento, a possibilidade de falar ao coração da humanidade, de tocar a sensibilidade individual e colectiva, de suscitar sonhos e esperanças, de ampliar os horizontes do conhecimento e do empenho humano. Sede portanto gratos pelos dons recebidos e plenamente conscientes da grande responsabilidade de comunicar a beleza, de fazer comunicar na beleza e através da beleza! Sede também vós, através da vossa arte, anunciadores e testemunhas de esperança para a humanidade! E não tenhais medo de vos confrontar com a fonte primeira e última da beleza, de dialogar com os crentes, com quem, como vós, se sente peregrino no mundo e na história rumo à Beleza infinita! A fé nada tira ao vosso génio, à vossa arte; aliás, exalta-os e alimenta-os, encoraja-os a cruzar o limiar e a contemplar com olhos fascinados e comovidos a meta última e definitiva, o sol sem ocaso que ilumina e torna belo o presente. Santo Agostinho, cantor apaixonado da beleza, reflectindo sobre o destino último do homem e quase comentando &lt;em&gt;ante litteram&lt;/em&gt; a cena do Juízo que hoje tendes diante dos vossos olhos, escrevia assim: "Gozaremos, portanto de uma visão, ó irmãos, jamais contemplada pelos olhos, jamais ouvida pelos ouvidos, jamais imaginada pela fantasia: uma visão que supera todas as belezas terrenas, do ouro, da prata, dos bosques e dos campos, do mar e do céu, do sol e da lua, das estrelas e dos anjos; a razão é esta: que ela é a fonte de qualquer outra beleza" (&lt;em&gt;In Ep. Jo. Tr&lt;/em&gt;. 4, 5: pl 35, 2008). Desejo que todos vós, queridos Artistas, tenhais nos vossos olhos, nas vossas mãos, no vosso coração esta visão, para que vos dê alegria e inspire sempre as vossas belas obras. Ao abençoar-vos de coração, saúdo-vos, como já fez Paulo VI, com uma só expressão: até breve! &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Bento XVI&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;SP&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6996408022636835207-4523031011442557672?l=obompastordiocesebraga.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://obompastordiocesebraga.blogspot.com/feeds/4523031011442557672/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6996408022636835207&amp;postID=4523031011442557672' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6996408022636835207/posts/default/4523031011442557672'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6996408022636835207/posts/default/4523031011442557672'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://obompastordiocesebraga.blogspot.com/2010/01/apelo-aos-artistas-iii.html' title='Apelo aos Artistas III'/><author><name>obompastor</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08085080511645471150</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='33' height='32' src='http://www.pime.org.br/pimenet/imagens/mmjunejul2003-f31-a.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_K_i7t9i5bp8/S1ncQbI9a4I/AAAAAAAAARI/JHl7BO8HHg8/s72-c/Capelas.bmp' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6996408022636835207.post-3991460930864694227</id><published>2010-01-20T18:06:00.003Z</published><updated>2010-01-20T18:11:04.535Z</updated><title type='text'>Apelo aos Artistas II</title><content type='html'>&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_K_i7t9i5bp8/S1dG-cLwUZI/AAAAAAAAARA/P6JzpYtNbKY/s1600-h/rouaulti.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5428885914349752722" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 229px; CURSOR: hand; HEIGHT: 320px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_K_i7t9i5bp8/S1dG-cLwUZI/AAAAAAAAARA/P6JzpYtNbKY/s320/rouaulti.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Roualt&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;Aquele histórico encontro, como dizia, aconteceu aqui, neste santuário de fé e de criatividade humana. Não é portanto casual este nosso reencontro, precisamente neste lugar, precioso pela sua arquitectura e pelas suas dimensões simbólicas, mas ainda mais pelos afrescos que o tornam inconfundível, começando pelas obras-primas de Perugino e Botticelli, Ghirlandaio e Cosimo Rosselli, Luca Signorelli e outros, para chegar às Histórias do Génesis e ao Juízo Final, obras excelsas de Michelangelo Buonarroti, que deixou aqui uma das criações mais extraordinárias de toda a história da arte. Ressoou aqui também com frequência a linguagem universal da música, graças ao génio de grandes músicos, que puseram a sua arte ao serviço da liturgia, ajudando a alma a elevar-se a Deus. Ao mesmo tempo, a Capela Sistina é um escrínio singular de memórias, porque constitui o cenário, solene e austero, de eventos que marcam a história da Igreja e da humanidade. Aqui, como sabeis, o Colégio dos cardeais elege o Papa; aqui vivi também eu, com trepidação e absoluta confiança no Senhor, o momento inesquecível da minha eleição para sucessor do Apóstolo Pedro.&lt;br /&gt;Queridos amigos, deixemos que estes afrescos hoje nos falem, atraindo-nos para a meta última da história humana. O Juízo Final, que sobressai atrás de mim, recorda que a história da humanidade é movimento e elevação, é inesgotável tensão para a plenitude, para a felicidade última, para um horizonte que excede sempre o presente enquanto o atravessa. Mas na sua dramaticidade, este afresco coloca diante dos nossos olhos também o perigo da queda definitiva do homem, ameaça que domina a humanidade quando se deixa seduzir pelas forças do mal. Por isso, o afresco lança um forte grito profético contra o mal, contra qualquer forma de injustiça. Mas para os crentes, Cristo ressuscitado é o Caminho, a Verdade e a Vida. Para quem o segue fielmente é a Porta que introduz naquele "face a face", naquela visão de Deus da qual brota já sem limites a felicidade plena e definitiva. Michelangelo oferece assim à nossa visão o Alfa e o Ómega, o Princípio e o Fim da história, e convida-nos a percorrer com alegria, coragem e esperança o itinerário da vida. A dramática beleza da pintura de Michelangelo, com as suas cores e formas, torna-se portanto anúncio de esperança, convite poderoso a elevar o olhar rumo ao horizonte último. O vínculo profundo entre beleza e esperança constituía também o núcleo essencial da sugestiva Mensagem que Paulo VI enviou aos artistas no encerramento do Concílio Vaticano II, a 8 de Dezembro de 1965: "A todos vós proclamou solenemente a Igreja do Concílio diz com a nossa voz: se vós sois os amigos da verdadeira arte, sois nossos amigos!" (&lt;em&gt;Enchiridion Vaticanum&lt;/em&gt;, 1, p. 305). E acrescentou: "Este mundo no qual vivemos precisa de beleza para não precipitar no desespero. A beleza, como a verdade, é o que infunde alegria no coração dos homens, é aquele fruto precioso que resiste ao desgaste do tempo, que une as gerações e as faz comunicar na admiração. E isto graças às vossas mãos... Recordai-vos que sois os guardiães da beleza no mundo" (&lt;em&gt;Ibid&lt;/em&gt;.).&lt;br /&gt;Infelizmente, o momento actual está marcado não só por fenómenos negativos a nível social e económico, mas também por um esmorecimento da esperança, por uma certa desconfiança nas relações humanas, e por isso crescem os sinais de resignação, agressividade e desespero. Depois, o mundo no qual vivemos corre o risco de mudar o seu rosto devido à obra nem sempre sábia do homem o qual, em vez de cultivar a sua beleza, explora sem consciência os recursos do planeta para vantagem de poucos e não raramente desfigura as suas maravilhas naturais. O que pode voltar a dar entusiasmo e confiança, o que pode encorajar o ânimo humano a reencontrar o caminho, a elevar o olhar para o horizonte, a sonhar uma vida digna da sua vocação, a não ser a beleza? Vós bem sabeis, queridos artistas, que a experiência do belo, do belo autêntico, não efémero nem superficial, não é algo acessório ou secundário na busca do sentido e da felicidade, porque esta experiência não afasta da realidade, mas, ao contrário, leva a um confronto cerrado com a vida quotidiana, para o libertar da obscuridade e o transfigurar, para o tornar luminoso, belo.&lt;br /&gt;De facto, uma função essencial da verdadeira beleza, já evidenciada por Platão, consiste em comunicar ao homem um "sobressalto" saudável, que o faz sair de si mesmo, o arranca à resignação ao conformar-se com o quotidiano, fá-lo também sofrer, como uma seta que o fere, mas precisamente desta forma o "desperta", abrindo-lhe de novo os olhos do coração e da mente, pondo-lhe asas, elevando-o. A expressão de Dostoievsky que vou citar é, sem dúvida, ousada e paradoxal, mas convida a reflectir: "A humanidade pode viver”, diz ele, “sem a ciência, pode viver sem pão, mas unicamente sem a beleza já não poderia viver, porque nada mais haveria para fazer no mundo. Qualquer segredo consiste nisto, toda a história consiste nisto". Faz-lhe eco o pintor Georges Braque: "A arte existe para perturbar, enquanto a ciência tranquiliza". A beleza chama a atenção, mas precisamente assim recorda ao homem o seu destino último, volta a pô-lo em marcha, enche-o de nova esperança, dá-lhe a coragem de viver até ao fim o dom único da existência. A busca da beleza da qual falo, evidentemente, não consiste em fuga alguma no irracional ou no mero esteticismo.&lt;br /&gt;Mas, com muita frequência, a beleza propagada é ilusória e falsa, superficial e sedutora até ao aturdimento e, em vez de fazer sair os homens de si e de os abrir a horizontes de verdadeira liberdade, atraindo-os para o alto, aprisiona-os em si mesmos e torna-os ainda mais escravos, privados de esperança e de alegria. Trata-se de uma beleza sedutora mas hipócrita, que desperta a cupidez, a vontade de poder, de posse, de prepotência sobre o outro e que se transforma, muito depressa, no seu contrário, assumindo o rosto do obsceno, da transgressão ou da provocação gratuita. Ao contrário, a autêntica beleza abre o coração humano à nostalgia, ao desejo profundo de conhecer, de amar, de ir para o Alto, para o Além de si. Se aceitamos que a beleza nos toque intimamente, nos fira, nos abra os olhos, então redescobrimos a alegria da visão, da capacidade de colher o sentido profundo do nosso existir, o Mistério do qual somos parte e do qual podemos haurir a plenitude, a felicidade, a paixão do compromisso quotidiano. João Paulo II, na Carta aos Artistas, cita, a este propósito, este verso de um poeta polaco, Cyprian Norwid: "A beleza serve para entusiasmar para o trabalho, / o trabalho serve para ressurgir" (n. 3). E mais adiante acrescenta: "Enquanto busca da beleza, fruto de uma imaginação que vai além do quotidiano, a arte é, por sua natureza, uma espécie de apelo ao Mistério. Enquanto perscruta as profundezas mais obscuras da alma ou os aspectos mais perturbadores do mal, o artista torna-se de certa forma voz da expectativa universal de redenção" (n. 10). E na conclusão afirma: "A beleza é chave do mistério e apelo ao transcendente" (n. 16). (cont.)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;SP&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6996408022636835207-3991460930864694227?l=obompastordiocesebraga.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://obompastordiocesebraga.blogspot.com/feeds/3991460930864694227/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6996408022636835207&amp;postID=3991460930864694227' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6996408022636835207/posts/default/3991460930864694227'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6996408022636835207/posts/default/3991460930864694227'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://obompastordiocesebraga.blogspot.com/2010/01/apelo-aos-artistas-ii.html' title='Apelo aos Artistas II'/><author><name>obompastor</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08085080511645471150</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='33' height='32' src='http://www.pime.org.br/pimenet/imagens/mmjunejul2003-f31-a.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_K_i7t9i5bp8/S1dG-cLwUZI/AAAAAAAAARA/P6JzpYtNbKY/s72-c/rouaulti.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6996408022636835207.post-2828550275949016109</id><published>2010-01-15T16:16:00.003Z</published><updated>2010-01-15T16:20:48.457Z</updated><title type='text'>Apelo aos Artistas I</title><content type='html'>&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_K_i7t9i5bp8/S1CVg5E88AI/AAAAAAAAAQw/0BnXSK6hHEU/s1600-h/Miguel+Ãngelo,+CriaÃ§ao+do+Homem,+1510.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5427001943291392002" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 320px; CURSOR: hand; HEIGHT: 165px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_K_i7t9i5bp8/S1CVg5E88AI/AAAAAAAAAQw/0BnXSK6hHEU/s320/Miguel+%C3%82ngelo,+Cria%C3%A7ao+do+Homem,+1510.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Miguel Ângelo, Criação do Homem, 1510&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Quarenta e cinco anos após o histórico encontro de Paulo vi com os artistas, Bento XVI quis "renovar a amizade da Igreja com o mundo da arte". E fê-lo recebendo os artistas na Capela Sistina na manhã de sábado, 21 de Novembro. No discurso que lhes dirigiu, o Papa ressaltou que num mundo onde crescem "os sinais de resignação, de agressividade, de desespero" os artistas estão chamados a ser "anunciadores e testemunhas de esperança para a humanidade". No início do encontro, o Arcebispo Presidente do Pontifício Conselho para a Cultura, D. Gianfranco Ravasi, dirigiu ao Papa uma saudação na qual deu voz à multidão de artistas provenientes de todo o mundo e recordou que, removidas as ruínas das incompreensões, a "via pulchritudinis" ainda está aberta. Apresentamos o discurso do Papa.&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;Senhores Cardeais, Venerados Irmãos no Episcopado e no Sacerdócio, Ilustres Artistas, Senhoras e Senhores!&lt;br /&gt;É com grande alegria que vos recebo neste lugar solene e rico de arte e de memórias. Dirijo a todos e a cada um a minha cordial saudação, e agradeço-vos por terdes aceite o meu convite. Com este encontro desejo expressar e renovar a amizade da Igreja com o mundo da arte, uma amizade consolidada no tempo, porque o Cristianismo, desde as suas origens, compreendeu bem o valor das artes e utilizou sabiamente as suas multiformes linguagens para comunicar a sua imutável mensagem de salvação. Esta amizade deve ser continuamente promovida e apoiada, para que seja autêntica e fecunda, adequada aos tempos e tenha em consideração as situações e as mudanças sociais e culturais. Eis o motivo deste nosso encontro. Agradeço de coração a D. Gianfranco Ravasi, Presidente do Pontifício Conselho para a Cultura e da Pontifícia Comissão para os Bens Culturais da Igreja por o ter promovido e preparado, com os seus colaboradores, assim como pelas suas palavras que há pouco me dirigiu. Saúdo os Senhores Cardeais, os Bispos, os Sacerdotes e as distintas Personalidades aqui presentes. Agradeço também à Pontifíca Capela Musical Sistina que acompanha este momento significativo. Os protagonistas deste encontro sois vós, queridos e ilustres Artistas, pertencentes a países, culturas e religiões diversas, talvez até distantes de experiências religiosas, mas desejosos de manter viva uma comunicação com a Igreja católica e de não limitar os horizontes da existência unicamente à materialidade, a uma visão redutiva e banalizadora. Vós representais o mundo variado das artes e, precisamente por isso, através de vós, gostaria de fazer chegar a todos os artistas o meu convite à amizade, ao diálogo e à colaboração.&lt;br /&gt;Algumas circunstâncias significativas enriquecem este momento. Recordamos o décimo aniversário da Carta aos Artistas do meu venerado predecessor, o Servo de Deus João Paulo II. Pela primeira vez, na vigília do Grande Jubileu do Ano 2000, este Pontífice, também ele artista, escreveu directamente aos artistas com a solenidade de um documento papal e o tom amistoso de uma conversa entre "quantos como recita a carta com apaixonada dedicação, procuram novas "epifanias" da beleza". O mesmo Papa, há vinte e cinco anos, proclamou padroeiro dos artistas o Beato Angélico, indicando nele um modelo de perfeita sintonia entre fé e arte. Depois, o meu pensamento vai ao dia 7 de Maio de 1964, há quarenta e cinco anos, quando, neste mesmo lugar se realizava um histórico acontecimento, fortemente querido pelo Papa Paulo VI para reafirmar a amizade entre a Igreja e as artes. As palavras que pronunciou naquela circunstância ressoam ainda hoje debaixo da abóbada desta Capela Sistina, tocando o coração e o intelecto. "Nós temos necessidade de vós”, disse ele. “O nosso ministério precisa da vossa colaboração. Porque, como sabeis, o Nosso ministério é pregar e tornar acessível e compreensível, aliás comovedor, o mundo do espírito, do invisível, do inefável, de Deus. E nesta operação... vós sois mestres. É a vossa profissão, a vossa missão; e a vossa arte é extrair do céu do espírito os seus tesouros e revesti-los de palavra, de cores, de formas de acessibilidade" (&lt;em&gt;Insegnamenti&lt;/em&gt; II, [1964], 313). Era tanta a estima de Paulo VI pelos artistas que o estimulou a formular expressões deveras ousadas: "E se a Nós viesse a faltar o vosso auxílio”, prosseguia, “o ministério tornar-se-ia balbuciante e incerto e teria necessidade de fazer um esforço, diríamos, por se tornar ele mesmo artístico, aliás por se tornar profético. Para se elevar à força de expressão lírica da beleza intuitiva, teria necessidade de fazer coincidir o sacerdócio com a arte" (&lt;em&gt;Ibid.&lt;/em&gt;, 314). Naquela circunstância, Paulo VI assumiu o compromisso de "restabelecer a amizade entre a Igreja e os artistas", e pediu-lhes que o fizessem seu e o partilhassem, analisando com seriedade e objectividade os motivos que tinham perturbado essa relação e assumindo cada um com coragem e paixão a responsabilidade de um renovado e aprofundado percurso de conhecimento e de diálogo, com vista a um "renascimento" autêntico da arte, no contexto de um novo humanismo. (cont.)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;SP&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6996408022636835207-2828550275949016109?l=obompastordiocesebraga.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://obompastordiocesebraga.blogspot.com/feeds/2828550275949016109/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6996408022636835207&amp;postID=2828550275949016109' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6996408022636835207/posts/default/2828550275949016109'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6996408022636835207/posts/default/2828550275949016109'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://obompastordiocesebraga.blogspot.com/2010/01/apelo-aos-artistas-i.html' title='Apelo aos Artistas I'/><author><name>obompastor</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08085080511645471150</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='33' height='32' src='http://www.pime.org.br/pimenet/imagens/mmjunejul2003-f31-a.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_K_i7t9i5bp8/S1CVg5E88AI/AAAAAAAAAQw/0BnXSK6hHEU/s72-c/Miguel+%C3%82ngelo,+Cria%C3%A7ao+do+Homem,+1510.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6996408022636835207.post-9006097337354578069</id><published>2010-01-06T16:39:00.005Z</published><updated>2010-01-06T16:45:36.001Z</updated><title type='text'>HISTÓRIA ANTIGA</title><content type='html'>&lt;div align="center"&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_K_i7t9i5bp8/S0S9asf1HaI/AAAAAAAAAQg/sYKOiCdIgnM/s1600-h/Giotto+do+Bondone,1310,,.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5423668117579832738" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 320px; CURSOR: hand; HEIGHT: 257px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_K_i7t9i5bp8/S0S9asf1HaI/AAAAAAAAAQg/sYKOiCdIgnM/s320/Giotto+do+Bondone,1310,,.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Giotto di Bondone, 1310. Matança dos Inocentes&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Era uma vez, lá na Judeia, um rei.&lt;br /&gt;Feio bicho, de resto:&lt;br /&gt;Uma cara de burro sem cabresto&lt;br /&gt;E duas grandes tranças.&lt;br /&gt;A gente olhava, reparava, e via&lt;br /&gt;Que naquela figura não havia&lt;br /&gt;Olhos de quem gosta de crianças.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E, na verdade, assim acontecia.&lt;br /&gt;Porque um dia,&lt;br /&gt;O malvado,&lt;br /&gt;Só por ter o poder de quem é rei&lt;br /&gt;Por não ter coração,&lt;br /&gt;Sem mais nem menos,&lt;br /&gt;Mandou matar quantos eram pequenos&lt;br /&gt;Nas cidades e aldeias da Nação.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas,&lt;br /&gt;Por acaso ou milagre, aconteceu&lt;br /&gt;Que, num burrinho pela areia fora,&lt;br /&gt;Fugiu&lt;br /&gt;Daquelas mãos de sangue um pequenito&lt;br /&gt;Que o vivo sol da vida acarinhou;&lt;br /&gt;E bastou&lt;br /&gt;Esse palmo de sonho&lt;br /&gt;Para encher este mundo de alegria;&lt;br /&gt;Para crescer, ser Deus;&lt;br /&gt;E meter no inferno o tal das tranças,&lt;br /&gt;Só porque ele não gostava de crianças.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Miguel Torga, &lt;em&gt;Diário I&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;SP&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6996408022636835207-9006097337354578069?l=obompastordiocesebraga.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://obompastordiocesebraga.blogspot.com/feeds/9006097337354578069/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6996408022636835207&amp;postID=9006097337354578069' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6996408022636835207/posts/default/9006097337354578069'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6996408022636835207/posts/default/9006097337354578069'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://obompastordiocesebraga.blogspot.com/2010/01/historia-antiga.html' title='HISTÓRIA ANTIGA'/><author><name>obompastor</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08085080511645471150</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='33' height='32' src='http://www.pime.org.br/pimenet/imagens/mmjunejul2003-f31-a.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_K_i7t9i5bp8/S0S9asf1HaI/AAAAAAAAAQg/sYKOiCdIgnM/s72-c/Giotto+do+Bondone,1310,,.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6996408022636835207.post-5279903944162009248</id><published>2009-12-30T00:25:00.003Z</published><updated>2009-12-30T00:30:46.221Z</updated><title type='text'>Desceu do Céu</title><content type='html'>&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_K_i7t9i5bp8/Szqe6wbDXAI/AAAAAAAAAQY/uA2qyQiHvYY/s1600-h/Sano+di+Pietro,1445.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 320px; height: 217px;" src="http://3.bp.blogspot.com/_K_i7t9i5bp8/Szqe6wbDXAI/AAAAAAAAAQY/uA2qyQiHvYY/s320/Sano+di+Pietro,1445.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5420819833761782786" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Mas para alcançar a salvação, é necessário ainda crer fielmente na Encarnação de Nosso Senhor Jesus Cristo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A rectidão da nossa fé consiste, pois, em crer ainda e confessar que Nosso Senhor Jesus Cristo, Filho de Deus, é Deus e homem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É Deus, gerado da substância do Pai desde toda a eternidade; é homem porque, no tempo, nasceu da substância de sua Mãe.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Deus perfeito e homem perfeito, com alma racional e carne humana.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Igual ao Pai segundo a divindade, menor que o Pai, segundo a humanidade.&lt;br /&gt;E ainda que seja Deus e homem, todavia não são dois, mas um só Cristo;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É um, não porque a Divindade se tenha convertido em humanidade, mas porque Deus assumiu a humanidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um, finalmente, não por confusão de substâncias, mas pela unidade da Pessoa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Porque, assim como a alma racional e o corpo formam um só homem, assim também a divindade e a humanidade formam um só Cristo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Do símbolo de Santo Atanásio&lt;/em&gt;SP&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6996408022636835207-5279903944162009248?l=obompastordiocesebraga.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://obompastordiocesebraga.blogspot.com/feeds/5279903944162009248/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6996408022636835207&amp;postID=5279903944162009248' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6996408022636835207/posts/default/5279903944162009248'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6996408022636835207/posts/default/5279903944162009248'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://obompastordiocesebraga.blogspot.com/2009/12/desceu-do-ceu.html' title='Desceu do Céu'/><author><name>obompastor</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08085080511645471150</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='33' height='32' src='http://www.pime.org.br/pimenet/imagens/mmjunejul2003-f31-a.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_K_i7t9i5bp8/Szqe6wbDXAI/AAAAAAAAAQY/uA2qyQiHvYY/s72-c/Sano+di+Pietro,1445.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6996408022636835207.post-5887659456154784684</id><published>2009-12-22T08:49:00.004Z</published><updated>2009-12-22T08:55:13.444Z</updated><title type='text'>A Alegria do Natal</title><content type='html'>&lt;div align="center"&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_K_i7t9i5bp8/SzCI38r6pdI/AAAAAAAAAQQ/VfPGzQFUD0M/s1600-h/Mestre+des+Moulins(1480-1500).+Natividade.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5417980846491215314" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 320px; CURSOR: hand; HEIGHT: 242px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_K_i7t9i5bp8/SzCI38r6pdI/AAAAAAAAAQQ/VfPGzQFUD0M/s320/Mestre+des+Moulins(1480-1500).+Natividade.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt; Master of Moulins, c. 1480&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;A mãe Igreja, enquanto nos acompanha rumo ao Santo Natal, ajuda-nos a redescobrir o sentido e o gosto da alegria cristã, tão diversa da alegria do mundo. Neste domingo, segundo uma bonita tradição, as crianças de Roma vêm para fazer benzer pelo Papa as imagens do Menino Jesus que colocarão nos presépios.&lt;br /&gt;É para mim motivo de alegria saber que nas vossas famílias se conserva o hábito de fazer o presépio. Mas não é suficiente repetir um gesto tradicional, embora seja importante. É preciso procurar viver na realidade de todos os dias aquilo que o presépio representa, isto é, o amor de Cristo, a sua humildade, a sua pobreza. Foi o que fez São Francisco em Greccio: representou ao vivo o cenário da Natividade, para a poder contemplar e adorar, mas sobretudo para saber pôr mais em prática a mensagem do Filho de Deus que, por amor a nós, se despojou de tudo e se fez menino.&lt;br /&gt;A Bênção dos "Bambinelli", como se diz em Roma, recorda-nos que o presépio é uma escola de vida, da qual podemos aprender o segredo da verdadeira alegria. Ela não consiste em ter muitas coisas, mas em sentir-se amado pelo Senhor, em fazer-se dom para os outros e em querer-se bem. Olhemos para o presépio: Nossa Senhora e São José não parecem ser uma família coroada de êxito. Tiveram o seu primogénito entre grandes indigências. Contudo, estão repletos de alegria interior, porque se amam, se ajudam e, sobretudo, porque estão certos de que, na sua história, é Deus quem age, o Qual se fez presente no pequenino Jesus. E os pastores? Que motivo teriam para se alegrar? Aquele recém-nascido não mudará certamente a sua condição de pobreza nem de marginalização. Mas a fé ajuda-os a reconhecer no "menino envolvido em panos, e colocado numa manjedoura" o "sinal" do cumprimento, também para eles, das promessas de Deus para todos os homens "que Ele ama" (Lc 2, 12-14).&lt;br /&gt;Eis, queridos amigos, em que consiste a verdadeira alegria: é sentir que a nossa existência pessoal e comunitária é visitada e colmada por um grande mistério, o mistério do amor de Deus. Para rejubilar, precisamos não só de coisas, mas de amor e de verdade, precisamos de um Deus próximo que conforta o nosso coração e responde às nossas profundas expectativas. Este Deus manifestou-se em Jesus, nascido da Virgem Maria. Por isso, aquele Menino, que colocamos na cabana ou na gruta, é o centro de tudo, é o coração do mundo. Rezemos para que cada homem, como a Virgem Maria, possa acolher, como centro da própria vida, o Deus que se fez Menino, fonte da verdadeira alegria.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Bento XVI&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;SP&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6996408022636835207-5887659456154784684?l=obompastordiocesebraga.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://obompastordiocesebraga.blogspot.com/feeds/5887659456154784684/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6996408022636835207&amp;postID=5887659456154784684' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6996408022636835207/posts/default/5887659456154784684'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6996408022636835207/posts/default/5887659456154784684'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://obompastordiocesebraga.blogspot.com/2009/12/alegria-do-natal.html' title='A Alegria do Natal'/><author><name>obompastor</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08085080511645471150</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='33' height='32' src='http://www.pime.org.br/pimenet/imagens/mmjunejul2003-f31-a.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_K_i7t9i5bp8/SzCI38r6pdI/AAAAAAAAAQQ/VfPGzQFUD0M/s72-c/Mestre+des+Moulins(1480-1500).+Natividade.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6996408022636835207.post-7493543283093086841</id><published>2009-12-12T01:09:00.009Z</published><updated>2009-12-12T01:24:53.469Z</updated><title type='text'>Reflexão teológica</title><content type='html'>&lt;div align="center"&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_K_i7t9i5bp8/SyLv7ssAfLI/AAAAAAAAAQI/A5EBWWraCqQ/s1600-h/Velazquez,+1618,+S.+Jo%C3%A3o+Evangelista.jpg"&gt;&lt;img style="TEXT-ALIGN: center; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 238px; DISPLAY: block; HEIGHT: 320px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5414153510939819186" border="0" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_K_i7t9i5bp8/SyLv7ssAfLI/AAAAAAAAAQI/A5EBWWraCqQ/s320/Velazquez,+1618,+S.+Jo%C3%A3o+Evangelista.jpg" /&gt;&lt;/a&gt; &lt;span style="font-size:85%;"&gt;Velazquez,1618. S. João Evangelista em Patmos&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;Extractos da homilia improvisada por Bento XVI, durante a Missa, na manhã de 1 de Dezembro, na Capela Paulina, na presença dos participantes na sessão plenária da Comissão Teológica Internacional.&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;As palavras do Senhor, que há pouco ouvimos no trecho evangélico, são um desafio para nós teólogos, ou talvez para dizer melhor, um convite a um exame de consciência: o que é a teologia? O que somos nós, teólogos? Como fazer bem teologia? Ouvimos que o Senhor louva o Pai porque escondeu o grande mistério do Filho, o mistério trinitário, o mistério cristológico, aos sábios, aos doutos. Eles não o conheceram, mas revelou-o aos pequeninos, aos &lt;em&gt;népioi&lt;/em&gt;, àqueles que não são doutos, que não têm uma grande cultura. Com estas palavras, o Senhor descreve simplesmente um facto da sua vida, um facto que começa já na época do seu nascimento, quando os Magos do Oriente perguntam aos competentes, aos escribas, aos exegetas, o lugar do nascimento do Salvador, do Rei de Israel. Os escribas sabem-no, porque são grandes especialistas. Podem dizer imediatamente onde nasce o Messias: em Belém! Mas não se sentem convidados a ir. Para eles é um conhecimento académico que não diz respeito à sua vida. Permanecem fora. Podem dar informações, mas a informação não se torna formação da própria vida.&lt;br /&gt;Os acontecimentos essenciais da vida de Jesus não pertencem unicamente ao passado, mas estão presentes, de vários modos, em todas as gerações. Também na nossa época, nos últimos duzentos anos, observamos a mesma coisa. Existem grandes doutos, grandes especialistas, grandes teólogos, mestres da fé, que nos ensinaram muitas coisas. Penetraram nos pormenores da Sagrada Escritura, da história da salvação, mas não puderam ver o próprio mistério, o verdadeiro núcleo: que Jesus era realmente Filho de Deus, que Deus trinitário entra na nossa história, num determinado momento histórico, num homem como nós. O essencial permaneceu escondido! Poder-se-iam citar facilmente grandes nomes da história da teologia destes duzentos anos, dos quais aprendemos muito, mas o mistério não foi aberto aos olhos do seu coração.&lt;br /&gt;De tudo isto nasce a pergunta: por que é assim? É o cristianismo a religião dos néscios, das pessoas sem cultura, não formadas? Apaga-se a fé onde se desperta a razão? Como se explica isto? Talvez tenhamos que olhar mais uma vez para a história. Permanece verdadeiro o que Jesus disse, aquilo que se pode observar em todos os séculos. E todavia, existe uma "espécie" de pequeninos que são inclusive doutos. Aos pés da cruz encontra-se Nossa Senhora, a humilde serva de Deus, a grande mulher iluminada por Deus. E encontra-se também João, pescador do lago da Galileia, mas é aquele João que será justamente chamado pela Igreja "o teólogo", porque realmente soube ver o mistério de Deus e anunciá-lo: com olhos de águia, entrou na luz inacessível do mistério divino.&lt;br /&gt;Sobressai o facto de que existe um uso dúplice da razão e uma maneira dupla de ser sábio ou pequenino. Há um modo de utilizar a razão que é autónomo, que se põe acima de Deus, em toda a gama das ciências, a começar pelas naturais, onde é universalizado um método adequado para a pesquisa da matéria: Deus não faz parte deste método, portanto Deus não existe. Assim também na teologia: pesca-se nas águas da Sagrada Escritura com uma rede que permite capturar somente peixes de uma certa medida, e aquilo que vai além desta medida não entra na rede e, por conseguinte, não pode existir.&lt;br /&gt;Assim o grande mistério de Jesus, do Filho que se fez homem, reduz-se a um Jesus histórico: uma figura trágica, um fantasma sem carne nem ossos, um homem que permaneceu no sepulcro, que se corrompeu e é realmente um morto. O método sabe "capturar" certos peixes, mas exclui o grande mistério, porque o homem se faz ele mesmo a medida. Possui esta soberba, que é contemporaneamente uma grande loucura, porque torna absolutos certos métodos não adequados às grandes realidades. Entra neste espírito académico que vimos nos escribas, os quais respondem aos Reis magos: não me diz respeito. Permaneço fechado na minha existência, que não é tocada. É a especialização que vê todos os pormenores, mas já não vê a totalidade.&lt;br /&gt;Existe o outro modo de utilizar a razão, de ser sábio: a do homem que reconhece quem é. Reconhece a própria medida e a grandeza de Deus, abrindo-se na humildade à novidade do agir de Deus. Assim, precisamente aceitando a sua pequenez, fazendo-se pequenino como realmente é, chega à verdade. Desta maneira, também a razão pode expressar todas as suas possibilidades, não é anulada, mas amplia-se, torna-se maior. Trata-se de outra &lt;em&gt;sofia &lt;/em&gt;e &lt;em&gt;sínesis&lt;/em&gt;, que não exclui o mistério, mas é precisamente comunhão com o Senhor, em quem repousam a sapiência e a sabedoria, e a sua verdade.&lt;br /&gt;Neste momento, queremos rezar ao Senhor a fim de que nos conceda a verdadeira humildade. Que nos conceda ser pequeninos, para sermos realmente sábios; nos ilumine, nos faça ver o seu mistério do júbilo do Espírito Santo, nos ajude a ser verdadeiros teólogos, que podem anunciar o seu mistério porque foram tocados na profundidade do seu coração, da sua existência. Amém.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;SP&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6996408022636835207-7493543283093086841?l=obompastordiocesebraga.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://obompastordiocesebraga.blogspot.com/feeds/7493543283093086841/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6996408022636835207&amp;postID=7493543283093086841' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6996408022636835207/posts/default/7493543283093086841'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6996408022636835207/posts/default/7493543283093086841'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://obompastordiocesebraga.blogspot.com/2009/12/reflexao-teologica.html' title='Reflexão teológica'/><author><name>obompastor</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08085080511645471150</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='33' height='32' src='http://www.pime.org.br/pimenet/imagens/mmjunejul2003-f31-a.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_K_i7t9i5bp8/SyLv7ssAfLI/AAAAAAAAAQI/A5EBWWraCqQ/s72-c/Velazquez,+1618,+S.+Jo%C3%A3o+Evangelista.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6996408022636835207.post-542529417164393669</id><published>2009-12-05T17:22:00.004Z</published><updated>2009-12-05T17:31:25.860Z</updated><title type='text'>O Pardal</title><content type='html'>&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_K_i7t9i5bp8/SxqYyKSoa6I/AAAAAAAAAQA/0fkbQ95aWPw/s1600-h/Pardal+2.jpg"&gt;&lt;img style="TEXT-ALIGN: center; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 256px; DISPLAY: block; HEIGHT: 320px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5411805889762454434" border="0" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_K_i7t9i5bp8/SxqYyKSoa6I/AAAAAAAAAQA/0fkbQ95aWPw/s320/Pardal+2.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;A ladroagem descarada talvez não tenha representantes mais conhecidos do que estes bandos grulhentos que rondam searas e portais de habitações e, ao roubarem biscato, abalam como que em grande risotada. Desconfiadíssimos, podemos granizá-los, mas em vão se lhes arma a costela ou o boiz; não caem, com o olhinho finório examinam tudo, achegam-se com passinho miúdo e trémulo à côdea ou à espiga e, num último relance, a ver se vem gente, bicam-na e eles aí vão cheios de consciência de ladros e a rir-se de laços e cadeias.&lt;br /&gt;Têm psicologia de contrabandistas; misturam-se com as outras aves, mas são de um egoísmo feroz. Roubar e comer são os dois parágrafos do seu código. De resto, nem se divertem nem solfejam coisa de jeito; possuídos de má consciência, andam sempre disparados da seara para os tectos e se vão beber água há-de ser em charca muito quieta e erma.&lt;br /&gt;E os ninhos? Ninham nas árvores, mas sobretudo nos telhados. Metem-se por sob as telhas e fazem uns berços razoáveis onde quatro, cinco, até seis bicos se abrem com voracidade nativa. Os pais acarretam todo o dia a rapinagem variada. Mas aí, nesse trabalho de alimentação, é que revelam o fraco bestunto que lhes assiste. Na empena dos telhados, com o bico cheio, alguns levam uma espiga inteira, ficam a esguardar à direita e à esquerda, enfiam pelas telhas e repartem os ganhos. O dono do palheiro e os gatos vizinhos observam aquelas idas e vindas e vão por dentro, sobem ao tecto e topam com pratadas de carne fresca a chamar o arroz de forno. O bichano põe-se a engordar e ostenta uns bigodes mais fartos e risonhos que os dos brasileiros de torna-viagem do fim do século passado. Roubado o primeiro ninho, os pardais não choram, fazem logo outro e, daí a dias, outra pratada de carne não tabelada espera o gato ou os galfarros do agrícola que anda nervoso com os estragos na seara. Gordos e cozidos com arroz, dispensam o palito dos dentes e dão euforia às sestas do verão.&lt;br /&gt;Em bando, quando desabam sobre os trigos, fazem prejuízo de vulto; nos viveiros de hortaliça, então, levam tudo a eito, e se os não chumbam, o lavrador não tem que transplantar e anda esmorecido com estes demónios. É verdade que fez uns espantalhos de braços abertos e chapéu na cabeça. No primeiro dia, a pardalada rondou incerta e observante. No segundo, já poisavam em cacho sobre o mostrengo e não queriam outro poleiro, rindo-se do ardil com redobrada malícia.&lt;br /&gt;A psicologia dos pardais anda muito dentro da psique humana. Ladronicos a retalho, gente que maquia o devido ao próximo, vendedores miúdos que ludibriam as leis, até o fingido mendigo que faz beicinho miserando e tem no bolso do colete uma continha calada – todos esses são de raça pardalina.&lt;br /&gt;Ides a um café e a chávena vem meia. Mandais a moenda à pedra alveira e notais que a maquia foi demais. Comprais fazenda para um fato e o casaco aperta-vos e a calça saiu curta. Estes roubos pardalares deixam muito contentes os ratoneiros que ostentam sempre a cara mais patusca e, ao serem objurgados, riem bonacheironamente e armam em admirados das calúnias que vão pelo mundo. (...)&lt;br /&gt;É ave sem encantos embora use uma gravatinha enxovalhada como os ciganitos vendedores de relógios e de lapiseiras... acabadas de chegar do Cairo! Os pardais constituem uma democracia de fraca organização e escassa exemplaridade. A criminalidade é alarmante, mas de fraco calibre. Condenamo-la e rimo-nos dela com riso involuntário quando ajuizamos de fulano com esta interjeição: - olha que pardal!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;João Maia, &lt;em&gt;O Livro dos Animais&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;SP &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6996408022636835207-542529417164393669?l=obompastordiocesebraga.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://obompastordiocesebraga.blogspot.com/feeds/542529417164393669/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6996408022636835207&amp;postID=542529417164393669' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6996408022636835207/posts/default/542529417164393669'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6996408022636835207/posts/default/542529417164393669'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://obompastordiocesebraga.blogspot.com/2009/12/o-pardal.html' title='O Pardal'/><author><name>obompastor</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08085080511645471150</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='33' height='32' src='http://www.pime.org.br/pimenet/imagens/mmjunejul2003-f31-a.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_K_i7t9i5bp8/SxqYyKSoa6I/AAAAAAAAAQA/0fkbQ95aWPw/s72-c/Pardal+2.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6996408022636835207.post-1465258590166458109</id><published>2009-11-24T19:15:00.003Z</published><updated>2009-11-24T19:20:38.407Z</updated><title type='text'>Samaritana</title><content type='html'>&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_K_i7t9i5bp8/SwwxtD_WFxI/AAAAAAAAAP4/T_Xv-sR87Pg/s1600/Samaritana+Azulejo.JPG"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5407751902799992594" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 213px; CURSOR: hand; HEIGHT: 320px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_K_i7t9i5bp8/SwwxtD_WFxI/AAAAAAAAAP4/T_Xv-sR87Pg/s320/Samaritana+Azulejo.JPG" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Centremos, primeiro, a nossa atenção nos seres humanos. A samaritana é uma jovem que vem à fonte, bonita, elegantemente vestida. Repare-se no pormenor da cintura subida. Mulher sedutora, já tivera cinco maridos, e o que tinha então não era dela.&lt;br /&gt;De acordo com o evangelho, Cristo está sentado, descansando, mas aqui veste à maneira de peregrino: chapéu na cabeça, bordão na mão direita, calçado leve e alforge a tiracolo. Está de passagem. Caminha, evangelizando.&lt;br /&gt;O cão, também repousando, do lado de Cristo, não será apenas um pormenor decorativo. Simboliza a virtude da fidelidade, precisamente o que Jesus, conhecedor da psicologia feminina, promete à samaritana: um amor eterno, uma fidelidade perfeita.&lt;br /&gt;A paisagem em que se desenrolou a cena evangélica não deveria ser tão verdejante. Aqui se revela, porém, outra originalidade da pintura. Vemos árvores frondosas, arbustos, verdura pelo chão, aves voando, um palácio, representando a cidade. Vemos, não um poço, mas um fontanário barroco com golfinhos na base e ostentando, no alto, um pequeno Cupido. À maneira arcádica, combinando tradição greco-romana com a mensagem cristã, o artista situou o episódio num ambiente iconograficamente próximo das representações do Jardim do Amor.&lt;br /&gt;Ao fazê-lo, captou o essencial da cena. O episódio da samaritana é, precisamente, a promessa de uma água que mata para sempre a nossa sede de amor, de um amor absolutamente perfeito, por isso mesmo imortal. É a promessa do regresso ao Jardim do Éden.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6996408022636835207-1465258590166458109?l=obompastordiocesebraga.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://obompastordiocesebraga.blogspot.com/feeds/1465258590166458109/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6996408022636835207&amp;postID=1465258590166458109' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6996408022636835207/posts/default/1465258590166458109'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6996408022636835207/posts/default/1465258590166458109'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://obompastordiocesebraga.blogspot.com/2009/11/samaritana.html' title='Samaritana'/><author><name>obompastor</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08085080511645471150</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='33' height='32' src='http://www.pime.org.br/pimenet/imagens/mmjunejul2003-f31-a.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_K_i7t9i5bp8/SwwxtD_WFxI/AAAAAAAAAP4/T_Xv-sR87Pg/s72-c/Samaritana+Azulejo.JPG' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6996408022636835207.post-3218373226892876581</id><published>2009-11-24T02:21:00.004Z</published><updated>2009-11-24T02:37:44.497Z</updated><title type='text'>Fé e Arte</title><content type='html'>&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_K_i7t9i5bp8/SwtGuNvVWwI/AAAAAAAAAPw/oPyHqTgDByw/s1600/G%C3%B3tico+Radiante.+Reims.jpg"&gt;&lt;img style="TEXT-ALIGN: center; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 224px; DISPLAY: block; HEIGHT: 320px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5407493537364531970" border="0" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_K_i7t9i5bp8/SwtGuNvVWwI/AAAAAAAAAPw/oPyHqTgDByw/s320/G%C3%B3tico+Radiante.+Reims.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Nas catequeses das semanas passadas apresentei alguns aspectos da teologia medieval. Mas a fé cristã, profundamente arraigada nos homens e nas mulheres destes séculos, não deu origem somente a obras-primas da literatura teológica, do pensamento e da fé. Ela inspirou também uma das criações artísticas mais elevadas da civilização universal: as catedrais, verdadeira glória da Idade Média cristã. Com efeito, durante cerca de três séculos, a partir do início do século XI, assistiu-se na Europa a um ardor artístico extraordinário. Um antigo cronista descreve assim o entusiasmo e o labor daquela época: "Verificou-se que no mundo inteiro, mas especialmente na Itália e nas Gálias, se começou a reconstruir as igrejas, embora muitas, por estar ainda em boas condições, não tivessem necessidade de tal restauro. Era como uma competição entre um povo e outro; acreditava-se que o mundo, libertando-se dos velhos trapos, queria revestir-se em toda a parte com a veste branca de novas igrejas. Em síntese, quase todas as igrejas catedrais, um grande número de igrejas monásticas e até oratórios de aldeia, foram então restauradas pelos fiéis" (Rodolfo o Glabro, &lt;em&gt;Historiarum&lt;/em&gt; 3,4).&lt;br /&gt;Vários factores contribuíram para este renascimento da arquitectura religiosa. Em primeiro lugar, condições históricas mais favoráveis, como uma maior segurança política, acompanhada por um aumento constante da população e pelo progressivo desenvolvimento das cidades, dos intercâmbios e da riqueza. Além disso, os arquitectos encontravam soluções técnicas cada vez mais elaboradas para aumentar as dimensões dos edifícios, garantindo ao mesmo tempo a sua solidez e majestade. Porém, foi principalmente graças ao ardor e ao zelo espiritual do monaquismo em plena expansão que foram construídas igrejas abaciais, onde a liturgia podia ser celebrada com dignidade e solenidade, e os fiéis podiam deter-se em oração, atraídos pela veneração das relíquias dos santos, meta de peregrinações incessantes. Nasceram assim as igrejas e as catedrais românicas, caracterizadas pelo desenvolvimento longitudinal, em comprimento, das naves para acolher numerosos fiéis; igrejas muito sólidas, com muros espessos, abóbadas em pedra e linhas simples e essenciais. Uma novidade é representada pela introdução das esculturas. Dado que as igrejas românicas eram lugar de oração monástica e de culto dos fiéis, os escultores, mais do que preocupar-se com a perfeição técnica, prestaram atenção sobretudo à finalidade educativa. Uma vez que era necessário suscitar nas almas impressões fortes, sentimentos que pudessem impelir a evitar o vício, o mal, e a praticar as virtudes, o bem, o tema recorrente era a representação de Cristo como Juiz universal, circundado pelas personagens do Apocalipse. Em geral, são os pórticos das igrejas românicas que oferecem esta representação, para sublinhar que Cristo é a Porta que conduz ao Céu. Os fiéis, cruzando o limiar do edifício sagrado, entram num tempo e num espaço diferentes dos da vida comum. Para além do pórtico da igreja, os crentes em Cristo, soberano, justo e misericordioso, na intenção dos artistas, podiam saborear uma antecipação da bem-aventurança eterna na celebração da liturgia e nos gestos de piedade no interior do edifício sagrado.&lt;br /&gt;Nos séculos XII e XIII, a partir do norte da França, difundiu-se outro tipo de arquitectura na construção dos edifícios sagrados, a gótica, com duas características novas em relação ao românico, ou seja, o impulso vertical e a luminosidade. As catedrais góticas mostravam uma síntese de fé e de arte harmoniosamente expressa através da linguagem universal e fascinante da beleza, que ainda hoje suscita admiração. Graças à introdução das abóbadas em ogiva, que se apoiavam sobre pilares robustos, foi possível elevar notavelmente a sua altura. O impulso rumo ao alto queria convidar à oração e ele mesmo era uma prece. A catedral gótica tencionava traduzir assim, nas suas linhas arquitectónicas, a aspiração das almas por Deus. Além disso, com as novas soluções técnicas adoptadas, as paredes podiam ser perfuradas e adornadas com vitrais policromáticos. Em síntese, as janelas tornavam-se grandes imagens luminosas, muito aptas para instruir o povo na fé. Nelas, cena por cena, eram narrados a vida de um santo, uma parábola ou outros acontecimentos bíblicos. Dos vitrais pintados, uma cascata de luz derramava-se sobre os fiéis para lhes narrar a história da salvação e para os envolver nesta história.&lt;br /&gt;Outra qualidade das catedrais góticas é constituída pelo facto de que na sua construção e decoração, de modo diferente mas coral, participava toda a comunidade cristã e civil; participavam os humildes e os poderosos, os analfabetos e os doutos, porque nesta casa comum todos os crentes eram instruídos na fé. A escultura gótica fez das catedrais uma "Bíblia de pedra", representando os episódios do Evangelho e explicando os conteúdos do ano litúrgico, da Natividade à Glorificação do Senhor. Além disso, nesses séculos difundia-se cada vez mais a percepção da humanidade do Senhor, e os padecimentos da sua Paixão eram representados de modo realista: Cristo sofredor (&lt;em&gt;Christus patiens&lt;/em&gt;) tornou-se uma imagem amada por todos, e apta para inspirar piedade e arrependimento pelos pecados. Também não faltavam as personagens do Antigo Testamento, cuja história se tornou assim familiar para os fiéis que frequentavam as catedrais, como parte da única, comum, história de salvação. Com os seus rostos cheios de beleza, de docilidade e de inteligência, a escultura gótica do século XIII revela uma piedade ditosa e tranquila, que se alegra por efundir uma devoção sentida e filial pela Mãe de Deus, vista às vezes como uma jovem mulher, risonha e materna, e principalmente representada como a soberana do céu e da terra, poderosa e misericordiosa. Os fiéis que apinhavam as catedrais góticas gostavam de encontrar aí também expressões artísticas que recordassem os santos, modelos de vida cristã e intercessores junto de Deus. E não faltavam manifestações "laicas" da existência; eis então que aparecem, aqui e ali, representações do trabalho dos campos, das ciências e das artes. Tudo era orientado e oferecido a Deus, no lugar onde se celebrava a liturgia. Podemos compreender melhor o sentido que era atribuído a uma catedral gótica, considerando o texto da inscrição gravada no pórtico central de Saint-Denis, em Paris: "Viandante, que queres louvar a beleza destes pórticos, não te deixes ofuscar pelo ouro, nem pela magnificência, mas sobretudo pelo trabalho cansativo. Aqui brilha uma obra famosa, mas queira o céu que esta obra famosa que brilha faça resplandecer os espíritos, a fim de que com as verdades luminosas se encaminhem para a verdadeira luz, onde Cristo é a verdadeira porta".&lt;br /&gt;Caros irmãos e irmãs, apraz-me frisar agora dois elementos da arte românica e gótica, úteis também para nós. O primeiro: as obras-primas artísticas surgidas na Europa nos séculos passados são incompreensíveis, se não se tem em consideração a alma religiosa que as inspirou. Um artista que sempre deu testemunho do encontro entre estética e fé, Marc Chagall, escreveu que "os pintores durante séculos banharam o seu pincel naquele alfabeto colorido que era a Bíblia". Quando a fé, particularmente celebrada na liturgia, encontra a arte, cria-se uma profunda sintonia, porque ambas podem e querem falar de Deus, tornando visível o Invisível. Gostaria de compartilhar isto no encontro com os artistas, de 21 de Novembro, renovando-lhes aquela proposta de amizade entre a espiritualidade cristã e a arte, desejada pelos meus venerados Predecessores, em particular pelos Servos de Deus Paulo VI e João Paulo II. O segundo elemento: a força do estilo românico e o esplendor das catedrais góticas recordam-nos que a &lt;em&gt;via pulchritudinis&lt;/em&gt;, o caminho da beleza, é um percurso privilegiado e fascinante para nos aproximarmos do Mistério de Deus. O que é a beleza que escritores, poetas, músicos e artistas contemplam e traduzem na sua linguagem, a não ser o reflexo do esplendor do Verbo eterno que se fez carne? Santo Agostinho afirma: "Interroga a beleza da terra, interroga a beleza do mar, interroga a beleza do ar difundida e diluída. Interroga a beleza do céu, interroga a ordem das estrelas, interroga o sol, que com o seu esplendor ilumina o dia; interroga a lua, que com o seu clarão modera as trevas da noite. Interroga os animais que se movem na água, que caminham na terra, que voam pelos ares: almas que se escondem, corpos que se mostram; visível que se faz guiar, invisível que guia. Interroga-os! Todos te responderão: Olha-nos, somos belos! A sua beleza fá-los conhecer. Quem foi que criou esta beleza mutável, a não ser a Beleza Imutável?" (&lt;em&gt;Sermo CCXLI&lt;/em&gt;, 2: pl 38, 1134).&lt;br /&gt;Estimados irmãos e irmãs, que o Senhor nos ajude a redescobrir o caminho da beleza como um dos itinerários, talvez o mais atraente e fascinante, para conseguir encontrar e amar a Deus.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Bento XVI &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;SP&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6996408022636835207-3218373226892876581?l=obompastordiocesebraga.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://obompastordiocesebraga.blogspot.com/feeds/3218373226892876581/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6996408022636835207&amp;postID=3218373226892876581' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6996408022636835207/posts/default/3218373226892876581'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6996408022636835207/posts/default/3218373226892876581'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://obompastordiocesebraga.blogspot.com/2009/11/fe-e-arte.html' title='Fé e Arte'/><author><name>obompastor</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08085080511645471150</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='33' height='32' src='http://www.pime.org.br/pimenet/imagens/mmjunejul2003-f31-a.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_K_i7t9i5bp8/SwtGuNvVWwI/AAAAAAAAAPw/oPyHqTgDByw/s72-c/G%C3%B3tico+Radiante.+Reims.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6996408022636835207.post-3367044177576545061</id><published>2009-11-18T18:08:00.003Z</published><updated>2009-11-18T18:14:22.765Z</updated><title type='text'>O Peneireiro</title><content type='html'>&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_K_i7t9i5bp8/SwQ49GW3jAI/AAAAAAAAAPo/nm-XcHIwZ20/s1600/Peneireiro+1.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5405508075081141250" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 316px; CURSOR: hand; HEIGHT: 320px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_K_i7t9i5bp8/SwQ49GW3jAI/AAAAAAAAAPo/nm-XcHIwZ20/s320/Peneireiro+1.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Esta ave, desconfio que os meus leitores não a conhecem. Talvez a confundam com o milhafre ou milhano, se olharem apenas a roupa. Como ela voa alto, maior perigo de confusão. É ave de rapina e veste uma camisola pardacenta. Nas aldeias sertanejas disputa as capoeiras com o milhano. Não que as assalte como a raposa matreira. Mas acontece que a galinha se arrisca pelo vale abaixo, pelos matos, onde a bicheza é copiosa.&lt;br /&gt;E logo vos direi como caça o peneireiro. O milhafre, ao ver a galinha, despenha-se em linha recta, arpoa e some-se nas nuvens. O peneireiro, ou por guloso, ou por desconfiado, usa estratégia diferente. Deve ter lido os livros de caça do rei D. Duarte e de outros reis e monteiros e aplica as teorias que já vêm de Assurbanípal.&lt;br /&gt;O peneireiro ergue-se a pino sobre brenhas e pinhais. Quase se imobiliza com um jeito trémulo de asas e daí lhe vem o nome. Fica a peneirar uma farinha que não se vê e vem a ser a sua manha de salteador com todos os preparativos. Ali fica a sacudir as asas, a travar o voo. Está a sondar os matagais, a ver onde os coelhos penduram as flanelas, onde a fuinha mexerica, onde os passarinhos rasteiros têm o ninho. E escolhe a presa consoante o apetite e o capricho. Feita a escolha, desaba como um raio e a vítima nem tempo tem de soltar o ai dos infelizes. Não ameaça, não amedronta, parece mesmo que anda de gorra com os geógrafos de teodolito a fazer o levantamento das terras. Os bichos curiosos de o verem parado em pleno ar põem-se a espreitar. É o que ele quer. Parece mesmo dizer lá de cima: - venham ver esta prova de saltimbanco, venham que eu já vos dou o arroz!&lt;br /&gt;O resultado destas artes é que anda sempre bem almoçado. Se a galinha se arrisca pelo vale adiante, o maroto não peneira muito os ares. Escolhe o pintainho mais gordote e leva-o no bico com amofinamento da galinha que olha os vastos céus inacessíveis.&lt;br /&gt;Digam-me agora se não há homens com psicologia de peneireiros! Andamos todos, uns mais que os outros, atarefados na brenha social. Erguemos, de quando em vez, os olhos ao céu e lá vemos um peneireiro a escolher a vítima. Peneira os ares tão docemente, parece tão inofensivo que a vítima até lhe entra no jogo, até o louva e celebra. Às vezes por sobre a vida individual de cada um de nós ouvimos o ruflar do peneireiro, do explorador, do manhoso de maus fígados, escondido em jeitos de acrobata para nos divertir antes da guinada mortal. Do milhafre todos se acautelam. E a não se conhecer o bandido, as culpas são sempre para o milhano.&lt;br /&gt;O peneireiro só quer observar, divertir os tristes. Nos adjuntos humanos há uma categoria de peneireiro de uma esperteza fugidiça ao olho dos psicólogos. São os que querem que outros tirem as castanhas do lume. Tendes aí um júri, vá por exemplo, reunido para deliberação. O peneireiro ergue voo e fica a planear sobre os alvitres. – A si que lhe parece? – Eu, diz o peneireiro, parece-me que nem sim nem não, antes pelo contrário! Vêem-no? Está a planar. Surge um parecer bem escorado em razões, bem raciocinado, ao qual se não pode escapar. O peneireiro desaba em vertical, arpoa o parecer e fá-lo dele. Os jornais da tarde noticiam que foi ele que teve a ideia!&lt;br /&gt;No Congresso de Viena de 1815, o peneireiro era Talleyrand, não obstante a perna manca ou talvez por isso. E desde então, por sobre as sessões conjuntas de ministros, por sobre os areópagos internacionais, por sobre os céus que recobrem a O.N.U., plana sempre um peneireiro a ver qual é o frango mais desamparado.&lt;br /&gt;É claro que o peneireiro está sentado entre as casacas pretas, cá em baixo, mas o seu espírito paira lá em cima e peneira razões e alvitres à espera do momento oportuno. A psicologia do peneireiro infiltrou-se nos políticos de segundas intenções, que têm mãos de Esaú e voz de Jacob; e querer compreender a política de hoje sem conhecer o peneireiro é querer remover o Himalaia com o palito dos dentes.&lt;br /&gt;Por conselho caseiro dizemos que é bom vistoriar os céus de tempos a tempos. Não pedimos dinheiro pelo conselho, mas se uma chumbada prostrar o peneireiro, cozam-no com arroz e ponham lá mais um garfo na mesa. Não falto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;João Maia, &lt;em&gt;O Livro dos Animais&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;SP&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6996408022636835207-3367044177576545061?l=obompastordiocesebraga.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://obompastordiocesebraga.blogspot.com/feeds/3367044177576545061/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6996408022636835207&amp;postID=3367044177576545061' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6996408022636835207/posts/default/3367044177576545061'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6996408022636835207/posts/default/3367044177576545061'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://obompastordiocesebraga.blogspot.com/2009/11/o-peneireiro.html' title='O Peneireiro'/><author><name>obompastor</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08085080511645471150</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='33' height='32' src='http://www.pime.org.br/pimenet/imagens/mmjunejul2003-f31-a.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_K_i7t9i5bp8/SwQ49GW3jAI/AAAAAAAAAPo/nm-XcHIwZ20/s72-c/Peneireiro+1.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6996408022636835207.post-5257256143806777442</id><published>2009-11-17T11:46:00.003Z</published><updated>2009-11-17T11:50:14.032Z</updated><title type='text'>"Casamento" gay e referendo</title><content type='html'>&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_K_i7t9i5bp8/SwKNws4EbEI/AAAAAAAAAPg/-RMm3Oj4o74/s1600/BalÃµes.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5405038370617584706" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 320px; CURSOR: hand; HEIGHT: 233px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_K_i7t9i5bp8/SwKNws4EbEI/AAAAAAAAAPg/-RMm3Oj4o74/s320/Bal%C3%B5es.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;p align="justify"&gt;O artigo 16.º da Declaração Universal dos Direitos do Homem consagra que o homem e a mulher têm o direito de casar e constituir família e acrescenta que "a família é o elemento natural e fundamental da sociedade e tem direito à protecção desta e do Estado". Sendo de Direito Natural, não era preciso que o afirmasse. O preceito traduz a realidade quantas vezes dita, ouvida, proclamada, repetida, no elenco dos direitos humanos fundamentais: a família é a célula-base da sociedade. Mas, positivistas que andamos, é melhor tê-lo claramente consagrado na Declaração Universal, cujos sessenta anos celebrámos com entusiasmo há um ano e para cujo valor jurídico interno a nossa Constituição também remete expressamente.&lt;br /&gt;O primeiro-ministro, com o país e os portugueses assolados por tantos problemas e dificuldades, decidiu anunciar que quer promover legislação para instituir "o casamento civil entre pessoas do mesmo sexo". E tem a acompanhá-lo na aventura, que os promotores dessa agenda designaram de "fracturante", a movimentação do BE e do PEV, que já apresentaram projectos de lei de alteração do Código Civil com aquele alcance.&lt;br /&gt;Aqui chegados, uma das questões que se põem é a de saber se o quadro político actual tem legitimidade de decisão política para operar uma transformação com aquela dimensão, sem primeiro consultar o povo em referendo. Não tem.&lt;br /&gt;Executar uma transformação tão radical na célula estruturante da sociedade, sem ao menos ouvir a sociedade e esta se pronunciar claramente, constituiria uma violência legislativa. E violência tanto mais brutal quanto mais se pretendesse, como alguns parecem, passar apressadamente pelo assunto como cão por vinha vindimada.&lt;br /&gt;Seria grave que o Estado violasse o dever de proteger a família como elemento natural e fundamental da sociedade. Pior ainda, se negasse e impedisse a sociedade de o poder fazer.&lt;br /&gt;A Assembleia da República tem legitimidade formal - não o questiono. Tem-na sempre sobre qualquer matéria que se enquadre nas suas competências; e tem-na até exclusivamente, mesmo com referendo, pois o referendo não é instrumento do poder legislativo.&lt;br /&gt;A legitimidade de que falo é de legitimidade material, substantiva, uma legitimidade democrática genuína. E essas, quanto a este tema, não moram nem no Governo, nem no actual quadro parlamentar, se não houver, ao menos, um referendo prévio que suportasse directa e claramente aquele propósito.&lt;br /&gt;Na resposta à questão contemporânea das uniões homossexuais, há diferentes modelos. O modelo radical e extremista é o de, sob vendaval ideológico, capturar a própria noção e palavra "casamento", alterando por completo o conceito e a estrutura longamente estabelecidos da família. Muito poucos países foram por aí. E, quando aqui se chega, o referendo é sempre exigível, como tem acontecido em muitos Estados.&lt;br /&gt;Não é legítimo mexer na célula fundamental da sociedade, na sua noção matricial - e, portanto também, na sua natureza, conteúdo e identidade -, sem ao menos perguntar o que pensa a sociedade e se o quer. Dificilmente, aliás, haverá matéria mais típica de referendo: porque se trata justamente de uma questão de sociedade; e, sendo a família anterior ao Estado, o Estado não pode, não deve, mexer na sua identidade sem ouvir directamente a sociedade.&lt;br /&gt;Acresce que não é verdade que os portugueses tivessem expressado nas últimas eleições a sua vontade na questão. Além de esta ter estado praticamente ausente da campanha, não há tão-pouco maioria de representação de partidos que tivessem assumido programaticamente o tema. De todos, apenas o BE incluiu o propósito legislativo claro de revolucionar o conceito de casamento de forma a incluir as uniões homossexuais e fazendo-o com os efeitos inerentes, nomeadamente quanto à adopção. O PS incluiu o tema do casamento, mas não o da adopção - o que cria um outro problema, mais grave. E o PCP ou a CDU nada disseram especificamente.&lt;br /&gt;Mas o problema quanto ao PS, que quer liderar, é maior. No plano constitucional, por força da norma de não discriminação em razão da orientação sexual, é cristalino que a modificação da noção de casamento arrastaria necessariamente como consequência jurídica imediata a questão da adopção, bem como todas as matérias (e são inúmeras) que estão referidas ao casamento.&lt;br /&gt;Hoje, não existe qualquer inconstitucionalidade, como o Tribunal Constitucional já declarou, uma vez que o casamento é - sempre foi - uma união de homem e mulher. Não há desigualdade, mas especificidade. Mas, se, em engenharia jurídica estratégica, fosse mudada a noção de casamento para corresponder a uma outra coisa, tornar-se-ia gritantemente inconstitucional, quanto à adopção ou qualquer outra matéria, discriminar o estatuto jurídico dos novos "casados" porque uns "casados" fossem de uma orientação sexual e outros doutra.&lt;br /&gt;E, por isso, o primeiro-ministro, ao ter reconhecido expressamente no Parlamento que não possui qualquer mandato quanto à adopção por uniões homossexuais, está a reconhecer implicitamente que também não tem mandato real, legítimo, quanto ao casamento - uma vez que este arrasta inexoravelmente aquela.&lt;br /&gt;Seria grave para uma maioria parlamentar ad hoc - e bem pior para um Governo digno e responsável - avançar de forma obscura e furtiva, sobretudo em matéria de tanta sensibilidade e tão vastas implicações, ao modo de "adopção escondida com casamento de fora". E também por isto, a questão não pode deixar de ser colocada, directamente, sem ambiguidades, nem reservas mentais, à cidadania, para que discuta abertamente e decida o que entende, o que pensa, o que quer.&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Ribeiro e Castro, deputado do CDS-PP, in &lt;em&gt;Público&lt;/em&gt;, 16.11.2009&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;SP&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6996408022636835207-5257256143806777442?l=obompastordiocesebraga.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://obompastordiocesebraga.blogspot.com/feeds/5257256143806777442/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6996408022636835207&amp;postID=5257256143806777442' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6996408022636835207/posts/default/5257256143806777442'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6996408022636835207/posts/default/5257256143806777442'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://obompastordiocesebraga.blogspot.com/2009/11/casamento-gay-e-referendo.html' title='&quot;Casamento&quot; gay e referendo'/><author><name>obompastor</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08085080511645471150</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='33' height='32' src='http://www.pime.org.br/pimenet/imagens/mmjunejul2003-f31-a.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_K_i7t9i5bp8/SwKNws4EbEI/AAAAAAAAAPg/-RMm3Oj4o74/s72-c/Bal%C3%B5es.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6996408022636835207.post-794691625058001136</id><published>2009-11-12T11:32:00.005Z</published><updated>2009-11-12T11:44:16.529Z</updated><title type='text'>Homossexualidade e desagregação familiar</title><content type='html'>&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_K_i7t9i5bp8/Svv00qrAQoI/AAAAAAAAAPY/FPhttyvEKhA/s1600-h/216_2658-crianca.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 320px; height: 213px;" src="http://4.bp.blogspot.com/_K_i7t9i5bp8/Svv00qrAQoI/AAAAAAAAAPY/FPhttyvEKhA/s320/216_2658-crianca.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5403181363606078082" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;A homossexualidade não é congénita. As vivências da infância influem no seu aparecimento.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Um estudo baseado em dois milhões de pessoas já assinalava, em 2006, que as experiências familiares na infância influem na orientação sexual.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;O estudo foi publicado no número de Outubro de 2006 da revista &lt;em&gt;Archives of Sexual Behavior&lt;/em&gt;, a partir dos dados de dois milhões de pessoas nascidas na Dinamarca, com idade entre os 18 e os 49 anos. A Dinamarca, país tolerante com todo o tipo de estilos de vida alternativos, foi o primeiro país a legalizar as uniões homossexuais e tem estatísticas completas sobre uniões do mesmo sexo desde 1989.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;O problema de muitos estudos sobre orientação sexual é a selecção da amostra. Neste caso, a selecção incluiu a imensa maioria da população adulta dinamarquesa, sendo portanto uma amostra enormemente significativa.  “O nosso estudo apresenta a evidência prospectiva, baseada na população, de que as experiências familiares infantis são factores determinantes na decisão de contrair matrimónio homossexual ou heterossexual na vida adulta”, diziam os autores do estudo.&lt;br /&gt;O estudo assume que as pessoas em uniões do mesmo sexo são homossexuais, e que os casais heterossexuais são de pessoas heterossexuais.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;As relações observadas são as seguintes: &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;1 – Os homens que “se casam” com outros homens têm mais possibilidades de terem sido criados numa família com relações parentais instáveis (pais ausentes, desconhecidos ou divorciados). &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;2- Também nas uniões lésbicas se observa uma relação com a infância marcada por desagregação familiar. Dão-se especialmente entre mulheres “que experimentaram a morte da mãe durante a adolescência, casamentos efémeros dos pais, e em mulheres que viveram só com o pai, com ausência prolongada da mãe”.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;3- Homens e mulheres de “pais desconhecidos” tinham menos possibilidades de casar-se com alguém do sexo oposto do que os que tinham pai conhecido. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;4- Os homens que passaram pela experiência da morte do pai durante a infância ou a adolescência “tinham índices de casamento heterossexual significativamente mais baixos do que aqueles que, por altura dos 18 anos, tinham ambos os pais vivos. Quanto mais cedo morria o pai, menor possibilidade de casamento heterossexual”.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;5- Os índices de casais homossexuais eram 36% (para homens) e 26% (para mulheres) mais altos entre aqueles que viveram o divórcio dos pais quando tinham menos de 6 anos de casados do que entre aqueles cujos pais estiveram casados durante os 18 anos da infância e adolescência.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;6 – Os homens cujos pais se divorciaram antes de fazerem 6 anos tinham 39% mais de possibilidades de casar-se com outros homens do que os filhos de casais não divorciados.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;7- Os homens cuja convivência com ambos os pais terminou antes dos 18 anos tinham entre 55% e 76% mais possibilidades de casar-se com outros homens do que aqueles que viveram com os pais até aos 18 anos. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;8- Ser filho único aumenta o risco de homossexualidade. Também o aumenta a idade da mãe. Quanto mais velha for a mãe, maior será a possibilidade de união homossexual dos filhos.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;9- Os que nasceram em grandes cidades tinham maior possibilidade de unir-se a uma pessoa do mesmo sexo. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;"Quaisquer que sejam os ingredientes que determinam as preferências sexuais e matrimoniais de uma pessoa”, diziam os investigadores, “o nosso estudo baseado na população mostra que as interacções parentais são importantes”.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Morten Frisch y Anders Hviid, "Childhood Family Correlates of Heterosexual and Homosexual Marriages: A National Cohort Study of Two Million Danes", in &lt;em&gt;Archives of Sexual Behavior,&lt;/em&gt; 13 de Outubro 2006.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Tradução e adaptação livre de &lt;em&gt;Forum Libertas&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;SP&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6996408022636835207-794691625058001136?l=obompastordiocesebraga.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://obompastordiocesebraga.blogspot.com/feeds/794691625058001136/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6996408022636835207&amp;postID=794691625058001136' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6996408022636835207/posts/default/794691625058001136'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6996408022636835207/posts/default/794691625058001136'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://obompastordiocesebraga.blogspot.com/2009/11/homossexualidade-e-desagregacao.html' title='Homossexualidade e desagregação familiar'/><author><name>obompastor</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08085080511645471150</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='33' height='32' src='http://www.pime.org.br/pimenet/imagens/mmjunejul2003-f31-a.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_K_i7t9i5bp8/Svv00qrAQoI/AAAAAAAAAPY/FPhttyvEKhA/s72-c/216_2658-crianca.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6996408022636835207.post-3033716118584220087</id><published>2009-10-26T22:44:00.004Z</published><updated>2009-10-26T22:56:45.193Z</updated><title type='text'>Homossexualidade e adopção</title><content type='html'>&lt;div align="center"&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_K_i7t9i5bp8/SuYntp9r5JI/AAAAAAAAAPQ/5MeXBR45QmE/s1600-h/Klein,+Antropometria.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5397044868762297490" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 291px; CURSOR: hand; HEIGHT: 320px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_K_i7t9i5bp8/SuYntp9r5JI/AAAAAAAAAPQ/5MeXBR45QmE/s320/Klein,+Antropometria.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt; Yves Klein, &lt;em&gt;Antropometria&lt;/em&gt;&lt;em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;/em&gt;&lt;div align="justify"&gt;O neologismo “parentalidade” – funcionalista e gerador de confusão – tem por ofício disfarçar as implicações, necessariamente sexuadas, ligadas a este termo. Enquanto “parental” pode ser entendido numa pseudoneutralidade, “pais” significa “pai” e “mãe”, implicando necessariamente um homem e uma mulher, a menos que o sentido das palavras da língua venha a diluir-se totalmente. Mesmo que se tenha em conta a importância das mediações simbólicas e racionais, a fundamentação corporal da paternidade num corpo masculino e da maternidade num corpo feminino é um dado irredutível e estruturante.&lt;br /&gt;Ouvimos, por vezes, dizer que se a criança tem necessidade de duas (ou várias) referências identificadoras diferenciadas, estas podem ser exteriores ao núcleo familiar. Sem dúvida; mas tomar por secundário o facto de esses dois modelos serem, ou não, os seres pelos quais a criança está em relação com a sua origem, é uma abordagem bastante superficial. Que situações diferentes, na sequência dos percalços da vida, aconteçam e devam ser acompanhadas é uma coisa; que esta privação seja instituída, à escala colectiva e a &lt;em&gt;priori,&lt;/em&gt; para milhares de crianças, é outra, e é moralmente inaceitável.&lt;br /&gt;À ideologia “homoparental” preside uma lógica de &lt;em&gt;dissociação&lt;/em&gt; entre parentalidade e paternidade, portanto, mas também entre sexualidade e filiação, entre casal e procriação e até entre procriação e filiação(...). É preciso ver que a cada um dessas dissociações corresponde uma descontinuidade na história da criança. No caso da adopção, à separação entre pais naturais e pais adoptivos – o que já é uma dificuldade – vem juntar-se o facto de o casal dos segundos não ser análogo ao casal dos primeiros. No entanto, esta analogia tem um valor preciso para o filho: os pais adoptivos são incarnados, são carnais. Eles são, carnalmente, pai e mãe. E é importante que o sejam. Na falta deles, à descontinuidade da adopção vem juntar-se, para o filho, a da distorção das referências parentais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Xavier Lacroix, &lt;em&gt;A Confusão dos Géneros&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;SP&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6996408022636835207-3033716118584220087?l=obompastordiocesebraga.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://obompastordiocesebraga.blogspot.com/feeds/3033716118584220087/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6996408022636835207&amp;postID=3033716118584220087' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6996408022636835207/posts/default/3033716118584220087'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6996408022636835207/posts/default/3033716118584220087'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://obompastordiocesebraga.blogspot.com/2009/10/homossexualidade-e-adopcao.html' title='Homossexualidade e adopção'/><author><name>obompastor</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08085080511645471150</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='33' height='32' src='http://www.pime.org.br/pimenet/imagens/mmjunejul2003-f31-a.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_K_i7t9i5bp8/SuYntp9r5JI/AAAAAAAAAPQ/5MeXBR45QmE/s72-c/Klein,+Antropometria.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6996408022636835207.post-728904483975730019</id><published>2009-10-13T00:41:00.003+01:00</published><updated>2009-10-13T00:51:25.387+01:00</updated><title type='text'>Destruição da palavra</title><content type='html'>&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_K_i7t9i5bp8/StPA5bLvChI/AAAAAAAAAPI/djU4VZ5mS_Q/s1600-h/Klee.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5391865271674669586" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 249px; CURSOR: hand; HEIGHT: 320px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_K_i7t9i5bp8/StPA5bLvChI/AAAAAAAAAPI/djU4VZ5mS_Q/s320/Klee.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;- Como vai o dicionário? – perguntou Winston, levantando a voz para se fazer ouvir.&lt;br /&gt;- Devagar – respondeu Syme. – Estou nos adjectivos. É fascinante.&lt;br /&gt;O rosto iluminara-se-lhe imediatamente com a menção da Novilíngua. Empurrou a marmita para o lado, apanhou com as mãos delicadas o cubo de queijo e o pedaço de pão, e inclinou-se sobre a mesa para poder falar sem gritar.&lt;br /&gt;- A 11ª edição será definitiva – disse ele. – Estamos a dar à língua a sua forma final – a forma que terá quando mais ninguém falar outra coisa. Quando tivermos terminado, pessoas como tu terão de aprendê-la de novo. Tenho a impressão de que imaginas que o nosso trabalho consiste principalmente em inventar novas palavras. Nada disso! Estamos é a destruir palavras – às dezenas, às centenas, todos os dias. Estamos a reduzir a língua à expressão mais simples. A 11ª edição não conterá uma única palavra que possa tornar-se obsoleta antes de 2050.&lt;br /&gt;Mordeu vorazmente o pão e engoliu dois bocados. Depois continuou a falar, com uma espécie de paixão pedante. O rosto magro e moreno animara-se, os olhos haviam perdido a expressão de chacota e tinham-se tornado quase sonhadores.&lt;br /&gt;- É lindo destruir palavras. Naturalmente a maior parte é nos verbos e adjectivos, mas há centenas de substantivos que podem perfeitamente ser eliminados. Não apenas os sinónimos; os antónimos também. Afinal de contas, que justificação há para a existência de uma palavra que é apenas o contrário de outra? Cada palavra contém em si o contrário. “Bom”, por exemplo. Se temos a palavra “bom” para que precisamos de “mau”? “Inbom” faz o mesmo efeito – e melhor, porque é exactamente oposta, enquanto que mau não é. Ou ainda, se queres uma palavra mais incisiva para dizer “bom”, para que dispor de toda uma série de vagas e inúteis palavras como “excelente”, “esplêndido”, etc. e tal? “Plusbom” corresponde à necessidade, ou “dupliplusbom”, se queres alguma coisa ainda mais forte. Naturalmente já usamos essas formas, mas na versão final da Novilíngua não haverá outras. No fim, todo o conceito de bondade e maldade será descrito por seis palavras – ou melhor, uma única. Não vês que beleza, Winston? Naturalmente foi ideia do Grande Irmão – acrescentou à guisa de conclusão.&lt;br /&gt;Uma ténue ansiedade perpassou pelo rosto de Winston à menção do Grande Irmão. Não obstante isso, Syme imediatamente observou nele uma certa falta de entusiasmo.&lt;br /&gt;- Não aprecias realmente a Novilíngua, Winston – disse, quase com tristeza. – Mesmo quando escreves em Novilíngua pensas na antiga. Tenho lido artigos teus no &lt;em&gt;Times.&lt;/em&gt; São bons, mas são traduções. No teu coração havias de preferir a Anticlíngua, com toda a sua imprecisão e as suas inúteis gradações de sentido. Não percebes a beleza que é destruir palavras. Sabes que a Novilíngua é o único idioma do Mundo cujo vocabulário se reduz de ano para ano?&lt;br /&gt;Winston naturalmente não sabia. Sorriu, com ar de simpatia (ao que esperava), não confiando nas suas próprias palavras. Syme mordiscou outro fragmento do pão escuro, mastigou-o um pouco e continuou:&lt;br /&gt;- Não vês que todo o objectivo da Novilíngua é estreitar a gama do pensamento? No fim, tornaremos o crimideia literalmente impossível, porque não haverá palavras para o expressar. Todos os conceitos necessários serão expressos exactamente por uma palavra de sentido rigidamente definido, e cada significado subsidiário eliminado, esquecido. Na 11ª edição já não estamos longe disso. Mas o processo continuará ainda muito tempo depois de estarmos mortos. Cada ano menos e menos palavras, e a gama da consciência sempre um pouco menos. Naturalmente, mesmo no nosso tempo, não há motivo nem desculpa para cometer um crimideia. É apenas uma questão de disciplina, contrôle da realidade. Mas no futuro nem sequer será preciso isso. A Revolução completar-se-á quando a língua for perfeita. Novilíngua é Ingsoc e Ingsoc é Novilíngua –acrescentou com uma espécie de satisfação mística. – Nunca te ocorreu, Winston, que por volta do ano 2050, o mais tardar, não viverá um único ser humano capaz de compreender esta nossa palestra?&lt;br /&gt;- Excepto... – começou Winston, em tom de dúvida, mas parou de repente.&lt;br /&gt;Estivera quase a dizer “Excepto os proles”, mas dominou-se sem ter plena certeza de que essa observação fosse ortodoxa. Syme, todavia, adivinhara o que ele quisera dizer.&lt;br /&gt;- Os proles não são seres humanos – disse ele descuidado. – Por volta de 2050, ou talvez mais cedo, todo o verdadeiro conhecimento da Anticlíngua terá desaparecido. A literatura do passado terá sido destruída inteirinha. Chaucer, Shakespeare, Milton, Byron, só existirão em versões da Novilíngua, não apenas tornados em alguma coisa diferente, como transformados em obras contraditórias do que eram. Até a literatura do Partido mudará. Mudarão as palavras de ordem. Como será possível dizer “liberdade é escravidão” se for abolido o conceito de liberdade? Todo o mecanismo do pensamento será diferente. Com efeito, não haverá pensamento como hoje o entendemos. Ortodoxia quer dizer não pensar... não precisar de pensar. Ortodoxia é inconsciência.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;George Orwell, &lt;em&gt;1984&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;SP&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6996408022636835207-728904483975730019?l=obompastordiocesebraga.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://obompastordiocesebraga.blogspot.com/feeds/728904483975730019/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6996408022636835207&amp;postID=728904483975730019' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6996408022636835207/posts/default/728904483975730019'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6996408022636835207/posts/default/728904483975730019'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://obompastordiocesebraga.blogspot.com/2009/10/destruicao-da-palavra.html' title='Destruição da palavra'/><author><name>obompastor</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08085080511645471150</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='33' height='32' src='http://www.pime.org.br/pimenet/imagens/mmjunejul2003-f31-a.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_K_i7t9i5bp8/StPA5bLvChI/AAAAAAAAAPI/djU4VZ5mS_Q/s72-c/Klee.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6996408022636835207.post-908412111482418379</id><published>2009-10-06T21:40:00.010+01:00</published><updated>2009-10-06T22:10:52.620+01:00</updated><title type='text'>Amália Rodrigues</title><content type='html'>&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_K_i7t9i5bp8/SsuyAenKlxI/AAAAAAAAAPA/7Ybr0VonXV4/s1600-h/Foto+AmÃ¡lia.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5389597100366010130" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 230px; CURSOR: hand; HEIGHT: 320px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_K_i7t9i5bp8/SsuyAenKlxI/AAAAAAAAAPA/7Ybr0VonXV4/s320/Foto+Am%C3%A1lia.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Durante o cortejo fúnebre, algumas pessoas entoavam os seus fados, como se, misteriosamente, nelas tivesse encarnado. E até certo ponto era verdade porque nós vamos guardar na alma, por muito tempo, aquela cujo canto era também o nosso canto. Parecia uma solista, mas não era. Naquela garganta cantava um coro de milhões de vozes. Todos nós cantámos com ela, abalados até à raiz do coração. Amália conquistou o nosso amor ou, ao menos, o nosso respeito e admiração; o nosso e o de quantos, pelo mundo fora, a escutaram. Era universal, como universal é toda a grande arte. Transcendia a barreira das línguas, as distâncias culturais. O seu canto soava a puro canto. Quase podíamos prescindir das palavras. Bastava a melodia, o calor vibrante da voz, a sua tremenda força expressiva para a entendermos. Digo tremenda porque verdadeiramente nos fazia tremer de emoção e prazer estético.&lt;br /&gt;Nunca ouvi cantar Amália ao vivo. Nunca a vi senão em fotografia ou na televisão, como a maior parte dos portugueses. E, no entanto, era-nos íntima. Fazia parte de todas as famílias. O seu modo de ser aproximava-a do povo comum. Tinha as suas raízes na província, como quase todos nós. A infância foi difícil, mas desde muito jovem começou a subir aos palcos da glória, como muitos de nós sonhamos. Gostava de dizer que não tinha instrução, que não sabia cantar, que não era culta nem inteligente, que pertencia, enfim, a um povo que lavava no rio, que vendia fruta ou flores ou peixe no mercado, que matava a fome com um punhado de tremoços; um povo que, na sua maioria, não teve oportunidade de estudar e por isso não pôde aceder ao estatuto próprio dos letrados. E, no entanto, sabia responder com prontidão e viveza, umas vezes com humor, outras com subtil e certeiríssima ironia, mesmo aos mais cultos, aos mais poderosos, os quais acabaram, estou em crer que sem hipocrisia ou oportunismo, por ir beijar-lhe a mão.&lt;br /&gt;Deixou a imagem de mulher compassiva e solidária, que se comove com o sofrimento dos outros e acorre às suas necessidades; mulher sofrida que desabafa a dor e a saudade, que enfrenta o destino adverso, as penas do amor e os tormentos da morte; uma mulher que pretende, mais que riqueza ou glória, o afecto de quem a ouve; que canta de rosto erguido, como quem afirma a dignidade do ser humano, mesmo do mais desgraçado; que canta de olhos fechados pela força do sentimento ou intensidade da prece.&lt;br /&gt;O canto de Amália parecia, muitas vezes, senão sempre, uma oração. E era, com certeza. Não foi por acaso que, de acordo com a sua vontade, se ouviu dentro da Basílica da Estrela, um fado seu, na hora da despedida. Quis significar a dimensão religiosa de toda a sua arte. Quis falar com Deus, no momento supremo, com a sua melhor e mais intensa linguagem. Quis aparecer, cantando, na presença de Deus, como que restituindo ao Criador o dom maravilhoso que Ele lhe dera, reconhecendo, num gesto de humildade e suprema lucidez, que a beleza do seu canto era um reflexo da beleza divina. Toda a grande criação artística é uma forma de oração, embora nem sempre os seus autores o saibam. O canto da Amália tinha a sublimidade da grande arte. Era pura manifestação de beleza.&lt;br /&gt;Era uma intérprete genial, sabia como ninguém, tirar de um texto, de uma linha melódica, todas as potencialidades expressivas, num equilíbrio milagroso entre voz, palavra e melodia. Nesse género de canto lírico a que chamamos fado, Amália era, de facto, verdadeiramente genial, como Maria Callas no canto operático, ou Maria João Pires no piano.&lt;br /&gt;Nos seus melhores momentos, atingia a perfeição. Tínhamos a sensação de que aquele fado só podia ser cantado como ela o cantava, com uma segurança interpretativa absoluta. Quando isso acontece, quando sentimos que qualquer outra interpretação deitaria por terra aquela construção milagrosa, é porque a obra atingiu a perfeição. Ninguém como ela sabia dominar a voz nos fortes e nos pianos, nos crescendos e diminuendos de intensidade, nos sons agudos e graves, na voz límpida e quente, que foi aveludando com os anos, nos vibratos lançados no momento exacto. Ninguém como ela sabia inventar, com inigualável bom gosto, aqueles irrepetíveis melismas – as voltinhas, como diz o povo – que lembram o canto árabe ou andaluz. Ninguém como ela sabia prender, por momentos, a voz na garganta para depois a soltar num grito comovente, como se uma angústia obscura sufocasse no peito e, de repente, voasse como um pássaro liberto na amplidão do céu. Ninguém como ela sabia suspender a melodia, por instantes, para depois a retomar no momento preciso em que devia ser retomada.&lt;br /&gt;Amália tinha uma personalidade própria, um estilo inimitável. Foi um “caso”, como dizia José Régio. Tirou o fado das vielas e das tabernas e levou-o para o Olympia de Paris. Com ela, a fadista deixou de ser a mulher derramada do Malhoa e começámos a vê-la como grande senhora, majestosa e trágica, de longos vestidos negros sobre os palcos. Com ela, o fado ganhou a dignidade e o apreço que verdadeiramente merece. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Ela foi para muitos de nós a mulher com quem gostaríamos de ter namorado ou casado; a mãe ou a amiga que canta a tristeza para nos acalmar ou adormecer e permanece como referência em todas as voltas que a existência dá. Os aplausos que a aclamaram também nos envaideceram a nós porque a sua linguagem é a linguagem que falamos e que tão bem exprime essa teimosa e plangente sensibilidade que há muito tempo nos acompanha. Por isso nos despedimos dela, já lá vão dez anos, com lágrimas e lenços, como se o caixão fosse um andor. Por isso lhe demos alturas de incenso, acreditando que, lá no assento etéreo onde subiu, continua a cantar a nossa canção de exílio diante de Deus e dos seus santos, a maior plateia que um artista pode ter.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Luís da Silva Pereira&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6996408022636835207-908412111482418379?l=obompastordiocesebraga.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://obompastordiocesebraga.blogspot.com/feeds/908412111482418379/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6996408022636835207&amp;postID=908412111482418379' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6996408022636835207/posts/default/908412111482418379'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6996408022636835207/posts/default/908412111482418379'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://obompastordiocesebraga.blogspot.com/2009/10/amalia-rodrigues.html' title='Amália Rodrigues'/><author><name>obompastor</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08085080511645471150</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='33' height='32' src='http://www.pime.org.br/pimenet/imagens/mmjunejul2003-f31-a.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_K_i7t9i5bp8/SsuyAenKlxI/AAAAAAAAAPA/7Ybr0VonXV4/s72-c/Foto+Am%C3%A1lia.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6996408022636835207.post-3213901974028853438</id><published>2009-09-27T01:57:00.002+01:00</published><updated>2009-09-27T02:03:17.314+01:00</updated><title type='text'>PORTUGAL</title><content type='html'>&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_K_i7t9i5bp8/Sr65fM0CeyI/AAAAAAAAAO4/ujsVOJTi0-o/s1600-h/Sardinha+assada.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5385946150048267042" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 320px; CURSOR: hand; HEIGHT: 222px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_K_i7t9i5bp8/Sr65fM0CeyI/AAAAAAAAAO4/ujsVOJTi0-o/s320/Sardinha+assada.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;Ó Portugal, se fosses só três sílabas,&lt;br /&gt;linda vista para o mar,&lt;br /&gt;Minho verde, Algarve de cal,&lt;br /&gt;jerico rapando o espinhaço da terra,&lt;br /&gt;surdo e miudinho,&lt;br /&gt;moinho a braços com um vento&lt;br /&gt;testarudo, mas embolado e, afinal, amigo,&lt;br /&gt;se fosses só o sal, o sol, o sul,&lt;br /&gt;o ladino pardal,&lt;br /&gt;o manso boi coloquial,&lt;br /&gt;a rechinante sardinha,&lt;br /&gt;a desancada varina,&lt;br /&gt;o plumitivo ladrilhado de lindos adjectivos,&lt;br /&gt;a muda queixa amendoada&lt;br /&gt;duns olhos pestanítidos,&lt;br /&gt;se fosses só a cegarrega do estio, dos estilos,&lt;br /&gt;o ferrugento cão asmático das praias,&lt;br /&gt;o grilo engaiolado, a grila no lábio,&lt;br /&gt;o calendário na parede, o emblema na lapela,&lt;br /&gt;ó Portugal, se fosses só três sílabas&lt;br /&gt;de plástico, que era mais barato!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;*&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Doceiras de Amarante, barristas de Barcelos,&lt;br /&gt;rendeiras de Viana, toureiros da Golegã,&lt;br /&gt;não há “papo-de-anjo” que seja o meu derriço,&lt;br /&gt;galo que cante a cores na minha prateleira,&lt;br /&gt;alvura arrendada para o meu devaneio,&lt;br /&gt;bandarilha que possa enfeitar-me o cachaço.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Portugal: questão que eu tenho comigo mesmo,&lt;br /&gt;golpe até ao osso, fome sem entretém,&lt;br /&gt;perdigueiro marrado e sem narizes, sem perdizes,&lt;br /&gt;rocim engraxado,&lt;br /&gt;feira cabisbaixa,&lt;br /&gt;meu remorso,&lt;br /&gt;meu remorso de todos nós...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Alexandre O’Neill, &lt;em&gt;Feira Cabisbaixa&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;SP&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6996408022636835207-3213901974028853438?l=obompastordiocesebraga.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://obompastordiocesebraga.blogspot.com/feeds/3213901974028853438/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6996408022636835207&amp;postID=3213901974028853438' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6996408022636835207/posts/default/3213901974028853438'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6996408022636835207/posts/default/3213901974028853438'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://obompastordiocesebraga.blogspot.com/2009/09/portugal.html' title='PORTUGAL'/><author><name>obompastor</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08085080511645471150</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='33' height='32' src='http://www.pime.org.br/pimenet/imagens/mmjunejul2003-f31-a.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_K_i7t9i5bp8/Sr65fM0CeyI/AAAAAAAAAO4/ujsVOJTi0-o/s72-c/Sardinha+assada.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6996408022636835207.post-7297728089826612409</id><published>2009-09-17T15:38:00.004+01:00</published><updated>2009-09-17T15:49:26.987+01:00</updated><title type='text'>Evolução e Fé Religiosa</title><content type='html'>&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_K_i7t9i5bp8/SrJMNuE5PjI/AAAAAAAAAOw/JRhmBr3Ie0w/s1600-h/Pensador.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5382448303251734066" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 205px; CURSOR: hand; HEIGHT: 320px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_K_i7t9i5bp8/SrJMNuE5PjI/AAAAAAAAAOw/JRhmBr3Ie0w/s320/Pensador.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;Qual foi o impacto inicial da teoria da evolução na religião?&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Para se compreender o impacto da teoria da evolução na religião, mais concretamente no cristianismo, é preciso ter em conta que no tempo de Darwin os três primeiros capítulos do Livro do Génesis, onde se narra a criação por Deus, em seis dias, do universo, da Terra, de Adão e Eva e de todas as espécies vivas eram interpretados literalmente. A ideia de que a humanidade actual é o resultado de uma lenta evolução dos mamíferos em geral e dos primatas em particular parecia falsificar o relato bíblico. Hoje, porém, o cristianismo interpreta aqueles capítulos do Génesis em sentido sapiencial ou poético e não científico, o que permite aos cristãos aceitar a teoria da evolução. Há porém alguns cristãos, chamados criacionistas, que não aceitam a teoria da evolução e continuam a interpretar o Livro do Génesis literalmente.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Pode-se defender a teoria da evolução e ao mesmo tempo acreditar na existência de Deus?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;NÃO, dizem alguns cientistas não crentes. Para Richard Dawkins, por exemplo, a selecção natural é a única solução para o problema da improbabilidade de certos fenómenos naturais, como a vida. Porquê? Porque a selecção natural é um processo cumulativo de pequenos eventos improváveis, de onde gradualmente se passa dos organismos mais simples, até aos improvavelmente mais complexos, tornando a ideia de um projectista inteligente, Deus, uma ilusão&lt;br /&gt;NÃO, dizem os criacionistas, cristãos fundamentalistas. Embora haja diversas versões do criacionismo, a maior parte dos autores que defendem esta corrente afirmam que a criação de todas as espécies se verificou tal como vem narrado no Livro do Génesis, e que a Terra tem cerca de seis mil anos de existência. Esta posição contradiz os dados científicos, resulta de uma inadequada interpretação da Bíblia e não é aceite pela Igreja Católica nem por muitas das Igrejas Protestantes.&lt;br /&gt;SIM, embora não completamente, afirmam os defensores do desígnio (ou projecto) inteligente. A sua posição é porém muito criticada. Para estes autores, a “complexidade irredutível” em sistemas bioquímicos mostra que não podem ter sido o produto de uma evolução gradual, tal como exige a teoria da evolução de Darwin. Tal desígnio sugere uma realização inteligente por uma entidade igualmente inteligente à qual as religiões chamam Deus. Este desígnio pode observar-se, segundo estes autores, em estruturas biológicas tão complexas, como por exemplo o olho humano, que não poderiam ter surgido por simples selecção natural mas, pelo contrário, têm a sua origem na intervenção de uma entidade inteligente. Esta posição não é aceitável pela Igreja Católica, porque para os católicos Deus é o criador de tudo, não apenas das estruturas biológicas complexas, as quais se podem explicar pelas leis naturais.&lt;br /&gt;SIM, diz o teólogo católico americano John Haught, segundo o qual: «Enquanto [o universo] se adapta a um infinito amor que se dá a si mesmo e promessa de um futuro novo, o cosmos finito submete-se ao que nos parece ser a dramática evolução em direcção a um aumento de complexidade, vida, consciência, liberdade e expansão de beleza. ...A fé num Deus humilde, Deus da promessa e que se dá a Si mesmo, deveria ter-nos preparado para a revolução de Darwin”. O nexo natural, causal e criativo dos eventos é, em si mesmo, a acção criativa de Deus. Os processos de evolução por acaso e selecção natural são inerentemente criativos. Neste quadro, Deus cria ainda, continuamente, "na" e "através" da matéria do mundo, dotada em si mesma de potencialidades evolutivas. Uma imagem desta posição é pensar em Deus como um compositor e a evolução a sua música, caracterizada por uma complexa beleza.&lt;br /&gt;Esta é também a posição oficial da Igreja Católica, manifestada sobretudo pelos Papas João Paulo II e Bento XVI.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;(SP)&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6996408022636835207-7297728089826612409?l=obompastordiocesebraga.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://obompastordiocesebraga.blogspot.com/feeds/7297728089826612409/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6996408022636835207&amp;postID=7297728089826612409' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6996408022636835207/posts/default/7297728089826612409'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6996408022636835207/posts/default/7297728089826612409'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://obompastordiocesebraga.blogspot.com/2009/09/evolucao-e-fe-religiosa.html' title='Evolução e Fé Religiosa'/><author><name>obompastor</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08085080511645471150</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='33' height='32' src='http://www.pime.org.br/pimenet/imagens/mmjunejul2003-f31-a.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_K_i7t9i5bp8/SrJMNuE5PjI/AAAAAAAAAOw/JRhmBr3Ie0w/s72-c/Pensador.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6996408022636835207.post-2924259144105629886</id><published>2009-09-15T00:15:00.003+01:00</published><updated>2009-09-15T00:21:31.523+01:00</updated><title type='text'>Religião, Vida Pública e Desenvolvimento</title><content type='html'>&lt;div align="center"&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_K_i7t9i5bp8/Sq7PlurGG9I/AAAAAAAAAOo/H-YzkPGLtPs/s1600-h/Rafael,+S.Paulo+pregando+em+Atenas,+1515.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5381466851845217234" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 320px; CURSOR: hand; HEIGHT: 249px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_K_i7t9i5bp8/Sq7PlurGG9I/AAAAAAAAAOo/H-YzkPGLtPs/s320/Rafael,+S.Paulo+pregando+em+Atenas,+1515.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt; Rafael,  S.Paulo pregando em Atenas, 1515&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A religião cristã e as outras religiões só podem dar o seu contributo para o desenvolvimento, se Deus encontrar lugar também na esfera pública, nomeadamente nas dimensões cultural, social, económica e particularmente política. A doutrina social da Igreja nasceu para reivindicar este “estatuto de cidadania” da religião cristã. A negação do direito de professar publicamente a própria religião e de fazer com que as verdades da fé moldem a vida pública, acarreta consequências negativas para o verdadeiro desenvolvimento. A exclusão da religião do âmbito público e, na vertente oposta, o fundamentalismo religioso, impedem o encontro entre as pessoas e a sua colaboração para o progresso da humanidade. A vida pública torna-se pobre de motivações, e a política assume um rosto oprimente e agressivo. Os direitos humanos correm o risco de não ser respeitados, ou porque ficam privados do seu fundamento transcendente ou porque não é reconhecida a liberdade pessoal. No laicismo e no fundamentalismo, perde-se a possibilidade de um diálogo fecundo e de uma profícua colaboração entre a razão e a fé religiosa. A razão tem sempre necessidade de ser purificada pela fé; e isto vale também para a razão política, que não se deve crer omnipotente. Por sua vez, a religião precisa sempre de ser purificada pela razão, para mostrar o seu autêntico rosto humano. A ruptura deste diálogo implica um custo muito gravoso para o desenvolvimento da humanidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Bento XVI, &lt;em&gt;A Caridade na Verdade &lt;/em&gt;(§56)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;[SP]&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6996408022636835207-2924259144105629886?l=obompastordiocesebraga.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://obompastordiocesebraga.blogspot.com/feeds/2924259144105629886/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6996408022636835207&amp;postID=2924259144105629886' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6996408022636835207/posts/default/2924259144105629886'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6996408022636835207/posts/default/2924259144105629886'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://obompastordiocesebraga.blogspot.com/2009/09/religiao-vida-publica-e-desenvolvimento.html' title='Religião, Vida Pública e Desenvolvimento'/><author><name>obompastor</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08085080511645471150</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='33' height='32' src='http://www.pime.org.br/pimenet/imagens/mmjunejul2003-f31-a.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_K_i7t9i5bp8/Sq7PlurGG9I/AAAAAAAAAOo/H-YzkPGLtPs/s72-c/Rafael,+S.Paulo+pregando+em+Atenas,+1515.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6996408022636835207.post-6025375455726450213</id><published>2009-09-11T01:11:00.006+01:00</published><updated>2009-09-11T01:20:11.814+01:00</updated><title type='text'>Evolucionismo/Criacionismo:diferenças e convergências</title><content type='html'>&lt;div align="center"&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_K_i7t9i5bp8/SqmXVwSVwfI/AAAAAAAAAOg/gFkQ4RK7OQE/s1600-h/Mestre+Bertram,+CriaÃ§Ã£o+dos+Animais,+1383.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5379997629865640434" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 206px; CURSOR: hand; HEIGHT: 320px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_K_i7t9i5bp8/SqmXVwSVwfI/AAAAAAAAAOg/gFkQ4RK7OQE/s320/Mestre+Bertram,+Cria%C3%A7%C3%A3o+dos+Animais,+1383.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt; Mestre Bertram, Criação dos Animais, 1383&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Evolucionismo&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Segundo o evolucionismo, todas as espécies (incluindo a humana) provêm umas das outras e, remotamente, de um ou poucos seres vivos iniciais. Evolucionismo opõe-se, assim, ao fixismo, segundo o qual cada espécie foi criada separadamente e mantém sempre as suas características fundamentais.&lt;br /&gt;Há vários tipos de teorias evolucionistas. Charles R. Darwin(1809-1882) defendeu a teoria da selecção natural e da sobrevivência do mais forte na luta pela vida. As formas actuais seriam fruto dessa selecção natural.&lt;br /&gt;O naturalista francês Lamarck (1744-1829) também estabeleceu várias leis da evolução.baseadas sobretudo na adaptabilidade dos seres vivos pelo uso e não uso dos órgãos e na hereditariedade dos caracteres adquiridos.&lt;br /&gt;Com o surgir e desenvolvimento da genética molecular, fizeram-se estudos tendentes a indicar que a acumulação, ao longo do tempo, de mutações ocorridas nos vários seres vivos poderia constituir a causa do surgir de novas espécies. Estabeleciam-se, assim, as chamadas árvores filogenéticas ao longo dos tempos geológicos.&lt;br /&gt;Além das alterações que Darwin foi fazendo à sua teoria, surgiram posteriormente várias correntes neo-darwinistas, e a partir das primeiras décadas do séc. XX, a simbiogénese. Segundo esta teoria, a evolução não se processou em forma de árvore que se vai ramificando lentamente, ao longo do tempo, através de alterações do material genético, mas em forma de rede que se estabelece pela transferência de genes de umas espécies para outras, entre as que vivem no mesmo tempo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Criacionismo&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Este termo pode ter mais que uma leitura. Basicamente refere-se à criação dos seres vivos por Deus. No passado, leu-se o Génesis no sentido literal e, portanto, numa visão fixista. Nesse sentido, o criacionismo era anti-evolucionista. Esta posição antiga, de algum modo regressou recentemente com grande vigor, sobretudo a partir dos E.U.A., simultaneamente com o “intelligent design”.&lt;br /&gt;É demasiado claro, porém, que o Génesis não é um livro histórico, mas etiológico. Por isso, na actual posição da Igreja, o criacionismo evolutivo é o mais seguido.&lt;br /&gt;É possível distinguir, em cada ser, entre a sua essência e aquele dinamismo existencial que causa a sua própria evolução, e identificar este último com a acção criadora de Deus.&lt;br /&gt;Em toda a sua pureza, o conceito metafísico de criação exprime-se pela total e radical dependência de Deus por parte de todo o existente. Segundo o teólogo Karl Rahner, a acção criadora de Deus faz então parte do dinamismo existencial de cada ser, ainda que não da sua essência (o que seria panteísmo).&lt;br /&gt;Nesse sentido, podemos dizer que é esse ser que cria, num processo em que causa aquilo que é mais do que a sua própria essência, e portanto se auto-supera a si próprio. Mas porque esse seu dinamismo existencial é acção de Deus, é Deus quem primariamente cria.&lt;br /&gt;Terá sido o próprio símio que evoluiu para o homem total (corpo e alma), porque a acção trascendental de Deus, que impulsionou esse evoluir, faz parte do dinamismo existencial do próprio animal, ainda que sem se confundir com a sua essência.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Convergência entre ambos&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nesta perspectiva, interpretar o surgir da vida em termos de evolução química da matéria não corresponde, de modo nenhum, a enfraquecer ou eliminar a acção criadora de Deus, mas só a purificá-la do ressaibo miraculoso duma intervenção inesperada por parte da matéria, e a torná-la, em toda a linha das suas consequências, verdadeiramente imanente, enquanto presença existencial criadora.&lt;br /&gt;Para fazer valer a imagem genuína de Deus não é necessário nem acertado mitificar a evolução físico-química com um momento de milagre em que as forças naturais desfalecem e, no meio da sua inacção, surja palpável a acção de Deus. Ele situa-se e radica-se no universo de um modo mais profundo, ainda que talvez menos espectacular. É em Deus que vivemos, nos movemos e existimos, e só quando não objectivamos reflexamente esta imanência, exigimos um deus demiurgo que venha visitar miraculosamente a nossa impotência.&lt;br /&gt;É interessante que, quando Edward O. Wilson intenta dissolver o fenómeno religioso nos seus parâmetros sócio-biológicos, menciona a dado passo o tipo de teologia que temos estado a apontar, a que chama “process theology”, e reconhece que ela torna ciência e religião intrinsecamente compatíveis. Mas acrescenta que isto nada tem a ver com a verdadeira religião das danças aborígenes ou com o Concílio de Trento&lt;a title="" style="mso-footnote-id: ftn1" href="http://www.blogger.com/post-create.g?blogID=6996408022636835207#_ftn1" name="_ftnref1"&gt;[1]&lt;/a&gt;.&lt;br /&gt;É evidente que esta teologia tem pouco a ver com crenças aborígenes, nem poderia ser expressa no contexto cultural do Concílio de Trento. Mas pertence hoje a uma teologia altamente respeitada nas Igrejas Cristãs, e que parece corresponder às perspectivas dos Papas. De facto, João Paulo II, numa mensagem em que estimula os teólogos a assimilar as modernas teorias científicas para com elas nos fornecerem (como Tomás de Aquino) novas expressões da doutrina teológica, diz exemplificando: “A perspectiva evolucionista não poderá projectar alguma luz sobre a antropologia teológica, o significado da pessoa humana como imagem de Deus, o problema da Cristologia e até mesmo sobre a evolução doutrinal?”&lt;a title="" style="mso-footnote-id: ftn2" href="http://www.blogger.com/post-create.g?blogID=6996408022636835207#_ftn2" name="_ftnref2"&gt;[2]&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;P. Luís Archer&lt;br /&gt;Prémio Nacional de Bioética 2008.&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;[SP]&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;a title="" style="mso-footnote-id: ftn1" href="http://www.blogger.com/post-create.g?blogID=6996408022636835207#_ftnref1" name="_ftn1"&gt;[1]&lt;/a&gt; Edward O. Wilson, &lt;em&gt;On Human Nature&lt;/em&gt;, Harvard University Press, Cambridge, Mass., U.S.A., 1987, pp.171-172.&lt;br /&gt;&lt;a title="" style="mso-footnote-id: ftn2" href="http://www.blogger.com/post-create.g?blogID=6996408022636835207#_ftnref2" name="_ftn2"&gt;[2]&lt;/a&gt; João Paulo II, &lt;em&gt;Mensagem ao Director do Observatório Astronómico do Vaticano&lt;/em&gt;, 1 de Junho de 1988.&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6996408022636835207-6025375455726450213?l=obompastordiocesebraga.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://obompastordiocesebraga.blogspot.com/feeds/6025375455726450213/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6996408022636835207&amp;postID=6025375455726450213' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6996408022636835207/posts/default/6025375455726450213'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6996408022636835207/posts/default/6025375455726450213'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://obompastordiocesebraga.blogspot.com/2009/09/evolucionismocriacionismodiferencas-e.html' title='Evolucionismo/Criacionismo:diferenças e convergências'/><author><name>obompastor</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08085080511645471150</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='33' height='32' src='http://www.pime.org.br/pimenet/imagens/mmjunejul2003-f31-a.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_K_i7t9i5bp8/SqmXVwSVwfI/AAAAAAAAAOg/gFkQ4RK7OQE/s72-c/Mestre+Bertram,+Cria%C3%A7%C3%A3o+dos+Animais,+1383.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6996408022636835207.post-2771727742635747292</id><published>2009-09-06T01:11:00.003+01:00</published><updated>2009-09-06T01:17:37.110+01:00</updated><title type='text'>EDUCAÇÃO:FORMAÇÃO COMPLETA DA PESSOA</title><content type='html'>&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_K_i7t9i5bp8/SqL_W-5OzDI/AAAAAAAAAOY/ZgDaLT9kcao/s1600-h/Escola.png"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5378141675339041842" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 320px; CURSOR: hand; HEIGHT: 320px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_K_i7t9i5bp8/SqL_W-5OzDI/AAAAAAAAAOY/ZgDaLT9kcao/s320/Escola.png" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Uma solidariedade mais ampla a nível internacional exprime-se, antes de mais nada, continuando a promover, mesmo em condições de crise económica, maior acesso à educação, já que esta é condição essencial para a eficácia da própria cooperação internacional. Com o termo “educação” não se pretende referir apenas a instrução escolar ou a formação para o trabalho – ambas causas importantes de desenvolvimento – mas a formação completa da pessoa. A este propósito, deve-se sublinhar um aspecto do problema: para educar, é preciso saber quem é a pessoa humana, conhecer a sua natureza. A progressiva difusão de uma visão relativista desta coloca sérios problemas à educação, sobretudo à educação moral, prejudicando a sua extensão a nível universal. Cedendo a tal relativismo, ficam todos mais pobres, com consequências negativas também sobre a eficácia da ajuda às populações mais carecidas, que não têm necessidade apenas de meios económicos ou técnicos, mas também de métodos e meios pedagógicos que ajudem as pessoas a chegar à sua plena realização humana.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Bento XVI, &lt;em&gt;A Caridade na Verdade&lt;/em&gt;(§61)&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;(SP)&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6996408022636835207-2771727742635747292?l=obompastordiocesebraga.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://obompastordiocesebraga.blogspot.com/feeds/2771727742635747292/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6996408022636835207&amp;postID=2771727742635747292' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6996408022636835207/posts/default/2771727742635747292'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6996408022636835207/posts/default/2771727742635747292'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://obompastordiocesebraga.blogspot.com/2009/09/educacaoformacao-completa-da-pessoa.html' title='EDUCAÇÃO:FORMAÇÃO COMPLETA DA PESSOA'/><author><name>obompastor</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08085080511645471150</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='33' height='32' src='http://www.pime.org.br/pimenet/imagens/mmjunejul2003-f31-a.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_K_i7t9i5bp8/SqL_W-5OzDI/AAAAAAAAAOY/ZgDaLT9kcao/s72-c/Escola.png' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6996408022636835207.post-7768237877053491439</id><published>2009-09-03T00:26:00.005+01:00</published><updated>2009-09-03T00:37:19.792+01:00</updated><title type='text'>O ÊXODO MACIÇO DE EUROPEUS PARA PORTUGAL</title><content type='html'>&lt;div align="center"&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_K_i7t9i5bp8/Sp8A8bJ0gWI/AAAAAAAAAOQ/E0gnF2baFaw/s1600-h/Refugiados+judeus+em+Santa+ApolÃ³nia.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5377017518184759650" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 320px; CURSOR: hand; HEIGHT: 197px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_K_i7t9i5bp8/Sp8A8bJ0gWI/AAAAAAAAAOQ/E0gnF2baFaw/s320/Refugiados+judeus+em+Santa+Apol%C3%B3nia.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt; Refugiados judeus chegam a Santa Apolónia&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Desde o ano de 1935 que se verifica o primeiro êxodo de populações alemãs com destino aos Estados Unidos e a alguns países da América do Sul. Temendo os dias de holocausto da política hitleriana, algumas dezenas de famílias, muitas delas de crença judaica, abandonaram o centro da Europa em busca de eldorados de trabalho e de segurança. Gente de recursos na sua grande maioria, eram médicos, professores, banqueiros e cientistas que, atraídos pelos laços do sangue ou da amizade, pretendiam fugir aos horrores de uma guerra iminente. Com a anexação da República da Áustria, desaparecida por completo a esperança da paz, uma nova vaga de refugiados buscou os caminhos do exílio, não sendo de esquecer as centenas de crianças austríacas que, ao tempo, graças ao apoio da Caritas, encontraram lares benfazejos em Portugal.&lt;br /&gt;Mas foi com a invasão a Polónia e a consequente declaração de guerra da França e da Inglaterra, que se produziu um êxodo maior de alemães desafectos ao Reich, assim como de checos, polacos e húngaros que sentiam as suas vidas em grave perigo. Com a chegada a Portugal de grande número de refugiados, a maior parte em condições de extrema penúria, o nosso Ministério dos Estrangeiros viu-se forçado a medidas de emergência para os acolher.(...)&lt;br /&gt;A dramática situação criada à Europa pelas tropas germânicas e soviéticas, levou à aprovação de um novo regulamento do Ministério dos Negócios Estrangeiros, dada a iminência de uma chegada maciça de expatriados europeus a Portugal. Assim, foi determinado que os nosso cônsules eram autorizados a conceder vistos gratuitos em duas condições: a) nos passaportes de estrangeiros nacionais de países que usassem de igual prática em passaportes portugueses; b) no passaportes individuais ou colectivos, ou nos documentos comprovativos dos mesmos, de estrangeiros em trânsito pelo território português, quando circunstâncias especiais assim o aconselhassem. O artigo 2º do referido decreto-lei determinava que a concessão e o prazo de validade dos vistos seriam regulados por instruções próprias já transmitidas às nossas autoridades consulares.&lt;br /&gt;Foi ao abrigo desta determinação que vários cidadãos estrangeiros, muitos deles espanhóis, alemães, franceses e outros que viviam em Portugal ou haviam chegado na leva de 1940, tiveram a sorte de obter naturalização portuguesa. Mas o chamado “grande êxodo” não veio a demorar quando da súbita invasão dos Países Baixos, da Bélgica e da França, em Maio de 1940, pelas tropas germânicas. Dezenas de milhar de refugiados não tardaram a chegar à fronteira portuguesa, utilizando os meios possíveis por via aérea ou ferroviária, quando não atravessando a Espanha ao vaivém da sorte. Muitos desses infelizes queriam apenas fazer de Lisboa um porto de embarque para as três Américas, enquanto outros, com menos recursos, tudo fizeram para se fixar no país que gostariam de tomar como adoptivo. Esse número desceu, entretanto, para a média de duas mil entradas mensais, voltando a subir em Janeiro de 1942, com vagas de judeus que se foram instalando com o apoio dos comités judaicos residentes em Portugal.Avaliam-se os dramas humanos que estiveram na origem da fixação de tantos refugiados no nosso país. Na sua grande maioria eram franceses, alemães, polacos e austríacos, quase todos alojados em centros de turismo, como Costa da Caparica, Paço de Arcos, Praia das Maçãs, Curia, Figueira da Foz, Caldas da Rainha e Ericeira. As influências que os estrangeiros exerceram nas formas de pensar e de viver da sociedade portuguesa do tempo revestem-se de especial significado para a história das mentalidades no tempo da Segunda Guerra Mundial. Tenha-se sobretudo em conta que o Governo facilitou a vida dos refugiado em múltiplas formas de protecção, mas sem esquecer que a população teve igualmente um papel relevante no carinho social em que os envolveu.&lt;br /&gt;A história recente tem procurado realçar a acção do Dr. Aristides de Sousa Mendes, cônsul de 1ª classe, e que, em 1940, estava à frente do consulado em Bordéus. Após a entrada dos alemães em Paris, o cônsul passou vistos a uns 30 mil refugiados, não apenas judeus, mas naturais de países então ocupados pelos alemães, o que lhes permitiu entrar legalmente em Portugal. Foi condoído da situação dos foragidos, que somente com essa autorização podiam deixar a França, que o nosso cônsul em Bordéus agiu na grave emergência. A decisão do Dr. Aristides de Sousa Mendes contrariava, porém, as instruções vindas do Ministério dos Negócios Estrangeiros, que haviam regulado, pela circular de 14 de Outubro do ano anterior, as condições em que o visto consular podia ser emitido. O seu gesto, por mais benemerente que fosse, infringia regras estabelecidas, o que teve por consequência que o cônsul fosse colocado na situação de disponibilidade, por conveniência de serviço.&lt;br /&gt;Sujeito a processo disciplinar que o afastou da carreira diplomática, o Dr. Sousa Mendes seria, no nosso tempo, objecto de grandes homenagens, mormente das comunidades judaicas. Não nos foi possível examinar o processo que levou à sua aposentação compulsiva, pelo que se torna difícil emitir um juízo seguro acerca do seu afastamento. Para muitos críticos, seria apenas uma vingança pessoal do Doutor Oliveira Salazar, mas sem darem qualquer prova de tal aversão. Tratou-se sobretudo, ao nível do Ministério dos Estrangeiros, de um caso de não acatamento, por parte do Dr. Aristides de Sousa Mendes, das instruções recebidas. Pode realçar-se em seu abono que o nosso cônsul em Bordéus colocou a generosidade do coração acima das directivas oficiais que se lhe impunha cumprir.&lt;br /&gt;Em defesa do Chefe do Governo, um dos seus biógrafos teceu o seguinte juízo: “Salazar nenhum destes refugiados entregou aos países de onde eram provenientes, pelo que foi assim um salvador ‘passivo’ desses 35.000 portadores do visto que Sousa Mendes assinou e a quem permitiu a fuga!”. Não reconhecer que o Presidente do Conselho facilitou a entrada dessas vítimas da conflagração constitui uma forma de miopia política contrária à realidade dos factos. Portugal tornou-se assim um verdadeiro asilo dos que se aproximavam das suas fronteiras e não viram negada a pretensão de um asilo para as suas dores e sofrimentos. Quem se recorda ainda da protecção oficial que o Governo concedeu aos foragidos pode dar testemunho de que o regime português salvou então a vida a milhares de europeus. A comunidade judaica que residia em Portugal, com realce para o Doutor Mosés Amzalak, jamais negou ao Presidente do Conselho essa homenagem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Joaquim Veríssimo Serrão, &lt;em&gt;História de Portugal[1935-1941],&lt;/em&gt; pp.393-396.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;SP&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6996408022636835207-7768237877053491439?l=obompastordiocesebraga.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://obompastordiocesebraga.blogspot.com/feeds/7768237877053491439/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6996408022636835207&amp;postID=7768237877053491439' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6996408022636835207/posts/default/7768237877053491439'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6996408022636835207/posts/default/7768237877053491439'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://obompastordiocesebraga.blogspot.com/2009/09/o-exodo-macico-de-europeus-para.html' title='O ÊXODO MACIÇO DE EUROPEUS PARA PORTUGAL'/><author><name>obompastor</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08085080511645471150</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='33' height='32' src='http://www.pime.org.br/pimenet/imagens/mmjunejul2003-f31-a.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_K_i7t9i5bp8/Sp8A8bJ0gWI/AAAAAAAAAOQ/E0gnF2baFaw/s72-c/Refugiados+judeus+em+Santa+Apol%C3%B3nia.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6996408022636835207.post-1323678535647594468</id><published>2009-08-30T18:32:00.004+01:00</published><updated>2009-08-30T18:41:37.831+01:00</updated><title type='text'>A Igreja de Roma e a Guerra</title><content type='html'>&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_K_i7t9i5bp8/Spq5k3FfbTI/AAAAAAAAAOI/wFS-tFHaEMo/s1600-h/Cruzes.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5375813148133518642" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 320px; CURSOR: hand; HEIGHT: 246px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_K_i7t9i5bp8/Spq5k3FfbTI/AAAAAAAAAOI/wFS-tFHaEMo/s320/Cruzes.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;No Verão de 1939, a Europa percorreu o último trecho do caminho que a levou a precipitar-se no abismo da guerra. Um abismo que, apenas vinte anos após a primeira catástrofe bélica mundial, se abriu com uma série de horrores inimagináveis. Do desmembramento da Polónia, depois do pacto, com muita frequência esquecido, entre a Alemanha nazista e a Rússia soviética, teve de facto início o incêndio que fez arder grande parte do velho continente, a bacia mediterrânea e a imensa área do Pacífico; com o monstruoso extermínio do povo judeu, destruições sem precedentes de civis e de muitas cidades do velho continente, até ao epílogo nuclear, carregado de novos pesadelos que, com a destruição de Hiroshima e Nagasaki, pôs fim ao conflito desencadeado pelo Japão e, deste modo, aos seis anos da guerra mais sangrenta que a terra viu.&lt;br /&gt;A lição da primeira guerra mundial de nada serviu. Aliás, dela surgiu uma sucessão de injustiças e, sobretudo, a afirmação dos totalitarismos soviético, fascista, nazista, que levaram a Europa e grande parte do mundo a sofrer males indizíveis. Face à guerra, a Igreja de Roma não abandonou aquelas fronteiras da paz que fadigosamente tinha iniciado a presidiar no início do século XIX e, sobretudo, a partir do último trinténio do século, quando a perda do poder temporal tinha de facto favorecido a expansão da sua influência internacional. E se Pio X, nos seus últimos dias de vida, se tinha quase oferecido como vítima sacrifical, sentindo aproximar-se a "grande guerra", Bento XV empenhou-se contra a insensata tragédia europeia que, incompreendido e insultado pelas partes contrapostas, definiu como "massacre inútil"; mobilizando, de resto, uma "diplomacia da assistência" que, silenciosa e eficaz, teria voltado a caracterizar a atitude da Santa Sé também na segunda guerra mundial.&lt;br /&gt;Durante os respectivos encargos diplomáticos, no coração da Europa em chamas, os futuros Pio XI e Pio XII tinham sido testemunhas directas do surgir dos totalitarismos, causa dos males que se preparavam. E, tendo ambos chegado à guia da Santa Sé, no decorrer dos anos 30 viram com lucidez o encaminhar-se inexorável para a guerra, que procuraram contrastar com a diplomacia, a política concordatária, a firmeza sobre a doutrina católica, numa consonância substancial não enfraquecida por personalidades e temperamentos entre si muito diversos. Não foi, portanto, por acaso que a escolha do conclave, rapidíssima, se orientou para o secretário de Estado de Pio XI. Imediatamente, Pio XII teve que enfrentar uma situação que se precipitava: "Nada se perde com a paz, tudo pode ser perdido com a guerra" foi o inútil apelo extremo, a cuja redacção lançou mão o substituto Montini, estreito colaborador do Papa também na tenaz obra de socorro depressa iniciada: no Vaticano, em Roma, na Itália e em muitos outros países onde, ao lado de muitos católicos, os representantes pontifícios, como Roncalli, em Istambul, se prodigalizaram de todos os modos para socorrer os perseguidos, sem distinções. Pio XII e quantos lhe iriam suceder na sede romana com os nomes de João XXIII e Paulo VI foram assim, com o enfurecer do conflito, quer defensores das razões humanas e da justiça, quer testemunhas da caridade de Cristo, com uma pregação de paz que o Papa Pacelli não interrompeu durante a guerra e nos anos seguintes, apoiando a opção da democracia, rejeitando a atribuição de uma culpa colectiva ao povo alemão, contrastando o totalitarismo soviético que impôs regimes ditatoriais a muitos países e semeou novos males, e apoiando sem incertezas a construção fadigosa de um projecto unitário para a "velha Europa, que foi obra da fé e do génio cristão" e que, contudo, não tinha sido capaz de ouvir a radiomensagem pontifícia transmitida na tarde de 24 de Agosto de 1939.&lt;br /&gt;Se de muitas formas os cristãos souberam dar contribuições importantes para a reconstrução e a reconciliação, a Igreja de Roma fechou simbolicamente a segunda guerra mundial com as eleições papais de Karol Wojtyla que, em 1989, cinquenta anos após o seu início, lhe dedicou uma carta apostólica, e de Joseph Ratzinger, precisamente a sessenta anos da conclusão do conflito que os futuros João Paulo II e Bento XVI sofreram em primeira pessoa, filhos de Nações então contrapostas.&lt;br /&gt;Sob o ponto de vista histórico, a dúplice escolha do colégio dos cardeais demonstrou a inconsistência de muitos prognósticos baseados em velhas convicções de carácter político, segundo as quais as eleições de 1978 e, sobretudo, de 2005 teriam sido impossíveis. Em conclusão, a geopolítica da Igreja é diversa. E isto porque, assumindo o passado, olha para o homem e para o futuro com os olhos fixos numa promessa que não será desiludida. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Giovanni Maria Vian, &lt;em&gt;L’Osservatore Romano&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;(SP)&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6996408022636835207-1323678535647594468?l=obompastordiocesebraga.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://obompastordiocesebraga.blogspot.com/feeds/1323678535647594468/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6996408022636835207&amp;postID=1323678535647594468' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6996408022636835207/posts/default/1323678535647594468'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6996408022636835207/posts/default/1323678535647594468'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://obompastordiocesebraga.blogspot.com/2009/08/igreja-de-roma-e-guerra.html' title='A Igreja de Roma e a Guerra'/><author><name>obompastor</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08085080511645471150</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='33' height='32' src='http://www.pime.org.br/pimenet/imagens/mmjunejul2003-f31-a.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_K_i7t9i5bp8/Spq5k3FfbTI/AAAAAAAAAOI/wFS-tFHaEMo/s72-c/Cruzes.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6996408022636835207.post-6995226895050960387</id><published>2009-07-16T21:26:00.004+01:00</published><updated>2009-07-16T21:44:37.924+01:00</updated><title type='text'>Testamento Vital II</title><content type='html'>&lt;div align="center"&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_K_i7t9i5bp8/Sl-QuuhEoXI/AAAAAAAAAOA/p27u2SGmQTw/s1600-h/Hieronymus+Bosch,1475-1480.+ExtracÃ§Ã£o+da+Pedra+da+Loucura.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5359161214029308274" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 228px; CURSOR: hand; HEIGHT: 320px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_K_i7t9i5bp8/Sl-QuuhEoXI/AAAAAAAAAOA/p27u2SGmQTw/s320/Hieronymus+Bosch,1475-1480.+Extrac%C3%A7%C3%A3o+da+Pedra+da+Loucura.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt; Hieronimus Bosch,1475-80, Extracção da Pedra da Loucura&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;O projecto de lei&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O projecto de lei, celeremente aprovado na generalidade, intitula-se “Direitos dos doentes à informação e ao consentimento informado”. Mas, pese embora a esta restritiva designação, trata ainda de outros temas de grande relevância ética, que são a criação legal da figura do procurador de cuidados de saúde (Art.º 16), a instituição das declarações antecipadas de vontade (Art.º 14 e 15) e, finalmente, o acesso do doente ao processo clínico (Art.º 20). Se este último aspecto pode ser relacionado com a informação, não se vislumbra qualquer nexo lógico entre este último, os testamentos vitais e a figura do provedor de cuidados de saúde. Relembremos que o consentimento pressupõe informação e proposta de actuação, por parte do médico; proposta essa a que o doente informado dá ou não o seu acordo. Já no testamento vital é inexistente a proposta médica, e a intervenção pertence totalmente à iniciativa do doente. Ou seja, num caso existe um momento alto do diálogo intersubjectivo que é a relação médico-doente; no outro, há apenas o doente, que expressa as suas indicações para uma eventual situação futura. Convém, por isso, analisar separadamente estes temas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;1. Os artigos 1º a 13º dizem respeito ao consentimento informado e não contêm nada que se não encontre descrito como eticamente correcto e aconselhável. Pode todavia observar-se que uma excessiva regulamentação e a preocupação de tudo legislar são potencialmente nocivas para o bem que se deseja promover. O consentimento informado não sai beneficiado por um espartilho jurídico que ameaça sufocar a sua nobreza humana e ética; mais, receia-se que, a fim de cumprir a lei, se burocratize e desumanize o procedimento, transformando o consentimento informado num mero documento legalmente útil, um formulário que o doente terá que assinar antes de ser objecto de qualquer cuidado de saúde. Ora, isto é o que se deve evitar a todo o custo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;2. Quanto ao testamento vital, o Projecto é inovador, ao estabelecer o direito do doente “a determinar quais os cuidados de saúde que deseja ou não receber no futuro, no caso…de se encontrar incapaz”. Trata-se de um documento escrito, revogável, considerado “fundamental”, mas cuja eficácia vinculativa é fortemente restringida pela existência de uma série de circunstâncias, entre as quais avultam o grande conhecimento da doença, da sua evolução, dos processos terapêuticos que se pretende recusar ou aceitar, etc. Refere-se ainda o Projecto à data do documento como factor a ter influência na sua eficácia, mas não se indica um prazo de validade. Conclui-se que estas diversas circunstâncias permitem avaliar “o grau de convicção com que o declarante manifestou a sua vontade”, abstrusa redacção que põe em causa a seriedade do documento e encarrega um terceiro (quem? O médico? Um jurista?) de avaliar da “convicção” do declarante.&lt;br /&gt;Se o Art.º 14º levanta fortes restrições ao carácter vinculativo do testamento vital, o 15º representa uma porta escancarada para a anulação desta declaração, quando determina que o médico “nunca respeita a declaração antecipada quando seja contrária à lei…, quando determina uma intervenção contrária às normas técnicas da profissão” ou quando esteja evidentemente desactualizada. Em face destas reservas e limitações, pode dizer-se que nenhuma declaração antecipada tem probabilidades de ser eficaz, se o médico a interpretar como estando ferida por alguma ou algumas destas restrições; ou seja, em última análise, será o médico a decidir, invertendo-se assim o objectivo em mente do legislador.&lt;br /&gt;3. O procurador de cuidados de saúde é uma figura enigmática, já que o Projecto nada diz sobre as suas características, condicionamentos e âmbito de competências, embora se refira (no Art.º 18) às “decisões” do procurador. Isto configurará um imenso poder atribuído a uma pessoa escolhida de entre o círculo de amigos ou familiares do declarante, mas que na realidade só deveria ser um curador do enfermo incapaz, decidindo no seu melhor interesse e no conhecimento da sua postura e opções. Porém, se o seu poder decisório for ilimitado, poderá optar por soluções que lesem o interesse do doente, por motivações várias (interesse económico, convicções religiosas ou ideológicas próprias, estado depressivo, etc.). Aqui não se apresentam circunstâncias restritivas, como se fez em relação ao testamento vital; significa isto que o procurador terá mais margem de manobra e poder decisório do que o próprio doente. Em relação a ambos poderá o médico declarar-se objector de consciência, o que está correcto, desde que tal objecção tenha carácter casuístico, já que haverá certamente decisões do doente ou do procurador que farão todo o sentido e que nenhum médico responsável e competente poderá rejeitar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;4. Finalmente, o acesso ao processo clínico (com excepção das anotações subjectivas feitas pelo profissional) é um direito do doente e não merece reparos substantivos, embora levante legítimas dúvidas quanto à aparente intenção de excluir o médico de um processo em que é legítimo participante; mas esse não é tema do que me deva ocupar, neste contexto&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Observações conclusivas&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Este Projecto é, como vimos, heterogéneo na sua constituição. No que concerne ao consentimento informado, nada acrescenta de verdadeiramente inovador em relação às normas deontológicas consagradas, frente às claras normas constantes do Código Penal, essas sim acompanhadas do enunciado das penas a cominar aos infractores (aspecto ausente deste Projecto). Parece pois inócua e dispensável esta tábua do políptico configurado pelo Projecto.&lt;br /&gt;No que à declaração antecipada de vontade (ou testamento vital) diz respeito, temos de facto inovação. Perante as limitações que são inerentes ao próprio conceito (e às suas ambiguidades) e às fortes restrições previstas ao seu carácter vinculativo, são legítimas as dúvidas quanto ao seu real alcance e exequibilidade. Acontece ainda que se antevê um pronunciado aumento de conflitualidade entre paciente (e/ou família) e profissional de saúde, sempre que o testamento vital contenha indicações prescritivas ou, mais vezes, proscritivas de técnicas ou atitudes terapêuticas que sejam, na opinião médica, desajustadas, erradas ou lesivas da integridade ou até da vida do paciente; ou, pelo contrário, úteis e adequadas. Imaginemos só que o testamento vital interdita o recurso à reanimação e que o médico, perante a situação clínica de paragem respiratória, considera obrigatório o recurso à reanimação, com francas possibilidades de recuperação (integral ou parcial) do doente. Vai o clínico assistir de braços cruzados à morte de um doente que podia salvar, por lhe ter sido exibido um documento velho de anos? Se obedecer ao seu código e reanimar o doente, arrisca-se a ser duramente sancionado? Se assistir inerme à sua morte pode igualmente ser condenado por omissão de auxílio a doente em situação aguda…Esses conflitos serão ainda mais graves quando exista o procurador de cuidados de saúde (cujas decisões podem não ser conformes aos verdadeiros interesses do doente), já que nessas condições teremos oposição entre duas pessoas vivas e sãs, o profissional de saúde e o procurador. A objecção de consciência prevista no texto não poderá resolver o pleito, pois o médico lavará as mãos quanto ao problema do doente, ficando a resolução a cargo de terceiros que serão chamados a intervir, sem conhecimento da situação e do seu enquadramento.&lt;br /&gt;São estes os fundamentos para considerar inoportuna e eventualmente nociva a iniciativa legislativa ora tomada. Acresce que dificilmente se poderá defender a necessidade e a urgência de legislar nesta matéria, no fim de um ciclo parlamentar, sem qualquer audição prévia dos mais directamente interessados (Ordens profissionais, associações de doentes, sindicatos, juristas, etc.) e sem debate público de uma questão que a todos diz respeito. Mais grave ainda é a total omissão de um pedido de parecer ao Conselho Nacional de Ética para as Ciências da Vida, que a própria lei estatui como obrigatório. Afirmei já que a aprovação desta lei constitui um erro político e um descaminho ético: por não ter sido precedida de audição e debate; e por não servir os interesses do doente, tornando mais difícil e potencialmente conflituosa a relação médico-doente, que se desejaria fosse o encontro de uma competência compassiva com uma confiança crítica. (…)&lt;br /&gt;Não duvido das excelentes intenções dos proponentes, mas ponho directamente em causa a relevância e a urgência desta iniciativa. É de esperar que o Projecto não passe o crivo da discussão na especialidade e assim se evite mais uma lei inútil, geradora de conflitualidade, aberta a interpretações diversas ou até opostas, que embrulha no invólucro inócuo do consentimento informado os polémicos temas das declarações avançadas de vontade e da procuradoria de cuidados de saúde, com o fatal surgimento da questão da eutanásia passiva. Trata-se, afinal, de um cavalo de Tróia jurídico.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Walter Osswald, “ ‘Testamento Vital – Perspectiva Médica’”, &lt;em&gt;Brotéria&lt;/em&gt; 168(2009) 432-436.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;SP&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6996408022636835207-6995226895050960387?l=obompastordiocesebraga.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://obompastordiocesebraga.blogspot.com/feeds/6995226895050960387/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6996408022636835207&amp;postID=6995226895050960387' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6996408022636835207/posts/default/6995226895050960387'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6996408022636835207/posts/default/6995226895050960387'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://obompastordiocesebraga.blogspot.com/2009/07/testamento-vital-ii.html' title='Testamento Vital II'/><author><name>obompastor</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08085080511645471150</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='33' height='32' src='http://www.pime.org.br/pimenet/imagens/mmjunejul2003-f31-a.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_K_i7t9i5bp8/Sl-QuuhEoXI/AAAAAAAAAOA/p27u2SGmQTw/s72-c/Hieronymus+Bosch,1475-1480.+Extrac%C3%A7%C3%A3o+da+Pedra+da+Loucura.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6996408022636835207.post-7276878061636194585</id><published>2009-07-16T00:41:00.008+01:00</published><updated>2009-07-16T01:02:22.745+01:00</updated><title type='text'>Testamento Vital I</title><content type='html'>&lt;div align="center"&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_K_i7t9i5bp8/Sl5r8QzyECI/AAAAAAAAAN4/kzfv7T8QVPc/s1600-h/Domenico+di+Bartoli,+1441-42,+Cuidar+dos+Doentes.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5358839289665949730" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 320px; CURSOR: hand; HEIGHT: 230px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_K_i7t9i5bp8/Sl5r8QzyECI/AAAAAAAAAN4/kzfv7T8QVPc/s320/Domenico+di+Bartoli,+1441-42,+Cuidar+dos+Doentes.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt; Domenico di Bartoli,1441-44, Cuidar dos Doentes&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Consentimento informado&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O reconhecimento dos direitos do doente, a análise e revisão da doutrina hipocrática, a crescente importância atribuída à autonomia da pessoa, também no campo da saúde e no da relação médico-doente, convergiram para a definição do conceito do consentimento informado e sua aceitação como imprescindível pré-condição para qualquer acto médico. Todas as organizações médicas, a nível mundial e nacional, subscrevem esta afirmação e propugnam pelo cabal respeito por esta peça fundamental na relação do profissional de saúde com o paciente. Qualquer intervenção, com fim diagnóstico ou terapêutico, exige a prévia explicação do procedimento e a obtenção do assentimento, concordância, autorização ou consentimento, a cargo da pessoa que é o sujeito, são ou doente, dos cuidados a prestar. O acto médico tem por óbvia motivação a intenção de beneficiar (“fazer bem ao”) o doente, mas este não pode sujeitar-se passivamente ao que lhe é proposto: tem-se aqui como ideal a conjugação e articulação da beneficência do prestador de cuidados com a autonomia daquele que os recebe. Claro que nesta relação de complementaridade podem facilmente surgir tensões ou até conflitos, quando uma das polaridades pressupostas pela relação se erige em força absoluta, ignorando ou subestimando a outra, na ânsia de um exercício do poder médico autoritário, na atitude muitas vezes designada por paternalista; e, por outro lado, é consensual não ser aceitável que o doente exerça a sua vontade de modo irresponsável, irreflectido ou caprichoso, convertendo o profissional de saúde num funcionário tecnicamente competente para a execução das ordens do paciente. O que se pretende não é mais do que associar o doente ao processo de tratamento, transformando-o de um sujeito passivo das resoluções de outrem num colaborador activo, responsável e capaz de tomar decisões.&lt;br /&gt;O consentimento informado é hoje considerado como peça fundamental na relação médico-doente e encontra-se respaldado nos Códigos Penais de quase todos os países; entre nós, o Código Penal (artigos 150, 156 e 157) classifica de abusiva e ilegítima qualquer intervenção médica sobre quem não tenha dado o consentimento ou assentimento, depois de informado sobre as circunstâncias da intervenção proposta e em plena liberdade; e são pesadas as penas que sancionam o desrespeito por estes processos legais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Testamento vital”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não havendo uma escolha terminológica unívoca, designaremos deste modo o documento também conhecido por declaração antecipada de vontade, por motivo da brevidade e da popularidade daquela designação, tão imprópria quanto esta. Trata-se de um documento em que a pessoa, antecipando uma situação clínica em que não possa exprimir a sua vontade (por estar inconsciente, demente ou incapaz por outro motivo), declara qual ou quais os tratamentos ou as técnicas que não deseja que lhe sejam aplicados. Afirmam os seus paladinos que assim se respeita cabalmente a autonomia da pessoa doente: incapaz de se pronunciar por ter perdido faculdades, faz-se ouvir através de uma declaração anteriormente exarada, com consequências a prazo mais ou menos longo. Este “testamento vital”, obrigatório nos Estados Unidos, não tem recolhido aplauso nem acolhimento no sistema jurídico da maior parte dos países. Para tal atitude negativa têm sido invocados os seguintes argumentos:&lt;br /&gt;1. A pessoa que, em plena saúde ou estado inicial de doença progressiva, declara rejeitar determinadas medidas consideradas “heróicas” (tais como reanimação cardio-respiratória, diálise renal, quimioterapia citostática, etc.), por as entender como indignificantes ou lesivas da sua integridade, não pode ter uma noção clara de qual o seu real peso ou custo psicológico nem de qual será a sua vontade e desejos na situação que apenas antecipa, mas não experiencia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;2. A valia legal do testamento vital implicaria a total sujeição do médico ao paciente e obrigaria o profissional a assegurar-se da não existência de uma oposição consignada em eventual testamento vital antes de iniciar qualquer manobra, mesmo se urgente, num doente inconsciente ou incapaz – e a actuar já não segundo as normas médicas, mas de acordo com o prescrito pelo doente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;3. O testamento vital pode dar origem a sérios conflitos, se nele se exarar uma disposição que ponha em causa bens indisponíveis ou os bons costumes, a que expressamente se refere o Código Penal, tais como a vida ou a integridade física do doente. Por exemplo, se no testamento o declarante proibir o recurso à reanimação, o doente acometido de paragem cardio-respiratória morrerá, embora fosse perfeitamente recuperável. Neste caso, um bem indisponível, a vida, seria sacrificada, e o médico poderia ser considerado como homicida por negligência. Por outras palavras, o testamento vital, pode abrir uma porta à prática da eutanásia (neste caso, passiva, por a morte resultar de omissão de um acto indispensável à manutenção da vida; mas a distinção entre eutanásia passiva e activa não tem, como se sabe, qualquer relevância ética).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(cont.)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Walter Osswald,“ ‘Testamento vital’. Perspectiva médica”, &lt;em&gt;Brotéria&lt;/em&gt; 168(2009) 429-432.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;SP&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6996408022636835207-7276878061636194585?l=obompastordiocesebraga.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://obompastordiocesebraga.blogspot.com/feeds/7276878061636194585/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6996408022636835207&amp;postID=7276878061636194585' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6996408022636835207/posts/default/7276878061636194585'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6996408022636835207/posts/default/7276878061636194585'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://obompastordiocesebraga.blogspot.com/2009/07/testamento-vital-i.html' title='Testamento Vital I'/><author><name>obompastor</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08085080511645471150</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='33' height='32' src='http://www.pime.org.br/pimenet/imagens/mmjunejul2003-f31-a.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_K_i7t9i5bp8/Sl5r8QzyECI/AAAAAAAAAN4/kzfv7T8QVPc/s72-c/Domenico+di+Bartoli,+1441-42,+Cuidar+dos+Doentes.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6996408022636835207.post-8986370797437723229</id><published>2009-07-14T19:12:00.003+01:00</published><updated>2009-07-14T19:38:00.867+01:00</updated><title type='text'>O Milagre Possível</title><content type='html'>&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_K_i7t9i5bp8/SlzLO5s_VwI/AAAAAAAAANo/jB0jrYtgjfE/s1600-h/SertÃ£o.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5358381113532176130" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 320px; CURSOR: hand; HEIGHT: 230px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_K_i7t9i5bp8/SlzLO5s_VwI/AAAAAAAAANo/jB0jrYtgjfE/s320/Sert%C3%A3o.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Compadre meu Quelemém é um homem fora de projetos. O senhor vá lá, na Jijujã. Vai agora, mês de junho. A estrela-d’alva sai às três horas, madrugada boa gelada. É tempo da cana. Senhor vê, no escuro, um quebra-peito – é ele mesmo, já risonho e suado, engenhando o seu moer. O senhor bebe uma cuia de garapa e dá a ele lembranças minhas. Homem de mansa lei, coração tão branco e grosso de bom, que mesmo pessoa muito alegre ou muito triste gosta de poder conversar com ele.&lt;br /&gt;Todo assim, o que minha vocação pedia era um fazendão de Deus, colocado no mais tope, se braseando incenso nas cabeceiras das roças, o povo entoando hinos, até os pássaros e bichos vinham bisar. Senhor, imagina? Gente sã valente, querendo só o Céu, finalizando. Mas diverso do que se vê, ora cá ora ali lá. Como deu uma moça, no Barreiro-Novo, essa desistiu um dia de comer e só bebendo por dia três gotas de água de pia benta, em redor dela começaram milagres. Mas o delegado-regional chegou, trouxe os praças, determinou o desbando do povo, baldearam a moça para o hospício de doidos, na capital, diz-se que lá ele foi cativa de comer, por armagem de sonda. Tinham o direito? Estava certo? Meio modo, acho foi bom. Aquilo não era o que em minha crença eu prezava. Porque, num estalo de tempo, já tinham surgido vindo milhares desses, para pedir cura, os doentes condenados: lázaros de lepra, aleijados por horríveis formas, feridentos, os cegos mais sem gestos, loucos acorrentados, idiotas, héticos e hidrópicos, de tudo: criaturas que fediam. Senhor enxergasse aquilo, o senhor desanimava. Se tinha um grande nojo. Eu sei: nojo é invenção, do Que-Não-Há, para estorvar que se tenha dó. E aquela gente gritava, exigiam saúde expedita, rezavam alto, discutiam uns com outros, desesperavam de fé sem virtude – requeriam era sarar, não desejavam Céu nenhum. Vendo assaz, se espantava da seriedade do mundo para caber o que não se quer. Será acerto que os aleijões e feiezas estejam bem convenientemente repartidos, nos recantos dos lugares. Senão, se perdia qualquer coragem. O sertão está cheio desses. Só quando se jornadeia de jagunço, no teso das marchas, praxe de ir em movimento, não se nota tanto: o estatuto de misérias e enfermidades. Guerra diverte – o demo acha.&lt;br /&gt;Mire veja: um casal, no Rio do Borá, daqui longe, só porque marido e mulher eram primos carnais, os quatro meninos deles vieram nascendo com a pior transformação que há: sem braços e sem pernas, só os tocos... Arre, nem posso figurar minha idéia nisso! Refiro ao senhor: um outro doutor, doutor rapaz, que explorava as pedras turmalinas no vale de Araçuaí, discorreu me dizendo que a vida da gente encarna e reencarna, por progresso próprio, mas que Deus não há. Estremeço. Como não ter Deus?! Com Deus existindo, tudo dá esperança: sempre um milagre é possível, o mundo se resolve. Mas, se não tem Deus, há-de a gente perdidos no vai-vem, e a vida é burra. É o aberto perigo das grandes e pequenas horas, não se podendo facilitar – é todos contra os acasos. Tendo Deus, é menos grave se descuidar um pouquinho, pois, no fim, dá certo. Mas, se não tem Deus, então, a gente não tem licença de coisa nenhuma! Porque existe dor. E a vida do homem está presa encantoada – erra rumo, dá em aleijões como esses, dos meninos sem pernas e braços. Dor não doi até em criancinhas e bichos, e nos doidos – não doi sem precisar de se ter razão nem conhecimento? E as pessoas não nascem sempre? Ah, medo tenho não é de ver morte, mas de ver nascimento. Medo, mistério. O senhor não vê? O que não é Deus, é estado do demônio. Deus existe mesmo quando não há. Mas o demônio não precisa de existir para haver – a gente sabendo que ele não existe, aí é que ele toma conta de tudo. O inferno é um sem-fim que nem não se pode ver. Mas a gente quer Céu é porque quer um fim: mas um fim com depois dele a gente tudo vendo. Se eu estou falando às flautas, o senhor me corte. Meu modo é este. Nasci para não ter homem igual em meus gostos. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;João Guimarães Rosa, &lt;em&gt;Grande Sertão: Veredas&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;SP&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6996408022636835207-8986370797437723229?l=obompastordiocesebraga.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://obompastordiocesebraga.blogspot.com/feeds/8986370797437723229/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6996408022636835207&amp;postID=8986370797437723229' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6996408022636835207/posts/default/8986370797437723229'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6996408022636835207/posts/default/8986370797437723229'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://obompastordiocesebraga.blogspot.com/2009/07/o-milagre-possivel.html' title='O Milagre Possível'/><author><name>obompastor</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08085080511645471150</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='33' height='32' src='http://www.pime.org.br/pimenet/imagens/mmjunejul2003-f31-a.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_K_i7t9i5bp8/SlzLO5s_VwI/AAAAAAAAANo/jB0jrYtgjfE/s72-c/Sert%C3%A3o.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6996408022636835207.post-878324430452575843</id><published>2009-07-04T02:14:00.005+01:00</published><updated>2009-07-04T02:32:30.164+01:00</updated><title type='text'>Bíblia e Violência</title><content type='html'>&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_K_i7t9i5bp8/Sk6w6_k0niI/AAAAAAAAANg/lLQmRf_trBc/s1600-h/Caravaggio,+1598,+Judite+decapitando+Holofernes.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5354411534534876706" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 320px; CURSOR: hand; HEIGHT: 238px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_K_i7t9i5bp8/Sk6w6_k0niI/AAAAAAAAANg/lLQmRf_trBc/s320/Caravaggio,+1598,+Judite+decapitando+Holofernes.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Na história de Israel, a partir da emergência de uma autocompreensão da Nação como sociedade-alternativa verificou-se igualmente uma transformação ao nível da própria imagem de Deus. Verificou-se, antes de mais, da afirmação de um Deus único, o qual, por isso mesmo, se contrapõe ao panteão dos deuses em que fundavam a sua legitimidade os sistemas sociais das cidades-estado de Canaã. Necessariamente, este Deus começou por ser um deus-guerreiro: Javé, senhor dos exércitos. Só depois da experiência do exílio é que Israel começou a compreender que o caminho que conduz à sociedade justa passa também pela perseguição e pelo sofrimento; ou seja, só então é que as projecções guerreiras do Deus de Israel começaram a ser postas em causa. Tornava-se então possível que, a partir daí, e pelo menos em breves momentos profeticamente privilegiados, o rosto do verdadeiro Deus começasse a vir ao de cima – assim expressamente, de forma paradigmática, na figura do Servo de Javé, que encontramos no quarto poema do &lt;em&gt;Servo&lt;/em&gt; &lt;em&gt;Sofredor&lt;/em&gt;.(...)&lt;br /&gt;A imagem de um Deus próximo dos perseguidos começa a manifestar-se apenas em associação com a experiência daqueles a quem os &lt;em&gt;Salmos&lt;/em&gt; designam ora por “justos perseguidos” ora por “sofredores inocentes”. Com estes, porém, não devemos identificar apenas um ou outro caso excepcional. A esta classe de homens pertence todo aquele que, qual bode expiatório, se descobre vítima de perseguição e até mesmo de expulsão. Quando a um ser humano transformado em bode expiatório é dada a compreensão de ser apenas por puro acaso que ele, e precisamente mais ninguém, se encontra na posição de ser portador da culpa que recai sobre todo o grupo humano a que pertence, e de que desta ou de outra forma cada um dos membros do respectivo grupo se tornou corresponsável pelo caos existente na respectiva sociedade, ele transforma-se simultaneamente na figura do homem justo perseguido ou no sofredor inocente no sentido mais estrito destas expressões. Entre os seres humanos, o bode expiatório representa sempre aquele que é perseguido em favor de um mecanismo violento de pacificação social. Mas na medida em que a própria vítima cai na conta deste mecanismo e a Deus levanta a sua voz de protesto, o que se dá é, nem mais nem menos, a possibilidade de um novo conhecimento de Deus.&lt;br /&gt;Por outras palavras, quando, por exemplo, nos &lt;em&gt;Salmos&lt;/em&gt;, um clamor se levanta por parte dos inocentes ou daqueles que simplesmente se sabem perdoados por Deus e a este fazem saber o seu sentir, o que está em causa é já a aurora de um mundo novo. Ainda que, pelo menos em certa medida, este Deus por quem se clama continue ainda a recorrer a processos de morte na implantação da justiça, a grande novidade é que, a partir destes momentos especiais, Deus se revela claramente não afectado pela projecção sacrificial dos vitimadores. Desta forma, vai-se aproximando o momento em que o anseio de vingança se começa a transmutar em acto de pura confiança em relação ao Deus que, por fim, se revelará ser das vítimas e não dos algozes. Quando isto acontece, dá-se o fim da era de Deus como projecção do homem. No rosto do homem perseguido manifesta-se a luz do Deus verdadeiro.(...)&lt;br /&gt;Baseando-nos no contributo de René Girard, a presente reflexão leva-nos antes de mais à conclusão de que, de forma alguma, nos devemos envergonhar quer do &lt;em&gt;Antigo Testamento&lt;/em&gt; quer da imagem de Deus que ele nos dá. Ou seja, não precisamos de definir qualquer novo cânone bíblico em que praticamente se arrume o &lt;em&gt;Antigo Testamento&lt;/em&gt;. Pelo contrário, o que se afirma é precisamente que a Bíblia na sua totalidade, ou seja, aquilo a que René Girard chama “revelação judaico-cristã” não visa senão libertar-nos da opressão da violência, dando realização aos nossos sonhos humanos mais profundos.(...) &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Dado que no conjunto da Sagrada Escritura o &lt;em&gt;Antigo&lt;/em&gt; &lt;em&gt;Testamento&lt;/em&gt; representa, pelo menos, de uma ou outra forma, as sociedades do mundo, de modo algum nos deve admirar o facto de o mesmo revelar a sua profunda afectação pela violência, mesmo no que diz respeito à imagem de Deus. Todas as suas aportações no que se refere à imagem de Deus exigem, por isso, um esforço de relativização. A partir das afirmações do &lt;em&gt;Novo&lt;/em&gt; &lt;em&gt;Testamento&lt;/em&gt; podemos olhar para o &lt;em&gt;Antigo&lt;/em&gt; e reconhecer que muitas das coisas que aí se dizem acerca de Deus devem ser simplesmente relegadas para o campo da história no que se refere ao processo mediante o qual a humanidade, desde o início, se encontra a caminho da imagem de um Deus não contaminado pela violência. Num contexto profundamente marcado por uma visão evolutiva das coisas, podemos também falar de uma sociedade em processo de libertação em relação à violência e em transição para a não-violência.(...)&lt;br /&gt;É sobretudo por estas razões, portanto, que a parte da Bíblia a que damos o nome de &lt;em&gt;Antigo&lt;/em&gt; &lt;em&gt;Testamento&lt;/em&gt; constitui caminho importante no que diz respeito ao desmascaramento da violência. Justamente na medida em que nos dispomos a percorrer o mesmo caminho que nele se faz e, ao mesmo tempo, não nos envergonhamos da descoberta que fazemos de estar do lado dos perseguidores e violentos do mundo, o resultado será não apenas um desvelamento do nosso próprio pendor para a violência, o qual sempre gostaríamos de poder dissimular, mas também a transformação da própria imagem que temos de Deus, sobretudo quando o envolvemos em actos ou atitudes de violência.(...)&lt;br /&gt;É sobre as vítimas não-violentas que a fúria do mundo alastra até à exaustão. Mas Deus surge, no fim, como vencedor, pois dele nos fala a Bíblia como triunfador sobre a morte. Só que o triunfo do Deus do amor não se separa do Deus que é vítima do terror. Assim, toda a tentativa de ler o &lt;em&gt;Novo&lt;/em&gt; sem o &lt;em&gt;Antigo Testamento&lt;/em&gt; não é mais do que o resultado de uma estratégia, ainda que inconsciente, de encobrimento da violência em todas as suas formas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Norbert Lohfink, “Deus e a Violência: o Antigo Testamento à Luz de René Girard”, &lt;em&gt;Revista Portuguesa de Filosofia&lt;/em&gt; 56(2000), 37-52&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;SP&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6996408022636835207-878324430452575843?l=obompastordiocesebraga.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://obompastordiocesebraga.blogspot.com/feeds/878324430452575843/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6996408022636835207&amp;postID=878324430452575843' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6996408022636835207/posts/default/878324430452575843'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6996408022636835207/posts/default/878324430452575843'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://obompastordiocesebraga.blogspot.com/2009/07/biblia-e-violencia.html' title='Bíblia e Violência'/><author><name>obompastor</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08085080511645471150</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='33' height='32' src='http://www.pime.org.br/pimenet/imagens/mmjunejul2003-f31-a.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_K_i7t9i5bp8/Sk6w6_k0niI/AAAAAAAAANg/lLQmRf_trBc/s72-c/Caravaggio,+1598,+Judite+decapitando+Holofernes.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6996408022636835207.post-8912836785194557395</id><published>2009-06-22T21:02:00.003+01:00</published><updated>2009-06-22T21:08:07.312+01:00</updated><title type='text'>O BAPTISTA</title><content type='html'>&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_K_i7t9i5bp8/Sj_kQq1h7fI/AAAAAAAAANY/_EyVvLtw4EY/s1600-h/Lucas+Cranach,+SalomÃ©+com+a+cabeÃ§a+de+S.+JoÃ£o+Batista.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5350245857367289330" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 194px; CURSOR: hand; HEIGHT: 320px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_K_i7t9i5bp8/Sj_kQq1h7fI/AAAAAAAAANY/_EyVvLtw4EY/s320/Lucas+Cranach,+Salom%C3%A9+com+a+cabe%C3%A7a+de+S.+Jo%C3%A3o+Batista.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt; &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;Sendo imperador romano&lt;br /&gt;o torpe César Tibério,&lt;br /&gt;ao décimo quinto ano&lt;br /&gt;do seu tirânico império;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pilatos, seu velho amigo,&lt;br /&gt;então regendo a Judeia,&lt;br /&gt;e Herodes, filho do antigo,&lt;br /&gt;reinando na Galileia;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;houve um homem no deserto,&lt;br /&gt;que os povos chamavam &lt;em&gt;Mestre&lt;/em&gt;,&lt;br /&gt;de lã de cabra coberto,&lt;br /&gt;vivendo de mel silvestre,&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;que pregava aos penitentes&lt;br /&gt;jejuns, pureza, oração,&lt;br /&gt;baptizando a Plebe e as gentes,&lt;br /&gt;em pé, no rio Jordão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ora, este homem, cuja vida&lt;br /&gt;fascinava a Plebe inquieta,&lt;br /&gt;era o precursor Baptista,&lt;br /&gt;- era o último profeta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Era primo do Messias,&lt;br /&gt;e era João o seu nome.&lt;br /&gt;Tinha o dom das profecias,&lt;br /&gt;faces cavadas de fome.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E pregava assim às gentes:&lt;br /&gt;- “Monstros! filhos da Mentira!&lt;br /&gt;Ó geração de serpentes,&lt;br /&gt;Por que é que fugis da Ira?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Em breve vereis chegar&lt;br /&gt;esse de quem eu – ingratos!&lt;br /&gt;nem mereço desatar&lt;br /&gt;o atilho de seus sapatos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“De que vos serve e vos medra&lt;br /&gt;dos Justos ser geração?&lt;br /&gt;Deus pode até duma pedra&lt;br /&gt;levantar filhos de Abraão!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em breve - poços imundos!&lt;br /&gt;vereis surgir, sobre a eira,&lt;br /&gt;quem traz na dextra a joeira&lt;br /&gt;com que ele joeira os mundos.”&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;- “Mestre! O que farei, pois, bem?”&lt;br /&gt;gritava-lhe o legionário.&lt;br /&gt;Mas ele: “pratica o bem!&lt;br /&gt;Vive só do teu salário!”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- “Rabi! que farei?” – com susto,&lt;br /&gt;diz, de rojo, o Publicano.&lt;br /&gt;- “Não sejas vil, desumano!&lt;br /&gt;Cobra tu o que for justo!”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- “Qual a lei que mais aprovas,&lt;br /&gt;Rabi?” – diz-lhe o Escriba, em suma.&lt;br /&gt;- “Tens duas túnicas novas?...&lt;br /&gt;Vai - e dá de esmola uma.”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Assim pregava. Anciãos,&lt;br /&gt;Escribas, povo aos magotes,&lt;br /&gt;Vinham vê-lo, erguendo as mãos.&lt;br /&gt;- Pasmavam os Sacerdotes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Baptizavam-se, contritos,&lt;br /&gt;mulheres, crianças e velhos.&lt;br /&gt;Vinham beijar-lhe os aflitos&lt;br /&gt;as sandálias, de joelhos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Mas enquanto aos pés choravam&lt;br /&gt;os povos, como uns pupilos,&lt;br /&gt;pelas estrelas erravam&lt;br /&gt;os seus olhos tranquilos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Gomes Leal, &lt;em&gt;História de Jesus para as criancinhas lerem.&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;SP&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6996408022636835207-8912836785194557395?l=obompastordiocesebraga.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://obompastordiocesebraga.blogspot.com/feeds/8912836785194557395/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6996408022636835207&amp;postID=8912836785194557395' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6996408022636835207/posts/default/8912836785194557395'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6996408022636835207/posts/default/8912836785194557395'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://obompastordiocesebraga.blogspot.com/2009/06/o-baptista.html' title='O BAPTISTA'/><author><name>obompastor</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08085080511645471150</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='33' height='32' src='http://www.pime.org.br/pimenet/imagens/mmjunejul2003-f31-a.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_K_i7t9i5bp8/Sj_kQq1h7fI/AAAAAAAAANY/_EyVvLtw4EY/s72-c/Lucas+Cranach,+Salom%C3%A9+com+a+cabe%C3%A7a+de+S.+Jo%C3%A3o+Batista.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6996408022636835207.post-3223104985247827316</id><published>2009-06-12T01:36:00.010+01:00</published><updated>2009-06-12T01:52:32.846+01:00</updated><title type='text'>Santo António</title><content type='html'>&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_K_i7t9i5bp8/SjGlSHf0LLI/AAAAAAAAANQ/V7kEimCcjbk/s1600-h/Guercino.+Santo+AntÃ³nio.1636.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5346235963334208690" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 241px; CURSOR: hand; HEIGHT: 320px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_K_i7t9i5bp8/SjGlSHf0LLI/AAAAAAAAANQ/V7kEimCcjbk/s320/Guercino.+Santo+Ant%C3%B3nio.1636.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;De maneira, meu Santo, que deixais Portugal e vos embarcais para África, porque dizeis que ides buscar o martírio? Antes por isso mesmo vós não deveis sair da vossa Pátria. Não tendes vós já encerrado no peito aquele grande tesouro de sabedoria e eloquência com que depois haveis de esclarecer e assombrar o mundo, e agora a vossa modéstia e humildade encobre e dissimula, e quase contra o conselho deste mesmo Evangelho tem escondido debaixo do meio alqueire: &lt;em&gt;Neque enim accendunt lucernam, et ponunt eam sub modio&lt;/em&gt;? Escusado é logo ir buscar o martírio incerto, por mar, em terras estranhas, se o tendes mais breve e mais seguro na mesma onde nascestes. Amanheçam em Coimbra os resplendores dessa Teologia, que depois há-de ter a primeira cadeira na segunda Religião de que tendes tomado o hábito; passai com os ecos dessa fama a Lisbo e começai logo a levar após vós a Corte com a eloquência mais que humana dessa língua imortal, e eu vos prometo (não tanto que ela falar, senão depois que for falada) que não faltem naturais vossos que vos façam mártir. Não vos asseguro rodas de navalhas nem bois de metal, porque lá não se martiriza com tanto engenho. Mas se vos contentais com martírio mais aparelhado, e mais vulgar, de seres logo um S. Sebastião, não o duvideis. Todos os raios que de si despedir a vossa luz, se hão-de converter em setas que se empreguem em vós. O vosso nome há-de ser o aplauso de todas as vozes, e o vosso corpo o alvo de todas as setas. Não vos há-de valer serdes filho de S. Francisco, uma vez que mostrardes que sois geração de Gigante: &lt;em&gt;Stirpem Enac vidimus tibi&lt;/em&gt;.[...].&lt;br /&gt;Mas como Deus não queria de António o seu martírio, a nova providência de uma furiosa tempestade o derrotou da Pátria, para onde tornava, e o levou a tomar porto em Itália. E porquê, ou para quê? Porque Deus lhe tinha mandado que luzisse a sua luz diante dos homens: &lt;em&gt;Sic luceat lux vestra coram hominibus&lt;/em&gt;. E para a sua luz luzir diante dos homens, era necessário que o mesmo Deus o levasse a terra onde houvesse homens, diante dos quais se pudesse luzir. Oh terra verdadeiramente bendita, Pátria da verdade, asilo da razão, Metrópole da Justiça, que não debalde te escolheu Deus para colocar em ti o seu eterno sólio![...]&lt;br /&gt;Já agora, meu Santo, pode luzir a vossa luz diante dos homens: &lt;em&gt;Sic luceat lux vestra coram hominibus&lt;/em&gt;; porque já estais em terra de homens, diante dos quais se pode luzir. Tanto vos era necessária a ausência de uns, como a presença dos outros. Já os mesmos Sumos Pontífices vos chamam Arca do Testamento, já as vossas vozes são ouvidas como oráculos, já as vossas razões e sentenças são recebidas e veneradas como Divinas. E não porque vós hoje sejais outro do que dantes éreis, nem outros os documentos da vossa doutrina, mas porque tanto vai de lugar a lugar, e de homens a homens, &lt;em&gt;Coram hominibus&lt;/em&gt;.&lt;br /&gt;Esta felicidade de achar S. António homens diante dos quais luzisse a sua luz, como o Senhor lhe mandava, foi na minha opinião uma das maiores graças que o mesmo Senhor lhe concedeu, porque sendo muito poucos no mundo os homens que podem luzir, aqueles diante dos quais se possa luzir ainda são muito menos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;António Vieira, &lt;em&gt;Sermão de Santo António&lt;/em&gt;, em Roma na Igreja dos Portugueses.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;SP&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6996408022636835207-3223104985247827316?l=obompastordiocesebraga.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://obompastordiocesebraga.blogspot.com/feeds/3223104985247827316/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6996408022636835207&amp;postID=3223104985247827316' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6996408022636835207/posts/default/3223104985247827316'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6996408022636835207/posts/default/3223104985247827316'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://obompastordiocesebraga.blogspot.com/2009/06/santo-antonio.html' title='Santo António'/><author><name>obompastor</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08085080511645471150</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='33' height='32' src='http://www.pime.org.br/pimenet/imagens/mmjunejul2003-f31-a.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_K_i7t9i5bp8/SjGlSHf0LLI/AAAAAAAAANQ/V7kEimCcjbk/s72-c/Guercino.+Santo+Ant%C3%B3nio.1636.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6996408022636835207.post-7116427142911883475</id><published>2009-06-10T22:20:00.003+01:00</published><updated>2009-06-10T22:30:07.476+01:00</updated><title type='text'>Dia de Camões</title><content type='html'>&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_K_i7t9i5bp8/SjAluxN8IXI/AAAAAAAAANI/aVkalYY5CGU/s1600-h/Fernado+Gomes,++Retrato+de+LuÃ&amp;shy;s+de+CamÃµes.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5345814243104792946" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 271px; CURSOR: hand; HEIGHT: 320px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_K_i7t9i5bp8/SjAluxN8IXI/AAAAAAAAANI/aVkalYY5CGU/s320/Fernado+Gomes,++Retrato+de+Lu%C3%ADs+de+Cam%C3%B5es.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Nesse seu mundo interior de desterro e de caos, o amor, quase sempre vivido à distância, ora geograficamente marcada no espaço, ora, sobretudo, medida e alongada pelo desdém, pela falta de correspondência ou até pelo esquecimento, interioriza-se; e o cânone poético que até então lhe servira para o cantar, altera-se profundamente: a celebração dos efeitos da beleza corpórea dá lugar à exaltação do amor suscitado por uma mulher que, vista à maneira dos neoplatonistas, lhe aparece como inefável “raio da divina formosura”. Esse será o caminho que lhe permitirá vencer as contingências do mundo e da vida, dolorosamente marcadas pelo fugaz engano do tempo passado e pelo amargo desengano do presente, através de uma ascese que o levará ao reencontro com a sua primeira essência divina. Feito este percurso, a confusão há-de transformar-se em harmonia, as falaciosas aparências do mundo visível na segura transparência do mundo inteligível, o pecado em graça, o efémero em eterno, a terrena fealdade de Babilónia na serena beleza da Jerusalém Celeste.&lt;br /&gt;Mas Camões (por si e pelo homem que ele sente metonimicamente representar!) sabe que as suas forças não chegam para empreender essa ascese, preso como está às imperfeições do amor humano e à sua débil condição de pecador. É então que, entoando a sua palinódia de arrependimento, procura, sequioso, a fonte da graça no poder salvífico da Paixão de Cristo, consciente como está de que, pela fragilidade dessa sua condição, não reencontrará sem ela, na “terra da glória”, a essência divina da sua condição humana. Por isso e para isso, terá de trocar a frauta simbólica com que entoara os “cantares d’amor profano” pela lira dourada com que vai cantar “versos d’amor divino”.&lt;br /&gt;Insatisfeito ou perturbado com os males do tempo presente, que a sua experiência de vida em cada dia dolorosamente lhe fazia sentir, Camões procurava superá-los no plano do transcendente e do intemporal, graças à sua extraordinária sensibilidade, à sua cultura e à sua capacidade de criação, pela qual a escrita poética se transformava num canto de desabafo, ainda que para ele não encontrasse destinatário adequado, pela singularidade desse mesmo canto ou pelo isolamento espiritual do seu emissor.&lt;br /&gt;É nesta perspectiva que &lt;em&gt;Os Lusíadas&lt;/em&gt;, apesar das características próprias do género épico, se integram perfeitamente no macrotexto da obra de Camões, visto que transpõem para o colectivo problemas semelhantes àqueles que o Poeta sentia no seu foro individual.&lt;br /&gt;Ao empreender a elaboração da sua epopeia, conhecia já Camões, por experiência própria, a grave crise moral, social e política que afectava profundamente o corpo e a alma da Nação Portuguesa. Respondendo às expectativas que a consciência nacional viera desenvolvendo ao longo de mais de um século e que a teoria poética do Renascimento arvorara em requisito indispensável para a equiparação das literaturas modernas ao nível de qualidade das antigas, Camões decide celebrar na tuba canora e belicosa da epopeia “as armas e os barões assinalados” que, durante séculos, haviam construído a colectividade portuguesa; ao mesmo tempo, porém, não podia fechar os olhos à desoladora realidade que em cada dia lhe mostrava a pátria “metida / No gosto da cobiça e na rudeza / De uma austera, apagada e vil tristeza”. De novo se lhe deparava um penoso dissídio entre as glórias do passado do seu povo que, por imperativos de orgulho nacional e por necessidade de afirmação artística, desejava cantar, e os evidentes sinais de decadência de um presente onde as alturas do ideal haviam dado lugar cada vez mais amplo e fácil às baixezas do comportamento cívico dos indivíduos e da sociedade que formavam, também ela lançada no caos pelos graves pecados em toda a parte verificados contra o amor. Como conciliar o ideal com a realidade e os imperativos estéticos da poesia com a humana mesquinhez da vida? Aderindo ao preceito horaciano que fazia da beleza poética um meio de pedagogia (&lt;em&gt;aut prodesse volunt aut delectare poetae&lt;/em&gt;!), Camões vai fazer do canto épico das glórias portuguesas uma lição de verdade cívica para os seus compatriotas de todos os tempos, tentando assim superar a tristeza colectiva do tempo que lhe estava presente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aníbal Pinto de Castro, &lt;em&gt;Camões, Poeta pelo Mundo em Pedaços Repartido&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;LSP&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6996408022636835207-7116427142911883475?l=obompastordiocesebraga.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://obompastordiocesebraga.blogspot.com/feeds/7116427142911883475/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6996408022636835207&amp;postID=7116427142911883475' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6996408022636835207/posts/default/7116427142911883475'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6996408022636835207/posts/default/7116427142911883475'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://obompastordiocesebraga.blogspot.com/2009/06/dia-de-camoes.html' title='Dia de Camões'/><author><name>obompastor</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08085080511645471150</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='33' height='32' src='http://www.pime.org.br/pimenet/imagens/mmjunejul2003-f31-a.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_K_i7t9i5bp8/SjAluxN8IXI/AAAAAAAAANI/aVkalYY5CGU/s72-c/Fernado+Gomes,++Retrato+de+Lu%C3%ADs+de+Cam%C3%B5es.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6996408022636835207.post-8123307022226216336</id><published>2009-06-08T21:55:00.006+01:00</published><updated>2009-06-09T23:55:33.963+01:00</updated><title type='text'>Eros, Philia, Agape</title><content type='html'>&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_K_i7t9i5bp8/Si18O3PRy6I/AAAAAAAAANA/NgE93ziwDXg/s1600-h/Rubens,+1633,+Jardim+do+Amor(pormenor).jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5345064927546690466" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 251px; CURSOR: hand; HEIGHT: 320px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_K_i7t9i5bp8/Si18O3PRy6I/AAAAAAAAANA/NgE93ziwDXg/s320/Rubens,+1633,+Jardim+do+Amor(pormenor).jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Ao amor entre homem e mulher, que não nasce da inteligência e da vontade, mas, de certa forma, se impõe ao ser humano, a Grécia antiga deu o nome de &lt;em&gt;eros&lt;/em&gt;. Diga-se, desde já, que o Antigo Testamento grego só usa duas vezes a palavra &lt;em&gt;eros&lt;/em&gt;, enquanto o Novo testamento nunca a usa: das três palavras gregas relacionadas com o amor – &lt;em&gt;eros&lt;/em&gt;, &lt;em&gt;philia &lt;/em&gt;(amor de amizade) e &lt;em&gt;agape&lt;/em&gt; – os escritores neo-testamentários privilegiam a última, que, na linguagem grega, era quase posta de lado. Quanto ao amor de amizade (&lt;em&gt;philia&lt;/em&gt;), é retomado, com um significado mais profundo, no Evangelho de São João, para exprimir a relação entre Jesus e os seus discípulos. A marginalização da palavra &lt;em&gt;eros&lt;/em&gt;, juntamente com a nova visão do amor que se exprime através da palavra &lt;em&gt;agape,&lt;/em&gt; denota, sem dúvida, na novidade do cristianismo, algo de essencial e próprio relativamente à compreensão do amor. Na crítica ao cristianismo que se foi desenvolvendo com radicalismo crescente a partir do iluminismo, esta novidade foi avaliada de forma absolutamente negativa. Segundo Friedrich Nietzsche, o cristianismo teria dado a beber veneno a &lt;em&gt;eros&lt;/em&gt; que, embora não tivesse morrido, daí teria recebido o impulso para degenerar em vício. Este filósofo alemão exprimia assim, uma sensação muito generalizada: com os seus mandamentos e proibições, a Igreja não torna amarga, porventura, a coisa mais bela da vida? Porventura, não assinala ela proibições precisamente onde a alegria preparada para nós pelo Criador, nos oferece uma felicidade que nos faz pressentir algo do Divino?&lt;br /&gt;Mas será mesmo assim? O cristianismo destruiu verdadeiramente &lt;em&gt;eros&lt;/em&gt;? Vejamos o mundo pré-cristão. Os gregos – de forma análoga, aliás, a outras culturas, viram em &lt;em&gt;eros&lt;/em&gt; sobretudo o inebriamento, a subjugação da razão por parte duma “loucura divina” que arranca o homem das limitações da sua existência e, neste estado de transtorno por uma força divina, faz-lhe experimentar a mais alta beatitude. A esta forma de religião, que contrasta como uma fortíssima tentação com a fé no único Deus, o Antigo Testamento opôs-se com a maior firmeza, combatendo-a como perversão da religiosidade. Ao fazê-lo, porém, não rejeitou de modo algum &lt;em&gt;eros&lt;/em&gt; enquanto tal, mas declarou guerra à sua subversão devastadora, porque a falsa divinização de &lt;em&gt;eros&lt;/em&gt;, como aí se verifica, priva-o da sua dignidade, desumaniza-o. De facto, no templo, as prostitutas que devem dar o inebriamento do Divino, não são tratadas como seres humanos e pessoas, mas servem apenas como instrumentos para suscitar a “loucura divina”. Na realidade, não são deusas, mas pessoas humanas de quem se abusa. Por isso, o &lt;em&gt;eros&lt;/em&gt; inebriante e descontrolado não é subida, “êxtase”, até ao Divino, mas queda, degradação do ser humano. Fica assim claro que &lt;em&gt;eros&lt;/em&gt; necessita de disciplina, de purificação, para dar ao homem não o prazer de um instante, mas uma certa amostra do vértice da existência, daquela beatitude para que tende todo o nosso ser&lt;br /&gt;Dois dados resultam claramente desta rápida visão sobre a concepção de &lt;em&gt;eros&lt;/em&gt; na história e na actualidade. O primeiro é que entre o amor e o Divino existe alguma relação: o amor promete infinito, eternidade – uma realidade maior e totalmente diferente do dia-a-dia da nossa existência. E o segundo é que o caminho para tal meta não consiste em deixar-se simplesmente subjugar pelo instinto. São necessárias purificações e amadurecimentos, que passam também pela estrada da renúncia. Isto não é rejeição de &lt;em&gt;eros&lt;/em&gt;, não é o seu “envenenamento”, mas a cura em ordem à sua verdadeira grandeza.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Bento XVI, &lt;em&gt;Deus é Amor&lt;/em&gt;, 3-5&lt;br /&gt;[Silva Pereira]&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6996408022636835207-8123307022226216336?l=obompastordiocesebraga.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://obompastordiocesebraga.blogspot.com/feeds/8123307022226216336/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6996408022636835207&amp;postID=8123307022226216336' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6996408022636835207/posts/default/8123307022226216336'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6996408022636835207/posts/default/8123307022226216336'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://obompastordiocesebraga.blogspot.com/2009/06/eros-philia-agape.html' title='Eros, Philia, Agape'/><author><name>obompastor</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08085080511645471150</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='33' height='32' src='http://www.pime.org.br/pimenet/imagens/mmjunejul2003-f31-a.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_K_i7t9i5bp8/Si18O3PRy6I/AAAAAAAAANA/NgE93ziwDXg/s72-c/Rubens,+1633,+Jardim+do+Amor(pormenor).jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6996408022636835207.post-314586125045167985</id><published>2009-04-13T23:53:00.004+01:00</published><updated>2009-04-15T16:04:44.638+01:00</updated><title type='text'>O encontro com Jesus</title><content type='html'>O texto da homilia hoje apresentado como um comentário ao Evangelho incluiu uma afirmação que bem merece ser sublinhada: "A fé cristã, como sabemos, nasce, não da aceitação de uma doutrina, mas do encontro com uma pessoa, com Cristo morto e ressuscitado". O "como sabemos" referido é, talvez, uma generosidade retórica porque, de facto, abundantes são os que, "não sabendo", julgam que a fé cristã nasce da aceitação de uma doutrina. Volte-se, pois, a sublinhar: a fé cristã nasce do encontro - sempre renovado - com Jesus Cristo que morreu e ressuscitou.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;EJML&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6996408022636835207-314586125045167985?l=obompastordiocesebraga.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://obompastordiocesebraga.blogspot.com/feeds/314586125045167985/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6996408022636835207&amp;postID=314586125045167985' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6996408022636835207/posts/default/314586125045167985'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6996408022636835207/posts/default/314586125045167985'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://obompastordiocesebraga.blogspot.com/2009/04/o-encontro-com-jesus.html' title='O encontro com Jesus'/><author><name>obompastor</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08085080511645471150</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='33' height='32' src='http://www.pime.org.br/pimenet/imagens/mmjunejul2003-f31-a.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6996408022636835207.post-6093514892794677794</id><published>2009-03-31T23:48:00.002+01:00</published><updated>2009-04-01T00:02:40.821+01:00</updated><title type='text'>Edward Green e o Papa</title><content type='html'>&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_K_i7t9i5bp8/SdKg6iuQakI/AAAAAAAAAM4/F3HptvD4jEo/s1600-h/fotoblog01.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5319491037491653186" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 220px; CURSOR: hand; HEIGHT: 320px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_K_i7t9i5bp8/SdKg6iuQakI/AAAAAAAAAM4/F3HptvD4jEo/s320/fotoblog01.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Edward Green, o maior perito em Sida da Universidade de Harvard, afirma que existe uma relação entre maior disponibilidade de preservativos e maior taxa de contágios de Sida. Deste modo, o cientista confirma as palavras do Papa Bento XVI, no avião que o levou aos Camarões, nas quais afirmou que a postura da Igreja é que o problema do Sida “não se pode resolver só com a distribuição de preservativos; pelo contrário, corre-se o risco de aumentar o problema”.&lt;br /&gt;Numa entrevista à National Review Online, Edward Green, que não se declara católico nem contrário ao preservativo, afirma: “O Papa tem razão. Os nossos melhores estudos mostram que há uma relação consistente entre maior disponibilidade de preservativos e maior taxa de contágios de Sida”. De igual modo, o cientista, director do Projecto de Investigação de Prevenção do Sida de Harvard, constatou que “as evidências que temos apoiam os seus (do Papa) comentários. Não podemos associar maior uso de preservativos com menor taxa de Sida”.&lt;br /&gt;O perito alerta para a causa deste fenómeno, o conhecido “comportamento desinibido”: “Quando se usa um meio técnico, como o preservativo, para reduzir um risco, frequentemente perdem-se os benefícios porque as pessoas correm maiores riscos do que quando não usavam o meio técnico”.&lt;br /&gt;Edward Green é médico antropólogo com mais de 30 anos de experiência em países em via de desenvolvimento. A sua experiência inclui o Sida e doenças sexualmente transmissíveis, planificação familiar, cuidados primários de saúde materna e saúde infantil, e programas de cancro. Publicou cinco livros e é autor de mais de 250 estudos e pareceres técnicos. Vai publicar brevemente Sida e Ideologia, onde denuncia como a indústria recebe milhões de dólares a título de promoção do uso do preservativo, medicamentos e tratamentos para o Sida, e onde afirma que a solução está na mudança de comportamentos.&lt;br /&gt;O Programa Conjunto das Nações Unidas sobre o VIH/SIDA (ONUSIDA) admitiu, no passado mês de Janeiro, ter inflacionado o número de infectados no mundo, depois de Edward Green, Daniel Halperin e James Chin terem apresentado dados científicos. Os analistas confirmaram que esta estratégia beneficiou a indústria do Sida que pede constantemente mais fundos. James Chin afirma que, apesar das correcções, os números continuam a ser elevados, havendo 25 milhões de enfermos, enquanto a ONUSIDA defende que há 33 milhões. Em África, o diagnóstico do Sida realiza-se através dos sintomas–enfraquecimento das defesas do organismo, doenças oportunistas, etc. Este tipo de diagnóstico é completamente impreciso. Numerosos peritos e cientistas denunciaram que se diagnostica como Sida o que é simplesmente fome. É uma estratégia manipuladora para mudar o nome dos problemas. Faz-se passar por Sida o que é fome, num terceiro mundo vítima do capitalismo selvagem. Tal estratégia gera milhões de subsídios públicos que embaratecem os medicamentos e beneficiam os grandes grupos farmacêuticos. O modelo de luta contra o Sida em África, centra-se, na perspectiva do ocidente, no envio de medicamentos e na distribuição de preservativos, em detrimento de uma educação sexual integral e melhores condições sanitárias e alimentares da população.&lt;br /&gt;Edward Green opina que o paradigma da luta contra o Sida continua a ser o do Uganda que, nos anos 80, iniciou uma campanha que fomenta a monogamia, tentando modificar os comportamentos sexuais a um nível mais profundo.&lt;br /&gt;Segundo a OMS, o Uganda tem a descida mais espectacular de infectados. Passou de 1.100.000 em 2001, para 940.000 em 2007. Mas se analisarmos a percentagem dos últimos 17 anos, passa de quase 14% para 5,4%. O Uganda tem numeroso grupo de cristãos, e não baseou a sua estratégia no preservativo, mas no restabelecimento da família tradicional africana. O Papa acentuou que a monogamia era a melhor resposta contra o Sida em África, o mesmo que constata Green ao afirmar que “as nossas investigações mostram que a redução do número de parceiros sexuais é a mais importante mudança de comportamento associada à redução das taxas de contágio do Sida”.&lt;br /&gt;Ao mesmo tempo, a ONUSIDA reconheceu, em Março deste ano, que o “o início mais tardio da vida sexual e a fidelidade entre os parceiros” são parte das acções preventivas para evitar o contágio do HIV. Os métodos reconhecidos como mais fiáveis para prevenir o Sida são os divulgados pela OMS, chamados “ABC”(Abstinence, Being faithful, using Condoms – Abstinência, Fidelidade, Preservativo)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(Foto e resumo livre de um texto apresentado por &lt;a href="http://www.forumlibertas.com/"&gt;http://www.forumlibertas.com/&lt;/a&gt;)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Luís Silva Pereira&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6996408022636835207-6093514892794677794?l=obompastordiocesebraga.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://obompastordiocesebraga.blogspot.com/feeds/6093514892794677794/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6996408022636835207&amp;postID=6093514892794677794' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6996408022636835207/posts/default/6093514892794677794'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6996408022636835207/posts/default/6093514892794677794'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://obompastordiocesebraga.blogspot.com/2009/03/edward-green-e-o-papa.html' title='Edward Green e o Papa'/><author><name>obompastor</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08085080511645471150</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='33' height='32' src='http://www.pime.org.br/pimenet/imagens/mmjunejul2003-f31-a.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_K_i7t9i5bp8/SdKg6iuQakI/AAAAAAAAAM4/F3HptvD4jEo/s72-c/fotoblog01.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6996408022636835207.post-4751202560279774618</id><published>2009-03-16T16:23:00.002Z</published><updated>2009-03-16T16:30:17.959Z</updated><title type='text'>A Chaga do Lado</title><content type='html'>&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_K_i7t9i5bp8/Sb5-eNQbbeI/AAAAAAAAAMw/SbSv-UgMPD8/s1600-h/Hans+Memling,+sÃ©c.+XV.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5313823667763506658" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 320px; CURSOR: hand; HEIGHT: 289px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_K_i7t9i5bp8/Sb5-eNQbbeI/AAAAAAAAAMw/SbSv-UgMPD8/s320/Hans+Memling,+s%C3%A9c.+XV.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sempre estranhei que os artistas que representaram Cristo crucificado tenham colocado, na grande maioria das vezes, a chaga aberta pela lança no lado direito do peito. Deveriam colocá-la do lado esquerdo, achava eu, partindo do suposto de que o soldado romano que trespassou Cristo, por mais desatento ou ignorante que fosse da anatomia humana, também haveria de o trespassar pelo lado esquerdo, uma vez que pretendia atingir directamente o coração. É aí, com efeito, que sentimos palpitar o coração, é nesse lado que toda a tradição cultural, erudita ou popular, o coloca. Ocorrem-me de repente uns versos da região de Miranda do Douro que dizem assim:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Apalpei meu lado esquerdo&lt;br /&gt;Não achei meu coração.&lt;br /&gt;Logo me deu um palpite&lt;br /&gt;Que estava na tua mão”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Poderíamos supor que os artistas se fundamentaram nos Evangelhos. Contudo, desse pormenor nada ficou, nem no Evangelho de S. João, em grego, o único que relata o episódio, nem na tradução latina da Vulgata, feita por S. Jerónimo. Também não aparece, quanto conseguimos averiguar, nas narrativas apócrifas que muito apreciam minúcias realistas e até mesmo pitorescas e que, precisamente por isso, em bastantes casos, influenciaram a iconografia sagrada. S. João apenas diz que um dos soldados, vendo Cristo já morto, “perfurou-Lhe o lado com uma lança e logo saiu sangue e água” (Cap. XIX, 34). O termo grego que ele utiliza é πλευράν, que significa simplesmente lado, sem especificar de qual deles se trata. Por sua vez, a Vulgata latina traduz por latus, igualmente sem especificação.&lt;br /&gt;Não poderá vir daqui, portanto, a tradição iconográfica de representar Cristo ferido do lado direito, tradição que terá começado numa iluminura do Evangelho Siríaco, datado do ano 586. Aí se pode ver, de facto, Cristo na cruz a ser trespassado, no lado direito, pelo célebre e apócrifo Longuinhos que, segundo a lenda, obteve a graça de ser curado quando uma gota do sangue de Cristo lhe caiu sobre a vista cega.&lt;br /&gt;A predilecção quase unânime dos artistas pelo lado direito poderia perfeitamente explicar-se por razões de simbolismo cultural. O lado da salvação é o lado direito. É do lado direito que os artistas colocam o Bom Ladrão, embora os Evangelhos não digam de que lado ele estava. É do lado direito que colocam Nossa Senhora. É para o lado direito que fazem inclinar a cabeça de Cristo quando morre. Para o lado direito lhe inclinam o corpo na descida da cruz. Para esse lado convoca Jesus Cristo os bem-aventurados, no dia do Juízo Final. Ao lado direito do Pai se senta Cristo na sua glória, e é ao lado direito de Cristo que Nossa Senhora é coroada depois da assunção aos Céus. Simbolicamente, portanto, parece muito mais conveniente a chaga do lado direito porque o sangue e a água que dela saíram são geralmente interpretados como sinais da fundação da Igreja pela água do baptismo e pelo sangue da Paixão e, portanto, como sinais da salvação dos homens.&lt;br /&gt;Do ponto de vista estético, seria também mais conveniente colocar a chaga desse lado. Se Cristo inclinou para lá o corpo, ao morrer, então seria muito mais fácil pintá-la ou desenhá-la. Bastava um simples traço vermelho ou um risco a preto. Se a pusessem do lado esquerdo, a inclinação do corpo para a direita faria com que a abertura da ferida ficasse mais escancarada, tornando-se também mais difícil a sua representação gráfica, pictórica ou escultórica.&lt;br /&gt;Lembrei-me, em dado momento, por simples curiosidade, de verificar de que lado estaria a marca da chaga na célebre síndone de Turim. Fiquei estupefacto. A síndone de Turim revela que a chaga se encontra precisamente do lado direito! Os estudiosos dessa espantosa relíquia determinaram mesmo que a lança penetrou entre a quinta e a sexta costelas. Mais ainda: para sair a água (a linfa), e sangue, a ferida teria que ser feita pelo lado direito. Só assim atingiria a parte do coração que, nos cadáveres, fica cheia de sangue.&lt;br /&gt;Não se pode daqui concluir, de modo nenhum, que a fonte de inspiração dos artistas tenha sido o lençol no qual, segundo se crê, o cadáver de Cristo esteve envolvido. Bastaria um só facto para refutar tal conclusão: apenas com a descoberta da fotografia foi possível, através do negativo fotográfico, olhar a “verdadeira realidade” que mostra a chaga do lado direito. No lençol, ela está no lado esquerdo porque a imagem do lençol é uma imagem invertida. Se os pintores se tivessem inspirado nela, teriam pintado a chaga no lado esquerdo, tal como aparece à vista. Mais ainda: só a partir de meados do séc. XIII é que se generaliza a pintura de Cristo na cruz com um pé sobre o outro, normalmente o direito sobre o esquerdo. Antes representavam-se geralmente separados. Ora a síndone mostra que os pés estiveram realmente pregados um sobre o outro (o esquerdo sobre o direito), e não lado a lado. Outro pormenor ainda: salvo raríssimas excepções, os artistas colocam os pregos na palma das mãos. A síndone revela que eles foram cravados nos pulsos. A síndone de Turim, pelas razões aqui apresentadas, e outras que não posso aqui referir, não foi, portanto, a fonte da iconografia da crucifixão.&lt;br /&gt;Será de admitir uma tradição oral que identificou o lado pelo qual Jesus Cristo foi trespassado. Digo oral porque, estranhamente, só com São Bernardo, no século XII, é que aparece, pela primeira vez, uma referência escrita, num sermão da Paixão, ao lado direito.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Luís Silva Pereira &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6996408022636835207-4751202560279774618?l=obompastordiocesebraga.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://obompastordiocesebraga.blogspot.com/feeds/4751202560279774618/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6996408022636835207&amp;postID=4751202560279774618' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6996408022636835207/posts/default/4751202560279774618'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6996408022636835207/posts/default/4751202560279774618'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://obompastordiocesebraga.blogspot.com/2009/03/chaga-do-lado.html' title='A Chaga do Lado'/><author><name>obompastor</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08085080511645471150</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='33' height='32' src='http://www.pime.org.br/pimenet/imagens/mmjunejul2003-f31-a.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_K_i7t9i5bp8/Sb5-eNQbbeI/AAAAAAAAAMw/SbSv-UgMPD8/s72-c/Hans+Memling,+s%C3%A9c.+XV.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6996408022636835207.post-6458334434239678150</id><published>2009-02-16T16:24:00.004Z</published><updated>2009-02-16T16:33:31.880Z</updated><title type='text'>O Entrudo de D. Tomás</title><content type='html'>&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_K_i7t9i5bp8/SZmVIjW9_0I/AAAAAAAAAMU/N0wO-lXfyyQ/s1600-h/Pieter+Brugel,+Combate+do+Carnaval+com+a+Quaresma.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 320px; height: 238px;" src="http://3.bp.blogspot.com/_K_i7t9i5bp8/SZmVIjW9_0I/AAAAAAAAAMU/N0wO-lXfyyQ/s320/Pieter+Brugel,+Combate+do+Carnaval+com+a+Quaresma.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5303434010368540482" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Para assinalar as festas do Carnaval, apresentamos um soneto de D. Tomás de Noronha, poeta satírico dos mais importantes do século XVII, em que se descreve o Carnaval vestido de cavaleiro, com armadura constituída por peças de carne e doçaria. É um soneto pouco conhecido, mas que bem merecia maior divulgação, quer pela sua qualidade literária, quer pelas relações de natureza cultural que estabelece.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Entrava em uma vista o Santentrudo&lt;br /&gt;Cavalgado em cima de um leitão;&lt;br /&gt;Por lança, um espeto c’um capão;&lt;br /&gt;Uma tortilha de ovos por escudo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por elmo, a cabeça de um cornudo;&lt;br /&gt;Por peito, o de um peru com seu limão;&lt;br /&gt;Por espaldar levava um bom lacão;&lt;br /&gt;Os braçais, de toucinho façanhudo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Uma saia de malha de aletria;&lt;br /&gt;Armaduras das pernas, de filhós;&lt;br /&gt;As esporas, de bicos de perdizes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por banda, um borrachão de malvazia;&lt;br /&gt;Saía co’estas armas mui feroz&lt;br /&gt;Ao som de caldeirões e almofarizes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para melhor se compreender o poema, convém advertir que o primeiro verso “Entrava em uma vista o Santentrudo” significará que a figura do Entrudo faria parte de uma gravura ou de uma pintura. A palavra “vista” pode apresentar esse significado. E não se verifica nenhuma contradição entre o verbo “entrar” do primeiro verso e o verbo “sair” do penúltimo porque a gravura, ou pintura, representaria o Entrudo saindo a um combate com a Quaresma. Poderíamos ainda supor que o poeta descreve a figura do Entrudo numa representação teatral. Tal hipótese parece-nos pouco provável porque julgamos que representações deste tipo não faziam parte da tradição carnavalesca portuguesa. Apenas temos notícia de uma que se fazia na região de Santo Tirso, na qual surge um cavaleiro, o Entrudo, acompanhado da Quaresma. Esta, porém, dirige-se ao cavaleiro chamando-lhe Valdevinos, contaminação com a célebre figura de D. Beltrão da epopeia carolíngia, essa, sim, bem conhecida em Portugal. É verdade que, com alguma frequência, se encontram nas festividades carnavalescas portuguesas e europeias bonecos chamados Entrudos, montando a cavalo e acompanhados das suas companheiras, as Quaresmas, que são queimadas juntamente com eles. Tais bonecos apresentam-se em préstito fúnebre – o enterro do Entrudo – envergando roupas imundas e esfarrapadas. Trata-se, pois, de figurações alegóricas de velhos decrépitos que nada têm a ver com a iconografia do soneto de D. Tomás. A matriz textual deste último é muito diversa da desses enterros carnavalescos, embora também de raiz popular. Referimo-nos aos romances alegóricos medievais que narram a luta, ou justa, entre o Carnaval e a Quaresma, cujas armaduras são precisamente constituídas por carnes e peixes variados. A origem desta iconografia será o célebre poema anónimo do século XIII, La &lt;em&gt;Bataille de Caresme et de Charnage&lt;/em&gt;. Neste poema, o Carnaval monta um veado com as hastes todas cobertas de calhandras e cotovias, rouxinóis e toutinegras. O elmo, em D. Tomás, é a cabeça de um cornudo, talvez um touro ou um veado, um bode ou mesmo a efígie do diabo (existem no folclore português máscaras carnavalescas que representam o veado e o demónio). As esporas, na &lt;em&gt;Bataille&lt;/em&gt; são, genericamente, bicos de pássaros. As perdizes, juntamente com as codornizes, formam o lorigão; uma torta serve de escudo; carne de porco, juntamente com a de carneiro, bordada com agraço, forma o gibão, e uma peça de carne de porco funciona como espada. O pendão é de queijo fresco e a cota de armas é feita, em parte, de pudim de miolo de pão e, em parte, de empadinhas de pombo. Para manoplas, o autor francês escolheu dois frangos.&lt;br /&gt;Parece-nos muito original a escolha de um leitão para montada do Entrudo de D. Tomás, já que, no texto francês, é um veado, e em várias outras representações, como a da pintura de Bruegel que acompanha este texto, a montada é uma pipa. Numa peça burlesca, porém, intitulada &lt;em&gt;Le retour de Mardy Gras,&lt;/em&gt; a personagem Terça-feira Gorda aparece montada num porco com brida feita de salsichas cobertas com mostarda de Dijon, enquanto um presunto de Mayence lhe serve de escudo, e salsichões e salame de Milão lhe pendem da bandoleira. O Carnaval de D. Tomás carrega caldeirões e almofarizes, mas é pormenor mais frequente em outras representações que apresentam o Entrudo levando potes, panelas, tachos, sertãs, grelhadores, espetos, enfim todos os utensílios de cozinha que, metonimicamente, significam os excessos gastronómicos típicos da época. Não é por acaso que, no &lt;em&gt;Libro de Buen Amor&lt;/em&gt;, de Juan Ruiz, Arcipreste de Hita, a primeira ordem que dá a Quaresma, quando chega Quarta-feira de Cinzas, é a de lavar e arrumar cestos, cepos, bacias, cântaros, escudelas, sertãs, talhas, caldeiras, travessas, espetos, panelas, testos, canadas, pipas, todos os apetrechos culinários que se podem ver numa cozinha do tempo, não apenas como gesto simbólico de purificação, mas significando igualmente que não serão mais necessários durante o rigoroso jejum quaresmal. Não nos esqueçamos de que as festas carnavalescas, na sua origem se encontram profundamente ligadas à Igreja, como bem mostrou Jacques Heers em &lt;em&gt;Festas de Loucos e Carnavais&lt;/em&gt;.&lt;br /&gt;Se esta criação de D. Tomás pode ser vista como paródia carnavalesca à figura do cavaleiro, pode igualmente interpretar-se como afloramento do mito medieval do país da abundância alimentar que é o mito da País da Cocanha, país que algumas versões situam no mar, a oeste da Península Ibérica. As festividades carnavalescas, com os seus excessos gastronómicos podem ser interpretadas como celebração de um país utópico onde não há fome e não é preciso trabalhar. Este mito ainda permanece em algumas festividades populares portuguesas, nas quais, por vezes, encontramos, no recinto das festas, o chamado pau da Cocanha, que tem lá no alto géneros alimentícios que um trepador deve tentar alcançar.&lt;br /&gt;Textos literários portugueses sobre o Carnaval são relativamente raros. Por isso terminamos com a transcrição de um outro soneto atribuído a António Serrão de Castro, poeta igualmente do séc. XVII, onde se descrevem as brincadeiras da época:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Filhós, fatias, sonhos, mal-assadas,&lt;br /&gt;Galinhas, porco, vaca e mais carneiro,&lt;br /&gt;Os perus em poder do Pasteleiro,&lt;br /&gt;Esguichar, deitar pulhas, laranjadas;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Enfarinhar, pôr rabos, dar risadas,&lt;br /&gt;Gastar para comer muito dinheiro,&lt;br /&gt;Não ter mãos a medir o Taverneiro,&lt;br /&gt;Com réstias de cebolas dar pancadas;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Das janelas c’um tanho dar na gente,&lt;br /&gt;A buzina a tanger, quebrar panelas,&lt;br /&gt;Querer em um só dia comer tudo;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não perdoar arroz nem cuscus quente,&lt;br /&gt;Despejar pratos e alimpar tigelas,&lt;br /&gt;Estas as festas são do gordo Entrudo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Luís Silva Pereira, Resumo de "O Entrudo de D. Tomás de Noronha, in &lt;em&gt;Revista Portuguesa de Humanidades&lt;/em&gt; 9(2005) 205-226.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6996408022636835207-6458334434239678150?l=obompastordiocesebraga.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://obompastordiocesebraga.blogspot.com/feeds/6458334434239678150/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6996408022636835207&amp;postID=6458334434239678150' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6996408022636835207/posts/default/6458334434239678150'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6996408022636835207/posts/default/6458334434239678150'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://obompastordiocesebraga.blogspot.com/2009/02/o-entrudo-de-d-tomas.html' title='O Entrudo de D. Tomás'/><author><name>obompastor</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08085080511645471150</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='33' height='32' src='http://www.pime.org.br/pimenet/imagens/mmjunejul2003-f31-a.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_K_i7t9i5bp8/SZmVIjW9_0I/AAAAAAAAAMU/N0wO-lXfyyQ/s72-c/Pieter+Brugel,+Combate+do+Carnaval+com+a+Quaresma.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6996408022636835207.post-8465278430151948183</id><published>2009-01-29T20:27:00.003Z</published><updated>2009-01-29T20:31:57.492Z</updated><title type='text'>Os Elementos do Estilo</title><content type='html'>&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_K_i7t9i5bp8/SYIR4ePaPzI/AAAAAAAAAMM/uqb0ZedbMhs/s1600-h/Rembrandt,+S.Paulo,+1635.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5296815773629169458" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 268px; CURSOR: hand; HEIGHT: 320px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_K_i7t9i5bp8/SYIR4ePaPzI/AAAAAAAAAMM/uqb0ZedbMhs/s320/Rembrandt,+S.Paulo,+1635.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;1 – &lt;em&gt;Use uma linguagem positiva&lt;/em&gt;: em vez de “habitualmente não chegava à hora”, diga “habitualmente chegava tarde”; em lugar de “não recordou” diga “esqueceu” – e isso porque, consciente ou inconscientemente, o leitor prefere que se diga o que é a o que não é.&lt;br /&gt;2 – &lt;em&gt;Seja concreto&lt;/em&gt;: “Sobreveio um período de tempo desfavorável” constitui uma vagueza. “Choveu diariamente uma semana” seria a boa fórmula.&lt;br /&gt;3 – &lt;em&gt;Abrevie o mais que puder&lt;/em&gt;: escrever “atos de natureza hostil” é alongar de dois centímetros “atos hostis”.&lt;br /&gt;4 – &lt;em&gt;Não qualifique&lt;/em&gt;: sempre que não se tratar de estabelecer uma opinião, a qualificação prévia é desnecessária. Dizer que é “interessante” o fato que se vai narrar, é pichar o leitor de inimaginativo.&lt;br /&gt;5 – &lt;em&gt;Não use adornos&lt;/em&gt;: o estilo não é um molho para temperar uma salada; o estilo deve estar na própria salada.&lt;br /&gt;6 – &lt;em&gt;Coloque-se atrás do que escreve&lt;/em&gt;: escreva de tal forma que a atenção do leitor seja despertada sobretudo pelo sentido e pela substância do que está dito, e não pelo temperamento e pelos modismos do autor. O primeiro conselho a dar ao escritor que começa seria, pois: para chegar a um estilo, comece por não ter nenhum.&lt;br /&gt;7 – &lt;em&gt;Use substantivos e verbos&lt;/em&gt;: evite o mais possível adjectivos e advérbios. Não há adjectivo no mundo que possa estimular um substantivo exangue ou inadequado; isto sem subestimar adjectivos e advérbios, quando correctamente empregados. Mas a verdade é que são os nomes e os verbos que dão sal e cor ao estilo.&lt;br /&gt;8 – &lt;em&gt;Não superescreva&lt;/em&gt; (significando aqui &lt;em&gt;don’t overwrite&lt;/em&gt;): a prosa excessivamente rica, adornada ou gorda torna-se mais facilmente nauseante.&lt;br /&gt;9 – &lt;em&gt;Não exagere e seja claro&lt;/em&gt;: primeiramente, porque o exagero pode tornar o leitor suspicaz; e a clareza, é lógico, facilita a comunicação. Mais vale recomeçar uma frase longa com que se está brigando, que persistir na briga. Frequentemente uma frase longa nada mais é que duas curtas.&lt;br /&gt;10 – &lt;em&gt;Não opine sem razão&lt;/em&gt;: ter por hábito ventilar opiniões próprias é prejulgar que o leitor as esteja pedindo, o que constitui um sinal de vaidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vinicius de Morais, &lt;em&gt;Para Viver um Grande Amor&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;[Silva Pereira]&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6996408022636835207-8465278430151948183?l=obompastordiocesebraga.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://obompastordiocesebraga.blogspot.com/feeds/8465278430151948183/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6996408022636835207&amp;postID=8465278430151948183' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6996408022636835207/posts/default/8465278430151948183'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6996408022636835207/posts/default/8465278430151948183'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://obompastordiocesebraga.blogspot.com/2009/01/os-elementos-do-estilo.html' title='Os Elementos do Estilo'/><author><name>obompastor</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08085080511645471150</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='33' height='32' src='http://www.pime.org.br/pimenet/imagens/mmjunejul2003-f31-a.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_K_i7t9i5bp8/SYIR4ePaPzI/AAAAAAAAAMM/uqb0ZedbMhs/s72-c/Rembrandt,+S.Paulo,+1635.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6996408022636835207.post-3045855904220093406</id><published>2009-01-15T15:51:00.004Z</published><updated>2009-01-15T17:01:12.847Z</updated><title type='text'>Viver com a língua de fora</title><content type='html'>&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_K_i7t9i5bp8/SW9rkrkyJ_I/AAAAAAAAALU/s2-D7cJGJRo/s1600-h/MÃ¡scaras.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5291566365100091378" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 320px; CURSOR: hand; HEIGHT: 213px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_K_i7t9i5bp8/SW9rkrkyJ_I/AAAAAAAAALU/s2-D7cJGJRo/s320/M%C3%A1scaras.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Creio que foi Tucholski quem falou, uma vez, ironicamente, das pessoas "que vivem com a língua de fora"; dos que "arquejantes e sem respiração vão na traseira do tempo, para que nada nem ninguém lhes escape"; dos que, mais do que ter ideias, vivem de adaptar-se, como camaleões, à última moda. Impera o marxismo? Pois fazem-se marxistas ou semi-marxistas, se o facto os assusta demasiado. É o existencialismo que está na moda? Pois fazem-se existencialistas. Depois, relativistas. A seguir, secularistas. Mais tarde, niilistas ou o que começar a despontar no horizonte.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;São como os escravos da moda. Só que a moda impera, ao fim e ao cabo, nos vestidos, enquanto eles se deixam escravizar pela fugacidade das ideias.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;É um tipo de seres mais comum do que pode pensar-se. Não os aflige ter ou não ter razão. Aterrá-los-ia pensar hoje o que ontem esteve na moda, e já não estar "em dia". Vivem literalmente com a língua da alma de fora, obrigando a cabeça a correr atrás das mudanças de opinião.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Conheço pessoas cuja única ideologia é escolher, entre as várias opiniões em circulação, a mais avançada. Pessoas que morreriam diante da possibilidade de alguém os apodar de "antiquadas" ou, o que é pior, de "retrógradas". Há quem esteja disposto a dar a vida pelas suas ideias ou pela sua fé. Mas corariam de vergonha e acabariam por traí-las, se, em vez de serem levados à tortura, fossem acusados de "beatos" ou conservadores. São pessoas para as quais não conta o substrato do pensamento, mas exclusivamente o último livro, jornal ou revista que tenham lido. São devoradores do tempo, e acreditam que a verdade se rege pelos relógios. Pensam, numa palavra, que o de hoje é forçosamente mais verdadeiro que o de ontem.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Não parecem dar-se conta de que "o verdadeiro modernismo - como dizia Tagore - não é a escravidão do gosto, mas a liberdade do espírito". Também não se dão conta de que adorar o que hoje está na moda é prestar culto ao que amanhã será antiquadíssimo, porque não há nada tão fugidio como o fogo de artifício da novidade.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Um homem verdadeiramente livre é aquele, parece-me, que pensa e diz o que crê pensar e dizer, e nunca se pergunta se assim está ou não está na moda. Será duplamente livre se não se agarrar a grupos ou blocos de pensamento.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;É que hoje, mais do que nunca, a gente pensa em blocos. Um senhor, por exemplo, que se julgue progressista, terá de aceitar tudo aquilo que se apresente como tal: não só o desejo de liberdade e de direitos humanos; não só a ânsia de um mundo evoluído, mas também o aborto, o permissivismo moral e o anti-militarismo. E se eu me sentisse progressista e, precisamente porque o sou, me pusesse a defender a vida ou a combater a droga?&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;(...) Nunca acreditei que a verdade esteja em bloco à direita ou à esquerda, no de ontem ou no amanhã. Creio que devo conservar livre o meu juízo para reconhecê-la onde ela estiver. Felizmente só me preocupa o que digam de mim Deus e a minha consciência, e posso dar-me ao luxo de sorrir diante de críticas e de comentários.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;O que não creio que um homem deva fazer é passar a vida com a língua de fora, buscando apaixonadamente donde vêm os últimos tiros. Um homem assim pode servir para cata-vento, não para torre de catedral ou para ameia de castelo. Parece-me muito menos mau ser um pouco orgulhoso do que ser escravo e, ainda por cima, de um senhor tão variável e imprevisível como é a moda.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;José Luís Martín Descalzo, Razões para a Alegria.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;(Silva Pereira)&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6996408022636835207-3045855904220093406?l=obompastordiocesebraga.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://obompastordiocesebraga.blogspot.com/feeds/3045855904220093406/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6996408022636835207&amp;postID=3045855904220093406' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6996408022636835207/posts/default/3045855904220093406'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6996408022636835207/posts/default/3045855904220093406'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://obompastordiocesebraga.blogspot.com/2009/01/viver-com-lngua-de-fora.html' title='Viver com a língua de fora'/><author><name>obompastor</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08085080511645471150</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='33' height='32' src='http://www.pime.org.br/pimenet/imagens/mmjunejul2003-f31-a.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_K_i7t9i5bp8/SW9rkrkyJ_I/AAAAAAAAALU/s2-D7cJGJRo/s72-c/M%C3%A1scaras.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6996408022636835207.post-3771368935573432220</id><published>2009-01-04T14:53:00.004Z</published><updated>2009-01-04T15:14:56.076Z</updated><title type='text'>Epifania</title><content type='html'>&lt;div align="center"&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_K_i7t9i5bp8/SWDR2NmvXCI/AAAAAAAAALM/y2a2jQa6iOM/s1600-h/Gerard+David,+Adora%C3%A7%C3%A3o+dos+Magos.1500.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5287456691828251682" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 253px; CURSOR: hand; HEIGHT: 320px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_K_i7t9i5bp8/SWDR2NmvXCI/AAAAAAAAALM/y2a2jQa6iOM/s320/Gerard+David,+Adora%C3%A7%C3%A3o+dos+Magos.1500.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt; Gerard David, Adoração dos Magos, 1500&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;"Eram intensas as estrelas"&lt;br /&gt;(J. Guimarães Rosa)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por muito que os sábios saibam, nunca sabem muito. Andam à procura da estrela real em equações numerosas, teorias balbuciantes que lembram linguagem de meninos aprendendo a ler. Não sabem que Deus podia criar outra tantas galáxias, outros tamanhos mundos, para festejar o Filho dele e nosso.&lt;br /&gt;Os Reis foram a Belém porque repararam que as estrelas olhavam todas para lá. Sim, nessa noite, todos os astros olhavam para a Terra. Todos vieram ver. Brilhavam extremamente porque recebiam uma luz intensíssima, explosão infinita que subia da Terra. Bastou seguir a direcção dos mil olhares.&lt;br /&gt;As novas estrelas eram o amor deles. Viam tudo de novo e caminhavam para o centro. Os sábios não sabem onde fica, mas o centro do universo é onde está o amor e a sua inteligência. Por isso, todo o universo andava ali à volta e eram tão intensas as estrelas. Brilhavam como no começo.&lt;br /&gt;Quem ama sabe que as estrelas brilham mais. O amor é a luz do invisível.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Luís Silva Pereira, De Natal em Natal&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6996408022636835207-3771368935573432220?l=obompastordiocesebraga.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://obompastordiocesebraga.blogspot.com/feeds/3771368935573432220/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6996408022636835207&amp;postID=3771368935573432220' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6996408022636835207/posts/default/3771368935573432220'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6996408022636835207/posts/default/3771368935573432220'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://obompastordiocesebraga.blogspot.com/2009/01/epifania.html' title='Epifania'/><author><name>obompastor</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08085080511645471150</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='33' height='32' src='http://www.pime.org.br/pimenet/imagens/mmjunejul2003-f31-a.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_K_i7t9i5bp8/SWDR2NmvXCI/AAAAAAAAALM/y2a2jQa6iOM/s72-c/Gerard+David,+Adora%C3%A7%C3%A3o+dos+Magos.1500.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6996408022636835207.post-2847864400671478634</id><published>2008-12-30T23:22:00.005Z</published><updated>2008-12-31T00:42:18.085Z</updated><title type='text'>Dia da Paz</title><content type='html'>&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_K_i7t9i5bp8/SVq_vCLFzDI/AAAAAAAAALE/2BLDBQYc2cE/s1600-h/Pieter+Rubens,+Anjos+M%C3%BAsicos,+c.+1628.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 320px; height: 250px;" src="http://2.bp.blogspot.com/_K_i7t9i5bp8/SVq_vCLFzDI/AAAAAAAAALE/2BLDBQYc2cE/s320/Pieter+Rubens,+Anjos+M%C3%BAsicos,+c.+1628.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5285747927430843442" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;"Depois fazia luar, fazia uma canção na noite"&lt;br /&gt;(J. Gumarães Rosa)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Primeiro vieram os anjos, todos, escorrendo luz, porque bebem sem parar nas fontes luminosas. Bebem pela boca, pelos olhos, bebem pelo coração. O amor é assim. Uma sede inapagável, um ardor imortal.&lt;br /&gt;Os anjos não podem evitar a luz. Onde aparecem, brilham. É deles. Brilham e cantam porque toda a luz inicia uma canção. Vivem felicíssimos.&lt;br /&gt;Os pastores gritaram:&lt;br /&gt;- Já é manhã!&lt;br /&gt;Não acharam estranha a voz da nadrugada, as ardentes palavras da harmonia e da paz.&lt;br /&gt;Os anjos arderam, cantando. Depois partiram e ficou luar.&lt;br /&gt;O luar é o que resta da presença deles, a lembrança que tem a noite dos anjos indo embora, uma canção a afastar-se. Ecos no coração de uma bela harmonia. Ouve-se ainda.&lt;br /&gt;Por isso é que o luar faz sempre saudades e os poetas cantam de noite. Sentem que passaram anjos. Vão atrás deles, a apanhar os restos das canções.&lt;br /&gt;Todo o luar é natalício. Lembra canções de anjos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Luís Silva Pereira, De Natal em Natal&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6996408022636835207-2847864400671478634?l=obompastordiocesebraga.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://obompastordiocesebraga.blogspot.com/feeds/2847864400671478634/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6996408022636835207&amp;postID=2847864400671478634' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6996408022636835207/posts/default/2847864400671478634'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6996408022636835207/posts/default/2847864400671478634'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://obompastordiocesebraga.blogspot.com/2008/12/dia-da-paz.html' title='Dia da Paz'/><author><name>obompastor</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08085080511645471150</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='33' height='32' src='http://www.pime.org.br/pimenet/imagens/mmjunejul2003-f31-a.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_K_i7t9i5bp8/SVq_vCLFzDI/AAAAAAAAALE/2BLDBQYc2cE/s72-c/Pieter+Rubens,+Anjos+M%C3%BAsicos,+c.+1628.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6996408022636835207.post-6305807313780526128</id><published>2008-12-29T15:53:00.002Z</published><updated>2008-12-29T15:57:35.499Z</updated><title type='text'>O Filho Pródigo e o Natal dos humanos</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://4.bp.blogspot.com/_K_i7t9i5bp8/SVjyvjU_7TI/AAAAAAAAAK8/ffj63UhPtXI/s1600-h/FilhoPr%C3%B3digo+Chirico.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer; width: 101px; height: 171px;" src="http://4.bp.blogspot.com/_K_i7t9i5bp8/SVjyvjU_7TI/AAAAAAAAAK8/ffj63UhPtXI/s400/FilhoPr%C3%B3digo+Chirico.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5285241061470367026" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;!--[if gte mso 9]&gt;&lt;xml&gt;  &lt;w:worddocument&gt;   &lt;w:view&gt;Normal&lt;/w:View&gt;   &lt;w:zoom&gt;0&lt;/w:Zoom&gt;   &lt;w:hyphenationzone&gt;21&lt;/w:HyphenationZone&gt;   &lt;w:punctuationkerning/&gt;   &lt;w:validateagainstschemas/&gt;   &lt;w:saveifxmlinvalid&gt;false&lt;/w:SaveIfXMLInvalid&gt;   &lt;w:ignoremixedcontent&gt;false&lt;/w:IgnoreMixedContent&gt;   &lt;w:alwaysshowplaceholdertext&gt;false&lt;/w:AlwaysShowPlaceholderText&gt;   &lt;w:compatibility&gt;    &lt;w:breakwrappedtables/&gt;    &lt;w:snaptogridincell/&gt;    &lt;w:wraptextwithpunct/&gt;    &lt;w:useasianbreakrules/&gt;    &lt;w:dontgrowautofit/&gt;   &lt;/w:Compatibility&gt;   &lt;w:browserlevel&gt;MicrosoftInternetExplorer4&lt;/w:BrowserLevel&gt;  &lt;/w:WordDocument&gt; &lt;/xml&gt;&lt;![endif]--&gt;&lt;!--[if gte mso 9]&gt;&lt;xml&gt;  &lt;w:latentstyles deflockedstate="false" latentstylecount="156"&gt;  &lt;/w:LatentStyles&gt; &lt;/xml&gt;&lt;![endif]--&gt;&lt;style&gt; &lt;!--  /* Style Definitions */  p.MsoNormal, li.MsoNormal, div.MsoNormal  {mso-style-update:auto;  mso-style-parent:"";  margin:0cm;  margin-bottom:.0001pt;  text-align:justify;  text-indent:35.45pt;  line-height:150%;  mso-pagination:widow-orphan;  font-size:12.0pt;  font-family:"Times New Roman";  mso-fareast-font-family:"Times New Roman";} @page Section1  {size:612.0pt 792.0pt;  margin:70.85pt 3.0cm 70.85pt 3.0cm;  mso-header-margin:36.0pt;  mso-footer-margin:36.0pt;  mso-paper-source:0;} div.Section1  {page:Section1;} --&gt; &lt;/style&gt;&lt;!--[if gte mso 10]&gt; &lt;style&gt;  /* Style Definitions */  table.MsoNormalTable  {mso-style-name:"Tabela normal";  mso-tstyle-rowband-size:0;  mso-tstyle-colband-size:0;  mso-style-noshow:yes;  mso-style-parent:"";  mso-padding-alt:0cm 5.4pt 0cm 5.4pt;  mso-para-margin:0cm;  mso-para-margin-bottom:.0001pt;  mso-pagination:widow-orphan;  font-size:10.0pt;  font-family:"Times New Roman";  mso-ansi-language:#0400;  mso-fareast-language:#0400;  mso-bidi-language:#0400;} &lt;/style&gt; &lt;![endif]--&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;“Esta é a tese do cristianismo acerca do Homem: o homem só é Homem enquanto é um eu e só é um eu porque é um Filho, um Filho da Vida, isto é, um Filho de Deus”&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;“Esquecido de Si no agir misericordioso, o eu é doação a si mesmo na Arqui-Doação da Vida absoluta e da sua Arqui-Ipseidade. O eu reencontrou o Poder que não nasce mas o faz nascer. O eu renasceu. Neste nascer de novo reencontrou a Vida, de modo que doravante não nascerá mais…”&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;Michel Henry, &lt;i style=""&gt;Eu sou a verdade&lt;/i&gt;, Ed. Vega, 1998, 139.173.&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6996408022636835207-6305807313780526128?l=obompastordiocesebraga.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://obompastordiocesebraga.blogspot.com/feeds/6305807313780526128/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6996408022636835207&amp;postID=6305807313780526128' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6996408022636835207/posts/default/6305807313780526128'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6996408022636835207/posts/default/6305807313780526128'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://obompastordiocesebraga.blogspot.com/2008/12/o-filho-prdigo-e-o-natal-dos-humanos.html' title='O Filho Pródigo e o Natal dos humanos'/><author><name>obompastor</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08085080511645471150</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='33' height='32' src='http://www.pime.org.br/pimenet/imagens/mmjunejul2003-f31-a.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_K_i7t9i5bp8/SVjyvjU_7TI/AAAAAAAAAK8/ffj63UhPtXI/s72-c/FilhoPr%C3%B3digo+Chirico.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6996408022636835207.post-5238390244151404776</id><published>2008-12-18T21:20:00.003Z</published><updated>2008-12-18T21:26:11.251Z</updated><title type='text'>Advento</title><content type='html'>&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_K_i7t9i5bp8/SUq_UzdYJaI/AAAAAAAAAKE/q0mVfoom7xM/s1600-h/El+Greco,+S.JoÃ£o+Batista.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5281243877177042338" style="WIDTH: 178px; CURSOR: hand; HEIGHT: 320px" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_K_i7t9i5bp8/SUq_UzdYJaI/AAAAAAAAAKE/q0mVfoom7xM/s320/El+Greco,+S.Jo%C3%A3o+Batista.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="left"&gt;CÂNTICO PARA JOÃO&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Benedictus Dominus, Deus Israel, quia visitavit et redemit populum suum.&lt;br /&gt;Canticum Zachariae, Luc. I, 68-79&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;São João pra ver as moças&lt;br /&gt;Fez uma fonte de prata&lt;br /&gt;(Cancioneiro Popular)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As portas do Inferno não prevalecem contra&lt;br /&gt;O mais limpo que a neve antes que João leve à água&lt;br /&gt;A fonte de água viva e O aponte a dedo:&lt;br /&gt;- Ecce Agnus Dei!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Anho branco, anho novo, cuja pedra de poiso é o Livro,&lt;br /&gt;O Cordeiro de Deus que tira os pecados do Mundo&lt;br /&gt;Como quem tosa a relva e come da ervilhaca,&lt;br /&gt;Branco do Lírio-mãe como o vitelo herdou malha,&lt;br /&gt;Penetrante de bafo como o vento na frincha,&lt;br /&gt;Doce ao jugo do Pai que ouviu Abraão e a Ele não!&lt;br /&gt;O Cordeiro das lãs ainda não bem cardadas,&lt;br /&gt;Que eu levo, levas tu, e aquele outro, e o outro ainda,&lt;br /&gt;Procissão de pastores à matança da Páscoa,&lt;br /&gt;Carniceiros vendendo o que deviam comer com alfaces bravas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;João!&lt;br /&gt;Eu admiro João no poço dos Essénios,&lt;br /&gt;Com Zacarias mudo e o gafanhoto ardente,&lt;br /&gt;João Bebe-Água, João a quem basta um pelico acabado de esfolar,&lt;br /&gt;João a quem põe mesa a abelha e viu curvada&lt;br /&gt;Ao verter de sua concha a cabeça de sangue do sudários!&lt;br /&gt;Feliz João, filho de velha e núncio da Boa Nova,&lt;br /&gt;O que desiste ao saber que o Outro é que vem, é que é,&lt;br /&gt;E prefere fazer de leão num Zoo de dançarina&lt;br /&gt;E de cabeça de rês num prato de degola,&lt;br /&gt;A passar pelo Leão na Terra do Cordeiro leonino&lt;br /&gt;Filho da Pomba:&lt;br /&gt;- Ecce Agnus Dei!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;João, que não desata a correia à sandália do Maior(non sum dignus!),&lt;br /&gt;Que não faz a vontade à que o devora de olhos,&lt;br /&gt;Lhe ama a carne de magro, escorcho de samarra,&lt;br /&gt;La sale Salomé, vampe orientale aux friandises,&lt;br /&gt;E ele – ácido, genuíno, todo água viva e chão de cardos,&lt;br /&gt;Fiel a seu pai mudo e à hora em que a fala lhe rebenta&lt;br /&gt;Assim como a fonte à vara:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- “Benedictus Dominus, Deus Israel,&lt;br /&gt;Que visitou o seu povo,&lt;br /&gt;Remiu o seu povo&lt;br /&gt;E levantou o altar da nossa salvação em casa de seu servo David,&lt;br /&gt;Sicut locutus est per os sanctorum,&lt;br /&gt;Qui olim fuerunt,&lt;br /&gt;Para nos livrar da mão dos nossos inimigos”,&lt;br /&gt;E o mais que disse o velho Zacarias&lt;br /&gt;Ex-mudo como o parvo ante a velhinha estéril&lt;br /&gt;Mas sem papas na língua agora que o menino mexe,&lt;br /&gt;E ele, como o outro que diz, fala pelos cotovelos,&lt;br /&gt;Amplo de graves e de agudos como um órgão&lt;br /&gt;E zoando ao vento como o moinho ou o decacórdio&lt;br /&gt;Na cita do seu João:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- “Et tu, puer,&lt;br /&gt;Profeta do Altíssimo serás chamado”...&lt;br /&gt;Para que fosse abrindo ao Senhor seus caminhos&lt;br /&gt;E dando ao seu povo a ciência do salvar&lt;br /&gt;E a remissão dos pecados, et coetera,&lt;br /&gt;E iluminasse aqueles por lá da sombra da morte:&lt;br /&gt;“Ut dirigat pedes nostros in viam pacis”.&lt;br /&gt;Os nossos pés direitos na estradada paz, imagine-se!&lt;br /&gt;Os nossos pés no caminho e no endireito da paz...&lt;br /&gt;Como é? Repete, velho salamurdo e santo!&lt;br /&gt;“Ut dirigat pedes nostros in viam pacis”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Gloria. (Com “Sicut erat”).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Amen. &lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;Vitorino Nemésio, Cântico de Véspera&lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;(Silva Pereira)&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6996408022636835207-5238390244151404776?l=obompastordiocesebraga.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://obompastordiocesebraga.blogspot.com/feeds/5238390244151404776/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6996408022636835207&amp;postID=5238390244151404776' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6996408022636835207/posts/default/5238390244151404776'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6996408022636835207/posts/default/5238390244151404776'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://obompastordiocesebraga.blogspot.com/2008/12/advento.html' title='Advento'/><author><name>obompastor</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08085080511645471150</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='33' height='32' src='http://www.pime.org.br/pimenet/imagens/mmjunejul2003-f31-a.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_K_i7t9i5bp8/SUq_UzdYJaI/AAAAAAAAAKE/q0mVfoom7xM/s72-c/El+Greco,+S.Jo%C3%A3o+Batista.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6996408022636835207.post-9176663169081146557</id><published>2008-12-03T15:26:00.001Z</published><updated>2008-12-03T15:29:01.115Z</updated><title type='text'>Pirilampo</title><content type='html'>&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_K_i7t9i5bp8/STaln90pGaI/AAAAAAAAAJ0/K7c9Rld3W6s/s1600-h/Pirilampo_mini.gif"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5275586119539956130" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 320px; CURSOR: hand; HEIGHT: 200px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_K_i7t9i5bp8/STaln90pGaI/AAAAAAAAAJ0/K7c9Rld3W6s/s320/Pirilampo_mini.gif" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;O povo das Beiras que não sabe grego chama-lhe, com propriedade que os Morais, os Torrinhas, os Morenos invejariam, chama-lhes luze-cu. É um bichinho de cauda radiante. Nas noites búzias em que a lua, por detrás dos pinheiros, negaceia e pouco alumia, acende ele o seu farolim. Parece uma gota de luz caída dos espaços, e os outros insectos devem orientar-se por ela ou, como nós, sentir curiosidade por tão estranho fenómeno. O mais estranho é que o bichinho tem pleno domínio da luzinha que lhe coube em sorte. Acende-a pacificamente, mas apaga-a se for atacado; alumia os dignos e furta-a aos maléficos.&lt;br /&gt;Há momentos, num muro musguento, estive a ver a luzinha admirável que se ia deslocando ao ritmo do seu sono. Se tudo neste Universo tem préstimo e função, a que obedecerá este fogo radiante?&lt;br /&gt;Sendo pequenino o bicho, deve ser idêntico o motivo ao que leva os cantoneiros a pôr uma luz nos boqueirões das estradas danificadas. O pirilampo não quer ser atropelado e dá sinal de si: passem de largo os apressados. Ou será para se alumiar a si próprio e se guiar na colheita da alimentação?&lt;br /&gt;Quanto mais torva é a noite mais brilha a gotazinha estelar. As aves insectívoras não fazem vida nocturna, senão seria um perigo acusar-se tão a pleno dos bicos vorazes. Poisadas e dormentes nos ramos altos, as aves devem perguntar-se pela razão de ser desta maravilha. Lá em cima, as estrelas são iguais, deve ser qualquer delas, trazida por sopro de vento. E metendo o bico debaixo da asa adormecem com o caso solucionado.&lt;br /&gt;Escasseiam, mas ainda existem, humanos com alma de pirilampo. Irradiam uma luzinha pacífica na noite do mistério que nos envolve. Acontece-nos sentir um grato bem-estar junto de certas pessoas que irradiam conhecimentos, conselhos sem segundas intenções, e se calam depois numa aceitação cordial da vida e da morte sem birra nem acinte. São homens destes que constelam a nossa noite secular com um lucilar a que assomamos enlevados.&lt;br /&gt;Há uma poesia de um poeta brasileiro que nos manda fazer o seguinte: se não podemos arder em alta labareda que os outros aqueça e encaminhe, acendamos uma fogueira no alto do monte na possibilidade de haver um caminheiro extraviado na savana que deste modo se reoriente. Quando tudo em redor de nós escurece, uma simples gota de luz é um favor sem preço.&lt;br /&gt;Cada um de nós devia levar uma luzinha acesa em pavio próprio, uma luzinha original, irradiação de personalidade inconfundível. “Sê tu, no reino de todos os declínios” recomendou um pirilampo da noite europeia, recomendou Rainer Maria Rilke.&lt;br /&gt;Se cada um de nós fosse o que é, e o fosse com pureza, com autenticidade, teríamos, poisadas na bacidão da terra, as constelações radiantes de caminhos e destinos. O contraste de aparente pequenez do minúsculo pirilampo com o ilimite da escuridão insinua que a qualidade do fogo, o timbre espiritual, aponta outra ordem de grandeza – o da doce qualidade em que se inspiram os que são bons. E não há ninguém que se não enterneça com este pequeno faroleiro e se não deixe ir a observá-lo, a apontá-lo com o dedo, a celebrá-lo na sua faina de alumiar o mundo. E talvez ele julgue que de facto alumia todo o universo; e como a sua intenção profunda é essa – devemos louvá-lo aqui e desejar que muitos de nós imitem este valente, ponham um risco de luz na noite meditativa, façam da vida um pequeno farol. É o que faz o luze-cu beirão, o chinês e o que o australiano vê na parede do seu quintal e o árabe no tope do minarete.&lt;br /&gt;De qualquer escuridão pode pungir a luzinha silenciosa, animada, vivificante. O pirilampo tem defeitos? Quem o poderá dizer? Assim, quando entre os humanos uma qualidade excelsa irradia de uma pessoa, ofusca-nos para algum possível defeito que possa existir, mas se extingue na luz radiante. Deixemos a gotazinha de luz do pirilampo a brilhar na noite e encher-nos com sua puríssima lição.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;João Maia, O Livro dos Animais &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;[Silva Pereira]&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6996408022636835207-9176663169081146557?l=obompastordiocesebraga.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://obompastordiocesebraga.blogspot.com/feeds/9176663169081146557/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6996408022636835207&amp;postID=9176663169081146557' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6996408022636835207/posts/default/9176663169081146557'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6996408022636835207/posts/default/9176663169081146557'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://obompastordiocesebraga.blogspot.com/2008/12/pirilampo.html' title='Pirilampo'/><author><name>obompastor</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08085080511645471150</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='33' height='32' src='http://www.pime.org.br/pimenet/imagens/mmjunejul2003-f31-a.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_K_i7t9i5bp8/STaln90pGaI/AAAAAAAAAJ0/K7c9Rld3W6s/s72-c/Pirilampo_mini.gif' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6996408022636835207.post-8420884348539411168</id><published>2008-11-19T00:16:00.001Z</published><updated>2008-11-19T00:18:49.267Z</updated><title type='text'>A cotovia</title><content type='html'>&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_K_i7t9i5bp8/SSNbX_h2DvI/AAAAAAAAAJs/iNZbv43mSdo/s1600-h/Cotovia.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 214px; height: 320px;" src="http://3.bp.blogspot.com/_K_i7t9i5bp8/SSNbX_h2DvI/AAAAAAAAAJs/iNZbv43mSdo/s320/Cotovia.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5270156456702119666" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Esse menino que aí vem, no caminho que sobe do rio para a aldeia, a meia manhã – não se assustem – sou eu. Eu disse “rio”, mas talvez fosse melhor dizer “ribeira”, pois a água, lá no fundo dos cômoros, tem um chalrar feminino e roupa lavada a desbanda, além de que o seu nome é Ribeira da Isna.&lt;br /&gt;Pois é verdade: venho do moinho onde meu avô, em torno da pedra alveira, prepara a farinha para as filhós do Natal. A bouça está toda orvalhada. O sol levanta uns fuminhos das plantas rastiças e, embora não aquente, alegra vale e monte e promete aos pastores um dia de Rodrigues Lobo.&lt;br /&gt;Não encontro ninguém no caminho, como tanto desejava, pois haveis de saber que eu sou comunicativo desde que me conheço. Olho para a direita e para a esquerda. De repente, do plaino da esteva roçada levanta-se a pique sobre o céu muito azul uma cotovia; sigo-a, tirando a boina vasca, e oiço-a entornar lá do alto aquelas luminosas notas de música que os campos bebem e comungam, ficando logo mais espirituais.&lt;br /&gt;Ave maravilhosa, tão amiga do sol e da altura como humilde na escolha do sítio onde ninhar… Esse sítio é sempre ao rés de um toro de murta, de esteva velha, de moita ou carqueja. É no chão, abrigado do norte.&lt;br /&gt;Na cotovia tudo é puro, belo, aéreo, até o nome. É por isso que os poetas que sabem o que é bom a deixam voar nos seus versos nas horas melhores, mesmo que a não tenham visto, como eu, na rústica manhã de que vos falo.&lt;br /&gt;Mas espera. A cotovia ergueu-se dali, daquela moita. A manhã vai em meio ou coisa: sozinha não andaria. De facto, mais duas cotovias levantam voo para o sol e soltam espaçadamente as notas puríssimas.&lt;br /&gt;Ninguém sabe o que come a cotovia. Só de luz não viverá, mas parece. Não incomoda ninguém – bicho ou homem. Arreda-se um tudo-nada da aldeia, mas saúda quem passa no caminho. Ouvi-la é sentir a alegria do céu a tocar a terra.&lt;br /&gt;Quando poisada, rodeia-se sempre de um tufo de mato, e moireja a vidinha tão discretamente que ninguém saberá ao certo dizer como agencia o seu pratinho. Nem o cascão, que é metediço, a acusou alguma vez de um roubo. Persegue-a, mas ela sobrevoa-o e entorna-lhe na cabeçorra de arrenegado o óleo fula do seu canto, e apazigua-o como a harpa de David pacificava Saul.&lt;br /&gt;A cotovia é feminina cem por cento. Até no nome, que vale para os dois. Vê-la de manhã, dispõe bem para todo o dia. Lá nos meus sítios virgilianos e bíblicos, muito mofino há-de ser quem tirar um ninho de cotovia. Eu, que me tenho de confessar de outras depredações, nunca tirei nenhum. Achei um, mas não o tirei. Olhei tanto para os três ovos que ele tinha que parece que ainda os tenho aqui dentro da retina.&lt;br /&gt;As virtudes desta ave são como as de certas pessoas ou como as da luz. Gostamos delas, as suas graças fazem uma tal unidade que não se podem migar em palavras. Quando queremos falar de uma virtude, vem o ser todo agarrado.&lt;br /&gt;A cotovia, Deus me perdoe, tem algo de Nossa Senhora, algo de uma mãe ideal que fosse só mãe e mais nada. O seu canto é como uma palavra puríssima que nos recolhe e levanta, matinal e vespertino, secreto como a luz, misterioso como ela. A psicologia da cotovia, quem a leva dentro da alma não tenha dúvida que leva um tesoiro sem preço.&lt;br /&gt;Eu, que vi a cotovia naquela manhã de infância, e depois a estudei com algum realismo, tenho-a encontrado ou sonhado dentro de muita gente. Um destes dias, numa artéria de Lisboa, estava eu feito parvo a olhar para um daqueles mamarrachos dentro dos quais cuido que vive a Tristeza, quando um bracito me repuxou a manga. Viro-me e dou com dez réis de gente, duas trancinhas descaídas e um chapelito branco: “O senhor fazia favor de me passar para a outra banda, porque a minha mãezinha não quer que eu atravesse sozinha”. Caí da abstracção idiota e conduzi a cotovia (quero dizer, a pequenita), a qual, no trajecto exíguo, creio que me contou toda a história doméstica, toda a história escolar, rematando que tinha lá uma boneca bonita que nem…&lt;br /&gt;Mas para ver e ouvir uma cotovia – não se esqueçam – é preciso ter dentro da alma qualquer coisa como a pureza da uma manhã rusticana, rociada de bons orvalhos e o amor da infância que se teve…&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;João Maia, O Livro dos Animais&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;[Silva Pereira]&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6996408022636835207-8420884348539411168?l=obompastordiocesebraga.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://obompastordiocesebraga.blogspot.com/feeds/8420884348539411168/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6996408022636835207&amp;postID=8420884348539411168' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6996408022636835207/posts/default/8420884348539411168'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6996408022636835207/posts/default/8420884348539411168'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://obompastordiocesebraga.blogspot.com/2008/11/cotovia.html' title='A cotovia'/><author><name>obompastor</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08085080511645471150</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='33' height='32' src='http://www.pime.org.br/pimenet/imagens/mmjunejul2003-f31-a.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_K_i7t9i5bp8/SSNbX_h2DvI/AAAAAAAAAJs/iNZbv43mSdo/s72-c/Cotovia.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6996408022636835207.post-5573387048383024409</id><published>2008-11-14T22:41:00.003Z</published><updated>2008-11-14T22:51:32.232Z</updated><title type='text'>Palavra-Vida</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://2.bp.blogspot.com/_K_i7t9i5bp8/SR4AOBnFeFI/AAAAAAAAAJk/qtYy932TLc8/s1600-h/Alexei-Von-Jawlensky-Das-Wort-166295.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer; width: 254px; height: 320px;" src="http://2.bp.blogspot.com/_K_i7t9i5bp8/SR4AOBnFeFI/AAAAAAAAAJk/qtYy932TLc8/s320/Alexei-Von-Jawlensky-Das-Wort-166295.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5268648855020599378" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;Alexei von Jawlensky - A Palavra&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;!--[if gte mso 9]&gt;&lt;xml&gt;  &lt;w:worddocument&gt;   &lt;w:view&gt;Normal&lt;/w:View&gt;   &lt;w:zoom&gt;0&lt;/w:Zoom&gt;   &lt;w:hyphenationzone&gt;21&lt;/w:HyphenationZone&gt;   &lt;w:punctuationkerning/&gt;   &lt;w:validateagainstschemas/&gt;   &lt;w:saveifxmlinvalid&gt;false&lt;/w:SaveIfXMLInvalid&gt;   &lt;w:ignoremixedcontent&gt;false&lt;/w:IgnoreMixedContent&gt;   &lt;w:alwaysshowplaceholdertext&gt;false&lt;/w:AlwaysShowPlaceholderText&gt;   &lt;w:compatibility&gt;    &lt;w:breakwrappedtables/&gt;    &lt;w:snaptogridincell/&gt;    &lt;w:wraptextwithpunct/&gt;    &lt;w:useasianbreakrules/&gt;    &lt;w:dontgrowautofit/&gt;   &lt;/w:Compatibility&gt;   &lt;w:browserlevel&gt;MicrosoftInternetExplorer4&lt;/w:BrowserLevel&gt;  &lt;/w:WordDocument&gt; &lt;/xml&gt;&lt;![endif]--&gt;&lt;!--[if gte mso 9]&gt;&lt;xml&gt;  &lt;w:latentstyles deflockedstate="false" latentstylecount="156"&gt;  &lt;/w:LatentStyles&gt; &lt;/xml&gt;&lt;![endif]--&gt;&lt;style&gt; &lt;!--  /* Style Definitions */  p.MsoNormal, li.MsoNormal, div.MsoNormal  {mso-style-update:auto;  mso-style-parent:"";  margin:0cm;  margin-bottom:.0001pt;  text-align:justify;  text-indent:35.45pt;  line-height:150%;  mso-pagination:widow-orphan;  font-size:12.0pt;  font-family:"Times New Roman";  mso-fareast-font-family:"Times New Roman";} @page Section1  {size:595.3pt 841.9pt;  margin:70.85pt 3.0cm 70.85pt 3.0cm;  mso-header-margin:35.4pt;  mso-footer-margin:35.4pt;  mso-paper-source:0;} div.Section1  {page:Section1;} --&gt; &lt;/style&gt;&lt;!--[if gte mso 10]&gt; &lt;style&gt;  /* Style Definitions */  table.MsoNormalTable  {mso-style-name:"Tabela normal";  mso-tstyle-rowband-size:0;  mso-tstyle-colband-size:0;  mso-style-noshow:yes;  mso-style-parent:"";  mso-padding-alt:0cm 5.4pt 0cm 5.4pt;  mso-para-margin:0cm;  mso-para-margin-bottom:.0001pt;  mso-pagination:widow-orphan;  font-size:10.0pt;  font-family:"Times New Roman";  mso-ansi-language:#0400;  mso-fareast-language:#0400;  mso-bidi-language:#0400;} &lt;/style&gt; &lt;![endif]--&gt;“À palavra é atribuído, em geral, um poder. Este atinge o seu mais alto grau, quando recebe uma significação ontológica. Um poder de criar, isto é, de instituir no ser, em que o nomear as coisas tem a propriedade de as fazer existir. Esta capacidade ontológica de a palavra conferir o ser ao que nomeia, reserva-se a Deus. Nisso consiste a sua omnipotência, uma omnipotência da palavra – palavra que, só por si, faz surgir do nada aquilo que chama à existência, pelo simples som da sua voz, submetendo-a aos detalhes da sua organização. Neste domínio, Deus não tardou em ter émulos ou rivais. À semelhança de Deus, o artista moderno gaba-se de ser criador. Criador de uma obra eventualmente mais rica, mais surpreendente, seguramente mais nova do que a natureza criada por Deus. Desta forma, o artista poderia sobrepor-se a Deus pelo seu génio inventivo ou pela sua sofisticação. No caso do escritor, o poder das palavras para representar mundos desconhecidos é ainda mais evidente.&lt;br /&gt;A analogia entre criação divina e o acto criador do artista moderno é um dos lugares comuns da crítica do nosso tempo. A sua pressuposição ingénua e simulada manifesta-se-nos, agora. A palavra que serve de protótipo à ideia de criação estética ou divina é a palavra do mundo – a palavra que nomeia os objectos trá-los à visibilidade mundana, para a exterioridade. O que caracteriza uma tal palavra é a sua incapacidade principial para conduzir à experiência efectiva aquilo que anuncia. Daí o carácter propriamente mágico que reveste, quando se pretende fazê-la representar esse papel. A magia consiste nisto: pronunciar palavras, inteligíveis se possível, às quais é atribuído o poder de criar uma realidade, a qual as palavras, enquanto significações vazias, são incapazes de produzir.&lt;br /&gt;...A Palavra da Vida não fala só no começo: ela fala no vivente. A Palavra da Vida anuncia o viver do vivente e é esse viver que é dito na Palavra. Desta forma a Vida gera o vivente, dando-lhe a vida, permitindo-lhe auto-revelar-se na sua auto-revelação… Assim, cada vivente, enquanto vive, só vive da Palavra da Vida. A Palavra da Vida diz-lhe o seu próprio viver.”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Michel Henry, &lt;i style=""&gt;Eu sou a verdade&lt;/i&gt;, Ed. Vega, 1998, 222-224.&lt;/div&gt;     &lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6996408022636835207-5573387048383024409?l=obompastordiocesebraga.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://obompastordiocesebraga.blogspot.com/feeds/5573387048383024409/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6996408022636835207&amp;postID=5573387048383024409' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6996408022636835207/posts/default/5573387048383024409'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6996408022636835207/posts/default/5573387048383024409'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://obompastordiocesebraga.blogspot.com/2008/11/palavra-vida.html' title='Palavra-Vida'/><author><name>obompastor</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08085080511645471150</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='33' height='32' src='http://www.pime.org.br/pimenet/imagens/mmjunejul2003-f31-a.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_K_i7t9i5bp8/SR4AOBnFeFI/AAAAAAAAAJk/qtYy932TLc8/s72-c/Alexei-Von-Jawlensky-Das-Wort-166295.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6996408022636835207.post-4300169457186307485</id><published>2008-11-14T01:14:00.006Z</published><updated>2008-11-14T01:32:57.072Z</updated><title type='text'>Viver em tudo a paz do coração</title><content type='html'>&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;em&gt;Viver em tudo a paz do coração&lt;/em&gt; é o título de um livro do Irmão Roger, de Taizé, publicado há poucos meses pelas Paulinas. Na apresentação, afirma o autor que, "quando o desencanto se apodera de nós e os nossos passos se tornam pesados e penosos, quando a bela esperança humana se apaga, a paz do coração é mais indispensável do que nunca". Diz o Irmão Roger que, "com muito pouco, por vezes com algumas palavras que nos conduzem ao essencial, é possível, na continuidade dos dias, construirmo-nos interiormente".&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;em&gt;Viver em tudo a paz do coração&lt;/em&gt; apresenta um texto breve para cada dia. "Jesus Ressuscitado, mistério de uma presença, Tu nunca desejas para nós o tormento, mas revestes-nos da Tua paz. E a alegria do Evangelho vem tocar-nos até ao fundo da alma", diz o correspondente ao dia de hoje.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Podem ser considerados, sobretudo, meditações ou orações, por exemplo. Sejam como forem, estes textos encontram-se sempre, de facto, no coração do que é essencial.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;[EJML]&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6996408022636835207-4300169457186307485?l=obompastordiocesebraga.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://obompastordiocesebraga.blogspot.com/feeds/4300169457186307485/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6996408022636835207&amp;postID=4300169457186307485' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6996408022636835207/posts/default/4300169457186307485'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6996408022636835207/posts/default/4300169457186307485'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://obompastordiocesebraga.blogspot.com/2008/11/viver-em-tudo-paz-do-corao.html' title='Viver em tudo a paz do coração'/><author><name>obompastor</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08085080511645471150</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='33' height='32' src='http://www.pime.org.br/pimenet/imagens/mmjunejul2003-f31-a.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6996408022636835207.post-4368263061217991937</id><published>2008-10-31T23:46:00.002Z</published><updated>2008-10-31T23:49:07.077Z</updated><title type='text'>A todos os santos no seu dia</title><content type='html'>&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_K_i7t9i5bp8/SQuZUcKocSI/AAAAAAAAAJU/_D6COgsShKQ/s1600-h/Fra+Angelico.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5263469165949776162" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 320px; CURSOR: hand; HEIGHT: 309px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_K_i7t9i5bp8/SQuZUcKocSI/AAAAAAAAAJU/_D6COgsShKQ/s320/Fra+Angelico.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Para comemorar o dia de todos os santos, coloco hoje este belíssimo poema. Belíssimo pela extrema simplicidade e pela piedade que revela, pela profunda consciência do que é a comunhão dos santos. Tão belo que mereceu fazer parte do Breviário que os sacerdotes, e não só, todos os dias rezam.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;SONETO&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Companheiros de Cristo, que plantastes&lt;br /&gt;No mundo a sua fé, nada temendo,&lt;br /&gt;E a verdade, que fostes estendendo,&lt;br /&gt;Com obras milagrosas confirmastes;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mártires, que por ele derramastes&lt;br /&gt;O vosso sangue, alegres padecendo;&lt;br /&gt;Doutores, que pregando e escrevendo,&lt;br /&gt;O caminho do céu nos ensinastes;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Virgens, que em vossa verde e tenra idade,&lt;br /&gt;Por seu amor sofrestes ferro e fogo;&lt;br /&gt;A todos peço, neste vosso dia,&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Que todos me ajudeis com vosso rogo,&lt;br /&gt;Diante da divina majestade,&lt;br /&gt;Tomando por terceira a Virgem pia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Diogo Bernardes, &lt;em&gt;Rimas Várias, Flores do Lima&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;[Silva Pereira]&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6996408022636835207-4368263061217991937?l=obompastordiocesebraga.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://obompastordiocesebraga.blogspot.com/feeds/4368263061217991937/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6996408022636835207&amp;postID=4368263061217991937' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6996408022636835207/posts/default/4368263061217991937'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6996408022636835207/posts/default/4368263061217991937'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://obompastordiocesebraga.blogspot.com/2008/10/todos-os-santos-no-seu-dia.html' title='A todos os santos no seu dia'/><author><name>obompastor</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08085080511645471150</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='33' height='32' src='http://www.pime.org.br/pimenet/imagens/mmjunejul2003-f31-a.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_K_i7t9i5bp8/SQuZUcKocSI/AAAAAAAAAJU/_D6COgsShKQ/s72-c/Fra+Angelico.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6996408022636835207.post-7034553018553857783</id><published>2008-10-01T15:05:00.001+01:00</published><updated>2008-10-01T15:08:45.735+01:00</updated><title type='text'>Moral Racional II</title><content type='html'>&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_K_i7t9i5bp8/SOOEWS-qH1I/AAAAAAAAAIc/eq8XhUZDUFs/s1600-h/Miguel+%C3%82ngelo,+Mois%C3%A9s.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5252187109030764370" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_K_i7t9i5bp8/SOOEWS-qH1I/AAAAAAAAAIc/eq8XhUZDUFs/s320/Miguel+%C3%82ngelo,+Mois%C3%A9s.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Para além da questão da compatibilidade entre ética religiosa e ética secular, uma outra, particularmente importante, tem sido bastante discutida nos últimos tempos: a de saber se a ética religiosa – mais concretamente, a ética cristã, a que passo a referir-me – difere ou não, quanto ao conteúdo, da ética puramente racional ou “humana”.&lt;br /&gt;Deixando de lado certas precisões que requeririam mais amplos desenvolvimentos, parece haver consenso generalizado na afirmação da substancial identidade de conteúdo quanto às normas operativas. Tudo o que se preceitua em nome do Deus de Jesus Cristo pode justificar-se do ponto de vista da verdade do homem, e tudo o que a recta razão humana prescreve é coerente com a verdade da fé cristã. Do ponto de vista de conteúdos normativos, não haveria uma aportação específica do Cristianismo à ética. O Cristianismo deixa subsistir a moral humana na sua autonomia, mas “transfigura” esta moral(X. Thévenot). A “diferença” cristã não se traduz em normas éticas que só pertencem ao Cristianismo; a lei do Cristianismo assume a lei natural. A teonomia funda a autonomia humana e põe-na no seu lugar quando tende a idolatrar-se. A moral cristã poderá sempre apresentar razões das suas posições, razões acessíveis a qualquer não cristão ou não crente, uma vez que, segundo S. Tomás, Suárez, Domingos de Soto e muitos outros autores escolásticos, todos os preceitos morais se encontram na lei moral natural&lt;a title="" style="mso-footnote-id: ftn1" href="http://www.blogger.com/post-create.g?blogID=6996408022636835207#_ftn1" name="_ftnref1"&gt;[1]&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Contrariamente ao que talvez algumas pessoas pensem, não se encontram nos textos da Revelação judaico-cristã normas determinadas(preceitos concretos) acerca de todos os problemas morais, muito menos dos mais modernos, nomeadamente os que são estudados em bioética. Mais: num certo sentido, não se encontram na Escritura nenhumas normas morais operativas&lt;a title="" style="mso-footnote-id: ftn2" href="http://www.blogger.com/post-create.g?blogID=6996408022636835207#_ftn2" name="_ftnref2"&gt;[2]&lt;/a&gt;, entendendo por tal normas que são suficientes para dirigir a prática.&lt;br /&gt;E não só isso: mesmo nos casos em que tal parece acontecer – ou seja, nos casos em que parecem encontrar-se na Escritura normas morais concretas - serão de evitar, na leitura dessas passagens, tendências fundamentalistas desrespeitadoras das mais elementares exigências da exegese, desatendendo, nomeadamente, à diferença entre discurso doutrinal e discurso parenético ou exortatório: as exortações morais que encontramos na Escritura – sede generosos, esmoleres, solícitos do bem dos irmãos, etc., - não são imediatamente praticáveis, cabendo a cada um ver e decidir, em cada contexto de circunstâncias em que se encontrar, se é momento de dar esmola, de estar no lugar de trabalho ou em convívio familiar, etc.&lt;br /&gt;É indiscutível que o cristão recebe da Revelação uma luz – a “luz do Evangelho” a que se refere a Constituição Gaudium et Spes (nº 46) do Vaticano II – e uma graça que são, certamente, de grande ajuda, mas que não lhe fornecem directamente qualquer norma concreta de agir nem lhe poupam o trabalho de reflexão, ponderação e informação, requerido aos seus semelhantes não cristãos. Significativamente, o citado documento do Vaticano II associa à luz do Evangelho a experiência humana: “o Concílio dirige agora a atenção de todos, à luz do Evangelho e da experiência humana, para algumas necessidades mais urgentes do nosso tempo”.&lt;br /&gt;Uma palavra se deverá ainda dizer acerca do papel do Magistério na determinação da moral cristã e das suas aplicações aos problemas que vão surgindo. Tema vasto e que importaria tratar com maior desenvolvimento. Na impossibilidade de o fazer convenientemente neste momento, limito-me a chamar a atenção para um ponto que me parece de especial importância, embora nem sempre seja suficientemente atendido. Refiro-me à notável diferença, já acima referida, que existe entre discurso ou proposições de fé e proposições morais e, em consequência de tal diferença, à diferente autoridade doutrinal do Magistério, num e noutro campo&lt;a title="" style="mso-footnote-id: ftn3" href="http://www.blogger.com/post-create.g?blogID=6996408022636835207#_ftn3" name="_ftnref3"&gt;[3]&lt;/a&gt;.&lt;br /&gt;Notemos o seguinte: uma vez que a fé exige anuência a uma dimensão da realidade que seria incognoscível sem a Revelação, a sua expressão tem de recorrer a conceitos análogos, não unívocos. As proposições normativas que regulam o agir humano, pelo contrário, deverão ter carácter unívoco. Existem mistérios da fé, mas não pode haver normas éticas misteriosas, normas cujo conteúdo obrigatório se não possa determinar positiva, compreensível e univocamente com vistas ao agir humano. É de fundamental relevância essa diferença formal entre artigos de fé e sentenças de ética normativa. Compreender o que se deve fazer é parte constitutiva do agir humano responsável, apesar de ser apenas um dos seus aspectos, embora fundamental.&lt;a title="" style="mso-footnote-id: ftn4" href="http://www.blogger.com/post-create.g?blogID=6996408022636835207#_ftn4" name="_ftnref4"&gt;[4]&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Em consequência desta diferença entre proposição de fé e proposição moral, a competência do Magistério em matéria de ética normativa do agir intra-mundano não é a mesma que em matéria de fé. Como acertadamente observa Franz Böckle, “qualquer decisão doutrinal sobre determinada questão objectiva da razão ética não pode ser imposta obrigatoriamente mediante simples acto da autoridade, mas, por princípio, há-de ser demonstrável através de argumentos”;&lt;a title="" style="mso-footnote-id: ftn5" href="http://www.blogger.com/post-create.g?blogID=6996408022636835207#_ftn5" name="_ftnref5"&gt;[5]&lt;/a&gt; e acrescenta com razão: “os argumentos pesam tanto quanto provam”.&lt;br /&gt;O que de modo algum significa ignorar ou minimizar a inegável importância da intervenção do Magistério na clarificação das exigências morais. Reafirmando essa importância - por diversas razões que, de momento, não explicito -, penso dever manter a afirmação de que a competência do Magistério em matéria moral não é a mesma que em matéria de fé, e que as suas afirmações têm fundamentalmente o valor das razões que apresenta – razões de si acessíveis à mente humana, sem recurso à Revelação.&lt;a title="" style="mso-footnote-id: ftn6" href="http://www.blogger.com/post-create.g?blogID=6996408022636835207#_ftn6" name="_ftnref6"&gt;[6]&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Do que acima ficou brevemente dito, parece-me poder-se concluir que não podem ser objecto de definição dogmática opiniões morais operativas concretas.&lt;a title="" style="mso-footnote-id: ftn7" href="http://www.blogger.com/post-create.g?blogID=6996408022636835207#_ftn7" name="_ftnref7"&gt;[7]&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Termino mencionando – apenas mencionando – um último assunto, que não deveria ser omitido numa consideração suficientemente completa do tema do presente artigo: refiro-me ao problema – aos problemas, seria melhor dizer – que o pluralismo de opiniões morais, vigente nas nossas sociedades, constitui e que se reflecte, nomeadamente, no trabalho das Comissões de Ética e na actividade dos legisladores.&lt;br /&gt;Embora sem o tratar, não podia deixar de o mencionar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Roque Cabral S. J., em Brotéria 166(Fevereiro 2008)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a title="" style="mso-footnote-id: ftn1" href="http://www.blogger.com/post-create.g?blogID=6996408022636835207#_ftnref1" name="_ftn1"&gt;[1]&lt;/a&gt; Suma Teológica 1-2,100, 1 e 108, 2 ad lum.&lt;br /&gt;&lt;a title="" style="mso-footnote-id: ftn2" href="http://www.blogger.com/post-create.g?blogID=6996408022636835207#_ftnref2" name="_ftn2"&gt;[2]&lt;/a&gt; J. Blank, “Considerações sobre o problema das 'normas éticas' no NT”, Concilium 5(1967),10-12; Josef Fuchs, Etica cristiana in una società secolarizzata, Roma, Piemme, 1984; D. Mieth, F. Compagnoni (Hrsg.), Ethik im Kontext des Glaubens, Freibug i. Br., 1978.&lt;br /&gt;&lt;a title="" style="mso-footnote-id: ftn3" href="http://www.blogger.com/post-create.g?blogID=6996408022636835207#_ftnref3" name="_ftn3"&gt;[3]&lt;/a&gt; Franz Böckle, “Fé e Ato”, Concilium 10(1976), 1147-1158.&lt;br /&gt;&lt;a title="" style="mso-footnote-id: ftn4" href="http://www.blogger.com/post-create.g?blogID=6996408022636835207#_ftnref4" name="_ftn4"&gt;[4]&lt;/a&gt; Ibidem, 1150-1151.&lt;br /&gt;&lt;a title="" style="mso-footnote-id: ftn5" href="http://www.blogger.com/post-create.g?blogID=6996408022636835207#_ftnref5" name="_ftn5"&gt;[5]&lt;/a&gt; Ibidem, 1156.&lt;br /&gt;&lt;a title="" style="mso-footnote-id: ftn6" href="http://www.blogger.com/post-create.g?blogID=6996408022636835207#_ftnref6" name="_ftn6"&gt;[6]&lt;/a&gt; O que também não equivale a negar a necessidade moral da Revelação para se chegar – com segurança e relativa facilidade, como se referiu o Vaticano I – a certas compreensões que de si não ultrapassam a capacidade da razão humana; e menos significa ignorar a necessidade da graça sanante para o conhecimento. Como muitos moralistas, penso que a tradição teológica afirma que a moral da revelação é a verdadeira moral da razão, confirmada, precisamente, desse modo. Assim leio, por exemplo, o que diz S. Tomás acerca da lei divina (Suma Teológica 1-2, 98ss), seguido por autores da Segunda Escolástica como Domingos de Soto e Francisco Suárez.&lt;br /&gt;&lt;a title="" style="mso-footnote-id: ftn7" href="http://www.blogger.com/post-create.g?blogID=6996408022636835207#_ftnref7" name="_ftn7"&gt;[7]&lt;/a&gt; Embora não tratando directamente deste assunto, são muito esclarecedoras as páginas em que J. Fuchs – adoptando uma posição diferente da que exprimira em Lex Naturae(1955), pp. 158ss. e Theologia Moralis Generalis I (1963), p. 85 – examina se as verdades morais são ou não “verdades de salvação”: “Verità morali – vertà di salveza?”, c. IV de Etica cristiana in una società secolarizzata&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;[Silva Pereira]&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6996408022636835207-7034553018553857783?l=obompastordiocesebraga.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://obompastordiocesebraga.blogspot.com/feeds/7034553018553857783/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6996408022636835207&amp;postID=7034553018553857783' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6996408022636835207/posts/default/7034553018553857783'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6996408022636835207/posts/default/7034553018553857783'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://obompastordiocesebraga.blogspot.com/2008/10/moral-racional-ii.html' title='Moral Racional II'/><author><name>obompastor</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08085080511645471150</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='33' height='32' src='http://www.pime.org.br/pimenet/imagens/mmjunejul2003-f31-a.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_K_i7t9i5bp8/SOOEWS-qH1I/AAAAAAAAAIc/eq8XhUZDUFs/s72-c/Miguel+%C3%82ngelo,+Mois%C3%A9s.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6996408022636835207.post-5616617855683333891</id><published>2008-09-30T02:02:00.003+01:00</published><updated>2008-09-30T02:49:46.162+01:00</updated><title type='text'>A missa segundo Adélia Prado</title><content type='html'>Poeta e prosadora, Adélia Prado é, com certeza, uma das mais extraordinárias escritoras de língua portuguesa. Tem 71 anos, é brasileira e católica. E no final do ano passado falou sobre a linguagem poética e a linguagem religiosa em Aparecida, São Paulo, no âmbito de uma iniciativa que se intitulou “Vozes da Igreja”. “Missa é como um poema, não suporta enfeite nenhum”, disse ela na ocasião, segundo o relato da Agência Zenit datado do dia 2 de Dezembro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A missa, afirmou a escritora, ”é a coisa mais absurdamente poética que existe. É o absolutamente novo sempre. É Cristo se encarnando, tendo a sua Paixão, morrendo e ressuscitando. Nós não temos de botar mais nada em cima disso, é só isso”. Às vezes, parece que não é só isso: “Olha, gente, têm algumas celebrações em que a gente sai da igreja com vontade de procurar um lugar para rezar”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Contou a Agência Zenit que, ao propor a discussão do resgate da beleza nas celebrações litúrgicas, Adélia Prado reconheceu que essa é uma preocupação que a tem ocupado há muitos anos: “Como cristã de confissão católica, eu acredito que tenho o dever de não ignorar a questão”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A questão do canto usado na liturgia mereceu a atenção da escritora, que julga que muitas vezes ele não ajuda a rezar. “O canto não é ungido, ele é feito, fazido, fabricado. É indispensável redescobrir o canto oração”. Adélia Prado sublinhou que “o canto barulhento, com instrumentos ruidosos, os microfones altíssimos, não facilita a oração, mas impede o espaço de silêncio, de serenidade contemplativa”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Explica a autora de &lt;em&gt;Solte os Cachorros&lt;/em&gt;, título de uma das suas obras editadas em Portugal, “a palavra foi inventada para ser calada. É só depois que se cala que a gente ouve. A beleza de uma celebração e de qualquer coisa, a beleza da arte, é puro silêncio e pura audição”. E o que sucede é que “nós não encontramos mais em nossas igrejas o espaço do silêncio. Eu estou falando da minha experiência, queira Deus que não seja essa a experiência aqui”. “Parece que há um horror ao vazio. Não se pode parar um minuto”, observa Adélia Prado, que insiste: “Não há silêncio. Não havendo silêncio, não há audição. Eu não ouço a palavra, porque eu não ouço o mistério, e eu estou celebrando o mistério”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para a escritora, “muitos procedimentos nossos são uma tentativa de domesticar aquilo que é inefável, que não pode ser domesticado, que é o absolutamente outro”. É por o indizível ser de imensa magnitude que faltam as palavras. “E não ter palavras significa o quê? Que existe algo inefável e que eu devo tratar com toda reverência”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“A liturgia celebra o quê?” À pergunta que formulou, Adélia Prado deu também uma resposta: “O mistério. E que mistério é esse? É o mistério de uma criatura que reverencia e se prostra diante do Criador. É o humano diante do divino. Não há como colocar esse procedimento num nível de coisas banais ou comuns”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Supor que, para aproximar o povo de Deus, se deve falar o que se julga ser a linguagem do povo, é algo que considera errado pelo que a seguir explica: “Mas o que é a linguagem do povo? É aí que mora o equívoco”. É que não há ninguém que se aproxime com maior reverência do mistério de Deus do que o próprio povo, afirmou, sublinhando que “o próprio povo é aquele que mais tem reverência pelo sagrado e pelo mistério”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E pergunta Adélia Prado: “Como é que eu posso oferecer a esse povo uma música sem unção, orações fabricadas, que a gente vê tão multiplicadas e colocadas nos bancos das igrejas, e que nada têm a ver com essa magnitude que é o homem, humano, pecador, aproximar-se do mistério?”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Barateou-se”, prossegue a escritora, o espaço do sagrado e da liturgia “com letras feias, com músicas feias, comportamentos vulgares na igreja”. Adélia Prado dá alguns exemplos do empobrecimento litúrgico. “Está tão banalizado isso tudo nas nossas igrejas que até o modo de falar de Deus a gente mudou. Fala-se o “Chefão”, “Aquele lá de cima”, o “Paizão”, o “Companheirão”. “Deus não é um ‘Companheirão’, ele não é um ‘Paizão’, ele não é um ‘Chefão’. Eu estou falando de outra coisa. Então há a necessidade de uma linguagem diferente, para que o povo de Deus possa realmente experimentar ou buscar aquilo que a Palavra está anunciando”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A linguagem religiosa “é a linguagem da criatura reconhecendo que é criatura, que Deus não é manipulável, e que eu dependo dele para mover a minha mão”. Com esse espírito, diz Adélia Prado, “a nossa Igreja pode criar naturalmente ritos e comportamentos, cantos absolutamente maravilhosos, porque verdadeiros”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Insistindo em que a missa é como um poema e que não suporta enfeites, Adélia Prado considera que a celebração da Eucaristia é perfeita na sua simplicidade. “Nós colocamos enfeites, cartazes por todo lado, procissão disso, procissão daquilo, procissão do ofertório, procissão da Bíblia, palmas para Jesus. São coisas que vão quebrando o ritmo. E a missa tem um ritmo, é a liturgia da Palavra, as ofertas, a consagração… então ela é inteirinha”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Afirma Adélia Prado: “A arte a gente não entende. Fé a gente não entende. É algo dirigido à terceira margem da alma, ao sentimento, à sensibilidade. Não precisa inventar nada, nada, nada”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eduardo Jorge Madureira Lopes&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6996408022636835207-5616617855683333891?l=obompastordiocesebraga.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://obompastordiocesebraga.blogspot.com/feeds/5616617855683333891/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6996408022636835207&amp;postID=5616617855683333891' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6996408022636835207/posts/default/5616617855683333891'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6996408022636835207/posts/default/5616617855683333891'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://obompastordiocesebraga.blogspot.com/2008/09/missa-segundo-adlia-prado.html' title='A missa segundo Adélia Prado'/><author><name>obompastor</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08085080511645471150</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='33' height='32' src='http://www.pime.org.br/pimenet/imagens/mmjunejul2003-f31-a.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6996408022636835207.post-7576261596061011678</id><published>2008-09-25T23:26:00.001+01:00</published><updated>2008-09-25T23:29:49.131+01:00</updated><title type='text'>Encontro de Bento XVI com o mundo da cultura, em Paris</title><content type='html'>&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_K_i7t9i5bp8/SNwQwz44vgI/AAAAAAAAAIU/ltA4rtHDRAU/s1600-h/papa+bernardins.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5250089696355728898" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_K_i7t9i5bp8/SNwQwz44vgI/AAAAAAAAAIU/ltA4rtHDRAU/s320/papa+bernardins.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Partindo do monaquismo e da sua busca de Deus, Bento XVI, reconhecendo que os monges não queriam criar uma cultura nova nem conservar uma cultura do passado, afirma que o objectivo deles era muito simples: «no meio da confusão daqueles tempos, em que nada parecia resistir, os monges desejavam a coisa mais importante: dedicarem-se a encontrar aquilo que tem valor e permanece sempre, ou seja, encontrar a própria vida». O seu ser estava voltado para a «escatologia», não no sentido cronológico da palavra, mas no sentido existencial: aquilo que está por detrás do provisório, aquilo que é definitivo. E o caminho para lá chegarem era a Palavra, oferecida aos homens nos livros da Escritura. Por isso: «a busca de Deus requer, intrinsecamente, uma cultura da palavra… O desejo de Deus compreende o amor das letras, o amor da palavra, a sua exploração em todas as dimensões. Dado que na palavra bíblica, Deus está em caminho para nós e nós para Ele, os monges deviam aprender a penetrar os segredos da língua, a compreendê-la na sua estrutura e nos seus usos. Desta forma, por causa da busca de Deus, as ciências profanas, que nos indicam os caminhos para a língua, tornavam-se importantes. Por esta razão, a biblioteca e a escola faziam parte integrante do mosteiro. Estes dois locais abriam concretamente um caminho para a palavra. São Bento chamava ao mosteiro uma escola de serviço do Senhor. «A escola e a biblioteca asseguravam a formação da razão e a erudição, com base na qual o homem aprende a perceber no meio das palavras, a Palavra».&lt;br /&gt;O papa convida, de seguida, a dar mais um passo suplementar: «A Palavra que abre o caminho da busca de Deus e que é, ela mesma esse caminho, é uma Palavra que faz nascer uma comunidade… A Palavra não nos conduz unicamente no caminho de uma mística individual. Introduz-nos na comunidade de todos aqueles que caminham na fé. Por isso é preciso reflectir, não apenas na Palavra, mas lê-la de maneira justa. Tal como na escola rabínica, entre os monges, a leitura realizada por um deles é igualmente um acto corporal. ‘A maior parte das vezes, quando o ler e a lectio são utilizadas sem especificação, designam uma actividade que, tal como o canto e a escrita, ocupa todo o corpo e todo o espírito’, diz Dom Leclercq.»&lt;br /&gt;É preciso ainda dar outro passo. «A Palavra de Deus introduz-nos ela própria num diálogo com Ele. O Deus que fala na Bíblia ensina-nos como Lhe podemos falar. Sobretudo nos Salmos, dá-nos as palavras com que nos podemos dirigir a Ele. Neste diálogo, nós apresentamos-Lhe a nossa vida, com os seus altos e os seus baixos, e transformamo-la num movimento para Ele. Os Salmos contêm, em muitos locais, instruções sobre a maneira como devem ser cantados e acompanhados pelos instrumentos musicais. Para rezar com base na Palavra de Deus, não basta a simples labialização. A música é necessária. Dois cânticos da liturgia cristã derivam de textos bíblicos que os colocam nos lábios dos Anjos: o Glória, que é cantado uma primeira vez pelos Anjos no nascimento de Jesus, e o Sanctus que, segundo Isaías 6, é a aclamação dos Serafins, que estão na proximidade imediata de Deus. A esta luz, a Liturgia cristã é um convite a cantar com os anjos e a dar à palavra a sua mais alta função: - cantar, na oração comunitária, na presença de toda a corte celeste, e, assim, estar submetido à medida suprema: rezar e cantar para se unir à música dos espíritos sublimes, que eram considerados como os autores da harmonia do cosmos, da música das suas esferas.»&lt;br /&gt;Cantar menos bem é cair na dissemelhança de Deus, num afastamento de Deus, onde o homem já não reflecte Deus, tornando-se dissemelhante da natureza divina de que é imagem, mas também dissemelhante da sua verdadeira natureza de homem. Para São Bento, a cultura da Palavra confiada ao homem tem como imperativo uma beleza real. «Desta exigência capital de falar de Deus e de O cantar com as palavras que Ele mesmo lhe deu, nasceu a grande música ocidental. Não era caso de criatividade pessoal, em que o indivíduo toma como critério essencial a representação do seu próprio eu, e se erige a ele próprio em monumento. Tratava-se mais bem de reconhecer atentamente, com ‘os ouvidos do coração’, as leis constitutivas da harmonia musical da criação, as formas essenciais da música emitida pelo Criador no mundo e no homem, e de inventar uma música digna de Deus que seja, ao mesmo tempo, autenticamente digna do homem e que proclame altamente esta dignidade.»&lt;br /&gt;Ajudando a aprofundar nesta direcção de escuta da Palavra, Bento XVI recorda que «…a Bíblia não é um simples livro, mas uma recolha de textos literários cuja redacção se estende por mais de mil anos e em que os diferentes livros não são facilmente reconhecíveis como constituintes de um corpo unificado. Pelo contrário, há tensões visíveis entre eles. É o caso na Bíblia de Israel, que nós chamamos Antigo Testamento, e mais ainda quando nós os cristãos ligamos o Novo testamento e os seus escritos à Bíblia de Israel, interpretando-a como um caminho para Cristo. Com razão, no Novo Testamento, a Bíblia não é chamada de maneira habitual Escritura, mas ‘Escrituras’ que, todavia, serão consideradas, no seu conjunto, como a única Palavra de Deus que nos é dirigida. Este plural significa já claramente que a Palavra de Deus nos chega somente através da palavra humana, através de palavras humanas, isto é, que Deus nos fala somente na humanidade dos homens, e através das suas palavras e da sua história. Isto significa que o aspecto divino da Palavra e das palavras não é imediatamente perceptível. Dizendo-o de maneira moderna: a unidade dos livros bíblicos e o carácter divino das suas palavras não são perceptíveis desde um ponto de vista puramente histórico. O elemento histórico apresenta-se no múltiplo e no humano. O que explica que exista um díptico medieval que nos diz que a letra mostra os factos, mas que aquilo que se deve crer o mostra a alegoria, ou seja, o que é fruto da interpretação cristológica e pneumática.&lt;br /&gt;Dizendo-o de uma maneira mais simples: a Escritura tem necessidade da interpretação, e precisa da comunidade em que se formou e em que é vivida. Nela tem a sua unidade e nela se desprende o sentido que unifica o todo. Dito ainda de outra maneira: existem dimensões do significado da Palavra e das palavras que se desvelam apenas na comunhão vivida desta Palavra que cria a história. Através da crescente percepção da pluralidade de sentidos, a Palavra não é desvalorizada, mas aparece, pelo contrário, em toda a sua grandeza e toda a sua dignidade». Por isso se afirma com razão que o Cristianismo não é uma religião do livro. «O cristianismo capta nas palavras a Palavra, o próprio Logos, que desvenda o seu mistério através de tal multiplicidade e da realidade de uma história humana. Esta estrutura especial da Bíblia é um desafio sempre novo para cada geração. Pela sua própria natureza, ela exclui tudo aquilo que hoje se chama fundamentalismo.&lt;br /&gt;Bento XVI refere como o carácter crucial desta maneira de interpretar a Bíblia foi bem compreendido por São Paulo ao afirmar em 2 Cor 3, 6 : «a letra mata, mas o Espírito dá a vida» e que «lá onde está o Espírito… está a liberdade» (3, 17). Mas este Espírito que torna livre não se deixa reduzir à ideia ou à visão pessoal daquele que interpreta. O Espírito é Cristo, e Cristo é o Senhor que nos mostra o caminho. O que impede as derivas subjectivistas e o fanatismo fundamentalista. «Seria fatal se a cultura europeia de hoje compreendesse a liberdade como ausência total de vínculos, assim favorecendo, inevitavelmente, o fanatismo e a arbitrariedade. A falta de vínculos e a arbitrariedade não são a liberdade, mas a sua destruição».&lt;br /&gt;A reflexão seria incompleta se se ativesse à Palavra, ao «Ora». A segunda componente do monaquismo é o «Labora». Diferentemente do mundo grego, que desprezava o trabalho manual, considerando-o como obra dos escravos, quer os rabinos, quer Paulo, mostraram bem a dignidade do trabalho, sendo Paulo um fabricante de tendas. Se o mundo greco-romano não conhecia um Deus criador, sendo o trabalho confiado ao demiurgo, «o Deus da Bíblia é muito diferente: Ele, o Uno, o Deus vivo e verdadeiro, é ao mesmo tempo o Criador. Deus trabalha, e continua a operar na e sobre a história dos homens. E em Cristo, Ele entra como Pessoa no trabalho fatigante da história… O Trabalho dos homens aparece como uma expressão particular da sua semelhança com Deus que torna o homem participante da obra criadora de Deus no mundo. Sem esta cultura do trabalho que, com a cultura da palavra, constitui o monaquismo, o desenvolvimento da Europa, o seu ethos e a sua formação do mundo são impensáveis. A originalidade deste ethos deveria doravante fazer compreender que o trabalho e a determinação da história pelo homem são uma colaboração com o Criador, que têm n’Ele a sua medida. Lá onde esta medida falta e lá onde o homem se converte a ele mesmo em criador deiforme, a transformação do mundo pode facilmente chegar à sua destruição».&lt;br /&gt;A atitude dos monges, orientados pela Palavra, era uma verdadeira atitude filosófica: olhar para além das realidades penúltimas e procurar as realidades últimas, as verdadeiras. A direcção a seguir era a palavra da Bíblia, na qual escutavam Deus, devendo esforçar-se por O compreender para poder chegar até Ele. «O anúncio da Palavra é necessário. Ela dirige-se ao homem e forja nele uma convicção que se pode tornar vida. E para que se possa abrir um caminho no coração da palavra bíblica enquanto Palavra de Deus, esta mesma Palavra deve ser anunciada abertamente» para poder dar razão da sua fé: «Deveis sempre estar preparados para vos explicardes diante de todos aqueles que vos pedem que deis conta (logos) da esperança que existe em vós 2 Ped 3, 15. (O Logos, a razão da esperança, deve fazer-se apo-logia, deve chegar a ser resposta). De facto, os missionários da igreja nascente não consideravam o seu anúncio missionário como uma propaganda que devesse servir para aumentar a importância do seu grupo, mas como uma necessidade intrínseca que derivava da natureza da sua fé. O Deus em que acreditavam era o Deus de todos, o Deus Uno e Verdadeiro que se tinha mostrado na história de Israel e finalmente em seu Filho, dando assim a resposta que tinha em conta a todos e que, no seu íntimo, todos os homens esperam. A universalidade de Deus e a universalidade da razão aberta a Ele constituíam para eles a motivação e, ao mesmo tempo, o dever de anunciar. Para eles, a fé não dependia dos hábitos culturais, que são diferentes segundo os povos, mas do âmbito da verdade que tem igualmente em conta a todos.»&lt;br /&gt;Quando Paulo prega no Areópago, um tribunal competente em matéria de religião e que devia opor-se à intrusão de religiões estrangeiras, ele é acusado precisamente por pregar divindades desconhecidas e estrangeiras ( Act 17, 18). A tal acusação replica Paulo: «Eu encontrei um altar com esta inscrição: ‘Ao deus desconhecido’. Ora, aquilo que vós venerais sem o conhecer é o que eu venho anunciar-vos (cf. A7, 23). Paulo não anuncia deuses desconhecidos. Ele anuncia Aquele que os homens ignoram e todavia conhecem: o Ignoto-Conhecido. É Aquele que eles procuram e do qual, no fundo, têm conhecimento e que é, todavia, o Ignoto e o Incognoscível. No mais profundo do pensamento e do sentimento humano, sabe-se, de certo modo, que Ele tem que existir. Que na origem de todas as coisas deve estar, não a irracionalidade, mas a Razão criadora; não o cego destino, mas a liberdade. Todavia, embora todos os homens o saibam de alguma maneira, este conhecimento permanece ambíguo: um deus só pensado e elaborado pelo espírito humano não é o verdadeiro Deus. Se Ele não se revela, nós não chegamos até Ele. A novidade do anúncio cristão é a possibilidade dizer agora a todos os povos: Ele revelou-se. Ele, pessoalmente. A novidade do anúncio cristão não consiste num pensamento, mas num facto: Ele revelou-se. Isto não é um facto cego, mas um facto que, em si mesmo, é Logos – presença da Razão eterna na nossa carne. Verbum caro factum est (Jn 1, 14): é assim verdadeiramente na realidade: o Logos está presente no meio de nós. É um facto racional. Todavia, a humildade da razão é sempre necessária para o poder acolher. É necessária a humildade do homem para responder à humildade de Deus».&lt;br /&gt;A brilhante alocução de Bento XVI termina afirmando que a situação presente da humanidade tem muitos aspectos análogos aos do Areópago. E se não há cidades cheias de imagens de deuses, há o facto incontestável de que «Deus se tornou verdadeiramente o grande desconhecido. E apesar de tudo, como outrora, em que por detrás de numerosas representações de deuses, estava escondida e presente a questão do Deus desconhecido, também hoje, a actual ausência de Deus está também tacitamente inquieta pela pergunta sobre Ele. Procurar Deus e deixar-se encontrar por Ele, não é hoje menos necessário que no passado. Uma cultura puramente positivista, que circunscrevesse ao campo subjectivo, como não científica, a pergunta sobre Deus, seria a capitulação da razão, a renúncia às suas possibilidades mais elevadas e, portanto, um fracasso do humanismo cujas consequências só podem ser muito graves. Aquilo que fundou a cultura da Europa, a procura de Deus e a disponibilidade para O escutar, permanece, ainda hoje, o fundamento de toda a verdadeira cultura.»&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;Carlos Nuno Vaz&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6996408022636835207-7576261596061011678?l=obompastordiocesebraga.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://obompastordiocesebraga.blogspot.com/feeds/7576261596061011678/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6996408022636835207&amp;postID=7576261596061011678' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6996408022636835207/posts/default/7576261596061011678'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6996408022636835207/posts/default/7576261596061011678'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://obompastordiocesebraga.blogspot.com/2008/09/encontro-de-bento-xvi-com-o-mundo-da.html' title='Encontro de Bento XVI com o mundo da cultura, em Paris'/><author><name>obompastor</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08085080511645471150</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='33' height='32' src='http://www.pime.org.br/pimenet/imagens/mmjunejul2003-f31-a.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_K_i7t9i5bp8/SNwQwz44vgI/AAAAAAAAAIU/ltA4rtHDRAU/s72-c/papa+bernardins.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6996408022636835207.post-2347039675068258506</id><published>2008-09-22T11:58:00.002+01:00</published><updated>2008-09-22T12:07:04.340+01:00</updated><title type='text'>Pagamento do Reino é igual para todos</title><content type='html'>&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_K_i7t9i5bp8/SNd79yBv8zI/AAAAAAAAAIM/voybmQnvWBo/s1600-h/Nova+imagem+(2).png"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5248800192054948658" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_K_i7t9i5bp8/SNd79yBv8zI/AAAAAAAAAIM/voybmQnvWBo/s320/Nova+imagem+(2).png" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Comentário do Padre Raniero Cantalamessa, OFM Cap., Pregador da Casa Pontifícia, sobre a Liturgia da Palavra deste domingo.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;XXV Domingo do Tempo Comum: Isaías 55, 6-9; Filipenses 1, 20c-27a; Mateus 20, 1-16a&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;“Ide vós também para a minha vinha”&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;A parábola dos trabalhadores enviados à vinha em horas diferentes do dia sempre gerou grande dificuldade aos leitores do Evangelho. É aceitável a maneira de actuar do dono, que dá o mesmo pagamento para quem trabalhou uma hora e para quem trabalhou uma jornada inteira? Ele não viola o princípio da justa recompensa? Os sindicatos hoje se rebelariam contra quem comportasse como esse patrão.A dificuldade nasce de um equívoco. Considera-se o problema da recompensa em abstracto e em geral, ou em referência à recompensa eterna no céu. Visto assim, realmente haveria uma contradição com o princípio segundo o qual Deus "dá para cada um segundo suas obras" (Rm 2, 6). Mas Jesus se refere aqui a uma situação concreta, a um caso bem preciso: o único denário que é dado a todos é o Reino dos Céus que Jesus trouxe à terra; é a possibilidade de entrar para fazer parte da salvação messiânica. A parábola começa dizendo: "O Reino dos céus é como a história do patrão que saiu de madrugada...".O problema é, mais uma vez, o da postura dos judeus e dos pagãos, ou dos justos e dos pecadores, frente à salvação anunciada por Jesus. Ainda que os pagãos (respectivamente, os pecadores, os publicanos, as prostitutas, etc.) só diante da pregação de Jesus se decidiram por Deus, enquanto antes estavam afastados ("ociosos"), não por isso ocuparão no Reino um lugar diferente e inferior. Eles também se sentarão à mesma mesa e gozarão da plenitude dos bens messiânicos. E mais, como eles se mostraram mais dispostos a acolher o Evangelho que os chamados "justos", realiza-se o que Jesus diz para concluir a parábola de hoje: "os últimos serão os primeiros e os primeiros serão os últimos".Uma vez conhecido o Reino, ou seja, uma vez abraçada a fé, então sim há lugar para a diversificação. Então já não é idêntico o destino de quem serve Deus durante toda a vida, fazendo render ao máximo seus talentos, com relação a quem dá a Deus só as sobras de sua vida, com uma confissão remediada, de alguma forma, no último momento.A parábola contém também um ensinamento de ordem espiritual da máxima importância: Deus chama todos e chama em todas as horas. O problema, em suma, é o chamado, e não tanto a recompensa. Esta é a forma com que nossa parábola foi utilizada na exortação de João Paulo II sobre a "vocação e missão dos leigos na Igreja e no mundo" (Christifideles laici): "Os fiéis leigos pertencem àquele Povo de Deus que é representado na imagem dos trabalhadores da vinha (...). Ide vós também. A chamada não diz respeito apenas aos Pastores, aos sacerdotes, aos religiosos e religiosas, mas estende-se aos fiéis leigos: também os fiéis leigos são pessoalmente chamados pelo Senhor" (n. 1-2).Quero chamar a atenção sobre um aspecto que talvez seja marginal na parábola, mas que é muito vivo na sociedade moderna: o problema do desemprego. À pergunta do proprietário: "Por que estais aí o dia inteiro desocupados?", os trabalhadores respondem: "Porque ninguém nos contratou". Esta resposta poderia ser dada hoje por milhões de desempregados.Jesus não era insensível a este problema. Se Ele descreve tão bem a cena é porque muitas vezes seu olhar havia pousado compassivamente sobre aqueles grupos de homens sentados no chão, ou apoiados em uma porta, com um pé na parede, à espera de serem contratados. Esse proprietário sabe que os operários da última hora têm as mesmas necessidades que os outros; também eles têm filhos para alimentar, como os da primeira hora. Dando a todos o mesmo pagamento, o proprietário mostra levar em conta não só o mérito, mas também a necessidade.&lt;br /&gt;As nossas sociedades capitalistas baseiam a recompensa unicamente no mérito (com frequência mais nominal que real) e no tempo de serviço, e não nas necessidades da pessoa. No momento em que um jovem operário ou um profissional tem mais necessidade de ganhar para construir uma casa e uma família, seu pagamento é o mais baixo, enquanto que no final da carreira, quando já se tem menos necessidade, a recompensa (especialmente em certas categorias sociais) chega às nuvens. A parábola dos operários da vinha nos convida a encontrar um equilíbrio mais justo entre as duas exigências, do mérito e da necessidade.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;[Helena Gonçalves]&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6996408022636835207-2347039675068258506?l=obompastordiocesebraga.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://obompastordiocesebraga.blogspot.com/feeds/2347039675068258506/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6996408022636835207&amp;postID=2347039675068258506' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6996408022636835207/posts/default/2347039675068258506'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6996408022636835207/posts/default/2347039675068258506'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://obompastordiocesebraga.blogspot.com/2008/09/pagamento-do-reino-igual-para-todos.html' title='Pagamento do Reino é igual para todos'/><author><name>obompastor</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08085080511645471150</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='33' height='32' src='http://www.pime.org.br/pimenet/imagens/mmjunejul2003-f31-a.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_K_i7t9i5bp8/SNd79yBv8zI/AAAAAAAAAIM/voybmQnvWBo/s72-c/Nova+imagem+(2).png' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6996408022636835207.post-836563932113784419</id><published>2008-09-17T15:52:00.002+01:00</published><updated>2008-09-17T15:55:44.770+01:00</updated><title type='text'>Moral racional e moral religiosa</title><content type='html'>&lt;div align="center"&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_K_i7t9i5bp8/SNEaEifjvkI/AAAAAAAAAIE/HQMLyih6aEM/s1600-h/Guido+Reni,+c.1624.+Mois%C3%A9s+e+as+T%C3%A1buas+da+Lei.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5247003706144308802" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_K_i7t9i5bp8/SNEaEifjvkI/AAAAAAAAAIE/HQMLyih6aEM/s320/Guido+Reni,+c.1624.+Mois%C3%A9s+e+as+T%C3%A1buas+da+Lei.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt; Guido Renei, c. 1624, Moisés e as Tábuas da Lei&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Em vez de “moral”, poderia ter escrito “ética”, dado que, no que se segue, usarei os dois termos como sinónimos. O termo “ética” vem do grego e foi criado por Aristóteles, enquanto “moral” provém do latim, tendo sido criado por Cícero para traduzir o termo “ética” – o que já nos sugere o papel criador que os latinos tiveram nesta área da filosofia, ao contrário do que aconteceu, dum modo geral, nos outros domínios filosóficos, onde pouco mais foram que tradutores&lt;a title="" style="mso-footnote-id: ftn1" href="http://www.blogger.com/post-create.g?blogID=6996408022636835207#_ftn1" name="_ftnref1"&gt;[1]&lt;/a&gt; “colonizados” pela sua colónia helénica.&lt;br /&gt;As questões suscitadas pelo confronto entre éticas laicas ou racionais e éticas religiosas têm sido bastante debatidas nos últimos decénios. Marciano Vidal, o moralista espanhol mais em evidência na actualidade, no artigo em que deu a conhecer a sua mais recente obra, a Nueva Moral Fundamental. El lugar teológico de la Ética, exprime a opinião de que os debates “entre la ‘ética de la fé’ y la ‘moral de la autonomía teónoma’” são “un camino ya totalmente recorrido; permanecer en él nos mantendría en inútiles polémicas y nos conduciría a escasos resultados”&lt;a title="" style="mso-footnote-id: ftn2" href="http://www.blogger.com/post-create.g?blogID=6996408022636835207#_ftn2" name="_ftnref2"&gt;[2]&lt;/a&gt;. Talvez essa opinião corresponda à realidade espanhola; para os leitores portugueses não penso que seja inútil apresentar aqui o consenso bastante alargado a que esses debates conduziram.&lt;br /&gt;O ponto de partida é um dado de facto: a existência de morias elaboradas por diversos pensadores e de morais propostas pelas várias religiões. Todos os grandes filósofos se ocuparam com a dimensão ética da vida humana e todas as religiões têm uma componente moral, um sistema de regras de conduta, mais ou menos claramente relacionado com a componente doutrinal. Em todas elas o “indicativo” dogmático fundamenta “imperativos” morais.&lt;br /&gt;Noto, de passagem, que se compararmos essas morais de inspiração religiosa com as morais filosóficas elaboradas por diversos autores e veiculadas por escolas e correntes, verificamos que foram as morais religiosas que maior influência tiveram na vida dos homens e das sociedades. O que dá que pensar e importa ter em conta.&lt;br /&gt;Nas religiões que se pretendem originadas numa revelação, nomeadamente as três grandes religiões monoteístas – Judaísmo, Cristianismo e Islamismo – muitas prescrições morais são mesmo atribuídas à divindade. E a partir dessas normas morais de pretendida origem divina – as “morais religiosas” em sentido estrito – foram-se elaborando as morais religiosas em sentido amplo, as quais englobam – com diverso grau de autoridade – quer as normas atribuídas directamente à divindade quer as que resultam de elaboração humana a partir daquelas&lt;a title="" style="mso-footnote-id: ftn3" href="http://www.blogger.com/post-create.g?blogID=6996408022636835207#_ftn3" name="_ftnref3"&gt;[3]&lt;/a&gt;. Tal acontece de modo particularmente claro no âmbito das confissões cristãs e, muito claramente, no campo católico, com a chamada teologia moral ou moral teológica.&lt;br /&gt;Na medida em que a ética religiosa atribui a sua primeira origem à divindade, parece implicar uma certa heteronomia: não provindo a lei do homem, mas de outrem, vem de “fora” dele. Nessa mesma medida, uma ética religiosa parece incompatível com uma ética secular, “humana”. Muitos assim pensam e, consequentemente, julgam que a relação entre ética religiosa e ética secular se põe em termos de alternativa: ou uma ou outra.&lt;br /&gt;Na realidade não é assim, se se tiver em conta uma correcta concepção acerca de Deus e das relações entre as criaturas e o Criador. O Criador é certamente “outro”, diferente – e tanto! – da criatura, do ser humano. É-lhe transcendente. Mas, precisamente porque é Criador, não lhe é “exterior”, mas antes radicalmente imanente – “mais interior a mim mesmo do que o meu próprio íntimo”, dirá S. Agostinho: intimior intimo meo. Fonte e origem do ser da criatura, Deus não se lhe pode considerar “exterior” e, portanto, “rival”. Por esta razão, a sua “lei” não é heterónoma&lt;a title="" style="mso-footnote-id: ftn4" href="http://www.blogger.com/post-create.g?blogID=6996408022636835207#_ftn4" name="_ftnref4"&gt;[4]&lt;/a&gt; relativamente ao homem, não se lhe contrapõe como outra lei do mesmo nível, mas antes, porque “teónoma”, transcende-a. Por esse mesmo motivo, a lei do homem deve dizer-se verdadeira, embora subordinadamente, “autónoma”, verdadeira lei do homem. É isto que a tradicional doutrina escolástica pretende exprimir ao dizer que a lei moral natural é a “participação formal da lei divina na criatura racional”&lt;a title="" style="mso-footnote-id: ftn5" href="http://www.blogger.com/post-create.g?blogID=6996408022636835207#_ftn5" name="_ftnref5"&gt;[5]&lt;/a&gt;.&lt;br /&gt;A existência de uma moral “religiosas” – quer, no sentido estrito, limitada às normas de que a própria divindade teria sido directamente autora, quer no sentido mais amplo acima rferido – não invalida, por conseguinte, a existência de uma moral “racional” ou simplesmente “humana”, moral que prescinde de qualquer fundamentação revelada e até de uma explícita fundamentação teísta, uma moral autónoma, portanto. Muito pelo contrário: qualquer moral religiosa pressupõe, como indispensável condição de possibilidade, a moral “humana” ou “natural”. Sem poder descer aqui a grandes desenvolvimentos, limito-me de momento a observar o seguinte: mesmo uma ordem directamente recebida de Deus só se apresentará como vinculativa para quem perceba que deve obedecer-lhe; ora percebê-lo é, no fundo, perceber que isso é que é bem e o contrário mal; por outras palavras, é ter o sentido moral, considerar que “o bem é a fazer e o mal a evitar”, formulação que condensa a exigência ética básica e global.&lt;br /&gt;A teonomia da moral religiosa não suprime, pois, a autonomia da moral humana&lt;a title="" style="mso-footnote-id: ftn6" href="http://www.blogger.com/post-create.g?blogID=6996408022636835207#_ftn6" name="_ftnref6"&gt;[6]&lt;/a&gt;. Afirmar que a moral encontra no Absoluto, em Deus, o seu último fundamento&lt;a title="" style="mso-footnote-id: ftn7" href="http://www.blogger.com/post-create.g?blogID=6996408022636835207#_ftn7" name="_ftnref7"&gt;[7]&lt;/a&gt; não compromete a autonomia racional da moral. Por outras palavras: a questão “ética religiosa/ética secular” não se põe em termos de alternativa, ou uma ou outra, mas, se bem entendida, afirma a compatibilidade de ambas: ética religiosa e ética secular.&lt;br /&gt;Mais ainda: a teologia moral tem muito de elaboração racional, pois que, também no campo moral, a teologia é, como a definiu magistralmente S. Anselmo, fides quaerens intellectum, a actividade do crente em busca da inteligibilidade da sua fé. “Relativamente à teologia moral, a ética(como filosofia natural) não se situa simplesmente antes dela ou ao seu lado, actua-se antes no interior dela mesma”(J. Fuchs)&lt;a title="" style="mso-footnote-id: ftn8" href="http://www.blogger.com/post-create.g?blogID=6996408022636835207#_ftn8" name="_ftnref8"&gt;[8]&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;O que certamente não parece admissível é uma ética que, de um modo ou de outro, não reconheça carácter absoluto ao valor moral e, nesse sentido – mas só nesse sentido - , que ele tenha algo de “religioso”. (continua)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Roque Cabral S.J., Brotéria vol.166(Fevereiro 2008)&lt;br /&gt;&lt;a title="" style="mso-footnote-id: ftn1" href="http://www.blogger.com/post-create.g?blogID=6996408022636835207#_ftnref1" name="_ftn1"&gt;[1]&lt;/a&gt; Constitui significativa excepção, além da área da ética, a do direito, intimamente a ela ligado.&lt;br /&gt;&lt;a title="" style="mso-footnote-id: ftn2" href="http://www.blogger.com/post-create.g?blogID=6996408022636835207#_ftnref2" name="_ftn2"&gt;[2]&lt;/a&gt; MARCIANO VIDAL, “Porqué he escrito una ‘Nueva Moral Fundamental”, Moralia XXIII, 2000, 513-526. A passagem citada encontra-se na p. 516.&lt;br /&gt;&lt;a title="" style="mso-footnote-id: ftn3" href="http://www.blogger.com/post-create.g?blogID=6996408022636835207#_ftnref3" name="_ftn3"&gt;[3]&lt;/a&gt; Não é fácil saber como determinada religião chegou a promover a sua moral particular, com o seu preciso sistema normativo: surgiu este directamente do apelo divino? Ou procede só da reflexão racional de uma dada sociedade, da “razão legisladora” do homem (Kant)?&lt;br /&gt;&lt;a title="" style="mso-footnote-id: ftn4" href="http://www.blogger.com/post-create.g?blogID=6996408022636835207#_ftnref4" name="_ftn4"&gt;[4]&lt;/a&gt; Um crente cristão esclarecido, em vez de dizer que Deus “manda”, considerará mais exacto dizer que Deus “funda” os mandamentos, está na origem da exigência de sentido e de coerência que habita toda a busca moral. O homem foi capaz de perceber na revelação um apelo a moralizar-se porque se percebeu a si msmo como um ser ético que procura humanizar-se. Cf. X. THÉVENOT, “Étique Chrétienne”, em Paul POUPARD, Dictionnaire des Religions, PUF, 536-538.&lt;br /&gt;&lt;a title="" style="mso-footnote-id: ftn5" href="http://www.blogger.com/post-create.g?blogID=6996408022636835207#_ftnref5" name="_ftn5"&gt;[5]&lt;/a&gt; Desenvolvi esta temática no artigo “Lei ou Legislador?”, publicado na Revista Portuguesa de Filosofia LII(1996)179-184. Aí mostro que, em diferentes sentidos, deve dizer-se que a pessoa humana é súbdito da lei moral e seu legislador, embora subordinado.&lt;br /&gt;&lt;a title="" style="mso-footnote-id: ftn6" href="http://www.blogger.com/post-create.g?blogID=6996408022636835207#_ftnref6" name="_ftn6"&gt;[6]&lt;/a&gt; Esta é a razão pela qual qualquer Extrinsecismo ético é insustentável, porque baseado numa petição de princípio.&lt;br /&gt;&lt;a title="" style="mso-footnote-id: ftn7" href="http://www.blogger.com/post-create.g?blogID=6996408022636835207#_ftnref7" name="_ftn7"&gt;[7]&lt;/a&gt; Notar o seguinte: dizer que a moral se fundamenta ontologicamente em Deus não é dizer que ela requer o conhecimento explícito dessa fundamentação e, portanto, de Deus(B. SCHÜLLER, “Sittliche Forderung und Erkenntnis Gottes”, in Gregorianum 59(78) 5-37.&lt;br /&gt;&lt;a title="" style="mso-footnote-id: ftn8" href="http://www.blogger.com/post-create.g?blogID=6996408022636835207#_ftnref8" name="_ftn8"&gt;[8]&lt;/a&gt; J. FUCHS, Esiste una morale cristiana? Questioni critiche in un tempo di secolarizzazione, Herder, Morcelliana, Roma e Brescia, 1970&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;[Silva Pereira]&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6996408022636835207-836563932113784419?l=obompastordiocesebraga.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://obompastordiocesebraga.blogspot.com/feeds/836563932113784419/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6996408022636835207&amp;postID=836563932113784419' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6996408022636835207/posts/default/836563932113784419'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6996408022636835207/posts/default/836563932113784419'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://obompastordiocesebraga.blogspot.com/2008/09/moral-racional-e-moral-religiosa.html' title='Moral racional e moral religiosa'/><author><name>obompastor</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08085080511645471150</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='33' height='32' src='http://www.pime.org.br/pimenet/imagens/mmjunejul2003-f31-a.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_K_i7t9i5bp8/SNEaEifjvkI/AAAAAAAAAIE/HQMLyih6aEM/s72-c/Guido+Reni,+c.1624.+Mois%C3%A9s+e+as+T%C3%A1buas+da+Lei.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6996408022636835207.post-2352409238073228619</id><published>2008-09-13T23:27:00.005+01:00</published><updated>2008-09-13T23:34:14.890+01:00</updated><title type='text'>Meditação de Bento XVI na conclusão da vigília mariana realizada hoje em Lourdes [extractos]</title><content type='html'>&lt;span style="font-family:times new roman;"&gt;[...] La procession aux flambeaux, traduit à nos yeux de chair, le mystère de la prière : dans la communion de l'Église, qui unit élus du ciel et pèlerins de la terre, la lumière jaillit du dialogue entre l'homme et son Seigneur et une route lumineuse s'ouvre dans l'histoire des hommes, y compris dans ses moments les plus obscurs. Cette procession est un moment de grande joie ecclésiale, mais aussi un temps de gravité : les intentions que nous apportons soulignent notre profonde communion avec tous les êtres qui souffrent. Nous pensons aux victimes innocentes qui subissent la violence, la guerre, le terrorisme, la famine, des injustices, des fléaux et des calamités, la haine et des oppressions, des atteintes à leur dignité humaine et à leurs droits fondamentaux, à leur liberté d'agir et de penser ; nous pensons aussi à ceux qui connaissent des problèmes familiaux, ou qui éprouvent une souffrance face au chômage, à la maladie, à l'infirmité, à la solitude, à leur situation d'immigrés. Je désire ne pas oublier ceux qui souffrent à cause du nom du Christ et qui meurent pour Lui.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;"&gt;Marie nous apprend à prier, à faire de notre prière un acte d'amour pour Dieu et de charité fraternelle. En priant avec Marie, notre cœur accueille ceux qui souffrent. Comment notre vie ne peut-elle pas ensuite en être transformée ? Pourquoi notre être et notre vie tout entière ne deviendraient-ils pas des lieux d'hospitalité pour nos prochains ? Lourdes est un lieu de lumière parce que c'est un lieu de communion, d'espérance et de conversion.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;"&gt;À la tombée de cette nuit, Jésus nous dit : « Gardez vos lampes allumées » (Lc 12, 35) ; lampe de la foi, lampe de la prière, lampe de l'espérance et de l'amour ! Cet acte de marcher dans la nuit, en portant la lumière, parle fort au plus intime de nous-mêmes, touche notre cœur et dit bien plus que tout autre parole prononcée ou entendue. Ce geste résume à lui seul notre condition de chrétiens en chemin : à la fois, nous avons besoin de lumière et nous sommes appelés à devenir lumière. Le péché nous rend aveugles, il nous empêche de nous proposer comme guides pour nos frères, et il nous amène à nous méfier d'eux pour nous laisser conduire. Nous avons besoin d'être éclairés et nous répétons la supplication de l'aveugle Bartimée : « Maître, fais que je voie ! » (Mc 10, 51). Fais que je voie mon péché qui m'entrave, mais surtout, Seigneur, fais que je voie ta gloire ! Nous le savons : notre prière a déjà été exaucée et nous rendons grâce car, comme le dit saint Paul dans sa Lettre aux Éphésiens : « le Christ t’illuminera » (Ep 5, 14), et saint Pierre ajoute : « il vous a appelés des ténèbres à son admirable lumière » (1 P 2, 9).&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;"&gt;À nous qui ne sommes pas la lumière, le Christ peut désormais dire : « Vous êtes la lumière du monde » (Mt 5, 14), nous confiant le soin de faire resplendir la lumière de la charité. Comme l'écrit l'Apôtre saint Jean : « Celui qui aime son frère demeure dans la lumière et il n'y a en lui aucune occasion de chute » (1 Jn 2, 10). Vivre l'amour chrétien, c'est tout à la fois faire entrer la lumière de Dieu dans le monde et en indiquer la véritable source. Saint Léon le Grand l'écrit : « Quiconque, en effet, vit pieusement et chastement dans l'Église, qui songe aux choses d'en haut, non à celles de la terre (cf. Col 3, 2), est d'une certaine façon semblable à la lumière céleste ; tant qu'il observe lui-même l'éclat d'une sainte vie, il montre à beaucoup, comme une étoile, la voie qui mène à Dieu » (Sermon III, 5).&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;"&gt;En ce sanctuaire de Lourdes vers lequel les chrétiens du monde entier ont les yeux tournés depuis que la Vierge Marie y a fait briller l'espérance et l'amour en donnant aux malades, aux pauvres et aux petits la première place, nous sommes invités à découvrir la simplicité de notre vocation : il suffit d'aimer.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;"&gt;Demain la célébration de l'exaltation de la Sainte Croix nous fera entrer précisément au cœur de ce mystère. En cette veillée, notre regard se tourne déjà vers le signe de l'Alliance nouvelle où toute la vie de Jésus converge. La Croix constitue le suprême et parfait acte d’amour de Jésus qui donne sa vie pour ses amis. « Ainsi faut-il que le Fils de l'homme soit élevé, afin que tout homme qui croit obtienne par lui la vie éternelle » (Jn 3, 14-15).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Annoncée dans les Chants du Serviteur de Dieu, la mort de Jésus est une mort qui devient lumière pour les peuples ; c'est une mort qui, en lien avec la liturgie d'expiation, apporte la réconciliation, mort qui marque la fin de la mort. Dès lors, la Croix est signe d'espérance, l'étendard de la victoire de Jésus « car Dieu a tant aimé le monde qu’il a donné son Fils unique : ainsi tout homme qui croit en lui ne périra pas, mais il obtiendra la vie éternelle » (Jn 3, 16). Par la Croix, notre vie tout entière reçoit lumière, force et espérance. Par elle, est révélée toute la profondeur de l'amour contenu dans le dessein originel du Créateur ; par elle, tout est guéri et porté à son accomplissement. C'est pourquoi la vie dans la foi au Christ mort et ressuscité devient lumière.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Les apparitions étaient entourées de lumière et Dieu a voulu allumer dans le regard de Bernadette une flamme qui a converti d'innombrables cœurs. Combien de personnes viennent ici pour voir, espérant peut-être secrètement bénéficier de quelque miracle ; puis, sur la route du retour, ayant fait une expérience spirituelle d'une vie en Église, elles changent leur regard sur Dieu, sur les autres et sur elles-mêmes. Une petite flamme nommée espérance, compassion, tendresse les habite. La rencontre discrète avec Bernadette et la Vierge Marie peut changer une vie, car elles sont présentes, en ce lieu de Massabielle, pour nous conduire au Christ qui est notre vie, notre force et notre lumière. Que la Vierge Marie et sainte Bernadette vous aident à vivre en enfants de lumière pour témoigner, chaque jour de votre vie, que le Christ est notre lumière, notre espérance et notre vie !&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6996408022636835207-2352409238073228619?l=obompastordiocesebraga.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://obompastordiocesebraga.blogspot.com/feeds/2352409238073228619/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6996408022636835207&amp;postID=2352409238073228619' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6996408022636835207/posts/default/2352409238073228619'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6996408022636835207/posts/default/2352409238073228619'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://obompastordiocesebraga.blogspot.com/2008/09/meditao-de-bento-xvi-na-concluso-da.html' title='Meditação de Bento XVI na conclusão da vigília mariana realizada hoje em Lourdes [extractos]'/><author><name>obompastor</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08085080511645471150</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='33' height='32' src='http://www.pime.org.br/pimenet/imagens/mmjunejul2003-f31-a.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6996408022636835207.post-4423403669123865594</id><published>2008-09-09T12:20:00.000+01:00</published><updated>2008-09-09T12:21:22.499+01:00</updated><title type='text'>Correcção fraterna</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Prolongando os ecos do evangelho do 23º Domingo, partilho estas reflexões de Atilano Alaiz, em «El Don de la Palabra – Ciclo A», pp. 222 – 223:&lt;br /&gt;«Somos responsáveis dos outros diante de Deus. Esta responsabilidade leva consigo a exigência de ajuda em duas direcções: corrigindo e animando. Tão importante ou mais que corrigir é animar o grupo, a comunidade, a família… O irmão necessita da nossa aprovação, da nossa palmada no ombro. Não se trata de adular, mas de estimular.&lt;br /&gt;O membro da família ou da comunidade necessita que lhe reconheçamos os seus carismas, que lhe agradeçamos os seus serviços e o testemunho da sua generosidade; que o confirmemos nos seus esforços, que o alentemos nas suas dificuldades, que valorizemos a sua pessoa e o seu actuar.&lt;br /&gt;A correcção fraterna é uma instância da caridade pessoal e do crescimento comunitário. É uma palavra que o Espírito põe nos nossos lábios para que sejamos mediadores de salvação. Converte-se em palavra de perdição quando degenera em murmuração…..&lt;br /&gt;Que dizer da correcção entre familiares e amigos? Não é certo que, na sociedade, desgraçadamente, muitos adulam por diante e criticam por detrás? Próprio do cristão é ter coragem para corrigir fraternalmente por diante, e elogiar por detrás.&lt;br /&gt;Afirma o bispo Casaldáliga: «Feliz aquele que sabe que seguir a Jesus é viver em comunidade, sempre unido ao Pai e aos irmãos. Não te enganes: quem se afasta da comunidade em busca de vantagens pessoais, afasta-se de Deus; quem procura a comunidade, encontra o Senhor».&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;Carlos Nuno Vaz&lt;/span&gt; &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6996408022636835207-4423403669123865594?l=obompastordiocesebraga.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://obompastordiocesebraga.blogspot.com/feeds/4423403669123865594/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6996408022636835207&amp;postID=4423403669123865594' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6996408022636835207/posts/default/4423403669123865594'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6996408022636835207/posts/default/4423403669123865594'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://obompastordiocesebraga.blogspot.com/2008/09/correco-fraterna.html' title='Correcção fraterna'/><author><name>obompastor</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08085080511645471150</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='33' height='32' src='http://www.pime.org.br/pimenet/imagens/mmjunejul2003-f31-a.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6996408022636835207.post-3795038409391433769</id><published>2008-09-07T23:37:00.003+01:00</published><updated>2008-09-07T23:56:29.547+01:00</updated><title type='text'>Um novo encontro Fé - Arte</title><content type='html'>&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_K_i7t9i5bp8/SMRZ0e4JsaI/AAAAAAAAAH8/DTrESM7PdLY/s1600-h/Ravasi.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;" src="http://1.bp.blogspot.com/_K_i7t9i5bp8/SMRZ0e4JsaI/AAAAAAAAAH8/DTrESM7PdLY/s400/Ravasi.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5243414624342749602" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;PÚBLICO - São João Damasceno dizia: "Se encontrares um pagão, leva-o a uma igreja ornamentada para ver os ícones, a pintura, para mostrar a fé". Hoje já não se pode fazer isto?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;GIANFRANCO RAVASI - Pode fazer-se ainda, apenas na base do passado. O grande património da tradição artística ocidental é expressão, sobretudo, da fé e da Bíblia. No coração das cidades de Portugal está sempre a catedral e museus feitos com obras e peças de temas religiosos. Foi na questão do presente que eu quis começar a intervir. Não tanto para adoptar formas artísticas de artesanato, que têm a sua dignidade, e construir uma nova linguagem sobre essas artes menores. Quero que a grande arte e os grandes artistas, nomes fundamentais da arte contemporânea que não se interessam por temas religiosos, voltem de novo a olhar para lá da fronteira. Será um benefício para nós, mas também para eles, porque perderam grandes temas, grandes símbolos, grandes narrativas. Não se preocupam senão com interpretar o real, tantas vezes esgotado ou, pelo menos, ligado sobretudo à exterioridade ou à ausência das grandes perguntas.&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;E uma realidade feia, por vezes?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Sim, por vezes, com a violência, a ruptura ou mesmo a pura materialidade e o realismo. Por isso será também um serviço que lhes faremos.&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Mas há muita gente na Igreja que vê a arte contemporânea como algo estranho, feio, escandaloso, mesmo obsceno...&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;É verdade. Precisamente por isso, é necessário começar uma viagem, que será longa, para tentar tecer de novo o diálogo, depois do divórcio que houve com os artistas. Mas também para fazer compreender ao fiel que entra numa igreja a necessidade de uma nova linguagem, que não é apenas a do artesanato, de pinturas modestas de artistas locais, mas que é também a tentativa de fazer alguma coisa que fique na história. &lt;br /&gt;Isto acontece já na arquitectura, com igrejas feitas por grandes arquitectos - algumas mesmo belas igrejas. Inicialmente, os fiéis têm perante elas alguma estranheza, mas depois, progressivamente, entram e percebem a beleza de uma igreja feita por Álvaro Siza, Richard Meier, Mario Botta, Renzo Piano, Tadao Ando.&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Falta a música, a pintura...&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Sim, faltam as artes, a escultura, um pouco a literatura...&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;A experimentação na arte contemporânea não é, então, estranha?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Não. Fazer obras para o culto obriga a ter em conta o contexto. Começaremos com obras não necessariamente já litúrgicas, mas que sejam obras espirituais. &lt;br /&gt;&lt;strong&gt;De reflexão humana?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Sim, sobre os grandes símbolos e grandes temas. Penso escolher, com uma comissão criada para o efeito, artistas que tenham já alguma sensibilidade. Alguns nomes em que penso: Bill Viola, dos Estados Unidos, Anish Kapoor, da Índia, Cunnellis, da Europa, artistas de grande nível e que têm já dentro de si o desejo de interrogar-se, mas que não afrontaram ainda temas estritamente religiosos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Excerto da entrevista de António Marujo a D.Gianfranco Ravasi (Presidente do Pontifício Conselho para a Cultura) Público 04.09.2008 (caderno P2)&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6996408022636835207-3795038409391433769?l=obompastordiocesebraga.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://obompastordiocesebraga.blogspot.com/feeds/3795038409391433769/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6996408022636835207&amp;postID=3795038409391433769' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6996408022636835207/posts/default/3795038409391433769'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6996408022636835207/posts/default/3795038409391433769'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://obompastordiocesebraga.blogspot.com/2008/09/pblico-so-joo-damasceno-dizia-se.html' title='Um novo encontro Fé - Arte'/><author><name>obompastor</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08085080511645471150</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='33' height='32' src='http://www.pime.org.br/pimenet/imagens/mmjunejul2003-f31-a.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_K_i7t9i5bp8/SMRZ0e4JsaI/AAAAAAAAAH8/DTrESM7PdLY/s72-c/Ravasi.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6996408022636835207.post-148188218588537338</id><published>2008-09-04T22:35:00.003+01:00</published><updated>2008-09-04T22:38:40.340+01:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://4.bp.blogspot.com/_K_i7t9i5bp8/SMBUxszjIyI/AAAAAAAAAH0/kKc5Oi5ODYc/s1600-h/Hirte_mit_Schaf.Oil.2007_002_504x600.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; 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Cristo é, primeiramente, o mediador entre cada eu consigo mesmo, permitindo a cada eu ser um eu. Esta não é uma relação abstracta, redutível a uma conceptualização formal. Há, já o dissemos, uma existência fenomenológica, uma carne. Se é a ipseidade originária do Arqui-Filho que edifica o eu, unindo o eu consigo mesmo, esta relação unificadora é também o alimento que apascenta as ovelhas, as nutre e lhes assegura o crescimento, porque o eu unificado consigo acresce-se e engrandece-se. Este acréscimo em qualquer possível eu, esta auto-afecção que toca o eu em toda a extensão do seu ser é o corpo, a carne fenomenológica, o corpo vivo. Sou-me dado a mim mesmo, neste corpo vivo e assim sou um eu, sou o meu eu. Mas, não sou eu que me dou a mim, não sou eu que me unifico. Eu não sou a porta que me abre a mim mesmo. Eu não sou a erva que me alimenta e me faz crescer. No meu corpo sou-me dado, mas eu não me dou o meu corpo. A minha carne, o meu corpo vivo é o de Cristo. É o que diz Aquele que João cita: «Eu sou a porta: aquele que entrar por mim… entrará e sairá e encontrará pastagens» (Jo 10, 9)".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Michel Henry, Eu sou a verdade, Ed. Vega, 1998, 120-121.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6996408022636835207-148188218588537338?l=obompastordiocesebraga.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://obompastordiocesebraga.blogspot.com/feeds/148188218588537338/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6996408022636835207&amp;postID=148188218588537338' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6996408022636835207/posts/default/148188218588537338'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6996408022636835207/posts/default/148188218588537338'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://obompastordiocesebraga.blogspot.com/2008/09/wilfried-schwabe-2007-normal-0-21-false.html' title=''/><author><name>obompastor</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08085080511645471150</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='33' height='32' src='http://www.pime.org.br/pimenet/imagens/mmjunejul2003-f31-a.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_K_i7t9i5bp8/SMBUxszjIyI/AAAAAAAAAH0/kKc5Oi5ODYc/s72-c/Hirte_mit_Schaf.Oil.2007_002_504x600.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6996408022636835207.post-3990136746568917347</id><published>2008-09-02T23:02:00.002+01:00</published><updated>2008-09-02T23:04:59.197+01:00</updated><title type='text'>Conta-se que…</title><content type='html'>&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_K_i7t9i5bp8/SL24fdTNtWI/AAAAAAAAAHM/mrK7gEOaadk/s1600-h/Onda+-+Rui+Pedro+Santos+Duarte.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5241548391909799266" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_K_i7t9i5bp8/SL24fdTNtWI/AAAAAAAAAHM/mrK7gEOaadk/s320/Onda+-+Rui+Pedro+Santos+Duarte.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Um Ancião recebeu, certa vez, a visita de alguns amigos:&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;- Gostaríamos muito que nos ensinasses aquilo que aprendeste todos estes anos – disse um deles.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;- Estou velho – respondeu o Homem.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;- O que conversas com Deus? Quais são as coisas importantes que devemos pedir?&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;O homem sorriu.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;- No começo, eu tinha o fervor da juventude, que acredita no impossível. Então eu pedi que me desse forças para mudar a humanidade. Aos poucos, vi que era uma tarefa para além das minhas forças. Então comecei a pedir forças para mudar o que estava à minha volta.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;- Neste caso, podemos garantir que parte do teu desejo foi atendido – disse um dos amigos – o teu exemplo serviu para ajudar muita gente.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;- Ajudei muita gente com o meu exemplo; mesmo assim sabia que não era o pedido.Só agora, no final da minha vida, é que entendi o pedido que devia ter feito logo desde o início.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;- E qual é esse pedido?&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;- Que eu fosse capaz de me mudar a mim mesmo.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;[Maria Helena Gonçalves]&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6996408022636835207-3990136746568917347?l=obompastordiocesebraga.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://obompastordiocesebraga.blogspot.com/feeds/3990136746568917347/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6996408022636835207&amp;postID=3990136746568917347' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6996408022636835207/posts/default/3990136746568917347'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6996408022636835207/posts/default/3990136746568917347'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://obompastordiocesebraga.blogspot.com/2008/09/conta-se-que.html' title='Conta-se que…'/><author><name>obompastor</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08085080511645471150</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='33' height='32' src='http://www.pime.org.br/pimenet/imagens/mmjunejul2003-f31-a.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_K_i7t9i5bp8/SL24fdTNtWI/AAAAAAAAAHM/mrK7gEOaadk/s72-c/Onda+-+Rui+Pedro+Santos+Duarte.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6996408022636835207.post-5807048122680088951</id><published>2008-09-02T22:57:00.000+01:00</published><updated>2008-09-02T22:58:32.726+01:00</updated><title type='text'>Para Te servir</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Sendo este o Ano Jubilar Paulino, é natural ter presente o Apóstolo dos povos: o seu ardor, a sua incansável peregrinação missionária, a sua pregação aos gentios (oportuna e inoportunamente), a sua ousadia e destemor…&lt;br /&gt;A propósito, veio-me à lembrança um poema que escrevi, há mais de uma dezena de anos, num momento de enorme ardor apostólico. Ouso partilhá-lo hoje convosco. Julgo que ele diz bem o ardor que já nos possuiu, a todos nós, em algum momento. E ainda possui! Por isso cá estamos… Uma chama destas não se extingue facilmente! Mas… como todas as chamas sujeitas aos efeitos das “intempéries”, sofre oscilações na sua intensidade… De vez em quando, precisa de ser espevitada…&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para Te servir!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para te servir, Senhor,&lt;br /&gt;eu queria ser&lt;br /&gt;ponte, estrada, rio,&lt;br /&gt;luz do sol ao nascer,&lt;br /&gt;vento, calor e frio,&lt;br /&gt;nuvem no céu a correr…&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se eu fosse ponte levaria,&lt;br /&gt;tanta gente para o Teu lado&lt;br /&gt;que, por certo, ficaria&lt;br /&gt;deserto o outro lado!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se eu fosse luz do sol ao nascer&lt;br /&gt;faria com que te vissem&lt;br /&gt;mesmo os que Te não querem ver!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se eu fosse vento, calor e frio&lt;br /&gt;temperaria as paixões&lt;br /&gt;que são causa de tanta guerra&lt;br /&gt;e suavizaria os corações&lt;br /&gt;de todos os povos da Terra!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se eu fosse nuvem no céu a correr&lt;br /&gt;cobriria a maldade do homem&lt;br /&gt;que Te causa tanta mágoa&lt;br /&gt;e choraria por ele&lt;br /&gt;até secar minha água!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para te servir, Senhor,&lt;br /&gt;eu queria ser&lt;br /&gt;ponte, estrada, rio,&lt;br /&gt;luz do sol ao nascer,&lt;br /&gt;vento, calor e frio,&lt;br /&gt;nuvem no céu a correr…&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Carminda de Sousa Marques&lt;br /&gt;(in Deixa-me falar de Ti! 2ª edição AO, 2003)&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6996408022636835207-5807048122680088951?l=obompastordiocesebraga.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://obompastordiocesebraga.blogspot.com/feeds/5807048122680088951/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6996408022636835207&amp;postID=5807048122680088951' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6996408022636835207/posts/default/5807048122680088951'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6996408022636835207/posts/default/5807048122680088951'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://obompastordiocesebraga.blogspot.com/2008/09/para-te-servir.html' title='Para Te servir'/><author><name>obompastor</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08085080511645471150</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='33' height='32' src='http://www.pime.org.br/pimenet/imagens/mmjunejul2003-f31-a.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6996408022636835207.post-6787439516626302596</id><published>2008-09-02T22:52:00.002+01:00</published><updated>2008-09-02T22:56:29.386+01:00</updated><title type='text'>Saber pedir</title><content type='html'>&lt;div align="center"&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_K_i7t9i5bp8/SL22FsUyzAI/AAAAAAAAAHE/yFAIFcTXi9A/s1600-h/Giovanni+Lanfranco,+Milagre+do+P%C3%A3o+e+dos+Peixes,+1620-23.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5241545750243101698" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_K_i7t9i5bp8/SL22FsUyzAI/AAAAAAAAAHE/yFAIFcTXi9A/s320/Giovanni+Lanfranco,+Milagre+do+P%C3%A3o+e+dos+Peixes,+1620-23.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt; &lt;span style="font-size:78%;"&gt;Giovanni Lanfranco, Milagre do Pão e dos Peixes, 1620-23&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;div align="justify"&gt;Se um filho (diz Cristo) pedir pão a seu pai, dar-lhe-á uma pedra? Se lhe pedir peixe, dar-lhe-á uma serpente? Ou se lhe pedir um ovo, dar-lhe-á um escorpião? Pois esta é a razão por que Deus, que nos trata como filhos, nos diz muitas vezes de não, e nos nega o que pedimos; porque pedimos pedras; porque pedimos serpentes; porque pedimos escorpiões. Cuidamos que pedimos o necessário, e pedimos o inútil; cuidamos que pedimos o proveitoso, e pedimos o nocivo: e isto é pedir pedras. Cuidamos que pedimos sustento, e pedimos veneno; cuidamos que pedimos o que havemos de comer, e pedimos o que nos há-de comer; cuidamos que pedimos com que viver, e pedimos o que nos há-de matar: e isto é pedir serpentes, e escorpiões. Quando somos tão néscios, ou tão meninos, que não distinguimos o escorpião do ovo, nem a serpente do peixe, nem o pão da pedra, Deus que é Pai, e tão bom Pai, por que nos não há-de negar o que tão ignorante, e tão perigosamente pedimos?&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;António Vieira, &lt;em&gt;Sermão da Terceira Quarta-feira da Quaresma&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;[Silva Pereira]&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6996408022636835207-6787439516626302596?l=obompastordiocesebraga.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://obompastordiocesebraga.blogspot.com/feeds/6787439516626302596/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6996408022636835207&amp;postID=6787439516626302596' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6996408022636835207/posts/default/6787439516626302596'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6996408022636835207/posts/default/6787439516626302596'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://obompastordiocesebraga.blogspot.com/2008/09/saber-pedir.html' title='Saber pedir'/><author><name>obompastor</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08085080511645471150</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='33' height='32' src='http://www.pime.org.br/pimenet/imagens/mmjunejul2003-f31-a.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_K_i7t9i5bp8/SL22FsUyzAI/AAAAAAAAAHE/yFAIFcTXi9A/s72-c/Giovanni+Lanfranco,+Milagre+do+P%C3%A3o+e+dos+Peixes,+1620-23.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6996408022636835207.post-2696132987653315384</id><published>2008-08-14T09:16:00.003+01:00</published><updated>2008-08-14T09:24:55.116+01:00</updated><title type='text'>O verdadeiro amor do próximo</title><content type='html'>&lt;div align="center"&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_K_i7t9i5bp8/SKPqbVuJy5I/AAAAAAAAAG8/YVLxceIoIBw/s1600-h/Mestre+Desconhecido+Holand%C3%AAs,+1537.+O+Bom+Samaritano.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5234284947342740370" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_K_i7t9i5bp8/SKPqbVuJy5I/AAAAAAAAAG8/YVLxceIoIBw/s320/Mestre+Desconhecido+Holand%C3%AAs,+1537.+O+Bom+Samaritano.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;Mestre desconhecido holandês, 1537. O bom samaritano&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;O AMOR do próximo&lt;br /&gt;é o amor que desce de Deus&lt;br /&gt;ao homem.&lt;br /&gt;É anterior ao que sobe&lt;br /&gt;do homem até Deus.&lt;br /&gt;Deus tem pressa de descer&lt;br /&gt;até aos infelizes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Apenas uma alma se dispõe&lt;br /&gt;ao consentimento,&lt;br /&gt;ainda que seja a última,&lt;br /&gt;a mais miserável,&lt;br /&gt;a mais disforme,&lt;br /&gt;Deus precipita-se nela&lt;br /&gt;para poder, através dela,&lt;br /&gt;olhar, escutar&lt;br /&gt;os desgraçados.&lt;br /&gt;E só com o andar do tempo&lt;br /&gt;a alma toma conhecimento&lt;br /&gt;desta presença.&lt;br /&gt;Mas embora não encontre nome&lt;br /&gt;para lhe chamar,&lt;br /&gt;em todo o sítio&lt;br /&gt;onde os infelizes são amados&lt;br /&gt;por si mesmos&lt;br /&gt;Deus está presente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Deus não está presente,&lt;br /&gt;embora invocado,&lt;br /&gt;onde os infelizes são simplesmente&lt;br /&gt;uma ocasião de fazer o bem,&lt;br /&gt;ainda que sejam amados com este título.&lt;br /&gt;Porque assim&lt;br /&gt;estão no seu papel natural,&lt;br /&gt;no seu ofício de matéria,&lt;br /&gt;de coisa.&lt;br /&gt;São amados impessoalmente.&lt;br /&gt;E é preciso levar-lhes,&lt;br /&gt;no seu estado inerte, anónimo,&lt;br /&gt;um amor pessoal.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por isso mesmo,&lt;br /&gt;expressões como&lt;br /&gt;amar o próximo em Deus,&lt;br /&gt;por Deus,&lt;br /&gt;são expressões enganadoras&lt;br /&gt;e equívocas.&lt;br /&gt;Um homem precisa&lt;br /&gt;de todo o seu poder de atenção&lt;br /&gt;para ser capaz simplesmente de olhar&lt;br /&gt;este bocado de carne inerte&lt;br /&gt;e sem vestidos&lt;br /&gt;à beira do caminho.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não é ocasião&lt;br /&gt;de voltar o pensamento para Deus.&lt;br /&gt;Como há momentos&lt;br /&gt;em que é preciso pensar em Deus&lt;br /&gt;esquecendo todas as criaturas&lt;br /&gt;sem excepção,&lt;br /&gt;há momentos em que ao olhar as criaturas&lt;br /&gt;é preciso não pensar explicitamente&lt;br /&gt;no Criador.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nestes momentos&lt;br /&gt;a presença de Deus em nós&lt;br /&gt;tem como condição&lt;br /&gt;um segredo tão profundo&lt;br /&gt;que chega a ser segredo&lt;br /&gt;para nós mesmos.&lt;br /&gt;Há momentos&lt;br /&gt;em que pensar em Deus nos separa dele.&lt;br /&gt;O pudor é condição&lt;br /&gt;da união nupcial.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No amor verdadeiro, não somos nós&lt;br /&gt;que amamos os infelizes em Deus,&lt;br /&gt;é Deus em nós que ama os infelizes.&lt;br /&gt;Quando estamos em desgraça,&lt;br /&gt;é Deus em nós que ama&lt;br /&gt;aqueles que nos querem bem.&lt;br /&gt;A compaixão e a gratidão&lt;br /&gt;descem de Deus,&lt;br /&gt;e quando elas se trocam&lt;br /&gt;num olhar,&lt;br /&gt;Deus está presente&lt;br /&gt;no ponto onde os olhares&lt;br /&gt;se cruzam.&lt;br /&gt;O infeliz e o outro&lt;br /&gt;ama-se a partir de Deus,&lt;br /&gt;através de Deus,&lt;br /&gt;mas não por amor de Deus;&lt;br /&gt;amam-se por amor um do outro.&lt;br /&gt;Isto é qualquer coisa de impossível.&lt;br /&gt;Assim, só por meio de Deus,&lt;br /&gt;é possível fazer-se.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O que dá pão&lt;br /&gt;a um infeliz esfomeado,&lt;br /&gt;por amor de Deus,&lt;br /&gt;Cristo não lho agradecerá.&lt;br /&gt;Recebeu já o seu salário&lt;br /&gt;só com ter este pensamento.&lt;br /&gt;Cristo agradecerá&lt;br /&gt;àqueles que não sabiam&lt;br /&gt;a quem davam de comer.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Simone Weil, Attente de Dieu(1957)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Extraído de À Porta do Farol Faz Escuro.&lt;br /&gt;Textos escolhidos traduzidos e dispostos ritmicamente por Manuel Simões&lt;br /&gt;Editorial A.O. - Braga&lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;[Silva Pereira]&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6996408022636835207-2696132987653315384?l=obompastordiocesebraga.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://obompastordiocesebraga.blogspot.com/feeds/2696132987653315384/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6996408022636835207&amp;postID=2696132987653315384' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6996408022636835207/posts/default/2696132987653315384'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6996408022636835207/posts/default/2696132987653315384'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://obompastordiocesebraga.blogspot.com/2008/08/o-verdadeiro-amor-do-prximo.html' title='O verdadeiro amor do próximo'/><author><name>obompastor</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08085080511645471150</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='33' height='32' src='http://www.pime.org.br/pimenet/imagens/mmjunejul2003-f31-a.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_K_i7t9i5bp8/SKPqbVuJy5I/AAAAAAAAAG8/YVLxceIoIBw/s72-c/Mestre+Desconhecido+Holand%C3%AAs,+1537.+O+Bom+Samaritano.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6996408022636835207.post-1647729453585820059</id><published>2008-08-05T10:11:00.000+01:00</published><updated>2008-08-05T10:13:18.225+01:00</updated><title type='text'>As caixas de Deus</title><content type='html'>&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_K_i7t9i5bp8/SJgZdzhIm0I/AAAAAAAAAG0/cvtyv5P7eA8/s1600-h/caixas.JPG"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5230958967026916162" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_K_i7t9i5bp8/SJgZdzhIm0I/AAAAAAAAAG0/cvtyv5P7eA8/s320/caixas.JPG" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Tenho na minha mão duas caixas que Deus me deu para segurar.Ele disse: "Pões todas as tuas mágoas na caixa negra e todas as tuas alegrias na caixa dourada". Segui as Suas palavras e nas duas caixas, tanto as minhas alegrias como mágoas guardei.Mas embora a dourada ficasse dia a dia mais pesada, a preta estava tão leve como antes. Com curiosidade abri a preta, queria descobrir porquê. E vi, na base da caixa, um buraco por onde as minhas mágoas tinham caído. Mostrei o buraco a Deus e perguntei divertida: "Onde andarão as minhas mágoas?". Ele sorriu gentilmente e disse: "Elas estão todas aqui comigo!". Perguntei a Deus por que me havia ele dado então as caixas, porquê a dourada e porquê a preta com o buraco. "A dourada é para manteres contigo e te lembrares sempre das coisas boas; a preta é para te libertares das más".&lt;br /&gt;(Autor desconhecido)&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;[Helena Gonçalves]&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6996408022636835207-1647729453585820059?l=obompastordiocesebraga.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://obompastordiocesebraga.blogspot.com/feeds/1647729453585820059/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6996408022636835207&amp;postID=1647729453585820059' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6996408022636835207/posts/default/1647729453585820059'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6996408022636835207/posts/default/1647729453585820059'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://obompastordiocesebraga.blogspot.com/2008/08/as-caixas-de-deus.html' title='As caixas de Deus'/><author><name>obompastor</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08085080511645471150</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='33' height='32' src='http://www.pime.org.br/pimenet/imagens/mmjunejul2003-f31-a.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_K_i7t9i5bp8/SJgZdzhIm0I/AAAAAAAAAG0/cvtyv5P7eA8/s72-c/caixas.JPG' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6996408022636835207.post-87308751902793189</id><published>2008-08-03T00:11:00.002+01:00</published><updated>2008-08-03T00:14:21.351+01:00</updated><title type='text'>Na tua luz veremos a luz</title><content type='html'>&lt;div align="center"&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_K_i7t9i5bp8/SJTqHajwiUI/AAAAAAAAAGs/ddzLbxjPExg/s1600-h/Primavera-sol.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5230062480393275714" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_K_i7t9i5bp8/SJTqHajwiUI/AAAAAAAAAGs/ddzLbxjPExg/s320/Primavera-sol.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt; José Luís Mendes, olhares.com&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;p&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;&lt;/span&gt; &lt;/p&gt;&lt;p&gt; &lt;/p&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;DA MODERNIDADE, LUZ QUE EM NÓS MORA,&lt;br /&gt;À AURORA, LUZ QUE VEM DE FORA&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;1. A Sabedoria do Amor e do Sentido&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;A teologia é Sabedoria. Sabedoria do Amor, e não amor da sabedoria. A teologia é a Sabedoria de um Amor «crucificado», e só faz boa teologia «aquele que sabe que Outro morreu por ele», para usar a expressão forte de Soren Kierkegaard, e fazer memória dos mais firmes fundamentos paulinos de um amor condescendente e oblativo que nos preside e nos precede (Gl 2,20; 1 Ts 5,10). Assim, porque leva consigo esta intensa história de Amor, o teólogo fala calando e cala falando, rezando, amando, escutando, sempre em bicos de pés, no limiar do silêncio, sempre à escuta da Palavra criadora de Deus, som que nunca se ouviu, silêncio que nunca se calou (Paul Beauchamp). Premurosa pesquisa de sentido por debaixo da rumorosa espuma das palavras. O Verbo de Deus não anda na crista da onda de sons e de sílabas, sintaxe e fonética. O Verbo de Deus não faz vibrar o ar, é sem som e sem sombra. Não sendo a letra nem o som, Ele é o sentido dessa letra e desse som (Paul Beauchamp). E, de modo diferente da letra e do som, o sentido, que se recebe depois de um longo, lento e paciente trabalho de interpretação, ou de rajada, como uma iluminação, o sentido – dizia – não faz barulho. O sentido nunca fez barulho, nunca faz barulho.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;2. A metáfora da Luz ou a modernidade&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;A metáfora da Luz – iluminismo – enche a modernidade. A luz da modernidade é a razão que quer iluminar todas as coisas, querendo assim compreender, com o que há de «prender» no compreender (Emmanuel Levinas), toda a realidade. Esta luz da razão produz identificação (redução do outro à esfera do «eu») e emancipação. Diz Karl Marx, em A Questão Judaica: «A emancipação é a recondução do mundo e de todas as coisas ao homem, para fazer do homem, não mais o objecto, mas o sujeito da sua própria história, do seu próprio destino». É assim que o homem se faz senhor, e não pastor (o pastor é frágil) (Martin Heidegger), e, como senhor, pode dizer: «Eu, eu, e mais ninguém» (Sf 2,15), ou «Eu, eu, e fora de mim não há ninguém» (Is 47,7 e 9), ou ainda «Eu fiz-me a mim mesmo» (Ez 29,3), e ainda «Sou rico, enriqueci, e não preciso de nada» (Ap 3,17), e mais recentemente «Eu penso, logo existo» («Cogito, ergo sum») (Descartes). Como se vê, este homem que se arvora em senhor absoluto, liquida ao mesmo tempo a ideia de criação (Deus) e a ideia de geração (mãe), pondo Deus de lado e esquecendo a sua mãe, e pensando que se põe sozinho no ser pelo seu próprio pensamento, mais ou menos homossexual (Adriana Cavarero). Este triunfo da identidade com o normal corolário da desmedida «identificação», redução de tudo ao «eu» e ao «mesmo», produz a solidão, que sou «eu» sozinho no meio de objectos, depois de reduzir os outros a objectos (Gn 2,18) (Abraham Joshua Heschel), e faz aparecer, pela primeira vez na história da humanidade, o ateísmo, e torna-se fonte de totalitarismos e violências inauditas. É o tempo da razão forte, do discurso lógico e ideológico, do logocentrismo, do sermão inflamado, do compêndio único. Em A Gaia Ciência, aforismo 125, Nietzsche descreve plasticamente esta realidade, quando faz sair, para a praça da cidade, em plena luz do dia, um homem louco, que leva na mão uma lanterna acesa, enquanto grita pela cidade: «Deus morreu; nós matámo-lo!» Foi assim que nos tornámos os senhores do mundo. Mas começa, entretanto, a cair a noite e a fazer frio. Não é o assassinato de Deus que apoquenta Nietzsche. Apoquenta-o a orfandade em que, com esse acto desmedido e de tresloucada audácia, caiu a humanidade. A frouxa luz da lanterna que exibe e com que em plena luz do dia pretende iluminar o mundo representa ironicamente a luz da razão, da nossa pequena razão, que quer sempre dominar o mundo, retê-lo na sua mão fechada.&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;br /&gt;3. A metáfora da Noite ou a pós-modernidade&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;A metáfora da Noite traduz a pós-modernidade, tempo em que a razão forte da modernidade se descobre como razão frágil e fragmentada, incerta e inquieta, ao sabor do slogan rápido e afectado. A democracia cede terreno à mediocracia. O sucesso não tem a ver com a razão e o discurso bem elaborado, mas com o dizer mais afectado, mais alto e mais rápido. A noite é um tempo de naufrágio. Partindo de uma cena do Rerum Natura, de Lucrécio, que narra os sentimentos de dor e de angústia, mas ao mesmo tempo de tranquilizante conforto, de um observador que, na praia, com os pés em terra firme, assiste a um navio que se afunda, lá longe, no mar, Hans Blumenberg define a modernidade como «naufrágio com espectador». Neste sentido, o homem moderno ainda pensava que tinha um pedaço de terra firme debaixo dos pés: a sua razão. Ao contrário, o homem pós-moderno perdeu já esse naco de terra e de razão e está dentro do navio que se afunda, sendo ao mesmo tempo náufrago e espectador. A única coisa que lhe resta é tentar construir, com os restos do navio desconstruído, um jangada que lhe permita sobreviver por algum tempo. A pós-modernidade, como a noite, é um tempo sem horizontes, em que cada um se fecha na concha da sua própria solidão, no seu pequeno grupo de amigos, no seu mundo fechado, à volta de umas quantas latas de cerveja, de pequenos rituais herméticos e esotéricos e correspondente vocabulário, à mistura com uns kicks emocionais, para logo resvalar outra vez cada um para o seu naco insensato de solidão, escuridão e indiferença. A questão já nem sequer é a falta de sentido. A questão é a ausência de perguntas pelo sentido. Estamos na «noite do mundo» (Weltnacht), diz Martin Heidegger, no tempo do exílio. E diz uma velha história rabínica que «os jovens perguntaram ao velho rabino quando começou o exílio de Israel. Ao que o velho rabino respondeu que o exílio de Israel começou no dia em que Israel deixou de sofrer pelo facto de estar no exílio». Compreenda-se, portanto, que o exílio verdadeiro não consiste simplesmente em estar longe de casa ou da pátria, mas sobretudo em tornar-se indiferente e insensível, sem causas, sem sonhos e sem esperas. Os límpidos versos do poeta espanhol Antonio Machado dizem a mesma coisa de outra maneira: «En el corazón tenía/ la espina de una pasión;/ logré arrancármela un dia:/ ya no siento el corazón». A noite da pós-modernidade deixa-nos na indiferença e na insensibilidade, sem amor nem dor nem alegria, sem grandes sonhos, sem grandes causas, sem perguntas e sem esperas, perdidos no meio de fragmentos, agarrados ao nosso bocado de tempo, que há que fruir (Gianni Vattimo), de acordo com o horaciano carpe diem, documentado também na Sb 2,6-9, em Is 22,13 e em 1 Cor 15,32.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;4. A metáfora da Aurora ou a Luz que vem de fora&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;Depois da luz e da noite, já se vislumbra no horizonte a metáfora da Aurora, luz que vem de fora. O canto de um galo rasga a noite, e Pedro sai para fora. E chora (Mt 26,74-75). O mais querigmático dos animais anuncia a Pedro que está a nascer o dia. O dia mesmo. O dia sem noite e sem série (Zc 14,7; Ap 21,23). É o que assinala o galo presente nos sarcófagos dos primeiros cristãos, donde passa para os campanários das Igrejas. O galo não se rege pelas horas do relógio, nem o seu canto pelas notas musicais. São partituras de sentido que trauteia, música nova, que vem de fora, e não entra pelo ouvido. Rombo na totalidade. Evento-Advento (Ereignis). O tudo, pelo simples facto de ser tudo, tem necessariamente de ser limitado, limitado com limite, mas sem limiar, porque o tudo, se é tudo, como é que pode ter ainda janelas para outra coisa?! A aurora é luz que vem de fora, rebenta o limite com a graça de um novo limiar. Claro convite a trans-gredir, de trans-gredior, dar um passo para além de. Transformar o limite num novo limiar. Evento-Advento para um novo Êxodo. A nova ordem é sair para fora de si, pois é de fora de ti que vem o sentido da vida. O rosto do Outro, incontrolável e inviolável, é a ordem nova e o sentido até agora insuspeitado (Emmanuel Levinas). Deus deixa-se encontrar por aqueles que não o procuram,/ manifesta-se àqueles que não se dirigem a Ele (Is 65,1; cf. Rm 10,20). Deus vem, portanto. Evento-Advento, Êxodo, escuta, encontro, espanto. «De outro modo que ser» (Emmanuel Levinas). Cogitor, ergo sum (Karl Barth). Amor, ergo sum. «Sou pensado, logo existo». «Sou amado, logo existo». Eu não sou incestuosa e tautologicamente filho de mim mesmo, como sugeria o cogito cartesiano. Um Amor me precede. Outras mãos me acolhem. Outras mãos se estendem para mim. Sair de mim. Do meu mundo, dos meus projectos, dos meus domínios e afazeres, do meu «eu» patronal, do meu esforço para permanecer no ser, o espinoziano conatus essendi. «Sair (yasa’) é o verbo emblemático do êxodo. Exprime uma saída sem retorno, que reclama a saída do bebé do ventre materno» (Ubaldo Terrinoni). Saída para uma radical confiança no outro que me precede e me acolhe. Pensar depois do Evento-Advento e do Êxodo significa, na verdade, «ser pensado», «ser amado».&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;5. Um percurso paradigmático&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;Recordamos aqui o caso sério de Martin Heidegger. Começou como estudante de teologia. A teologia é, no seu dizer, a disciplina da escuta humilde do silêncio de Deus. Decorridos dois anos, passou-se para a filosofia, que é a disciplina da interrogação radical («Por que há o ser e não o nada?»), da compreensão e do domínio da realidade. Fruto desta sua postura é o «Ser o Tempo» (Sein un Zeit), obra aparecida em 1926, que tem a sua tradução prática na sua adesão, em 1933, ao nacional-socialismo, como ideologia de domínio da realidade pela violência. O mundo esperou pela segunda Parte desta Obra, que nunca chegou a aparecer. Na verdade, Heidegger, reconhecendo a tragédia do projecto nacional-socialista, que quanto mais tentava subjugar o mundo, mais este lhe escorregava das mãos, reconheceu também o fracasso da sua filosofia, ao verificar que, se era possível dizer o ser das coisas (Dasein), já não era possível dizer o Ser (Sein) que está por detrás das coisas, pois não é possível dizer o Ser com as palavras da nossa linguagem, sempre demasiado frágeis e pequenas, capazes de dizer o fragmento, mas incapazes de dizer o abismo que sustenta e em que navega o fragmento. Por outras palavras: como dizer o «de outro modo que ser» com a linguagem do ser? Surge então, nos anos 1936-1938, em que escreve Beiträge zur Philosophie (Vom Ereignis) [Contributos para a Filosofia (do Evento)] – obra publicada postumamente, em 1989 –, a chamada «reviravolta» (Kehre) heideggeriana, em que Heidegger se apercebe que pensar não consiste no orgulhoso exercício de interrogar, compreender e dominar o ser, mas na atitude humilde de escutar o Ser – passagem da interrogação para a escuta –, sendo que «escutar é deixar-se dizer», e falar não é dominar, mas simplesmente re-dizer o Dizer que escutámos. Imensa mudança de perspectiva e atitude. Da luz da nossa pequena razão, que em nós mora, que tudo pretende dominar para aprisionar, à luz da aurora, que vem de fora, para nos libertar.&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;br /&gt;6. «Na tua luz veremos a luz»&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;É o dizer luminoso do Sl 36,10. E Paulo pode ser o ícone do homem novo nascido dessa torrente de luz que nos cega e nos acende os olhos (Act 9,1-18; 22,6-16; 26,12-23). Um vasto mar de amor me precede, me envolve, me revolve e me devolve a mim. Eu dado a mim (Claude Bruaire). O homem bíblico tem de viver de mãos abertas (kaph). Só assim se recebe das mãos de Deus para ele estendidas (Is 65,2), das palmas das mãos de Deus em que está carinhosamente tatuado (Is 49,16). É de mãos abertas que Deus governa o mundo (Ecli 18,3). O Talmud, que é a sabedoria hebraica condensada em cinco milhões de palavras, refere exemplarmente que o punho cerrado representa a sabedoria do imbecil, que pensa que detém o mundo nas malhas da sua rede. E refere depois que, quando a mão inicia o movimento de se abrir, é como as pétalas de uma flor que se abre à vida. E acrescenta: é assim que floresce a inteligência. E, quando a mão se abre completamente, é a mão do sábio, que não retém nada, mas conhece o valor do encontro e do dom. E, cruzando agora as duas mãos abertas, ficamos com a imagem do «pássaro, livre, que voa». Processo inverso ao da filosofia, desde Zenão a Platão, Descartes, Fichte e Nietzsche, que apresentam o conhecimento como a captura ou compreensão que o sujeito faz do objecto. A verdade (a-lêtheia) é assim o desvelamento ou desocultação a que o sujeito submete o objecto, para dele se apoderar, representando-o e reproduzindo-o na mente, «adequação entre a coisa e a mente» (adequatio rei et intellectus), como referem Aristóteles e Tomás de Aquino. O último Heidegger, a que já aludimos, considera que esta concepção de verdade é a matriz da violência do Ocidente, e diz as coisas de outra maneira: não é o sujeito que captura e desoculta o objecto, mas é o objecto que sai do seu esconderijo e se oferece ao homem como dom, como evento (Ereignis). Por isso, a função do sujeito já não é capturar e dominar com o que há de «prender» no compreender, mas acolher com espanto, alegria e reconhecimento. A Bíblia e a teologia estão claramente do lado do último Heidegger. Mas vão muito mais longe, trans-gredindo-o, pois não se trata de objectos que se entregam ao homem, mas de um Tu, o Tu de Deus, que, por amor, vem até ao homem e a ele se entrega por amor, debruçando-se sobre ele e abaixando-se até ao ponto de lhe lavar os pés e a alma (Von Balthasar), de cuidar dele, de o alimentar, de lhe afagar o rosto, de o ensinar a andar: «Fui Eu que ensinei a andar Efraim,/ que os ergui nos meus braços,/ mas não conheceram que era Eu que cuidava deles!/ Com vínculos humanos Eu os atraía./ Com laços de amor,/ Eu era para eles como os que erguem uma criancinha de peito contra a sua face,/ e me debruçava sobre ela para a alimentar» (Os 11,3-4). Aí está a verdade (’emet) como confiança (’emunah), derivados de ’aman, que significa segurar, firmar, fiar-se. É o mundo da mãe e do bebé, da aleitação, da lalação, da palavra antes das palavras.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;7. A metáfora da tartaruga ou a transgressão&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;A tartaruga acaba de deixar o seu esconderijo para um passeio nocturno. O sapo vê-a sair de casa àquela hora, e adverte-a: «A esta hora não é muito aconselhável sair, tartaruga». Mas a tartaruga continua, e, arriscando um passo mais longo, vê-se virada de patas para o ar, sobre a sua própria couraça. O sapo exclama: «Eu bem te avisei, tartaruga; é uma imprudência sair a esta hora; morrerás aí!» «Bem sei», respondeu a tartaruga com um olhar entre a malícia e a delícia; «Bem sei, mas é a primeira vez que estou a ver o céu estrelado!» A tartaruga ensina que não nos podemos contentar em viver mais ou menos tranquilamente com a cabeça enterrada na areia do céu ou da terra. Deduzir o céu da terra, ou o Último do penúltimo, é apenas areia. Areia é trocar o Último pelo penúltimo. O penúltimo é o mundo dos meios sem fins, da razão instrumental (Max Horkheimer), das pessoas como objectos, que se movem no tempo como os objectos se movem no espaço. Um passo em frente. É imperioso e urgente pensar. Trans-gredir. «Pensar é trans-gredir» (Denken heisst überschreiten) (Ernst Bloch). Sair de casa como a tartaruga, extasiar-se e desviar-se do caminho como Moisés (Ex 3,3-4). É o céu que vem interromper curso e percurso. O Último interrompe o penúltimo, mundo desencantado (Max Weber), outra vez visitado, amado, encantado. Pensar é trans-gredir, pensar é ser pensado, amado. A luta e o amor. «Tu és bela, minha amada,/ terrível como um exército em ordem de batalha» (Ct 6,4). Para além dos meios. Amor sem luta é posse de um objecto. O amor verdadeiro é agónico. Não é por acaso que agápê (amor) e agôn (luta) têm a mesma etimologia. Paradoxo do amor: o amor faz-te feliz, matando-te! Quanto mais amas, lutas, e te matas a amar, mais te encontras: «Quem quiser salvar a sua vida, perdê-la-á; ao contrário, quem perder a sua vida por causa de mim, salvá-la-á» (Lc 9,24). Aí está o verdadeiro ícone do amor, Cristo, que não se salvou a si mesmo para me salvar a mim, morrendo por amor de mim, trans-gredindo assim a morte. Ícone do amor. Ícone também da trans-gressão, do advento e do êxodo: sai de Deus, sai de si, sai para Deus.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;8. A partir da esperança&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;Paulo diz aos cristãos de Éfeso que, antes de terem sido encontrados por Cristo, viviam «sem esperança e sem Deus no mundo (elpída mê échontes kaì átheoi en tô kósmô)» (Ef 2,12). Este marcador Paulino atravessa a Encíclica Spe salvi, de Bento XVI. Sem Deus no mundo, habitação desabitada, não há esperança. Pode haver apenas pequenas deduções, como quem deduz o céu da terra ou o Último do penúltimo. No mundo grego, esperança é elpís, e tem o significado de «previsão», «lícita expectativa», sempre assente nos nossos calculismos e exercícios racionais, pequenas deduções. Ao contrário, a esperança bíblica e cristã, de que fala Paulo (e Bento XVI), é sem medida, tem a ver com o nunca antes visto, aponta para além das leis da natureza, está em luta aberta contra as evidências. Trata-se de «esperar contra a esperança» (par’ elpída ep’ elpídi = contra a esperança na esperança) (Rm 4,18). É assim que Paulo define a atitude de Abraão. No mundo hebraico, esperança é tiqwah, e deriva de qaw, que pode significar «fio», «fita métrica», «cordel para medir». Percebe-se que tem a ver com o «fio» que se estica para medir, até chegar à medida ainda sem medida e sem solução à vista, mas que tem solução recebida de Deus. É como o «fio», a «corda», o «arame» estendido entre a dor e a consolação esperada, entre a humanidade e Deus, fio tenso, não abaulado, e seguro entre duas mãos, a de Deus e a nossa. Única maneira de se poder atravessar, com segurança e confiança, o vau da morte. Paulo transfere esta imagem do «fio» ou da «corda» para o mundo e para o homem, e coloca-os nesta tensão esperante, através do recurso ao nome apokaradokía (Rm 8,19; Fl 1,20), de apò + kara + dokéô [= fora de + cara (rosto) + esperar] que só ele usa no NT, e que é desconhecido no grego antes do Cristianismo. Apokaradokía traduz a atitude de quem alonga o pescoço o mais possível para tentar ver o que ainda não se vê, atitude muito próxima da traduzida por apekdéchomai (Rm 8,25), de apò-ek-déchomai, que implica uma forte conotação de recepção, tensão para receber a salvação de Deus, tensão para o dom, pois um dom, não o podemos produzir com as nossas mãos; só o podemos receber de outras mãos. A esperança bíblica e cristã consiste na dupla atitude amante de estarmos sempre à espera de Alguém, e de sabermos que Alguém espera por nós. Habitação habitada, êthos e éthos. É Deus que constrói a casa, a habitação (êthos); é dele que recebemos o hábito, a ética (éthos).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;António Couto&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6996408022636835207-87308751902793189?l=obompastordiocesebraga.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://obompastordiocesebraga.blogspot.com/feeds/87308751902793189/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6996408022636835207&amp;postID=87308751902793189' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6996408022636835207/posts/default/87308751902793189'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6996408022636835207/posts/default/87308751902793189'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://obompastordiocesebraga.blogspot.com/2008/08/na-tua-luz-veremos-luz.html' title='Na tua luz veremos a luz'/><author><name>obompastor</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08085080511645471150</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='33' height='32' src='http://www.pime.org.br/pimenet/imagens/mmjunejul2003-f31-a.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_K_i7t9i5bp8/SJTqHajwiUI/AAAAAAAAAGs/ddzLbxjPExg/s72-c/Primavera-sol.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6996408022636835207.post-2052000915254113104</id><published>2008-08-02T18:11:00.000+01:00</published><updated>2008-08-02T18:13:24.306+01:00</updated><title type='text'>Interpelação-Resposta</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://2.bp.blogspot.com/_K_i7t9i5bp8/SJSVX_z4fjI/AAAAAAAAAGU/Kw7MK0u2pGQ/s1600-h/CaravaggioVoca%C3%A7%C3%A3o+Mateus.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer;" src="http://2.bp.blogspot.com/_K_i7t9i5bp8/SJSVX_z4fjI/AAAAAAAAAGU/Kw7MK0u2pGQ/s400/CaravaggioVoca%C3%A7%C3%A3o+Mateus.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5229969306782563890" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;  &lt;p style="text-align: center;" class="MsoNormal"&gt;Caravaggio - Vocação de Mateus&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="text-align: justify;" class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="text-align: justify;" class="MsoNormal"&gt;“Como vemos nós que este gesto realiza, de facto, uma interpelação, que essa interpelação origina uma vocação e, portanto, se dirige a um apenas, que o identifica e o reconhece? Nós vemo-la – a esta interpelação – manifestar-se no olhar de Mateus, infinitamente mais do que no gesto do próprio Cristo; porque Mateus, que levanta os olhos da mesa e se desvia das moedas, não se apercebe tanto de Cristo, mas sim do seu olhar, que o atinge; … Então – e nisso está o momento decisivo – apanhado no cruzamento dos olhares, Mateus tenta, com a sua mão esquerda, o gesto de se designar a si mesmo, em silenciosa resposta à interpelação, que não podia ser dita, nem escutada, e pergunta, ou melhor, anuncia: «Eu?» O que faz ver a vocação, isto é, a interpelação duplamente invisível, não resulta de um sinal visível (de facto, sempre indistinto), mas da própria resposta”.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="" lang="FR"&gt;Jean-Luc Marion, &lt;i style=""&gt;Étant donné&lt;/i&gt;, Paris 1997, 392-393.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6996408022636835207-2052000915254113104?l=obompastordiocesebraga.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://obompastordiocesebraga.blogspot.com/feeds/2052000915254113104/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6996408022636835207&amp;postID=2052000915254113104' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6996408022636835207/posts/default/2052000915254113104'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6996408022636835207/posts/default/2052000915254113104'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://obompastordiocesebraga.blogspot.com/2008/08/interpelao-resposta.html' title='Interpelação-Resposta'/><author><name>obompastor</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08085080511645471150</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='33' height='32' src='http://www.pime.org.br/pimenet/imagens/mmjunejul2003-f31-a.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_K_i7t9i5bp8/SJSVX_z4fjI/AAAAAAAAAGU/Kw7MK0u2pGQ/s72-c/CaravaggioVoca%C3%A7%C3%A3o+Mateus.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6996408022636835207.post-3236732781265974686</id><published>2008-08-01T11:15:00.002+01:00</published><updated>2008-08-01T11:20:09.781+01:00</updated><title type='text'>Crer é razoável</title><content type='html'>&lt;div align="center"&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_K_i7t9i5bp8/SJLivAzyC6I/AAAAAAAAAGM/LDs8KmWpluE/s1600-h/Moretto+da+Brescia,+F%C3%A9.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5229491414629485474" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_K_i7t9i5bp8/SJLivAzyC6I/AAAAAAAAAGM/LDs8KmWpluE/s320/Moretto+da+Brescia,+F%C3%A9.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt; Moretto de Brescia, &lt;/span&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Fé&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A fé não é o mesmo que perder a confiança na razão, ao ver os limites do nosso conhecimento; não é a entrega ao irracional, em face dos perigos de uma razão meramente instrumental. A fé não é também expressão de cansaço ou de fuga, mas sim afirmação corajosa do ser, e abertura à grandeza e complexidade da realidade. A fé é um acto de afirmação. Apoia-se na força de um novo sim que o homem se torna capaz de pronunciar em virtude da iniciativa com que Deus vai ao seu encontro.&lt;br /&gt;Precisamente na situação hodierna, de aberto e vasto ressentimento contra a racionalidade da técnica, parece-me importante evidenciar a razoabilidade essencial da fé. Nem a releitura crítica, desde há tempos em curso, poderia legitimamente censurar à modernidade a confiança na razão enquanto tal, mas apenas a redução do conceito de razão, visto que esta redução é que acabou por abrir a porta às ideologias irracionais. O mistério, tal como o alcança a fé, não é o irracional, mas sim a máxima profundidade da razão divina, que nós, com a nossa fraca vista, não temos capacidade para penetrar. Sempre foram e continuam a ser afirmação fundamental da fé as palavras com que João, retomando e aprofundando a narrativa da Criação contida no Antigo Testamento, abre o seu Evangelho: “No princípio era o Logos”, a razão criadora, a energia da inteligência de Deus, que enche de significado todas as coisas. Só poderemos compreender rectamente o mistério de Cristo a partir deste início, em que a razão se manifesta também como amor.&lt;br /&gt;A primeira afirmação da fé diz-nos, portanto: tudo o que existe é pensamento feito realidade. O Espírito criador é a origem e o princípio que funda todas as coisas. Tudo o que existe é, na origem, racional, porque procede da razão criadora.&lt;br /&gt;Novamente nos encontramos perante a oposição fundamental entre materialismo e fé. O credo do materialismo postula que ao princípio se encontra o irracional, e que só as leis do acaso produziram a racionalidade sobre a base da irracionalidade. A razão é, pois, um subproduto da ausência de razão, e a sua estrutura, assim como as suas leis, são simplesmente resultado de combinações produizdas por uma instância alheia, privada de conteúdo ético ou estético. Assim o homem se torna um adepto da engrenagem do mundo que ele faz progredir de acordo com os seus fins. E o irracional continua a ser a autêntica potência originária.&lt;br /&gt;A fé ensina exactamente o oposto: o Espírito é a origem criadora de todas as coisas, e por isso elas têm em si uma razão não derivada de si mesmas e que as ultrapassa infinitamente, embora constituindo a sua mais íntima lei. A razão criadora, que dota as coisas de uma racionalidade objectiva, de uma lógica oculta e de uma ordem intrínseca, é ao mesmo tempo razão moral e Amor.(...)&lt;br /&gt;Perante a actual crise da razão, é bom que volte a brilhar claramente esta natureza essencialmente razoável da fé. A fé salva a razão, até porque a abraça em toda a sua amplitude e profundidade e a protege contra as tentativas para a reduzir àquilo que pode ser verificado experimentalmente. O mistério não se apresenta como inimigo da razão; pelo contrário, salva e defende a íntima racionalidade do ser e do homem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Cardeal Ratzinger, A Igreja e a Nova Europa&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;[Silva Pereira]&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6996408022636835207-3236732781265974686?l=obompastordiocesebraga.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://obompastordiocesebraga.blogspot.com/feeds/3236732781265974686/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6996408022636835207&amp;postID=3236732781265974686' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6996408022636835207/posts/default/3236732781265974686'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6996408022636835207/posts/default/3236732781265974686'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://obompastordiocesebraga.blogspot.com/2008/08/crer-razovel.html' title='Crer é razoável'/><author><name>obompastor</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08085080511645471150</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='33' height='32' src='http://www.pime.org.br/pimenet/imagens/mmjunejul2003-f31-a.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_K_i7t9i5bp8/SJLivAzyC6I/AAAAAAAAAGM/LDs8KmWpluE/s72-c/Moretto+da+Brescia,+F%C3%A9.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6996408022636835207.post-1023918689606149152</id><published>2008-07-28T23:38:00.008+01:00</published><updated>2008-07-29T00:39:19.077+01:00</updated><title type='text'>Pausa</title><content type='html'>&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Durante o Verão, o jornal La Croix oferece, todos os dias, aos leitores, uma selecção de canções francesas. Algumas podem ser escutadas no &lt;/span&gt;&lt;a href="http://www.la-croix.com/article/index.jsp?docId=2344965&amp;amp;rubId=5548"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;site&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt; deste diário católico. As sugestões incluem músicas antigas e recentes de autores pouco ou muito conhecidos. Na lista, encontram-se, por exemplo, &lt;em&gt;Le petit âne gris&lt;/em&gt;, de Hugues Aufray; &lt;em&gt;La valse à mille temps&lt;/em&gt;, de Jacques Brel; &lt;em&gt;Le jour se lève&lt;/em&gt;, de Grand Corps Malade; &lt;em&gt;Le Métèque&lt;/em&gt;, de Georges Moustaki. &lt;em&gt;Pause&lt;/em&gt;, de Anne Sylvestre, é uma das propostas que vale a pena ouvir.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5228210107438580034" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_K_i7t9i5bp8/SI5VZHj7wUI/AAAAAAAAAGE/MGVF8UkvoLo/s320/annesylvestre.jpg" border="0" /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;PAUSE&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ça serait une pause&lt;br /&gt;Entre deux sonneries&lt;br /&gt;Quand le bruit se repose&lt;br /&gt;Un soupçon d'accalmie&lt;br /&gt;Ça serait un silence&lt;br /&gt;Au milieu du fracas&lt;br /&gt;La minute d'absence&lt;br /&gt;Où on ne répond pas&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Un petit temps d'arrêt&lt;br /&gt;Siou plait&lt;br /&gt;Je crois qu'il me faudrait&lt;br /&gt;Juste un peu de secret&lt;br /&gt;Juste un peu de secret&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;{Refrain:}&lt;br /&gt;Faire un palier&lt;br /&gt;Rien qu'un petit palier&lt;br /&gt;Grappiller cet instant&lt;br /&gt;Pour mettre innocemment&lt;br /&gt;Pour mettre impunément&lt;br /&gt;Un peu de flou dans mon emploi du temps&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ça serait un mensonge&lt;br /&gt;Entre deux vérités&lt;br /&gt;Une question qui plonge&lt;br /&gt;Avant d'être posée&lt;br /&gt;Ça serait une fable&lt;br /&gt;Au milieu des discours&lt;br /&gt;Une fuite improbable&lt;br /&gt;Un ultime recours&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Même si ça dépayse&lt;br /&gt;Oh please&lt;br /&gt;Il faudrait que je dise&lt;br /&gt;Juste quelques bêtises&lt;br /&gt;Juste quelques bêtises&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;{au Refrain}&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ça serait un scaphandre&lt;br /&gt;Au milieu des requins&lt;br /&gt;Quand la chair est si tendre&lt;br /&gt;Et l'habit si mesquin&lt;br /&gt;Ça serait une esquive&lt;br /&gt;A ce monde voyeur&lt;br /&gt;La défense passive&lt;br /&gt;Armure du rêveur&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sans beaucoup d'exigence&lt;br /&gt;Je pense&lt;br /&gt;Qu'il me faudra d'urgence&lt;br /&gt;Juste un peu de silence&lt;br /&gt;Juste un peu de silence&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;{au Refrain}&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/
